Em tempos de HDTV, onde toda a programação vai migrar para a Alta Resolução (Hight Definition), fica a pergunta: Por que queremos ver nossa péssima programação aberta em Alta Resolução?

Se quisermos assistir à televisão daqui a dez anos seremos obrigados a comprar um conversor, se por acaso quisermos ter acesso a uma imagem melhor teremos de comprar um televisor Full HD, mas e se quisermos ter acesso a um conteúdo de qualidade? Aí teremos de pagar mais cento e tantos reais mensais pela TV por assinatura.
Me parece um tanto estranho o fato de as emissoras estarem investindo mais em Resolução do que em conteúdo, estranho ainda é ver que o próprio governo também está mais preocupado com esta questão. Estava lendo um artigo no Conector que coloca a cultura atual como a cultura da Baixa Resolução (Lo-Rez Culture). O principal ponto defendido é de que vivemos na era da Web 2.0, onde cada vez mais as pessoas assistem vídeos via YouTube, ouvem músicas Mp3, tiram fotos pelo celular etc. Tudo isso é baixa resolução. YouTube com sua minúscula tela e sua Resolução não chega nem perto das televisões analógicas atuais, entretanto o conteúdo de vídeos é tão diverso e pode ser acessado a qualquer momento. Música Mp3 tem o som comprimido e os graves comprometidos para ter um tamanho menor e assim ser baixada de qualquer computador. Todo este universo virtual torna fácil para o usuário escolher algo que seja compatível com seu perfil, assim este não precisa mais se render ao Mainstream, assistindo a programação que gosta e que quer.
Toda essa cultura Lo-Rez me parece uma solução encontrada frente a limitada capacidade de transmissão de dados da rede. A Banda Larga no Brasil não é tão larga assim, e pior é muito cara se comparada a outros países. Hoje saiu uma reportagem na Folha de São Paulo comparando o preço da banda larga ao redor do mundo. No Japão uma internet de um mega custa R$1,81 por mês, enquanto no Brasil não sai por menos de R$60,00. Por que então o governo não se preocupa e investe em tornar melhor a rede no Brasil. Já que um dos projetos é ter laptops a $100 nas escolas brasileiras, por que estes não podem ter um acesso rápido e barato à internet?
Em outra reportagem da Folha vem o anúncio do governo que irá gastar 1 bi para financiar a conversão da TV. Em um país pobre – onde a carga tributária é uma das mais altas do mundo e a educação pública anda mal – se quer gastar o dinheiro público para ajudar as emissoras e toda a rede de empresas interessadas a convergir para o sistema digital. Acho que realmente não adianta, teremos Faustão em Alta Resolução e Educação em Baixa, assim a gente vai levando.
Daniel Possa
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