Telefonica Open Jazz: horrível!

Publicado em 4 de dezembro de 2007, às 01:44.

Artigo sobre Música.


Se você havia se programado para acordar cedo e ir ao Parque Villa-Lobos em São Paulo curtir o show de Diana Krall (ou aqui) e, assim que o despertador tocou desistiu para aproveitar a manhã de se seu domingo de outra maneira, fez muito bem!

Isso não tem nada a ver com a cantora (que é considerada como uma das melhores cantoras de Jazz do mundo), mas com a produção do show. Assim como o objetivo das empresas que realizam esse tipo de evento é promover sua marca, o efeito contrário deve acontecer. Portanto, tudo o que relatarei a seguir é de responsabilidade da Telefonica.

Cheguei por volta das 10h30 e o evento ainda não havia começado. Muito trânsito, muita gente no parque, muito sol, mas tudo tranqüilo.

foto por Olé

foto por Olé

Como estava sozinho, pude chegar perto da grade que delimitava onde o público comum poderia ficar. Fiz isso sem incomodar ninguém, pois ainda havia espaço entre as pessoas.

Duas coisas que chamaram muito a atenção: a primeira é que o palco estava em um local mais alto do que a platéia e a segunda:

foto por Olé

foto por Olé

Aliás, isto chamou a atenção de todos que ali estavam, pois ela era imensa! Muitas cadeiras brancas à espera de convidados especiais.

Saiba que, na foto acima, à direita das pessoas que estão “enfileiradas” exatamente em frente ao palco, existe uma área igual a esta e que atrás delas, tem uma torre de som.

Não resisti, e fiz um desenho para ficar bem claro o que tentei descrever:

esquema palco diana krall

Imagino que os produtores devem ter pensado muito para elaborar tal maravilha! Só devem ter esquecido de uns pequenos detalhes como, por exemplo, a segurança das pessoas que ficaram abarrotadas no centro. Imagine em uma situação de tumulto!

Quando o show da banda Mantiqueira começou, o público sentou-se no chão. Uma boa solução. Assim as pessoas tendem a permanecer mais quietas (a qualidade musical está em jogo e o próprio público pode atrapalhar) e o som se propaga melhor, além de haver a possibilidade de tentar enxergar alguma coisa (todos ficam da mesma altura). Porém, alguns não queriam sentar. E incrivelmente eram os que estavam colados no alambrado. Não demorou nada para começarem os gritos de “senta ai!”, seguidos da multidão em coro cantando: “senta, senta, senta…”. Todo esse barulho e a Banda Mantiqueira tocando. Aos poucos, todos se sentam.

Na verdade, todos não. Uma senhora recusou-se. A multidão grita, xinga… tem de tudo! E ela, irredutível, ignora. Ainda abre uma sombrinha! A multidão começa a perder a paciência. Uma outra mulher tenta convencê-la, mas a senhora vira a sobrinha, quase que “fechando a porta na cara” da desconhecida. Foi o bastante para um homem (que fique bem claro que ele não era jovem) com apenas um safanão, destruiu a sombrinha da teimosa. Isso tudo eu vi! (Por muito pouco não filmei). Ouvi comentários de que ele não acertou só a sombrinha dela.

Calma, leitor! Irei situá-lo. Você está no Vereda Estreita, estou falando sobre um show de Jazz, que aconteceu no Parque Villa-Lobos, e o público não era formado por jovens rebeldes e muito menos havia um vocalista destruidor de guitarras no palco. É… a cena foi lamentável! Não sei o que é pior, ter visto a cena, ou ver a grande ovação que o agressor recebeu, ou ouvir os comentários das pessoas dizendo: “ela mereceu!”.

É bem provável que os envolvidos critiquem aqueles que saem por ai para arranjar briga. Pura hipocrisia! Por mais errada que a mulher estivesse, as coisas não podem ser resolvidas assim. Fiquei extremamente decepcionado com a mesma platéia que Diana Krall não cansava de dizer que adorava. Talvez, porque ela não pôde ver isto:


Também seria ótima a idéia de programar o show em um parque totalmente descampado às 12 horas, se não fosse por um pequeno detalhe: estamos em um país tropical, há alguns dias da estação chamada verão! Deixar o seu querido público-alvo três horas embaixo de sol forte, tem que gostar muito. É por isso também que se o show tivesse telões, a platéia não enxergaria imagem nenhuma, pois a incidência de luz solar era muito alta.

foto por Olé

foto por Olé

Por que o show não foi feito no sábado, por volta das 16h????? Talvez porque ninguém teria insolação, não estaria tão quente, as pessoas não precisariam de água, que aliás é rara no Parque Villa-Lobos.

Se a Telefonica realmente tivesse a intenção de fazer algo interessante, teria contratado uma empresa decente. Mas pelo visto, a idéia mesmo era apenas acompanhar a moda dos festivais de música proporcionados por algumas grandes empresas. Concluindo, o que a Telefonica comunicou através deste evento a seu público foi: “eu trato meu cliente desta forma”, ou seja, de qualquer jeito.

Veja o que estão falando por ai:
Comunidade da Diana Krall
Roseleeee

Esteve no show, também detestou a organização e quer reclamar: site do evento (aliás, este site está longe de ser bem-feito). Ali estão as informações sobre a empresa contratada para realizar o show (Dançar Marketing & Comunicações).

Pense duas vezes antes de ir ao próximo Telefonica Open Jazz! Se for igual a este, valerá a pena se você for masoquista ou se gostar muito do artista que se apresentará.

Até mais!

Olé

Cultura


Comentários

12 comentários para o artigo “Telefonica Open Jazz: horrível!”

  1. Marcelo Rosa em 4 de dezembro de 2007, às 21:47.

    Olé, estive lá também, próximo da entrada da área VIP aonde você estava encostado. Incrível que você tirou todas as palavras da minha boca.

