Copyleft - All rights reversed!
Publicado em 28 de dezembro de 2007, às 0:27. | 3 Comentários
Artigo sobre Colunistas, Reflexão.
O olhar desatento pode não ter reparado no jogo de palavras do título deste post. Mas, apesar da discrição e além de bem pensado, ele guarda um nem tão novo conceito de diretos autorais que vem revolucionando o mundo da produção cultural.
O termo surgiu de uma troca de cartas entre os geeks Don Hopkins e Richard Stallman, respectivamente, um artista-programador e programador-ativista, mas a história deles fica para uma outra postagem. Voltando a vaca fria… Com certeza, em algum momento de sua vida, você é capaz de se recordar de um C circundado, “©”, colocado no canto de algum produto. Esse “C” significa Copyright:all rights reserved. Que traduzido para o bom português, quer dizer: “Direitos sobre a cópia: todos os direitos reservados” e se aplica sobre qualquer forma de produção intelectual humana, seja ela um texto, uma música, uma peça de teatro, um documentário, a fórmula de uma cerveja…
Na prática, no dia-a-dia, o Copyright significa que (1) qualquer execução/exibição pública da obra (como numa balada na sua casa, por exemplo) deve ser comunicada ao artista e seus respectivos direitos autorais pagos, normalmente para alguma instituição que intermedia os direitos autorais (o ECAD – Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), (2) a cópia (integral ou parcial) e (3) as criações derivadas de determinada obra devem possuir autorização do autor. Um bom exemplo da aplicação deste último caso é típico dos DJs ou VJs, que necessitariam de autorizações específicas para cada trecho de cada obra que desejassem samplear (retirar pequenos trechos da música, como uma batida, o som de uma cuíca etc.) para compor uma música própria ou fazer uma releitura da original. Um caso famoso de releitura é o do Zeca Baleiro com a música Proibida Para Mim do Charlie. Que, a propósito, ficou belíssima. Um artista menos conhecido, no entanto, teria muito mais dificuldade para realizar uma releitura e publicizá-la, pois até pouco tempo seria inevitável a passagem por todos os meandros e intermediários de um processo jurídico enfadonho, que muitas vezes julga aparte da vontade do artista- comumente pré-disposto a novas versões. Esse fenômeno jurídico tem cerceado o potencial criativo das pessoas num período de ampliação das possibilidades de troca, vulgo internet e globalização.
Pensando nisso, na supressão dessa lacuna - na dinamização do processo jurídico e na real democratização do conhecimento, e inspirado, por mais incrível que pareça, no próprio Copyright, criou-se a Creative Commons que oferece gratuitamente e didaticamente licenças do tipo Copyleft: some rights reserved para as autores interessados. Creative Commons é o nome (1) do conjunto de licenças padronizadas para gestão aberta, livre e compartilhada de conteúdos e informações e (2) da ONG norte-america que redigiu as redigiu os termos e mantêm as discussões sobre o assunto. Em resumo, acontece que silenciosamente esta nova categoria de propriedade intelectual (nova, mas nem tanto, fez cinco aninhos dia 14 de dezembro) vem engendrando mudanças qualitativas na forma de se produzir conhecimento e cultura.
Mas, e aí? Já tem gente fazendo isso?
Sim. Claro! E não é de hoje! Um ilustre exemplo é o nosso excelentíssimo ministro da Cultura, Gilberto Gil. Seu último CD foi lançado com alguns direitos reservados. Isso significa que você pode ir lá no site do Gil, copiar as músicas para seu PC e…
“Espera um pouco”, pensa você
“Copiar as músicas para meu PC?”
“Isso é legal?”
Agora pode ser, se o artista assim quiser. Esse tipo de licença que o Gilberto Gil está utilizando permite que qualquer um copie e distribua as músicas de seu CD e as toque para si, para os amigos ou para o mundo, desde que não o faça com intuito comercial, para obter lucro e que seus trabalhos derivados estejam disponíveis sob o mesmo tipo de licença, para manter o espírito de colaboração. E aí, se quiser você pode samplear, recortar, espremer, mastigar a música, todas essas possibilidades já estão previstas nesse tipo de licença. Para ter uma idéia de como a coisa funciona com o Gil, é só entrar em www.gilbertogil.com.br e conferir. E aproveite para notar o CC – Creative Commons, no canto inferior direito da página turnê Banda Larga.
