Se você havia se programado para acordar cedo e ir ao Parque Villa-Lobos em São Paulo curtir o show de Diana Krall (ou aqui) e, assim que o despertador tocou desistiu para aproveitar a manhã de se seu domingo de outra maneira, fez muito bem!
Isso não tem nada a ver com a cantora (que é considerada como uma das melhores cantoras de Jazz do mundo), mas com a produção do show. Assim como o objetivo das empresas que realizam esse tipo de evento é promover sua marca, o efeito contrário deve acontecer. Portanto, tudo o que relatarei a seguir é de responsabilidade da Telefonica.
Cheguei por volta das 10h30 e o evento ainda não havia começado. Muito trânsito, muita gente no parque, muito sol, mas tudo tranqüilo.

foto por Olé
Como estava sozinho, pude chegar perto da grade que delimitava onde o público comum poderia ficar. Fiz isso sem incomodar ninguém, pois ainda havia espaço entre as pessoas.
Duas coisas que chamaram muito a atenção: a primeira é que o palco estava em um local mais alto do que a platéia e a segunda:

foto por Olé
Aliás, isto chamou a atenção de todos que ali estavam, pois ela era imensa! Muitas cadeiras brancas à espera de convidados especiais.
Saiba que, na foto acima, à direita das pessoas que estão “enfileiradas” exatamente em frente ao palco, existe uma área igual a esta e que atrás delas, tem uma torre de som.
Não resisti, e fiz um desenho para ficar bem claro o que tentei descrever:

Imagino que os produtores devem ter pensado muito para elaborar tal maravilha! Só devem ter esquecido de uns pequenos detalhes como, por exemplo, a segurança das pessoas que ficaram abarrotadas no centro. Imagine em uma situação de tumulto!
Quando o show da banda Mantiqueira começou, o público sentou-se no chão. Uma boa solução. Assim as pessoas tendem a permanecer mais quietas (a qualidade musical está em jogo e o próprio público pode atrapalhar) e o som se propaga melhor, além de haver a possibilidade de tentar enxergar alguma coisa (todos ficam da mesma altura). Porém, alguns não queriam sentar. E incrivelmente eram os que estavam colados no alambrado. Não demorou nada para começarem os gritos de “senta ai!”, seguidos da multidão em coro cantando: “senta, senta, senta…”. Todo esse barulho e a Banda Mantiqueira tocando. Aos poucos, todos se sentam.
Na verdade, todos não. Uma senhora recusou-se. A multidão grita, xinga… tem de tudo! E ela, irredutível, ignora. Ainda abre uma sombrinha! A multidão começa a perder a paciência. Uma outra mulher tenta convencê-la, mas a senhora vira a sobrinha, quase que “fechando a porta na cara” da desconhecida. Foi o bastante para um homem (que fique bem claro que ele não era jovem) com apenas um safanão, destruiu a sombrinha da teimosa. Isso tudo eu vi! (Por muito pouco não filmei). Ouvi comentários de que ele não acertou só a sombrinha dela.
Calma, leitor! Irei situá-lo. Você está no Vereda Estreita, estou falando sobre um show de Jazz, que aconteceu no Parque Villa-Lobos, e o público não era formado por jovens rebeldes e muito menos havia um vocalista destruidor de guitarras no palco. É… a cena foi lamentável! Não sei o que é pior, ter visto a cena, ou ver a grande ovação que o agressor recebeu, ou ouvir os comentários das pessoas dizendo: “ela mereceu!”.
É bem provável que os envolvidos critiquem aqueles que saem por ai para arranjar briga. Pura hipocrisia! Por mais errada que a mulher estivesse, as coisas não podem ser resolvidas assim. Fiquei extremamente decepcionado com a mesma platéia que Diana Krall não cansava de dizer que adorava. Talvez, porque ela não pôde ver isto:
Também seria ótima a idéia de programar o show em um parque totalmente descampado às 12 horas, se não fosse por um pequeno detalhe: estamos em um país tropical, há alguns dias da estação chamada verão! Deixar o seu querido público-alvo três horas embaixo de sol forte, tem que gostar muito. É por isso também que se o show tivesse telões, a platéia não enxergaria imagem nenhuma, pois a incidência de luz solar era muito alta.

