Por um manejo mais sustentável
Publicado em 29 de fevereiro de 2008, às 2:26.
Artigo sobre Reflexão, Turismo.

No final de 2007 estive no Vale do Ribeira visitando seus parque e cavernas. Surge agora a notícia de que 47 cavernas, dentre elas a do Diabo e a de Santana, estão fechadas para a visitação desde a semana passada. A falta de um plano de manejo fez com que o Ministério Público fechasse as cavernas, aplicando uma multa de 30 mil sobre a Fundação Florestal, órgão estadual responsável pelos parques.
A decisão em nada surpreende. Este ato vem sendo ensaiado há muito tempo pela cobrança não apenas do Ibama e de outros órgão públicos quanto à necessidade de um plano de manejo para trazer uma exploração com maior sustentabilidade para a região, que é uma das mais pobres do país.

O que me preocupa entretanto é não apenas o fato de a população local, que vive majoritariamente do turismo, buscar outras atividades como a retirada do palmito (proíbida por lei). Mas também o de aumentar o turismo sem regulamentação para cavernas fora dos limites do parque. O que além de não fiscalização ou planejamento, é uma atividade realizada por guias sem regulamentação e pode ser uma atividade perigosa.
Pude provar esta fórmula quando contratamos um guia local para nos guiar por uma caverna fora da área do parque. Descobrimos apenas no momento do passeio que este não tinha muita orientação quanto ao caminho a ser seguido além de este ter levado uma carbureteira problemática, o que nos deixou com pouca luz e prejudicou em muito a segurança. O passeio que tinha o intuito de entretenimento acabou se tornando um tanto assustador e com sorte saímos dessa sem maiores problemas.

Não existe ainda previsão para a abertura das cavernas à visitação. Acredito que o Ministério Público não deixará que isto aconteça sem a presença de um plano consistente de manejo dos recursos da região, pois apesar de ser a área mais pobre do estado de São Paulo é também a área mais bem preservada com um patrimônio espeleológico dos mais belos do mundo. Vamos acompanhar e esperar para conferir.
Daniel Possa
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