    Vou linkar meus posts sobre o evento para cá, para você ver minha opinião.

    Amplexos.

  2. Pistache com Casca e Codorna Fatiada » Blog Archive » Telefônica Open Jazz: Diana Krall em 4 de dezembro de 2007, às 22:03.

    [...] negativa, hoje eles têm 13 mil pessoas que os detestam mais do que antes. Dêem um pulo no Vereda Estreita e leiam o relato do [...]

  3. Pistache com Casca e Codorna Fatiada » Blog Archive » Telefônica Open Jazz em 4 de dezembro de 2007, às 22:22.

    [...] “Vamos reinventar a roda”, deve ter sido a frase de algum energúmeno estagiário da Dançar Marketing ao desenhar a disposição do palco. Eles colocaram duas grandes áreas VIP, nas bordas esquerda e direita do palco, formando uma área no meio, que eles fecharam, como se fosse um curral, com a torre com as mesas de som, etc. Dessa forma, a circulação nessa área central era muito limitada. quem entrou entrou e sair era muito difícil também. O Olé do Vereda Estreita estava mais perto desta área e teve uma visão mais precisa. [...]

  4. Arthurius Maximus em 5 de dezembro de 2007, às 08:07.

    Normalmente eventos mal planejados acabam mal. felizmente nada de grave ocorreu. E esse detalhe sobre o corredor do centro que vc relatou é muito importante. Se houvesse algo que provocasse uma correria, seria um massacre naquele espaço apertado. Muita irresponsabilidade.

  5. Gizele em 9 de dezembro de 2007, às 00:28.

    Nem acredito q vc realmente foi nesse show.

    É mto raro as pessoas não reclamarem da organização de grandes eventos. Ainda mais de artistas famosos e internacionais.
    Independente do organizador, os caras realmente estão pouco se importando c/ a platéia. Pq sabem q ainda c/ essas condições péssimas o público vai.
    Ainda mais esse q foi de graça. Eles acham q já estão fazendo um favorzão.
    Aconteceu um incidente parecido ao daquela senhora c/ o guarda-chuva no Tim Festival. Só q a diferença é q era um segurança q estava atrapalhando o público. Muita falta de respeito.
    É também uma falta de respeito largar o público no sol do meio dia.
    É uma falta de respeito cobrar R$200 (o lugar mais barato) para assistir Cirque du Soleil.
    Mas mesmo assim nós vamos, não é mesmo?

  6. Anderson Bertolino em 10 de junho de 2008, às 15:42.

    Talvez se eu tivesse lido isso tudo antes de ir a edição desse ano, poderia ser que eu desistisse de estar lá. Ou até mesmo poderia não acreditar nos relatos por você descritos. Mas pra ver Macy Gray também fui obrigado a presenciar fatos lamentáveis, como uma multidão de mal-educados “empelotados” naquele parque, no qual, embora o horário previsto fosse mais tarde e fosse já início de inverno, caía uma garoa irritantemente insistente. No meio do tumulto pessoas abrindo guarda-chuvas, quase sendo ameaçadas de morte (tá, um exagero, mas semelhante), além de duas pessoas que se desentenderam e saíram jorrando sangue pela multidão afora. Excluindo tudo isso junto a falta de educação que imperava num todo, Macy Gray proporciona a quem aguardava corajosamente havia um bom tempo um espetáculo emocionante e cheio de encanto.

  7. Nice em 23 de junho de 2008, às 16:54.

    Bom gente, eu dei muito mais sorte do que vocês e fui no último evento como convidada vip da rádio Eldorado FM, fiquei sentada nas cadeiras e ganhei capa de chuva, além de ter diversos comes e bebes à vontade. Se não fosse por isso, eu não iria, jamais. Nesse tipo de evento, geralmente, sai confusão mesmo; as pessoas (que já não têm educação) se tornam mais grosseiras ainda. No show da Macy o público da área vip simplesmente levantou e invadiu a área em frente ao palco, obrigando todos os demais a se levantarem para poder ver o palco. Ambos os shows foram ótimos, mas repito, só fui porque iria ficar na área vip, caso contrário, nem pensar….

  8. Brontossauros em meu jardim » Blog Archive » Reações à Diana Krall em 9 de agosto de 2008, às 17:15.

    [...] Telefonica Open Jazz: horrível! - Vereda Estreita [...]

  9. Angela em 5 de novembro de 2008, às 10:43.

    Ah, eu fui no da Macy e fiquei a uma certa distância do palco, foi ótimo!
    Sofri somente para estacionar o carro…

    Mas o próximo, já marcado para o dia 23/11 eu não perderei por nada, pois adoro a Chaka Khan!!!

  10. breno soares em 20 de novembro de 2008, às 20:58.

    dispenso qualquer comentário deste
    Eu descobrir que no brasil quando não tem nenhum programa cultural reclama, quando tem procura algo para reclamar.
    Sei que por uns valem a pena por outros é lamentável.
    Outros pensa só em si próprio,que nem dessa senhora que ficou em pé com seu guarda-chuva.

  11. Ótimo show; infra péssima : Vereda Estreita em 26 de março de 2009, às 02:42.

    [...] do aperto. A saída não comportava todos. A sorte que o público era mais tranqüilo do que um-outro-ai e que não houve tumulto. A Chácara do Jockey não comporta de maneira segura tanta gente. Não [...]

  12. Virada Cultural 2009 aos trancos e barrancos : Vereda Estreita em 5 de maio de 2009, às 20:32.

    [...] erro grotesco que não acontece apenas em atividades gratuitas ou patrocinadas pelo governo (vide exemplo 1 e exemplo 2). E para complementar, o Secretário Municipal de Cultura [...]

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