foto por Olé
Por que o show não foi feito no sábado, por volta das 16h????? Talvez porque ninguém teria insolação, não estaria tão quente, as pessoas não precisariam de água, que aliás é rara no Parque Villa-Lobos.
Se a Telefonica realmente tivesse a intenção de fazer algo interessante, teria contratado uma empresa decente. Mas pelo visto, a idéia mesmo era apenas acompanhar a moda dos festivais de música proporcionados por algumas grandes empresas. Concluindo, o que a Telefonica comunicou através deste evento a seu público foi: “eu trato meu cliente desta forma”, ou seja, de qualquer jeito.
Veja o que estão falando por ai:
Comunidade da Diana Krall
Roseleeee
Esteve no show, também detestou a organização e quer reclamar: site do evento (aliás, este site está longe de ser bem-feito). Ali estão as informações sobre a empresa contratada para realizar o show (Dançar Marketing & Comunicações).
Pense duas vezes antes de ir ao próximo Telefonica Open Jazz! Se for igual a este, valerá a pena se você for masoquista ou se gostar muito do artista que se apresentará.
Até mais!
Olé
Comentários
12 comentários para o artigo “Telefonica Open Jazz: horrível!”
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Olé, estive lá também, próximo da entrada da área VIP aonde você estava encostado. Incrível que você tirou todas as palavras da minha boca.
Vou linkar meus posts sobre o evento para cá, para você ver minha opinião.
Amplexos.
[...] negativa, hoje eles têm 13 mil pessoas que os detestam mais do que antes. Dêem um pulo no Vereda Estreita e leiam o relato do [...]
[...] “Vamos reinventar a roda”, deve ter sido a frase de algum energúmeno estagiário da Dançar Marketing ao desenhar a disposição do palco. Eles colocaram duas grandes áreas VIP, nas bordas esquerda e direita do palco, formando uma área no meio, que eles fecharam, como se fosse um curral, com a torre com as mesas de som, etc. Dessa forma, a circulação nessa área central era muito limitada. quem entrou entrou e sair era muito difícil também. O Olé do Vereda Estreita estava mais perto desta área e teve uma visão mais precisa. [...]
Normalmente eventos mal planejados acabam mal. felizmente nada de grave ocorreu. E esse detalhe sobre o corredor do centro que vc relatou é muito importante. Se houvesse algo que provocasse uma correria, seria um massacre naquele espaço apertado. Muita irresponsabilidade.
Nem acredito q vc realmente foi nesse show.
É mto raro as pessoas não reclamarem da organização de grandes eventos. Ainda mais de artistas famosos e internacionais.
Independente do organizador, os caras realmente estão pouco se importando c/ a platéia. Pq sabem q ainda c/ essas condições péssimas o público vai.
Ainda mais esse q foi de graça. Eles acham q já estão fazendo um favorzão.
Aconteceu um incidente parecido ao daquela senhora c/ o guarda-chuva no Tim Festival. Só q a diferença é q era um segurança q estava atrapalhando o público. Muita falta de respeito.
É também uma falta de respeito largar o público no sol do meio dia.
É uma falta de respeito cobrar R$200 (o lugar mais barato) para assistir Cirque du Soleil.
Mas mesmo assim nós vamos, não é mesmo?
Talvez se eu tivesse lido isso tudo antes de ir a edição desse ano, poderia ser que eu desistisse de estar lá. Ou até mesmo poderia não acreditar nos relatos por você descritos. Mas pra ver Macy Gray também fui obrigado a presenciar fatos lamentáveis, como uma multidão de mal-educados “empelotados” naquele parque, no qual, embora o horário previsto fosse mais tarde e fosse já início de inverno, caía uma garoa irritantemente insistente. No meio do tumulto pessoas abrindo guarda-chuvas, quase sendo ameaçadas de morte (tá, um exagero, mas semelhante), além de duas pessoas que se desentenderam e saíram jorrando sangue pela multidão afora. Excluindo tudo isso junto a falta de educação que imperava num todo, Macy Gray proporciona a quem aguardava corajosamente havia um bom tempo um espetáculo emocionante e cheio de encanto.
Bom gente, eu dei muito mais sorte do que vocês e fui no último evento como convidada vip da rádio Eldorado FM, fiquei sentada nas cadeiras e ganhei capa de chuva, além de ter diversos comes e bebes à vontade. Se não fosse por isso, eu não iria, jamais. Nesse tipo de evento, geralmente, sai confusão mesmo; as pessoas (que já não têm educação) se tornam mais grosseiras ainda. No show da Macy o público da área vip simplesmente levantou e invadiu a área em frente ao palco, obrigando todos os demais a se levantarem para poder ver o palco. Ambos os shows foram ótimos, mas repito, só fui porque iria ficar na área vip, caso contrário, nem pensar….
[...] Telefonica Open Jazz: horrível! - Vereda Estreita [...]
Ah, eu fui no da Macy e fiquei a uma certa distância do palco, foi ótimo!
Sofri somente para estacionar o carro…
Mas o próximo, já marcado para o dia 23/11 eu não perderei por nada, pois adoro a Chaka Khan!!!
dispenso qualquer comentário deste
Eu descobrir que no brasil quando não tem nenhum programa cultural reclama, quando tem procura algo para reclamar.
Sei que por uns valem a pena por outros é lamentável.
Outros pensa só em si próprio,que nem dessa senhora que ficou em pé com seu guarda-chuva.
[...] do aperto. A saída não comportava todos. A sorte que o público era mais tranqüilo do que um-outro-ai e que não houve tumulto. A Chácara do Jockey não comporta de maneira segura tanta gente. Não [...]
[...] erro grotesco que não acontece apenas em atividades gratuitas ou patrocinadas pelo governo (vide exemplo 1 e exemplo 2). E para complementar, o Secretário Municipal de Cultura [...]