Fantástico, não? Sem dúvida, e não são iniciativas isoladas…
Esse movimento de liberação ampliada das produções culturais para uso pessoal tem tomado uma dimensão fantástica. No campo da musica internacional, por exemplo, os internautas fans da banda americana Radiohead tiveram a oportunidade de baixar o CD novo sem custo algum, se assim os desejasse. Os caras da banda pensaram: “Por que ainda precisamos de tantos intermediários entre nós e o público?” e resolveram soltar o seu último CD - In Rainbows em seu site. Para conseguir o CD bastava digitar no campo disponível o quanto você desejava pagar por ele, isso incluía zero libras, e baixar o disco. Sim, o CD poderia lhe sair na faixa. E, contrariando qualquer expectativa dos marketeiros de plantão, segundo os dados da Comcast, empresa americana de estatísticas na internet, a banda chegou a faturar cerca de 2,8 milhões de dólares no período em que as músicas estiveram disponíveis. Fora o tanto mais obtido com a venda do case Box, a mídia física. Hoje, no entanto e infelizmente, não é mais possível obter o álbum pelo site.
Experiência semelhante também está sendo empreendida pela MTV. Em sua nova produção, os responsáveis pelo Jack Ass decidiram botar o filme na rede para ser baixado por quem quiser, desde o dia 19 até dia 31 de dezembro, quando encerram os downloads virtuais e daí, para assistir, só comprando pela net mesmo. O vídeo está disponibilizado no link blockbuster.jackassworld.com, mas, tristemente, somente para os americanos.
Isso tudo, ainda sem falar nas produções colaborativas com conteúdos licenciados pela CC – Creative Comons, como o (1) Wikipedia, Flickr, Orkut, Blogs, do movimento Cultura Livre, nem (2) dos softwares livres, com o Linux, Firefox, uTorrent, entre outros, que vem sacudindo o mundo digital - e repercutindo sobre o real, com uma nova forma de se produzir funcionalidades, conteúdos e interação. Mas isso tudo, já é papo para mais outra postagem.
Tendo dito tudo isso, cabe pensar:
Como esse tipo de distribuição afeta as vendas dos produtos físicos? Será que incentiva a propaganda boca-a-boca e aumenta a venda deles, ou o contrário?
Será que a pirataria já não faz o mesmo? Vide o caso de Tropa de Elite, conforme vem sendo noticiado, não houve impacto sobre a bilheteria do filme. Para se ter uma idéia, segundo notícia publicada no O Globo, só no primeiro final de semana o filme teve 90% mais publico que Cidade de Deus, filme com público alvo semelhante e mesma classificação. Em números absolutos, isso significa 180 mil pessoas assistindo Tropa de Elite num mesmo final de semana.
Como ficam as distribuidoras, se a maior parte da produção passar a ser comercializada online?
Serão essas mudanças casos isolados, tendências ou uma mudança estrutural inevitável no mercado da cultura?
Só o tempo dirá, mas, enquanto isso, vamos curtir as novidades e se informar um pouco mais…
Site da Creative Commons do Brasil, www.creativecommons.org.br
Video bem elucidativo, explicando as causas e funcionalidades da Creative Commons.
Download do novo livro de Fernando Gabeira – Navegação na Neblina, sob a licença da Creative Commons, trata da crise política do PT – Partido dos Trabalhadores, www.gabeira.com.br/pop_livro.html
Matéria comentando sobre a Agência Brasil adotar a licença 2.5 da CC: www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2006/07/09
Banco de sons (não músicas) para construção de músicas freesound.iua.upf.edu.
Banco de conteúdos livres em geral 60sox.org.au.
O renomado MIT – Massachusetts Institute of Technology, oferece vários materiais de seus cursos para download. Alguns já traduzidos. Em ocw.mit.edu/OcwWeb/web/courses/lang/br/br.htm
A USP também oferece algo parecido. Apesar de não vinculada a Creative Commons, por ser uma universidade pública, é seu dever tornar público o conhecimento ali gerado. Para tanto, é só acessar: www.teses.usp.br
Bom proveito!
