Nesta semana, a notícia que mais chamou a atenção dentro da cena musical brasileira foi a separação da dupla Sandy e Junior. Preferências musicais a parte, acredito que podemos tirar várias discussões interessantes deste fato.

Verdade seja dita: o som pode desagradar a muitos ou ter estereótipo de música para “menininhas”, mas vende muito. A dupla conseguiu manter por muitos anos seus primeiros fans e foram criando novos com o passar do tempo. Assim se formou uma geração que já nascia cantando os sucessos da dupla. Nos últimos anos entretanto, apesar da tentativa de emplacar um som mais maduro, o que houve foi um desgaste da imagem perante o público que começava a curtir um outro som.
O som que a garotada começa a ouvir hoje é totalmente baseado no internacional. Emo Core, Pop e Rock formam as bases da música que iniciam os jovens hoje dentro do mundo musical. Todas as músicas são cantadas em inglês e fogem de alguma temática nacional. Antes as mães podiam sair e deixar seus filhos escutarem as músicas de Sandy e Junior sem receio. O conteúdo seria correto, o som seria bem feito e a música era puramente brasileira. Não podemos nos esquecer que os dois são filhos de Chitãozinho ou Xororó (nunca sei ao certo). Trazendo desta maneira as raízes do sertanejo popular para a formação do público infantil.
Logicamente a separação da dupla não é decorrente da mudança de hábitos do público. Depois de o Brasil inteiro acompanhar o crescimento dos dois ouve-se ao fundo um “já estava mais do que na hora” como resposta. Assim surgiu o tão antecipado e explorado anúncio do último show, que rendeu uma grande volta à cena para eles que andavam meio em baixa nos últimos tempos.
Interessante agora é pensar no que virá. Alguns dizem que Sandy será o próximo sucesso como cantora de Jazz e MPB. Imagino que virá uma grande construção de imagem da cantora mais madura, a desvinculando totalmente do irmão. Caso isso realmente aconteça e dê resultados, será que algum dia veremos Sandy no mesmo nível que uma Maria Rita ou Adriana Calcanhotto? Seria esta bem aceita por um público tão exigente? Resta esperar para conferir. Do outro lado no entanto, Junior parece mesmo condenado ao limbo.
Acredito que o fans não precisam se preocupar muito, tenho certeza de que Sandy e Junior não demorarão tanto quanto os 19 anos que o Led Zeppelin levou para dividir o palco novamente. Está na moda a chamada para um último show como última oportunidade para curtir bandas extintas. Entretanto sempre surgem novas possibilidades, afinal “o que é imortal não morre no final”.
Daniel Possa
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