Com o último post recebi vários e-mails relacionando a conversão para TV Digital com o controle da informação. Eu estava guardando este post para outro momento, mas vou aproveitar pra emendar com o último já que este assunto está em pauta.
Não sei se todos já assistiram ao documentário “Muito Além do Cidadão Kane“. Ele trata das relações entre a maior emissora de televisão do Brasil e o governo, mostrando como a Rede Globo cresceu dentro do país e os elementos que essa coloca dentro do nosso cotidiano para ter a maior audiência. O filme conta com depoimentos de pessoas como Chico Buarque, Washington Olivetto, políticos, historiadores e estudiosos. Ou seja o filme tem um embasamento teórico e histórico dentro da idéia que defende.
O documentário foi produzido em 1993 pela BBC de Londres mas foi proibido de ser veiculado ou distribuído no Brasil por uma decisão judicial. Dizem alguns que esta ação teria sido movida pelo próprio Roberto Marinho, comparado no filme a personagem do Cidadão Kane de Orson Welles. Hoje podemos assistir o documentário graças à internet (a qualidade do vídeo é logicamente muito baixa).
O conteúdo do documentário é recheado de fatos e argumentos, alguns entretanto não foram comprovados. O que torna necessário um filtro em determinados momentos onde se força a audiência a acreditar em hipóteses. No entanto serve sempre de reflexão e ajuda a completar o enredo do filme em torno do assunto abordado.

Um ponto questionado no filme que considero muito importante é quanto à questão da visão que o brasileiro tem dos meios de comunicação. A mídia impressa por aqui é vista como partidária, o que acaba abalando sua reputação como meio confiável de informação. A televisão por sua vez é vista como neutra, principalmente pela informação ser entregue mastigada ao telespectador. Segundo o documentário a Rede Globo é vista com ainda mais credibilidade, e este argumento é sustentado com depoimentos da própria população.
Um depoimento do Chico nos leva de volta à questão do mainstream. Ele coloca que para uma banda aparecer na Globo é necessário que a gravadora pague para tal. Deste modo há uma seleção financeira sobre o que irá aparecer nos lares de grande parte da população. O que gera a questão: é mainstream porque aparece na Globo ou aparece na Globo porque é mainstream? Fica aí a reflexão, como disse no último post acredito que a internet seja um meio para se escapar a esta imposição do mercado.
De qualquer maneira, nada do que eu coloque aqui pode ser mais interessante do que assistir ao documentário. Se você tiver aí uma hora livre do seu dia, assista, vale a pena.
Daniel Possa