Bruno Incáo
Screensaver Inteligente
Publicado em 26 de dezembro de 2007, às 3:07. | 2 Comentários
Artigo sobre Academia.

Todo mundo que já mexeu um pouco que seja com um computador olhou em algum momento para a proteção de tela. A única utilidade prática deste recurso é evitar que a tela do computador passe muito tempo para em uma mesma imagem, evitando assim marcas e manchas que poderiam aparecer neste caso.
Algum tempo atrás entretanto, tive contato com uma idéia que coloca uma utilidade a mais nos screensavers. Entrando no site do Boinc (Berkeley Open Infrastructure for Network Computing) você pode baixar um programa que possibilita que você ajude várias pesquisas e projetos do mundo utilizando sua proteção de tela. Quando o computador entra no estado de repouso e ativa o screensaver o programa utiliza seu computador para processar dados destes projetos. Assim, juntando vários pequenos computadores pessoais, estas pesquisas podem obter uma capacidade de processamento maior até do que de muitos supercomputadores. Logo que você mexe o mouse tudo volta ao normal e o processamento só volta quando o screensaver entrar novamente.
Entre no site e confira todas as possibilidades de projetos e pesquisas em que você pode ajudar. Desde busca de vida inteligente no espaço até cura para doenças graves como AIDS ou câncer, todos são formados por pesquisas acadêmicas sérias e precisam de ajuda para processar seus dados.
Daniel Possa
A família cresce!
Publicado em 22 de dezembro de 2007, às 23:07. | Deixe um comentário!
Artigo sobre Colunistas, O Blog.
Uma das idéias que tivemos foi trazer outras pessoas para enriquecer o blog. Afinal, se nós vamos atrás de várias referências, porque não dar voz a pessoas interessantes? Logo, criamos um espaço especial para elas. Ele foi chamado de Convidados.
O primeiro convidado foi o Machado. Começamos muito bem! Ele não é apenas um pseudescritor que tenta passar algumas visões como eu e o Possa. Ele também é artista! Trouxe sua habilidade que o acompanha desde pequeno para dar movimento a esta vereda através de suas tirinhas. Aliás, as ilustrações que estão hoje no topo do blog também são dele.
Em discussões intermináveis sobre o Vereda Estreita (que são muito boas!), pensamos em mudar a seção. Então, aquele espaço passa a se chamar Colunistas. A idéia é que as pessoas que convidarmos possam publicar suas crônicas, que por extensão de sentido, segundo o Dicionário Houaiss, crônica pode ser: “coluna de periódicos, assinada, com notícias, comentários, algumas vezes críticos e polêmicos, em torno de atividades culturais (literatura, teatro, cinema etc.), de política, economia, divulgação científica, desportos etc., atualmente tb. abrangendo um noticiário social e mundano”. Portanto, nossos convidados são colunistas, geralmente, focados em algum assunto.
Outra pessoa que se animou bastante para entrar no time de colunistas foi o Bruno. Ele é um cara muito pró-ativo e tem incríveis percepções do mundo. Adora a sua terra (Sorocaba) e a cultura do povo caipira, além de ter ótimos ouvidos. Nada mais justo que abrir passagem nesta vereda às suas reflexões.
E por falar em bons ouvidos, apresentamos por último o Swan. Ele nos acompanha desde os tempos de ECA Jr. e foi um dos idealizadores do blog desta agência. É um cara muito sensível, não só em relação à música, mas à vida. Poderia facilmente ser poeta! Também é louco de pedra e pula de cabeça nas coisas (às vezes, literalmente).
Como pode perceber, estamos muito bem servidos!
Se quiser saber mais sobre os nossos colunistas, você encontra na página Colunistas uma pequena descrição sobre cada um e na categoria de mesmo nome estão reunidos todos os posts deles.
Tenha ótimas (re) leituras!
Daniel e Olé
O Primeiro Último Show
Publicado em 21 de dezembro de 2007, às 4:50. | Deixe um comentário!
Artigo sobre Música, Reflexão.
