Para quem ainda não viu, o trailer:
Enfim, assisti ao polêmico filme Tropa de Elite. Ao meu ver, um dos melhores filmes brasileiros! Muitas críticas iam no sentido de que o filme é fascista, desumano, pois faria apologia à tortura; que confirmaria máximas do tipo “bandido bom é bandido morto”, todo estudante universitário é playboy e maconheiro, ou ainda que “ong de cú é rola!”.Como perceberam, não concordo. Se bem que é verdade, que pode ser mal interpretado por pessoas de extrema direita, ou por pessoas acéfalas que quiseram fazer paródia do filme no Youtube. São coisas inevitáveis! O longa só trás à tona o sentimento de muitas pessoas. Meu professor de Ética contou que a grande maioria das cartas que o Legislativo recebia do povo durante a elaboração da Constituição Federal continha este tipo de visão. Aquilo que o Jeremias falava quando ficava bêbado: “É safado, tem que morrer” ou “se eu pusesse eu matava mil”.Mas a intenção do diretor José Padilha era a de retratar a realidade sob a ótica dos policiais do BOPE (Batalhão de Operações Especiais do Rio de Janeiro). Este trecho inicial, mostra como o filme é todo narrado em primeira pessoa (característica que explicita que a visão é da personagem) e não em terceira, elemento próprio do discurso universal:(vídeo retirado do youtube)Se você quer ver sob uma outra ótica (porque um problema tão sério não pode ser tratado de uma forma maniqueísta), assista ao documentário do mesmo diretor chamado Ônibus 174, que trata sobre a trajetória de Sandro Nascimento, autor do seqüestro do ônibus 174 em 12 de junho de 2000 no Rio de Janeiro e que era um dos sobreviventes da Chacina Candelária, também no Rio, em 1993. E neste parágrafo, não existe um ponto de ficção, por mais incrível que seja. (Não assisti, mas irei vê-lo em breve).
Este filme é um tapa na cara da classe média igual aos tapas que os policiais dão nas ruas e favelas. As pessoas precisam entender que em um ponto, os policiais estão certos: estes consumidores financiam atrocidades. O filme não discute a legalização das drogas, mas a reflexão é inevitável. Não tenho opinião formada sobre o assunto, pois se isso for consumado, muitas coisas podem acontecer e o caminho não tem volta. Por isso, temos que entender essas possibilidades e assumi-las, caso realmente desejemos que as drogas se tornem legais.
Se você não assistiu ao filme na telona, não perca a oportunidade! E que seja em um bom cinema, pois a fotografia e a sonoplastia são de excelente qualidade, bem como a atuação de todos os atores é impecável.
Apesar de os pesares sobre o Jô, a entrevista com José Padilha é muito boa e por isso ela está abaixo:
*Entrevista ao Programa do Jô – Parte 1
*Entrevista ao Programa do Jô – Parte 2
*Entrevista ao Programa do Jô – Parte 3
Achei uma comunidade no Orkut com um bom nível de discussão. Clicando aqui, você irá para o post sobre o filme e ver a discussão que acontece desde 12 de agosto de 2007 e que está acontecendo até agora (hora em que escrevo este artigo). Leia também os excelentes comentários de Arthur Xexéo e de Cesar Zamberlan sobre o filme; bolgs que tratam sobre segurança pública e que têm outras referências: Blog da Segurança PúblicaSegurança Pública – Idéias e Ações.
Também é importante ler o livro Elite da Tropa de Luís Eduardo Soares, André Batista e Rodrigo Pimentel, o qual baseou o filme de José Padilha. (assim que eu ler, comentarei aqui).
Ia falar sobre a sala em que assisti, sobre um local legal para jantar, mas o post já está grande.
Bom filme!
Olé
*Os três vídeos com a íntegra da entrevista foram retirados do Youtube pela Rede Globo. Assim que esta última arrumar o site criado para seus próprios vídeos, eu colocarei aqui (“embedarei”). Enquanto isso, deixo as partes que restaram. Essa é a Globo e seus direitos autorais que dificultam o acesso das pessoas às poucas coisas boas que ela faz.
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