Nesta semana, a notícia que mais chamou a atenção dentro da cena musical brasileira foi a separação da dupla Sandy e Junior. Preferências musicais a parte, acredito que podemos tirar várias discussões interessantes deste fato.

Verdade seja dita: o som pode desagradar a muitos ou ter estereótipo de música para “menininhas”, mas vende muito. A dupla conseguiu manter por muitos anos seus primeiros fans e foram criando novos com o passar do tempo. Assim se formou uma geração que já nascia cantando os sucessos da dupla. Nos últimos anos entretanto, apesar da tentativa de emplacar um som mais maduro, o que houve foi um desgaste da imagem perante o público que começava a curtir um outro som.
O som que a garotada começa a ouvir hoje é totalmente baseado no internacional. Emo Core, Pop e Rock formam as bases da música que iniciam os jovens hoje dentro do mundo musical. Todas as músicas são cantadas em inglês e fogem de alguma temática nacional. Antes as mães podiam sair e deixar seus filhos escutarem as músicas de Sandy e Junior sem receio. O conteúdo seria correto, o som seria bem feito e a música era puramente brasileira. Não podemos nos esquecer que os dois são filhos de Chitãozinho ou Xororó (nunca sei ao certo). Trazendo desta maneira as raízes do sertanejo popular para a formação do público infantil.
Logicamente a separação da dupla não é decorrente da mudança de hábitos do público. Depois de o Brasil inteiro acompanhar o crescimento dos dois ouve-se ao fundo um “já estava mais do que na hora” como resposta. Assim surgiu o tão antecipado e explorado anúncio do último show, que rendeu uma grande volta à cena para eles que andavam meio em baixa nos últimos tempos.
Interessante agora é pensar no que virá. Alguns dizem que Sandy será o próximo sucesso como cantora de Jazz e MPB. Imagino que virá uma grande construção de imagem da cantora mais madura, a desvinculando totalmente do irmão. Caso isso realmente aconteça e dê resultados, será que algum dia veremos Sandy no mesmo nível que uma Maria Rita ou Adriana Calcanhotto? Seria esta bem aceita por um público tão exigente? Resta esperar para conferir. Do outro lado no entanto, Junior parece mesmo condenado ao limbo.
Acredito que o fans não precisam se preocupar muito, tenho certeza de que Sandy e Junior não demorarão tanto quanto os 19 anos que o Led Zeppelin levou para dividir o palco novamente. Está na moda a chamada para um último show como última oportunidade para curtir bandas extintas. Entretanto sempre surgem novas possibilidades, afinal “o que é imortal não morre no final”.
Daniel Possa
O assunto do último post rendeu outro, pois recebemos uma ótima dica de nossa querida leitora Marcela Tamashiro: um curso de Braille para pessoas que enxergam!
Minha tia já havia comentado comigo que era bastante fácil aprender os sinais, afinal cada um representa uma letra. E só precisa decorar 10 deles (A ao J) porque os outros são derivações lógicas. É simples!
Geralmente, o contato com este tipo de sinais acontece em lugares como elevadores (quem nunca colocou as mãos para tentar identificar algo nos botões?). E é bastante provável que quem fez isso achou praticamente impossível ler qualquer coisa através do tato, afinal este sentido é muito pouco explorado por quem não é cego.
A Faculdade de Educação da USP desenvolveu um site para quem enxerga aprender o Braille. Isto faz com que haja discussão sobre o assunto e que diminua esta distância entre dois mundos que falam e lêem a mesma língua, pois uma das dificuldades dos cegos é que são raras as pessoas que sabem ler e escrever utilizando tais signos. Fica claro que isto é mais uma coisa que deveria ser ensinada desde a escola básica. Imagine Braille e Libras para todos! Seria excelente!
Além de estar em português, espanhol e inglês, o site é bastante didático. Conta com simples explicações e utiliza exercícios e jogos para memorizá-los.
Agora é só espalhar o curso pela net e curtir um tempinho jogando no site: www.braillevirtual.fe.usp.br/
Marcela, muito obrigado pela dica!
Até mais!
Olé




















