Acredito que nada do que tive no meu carnaval caberia aqui. A não ser pelo próprio fato de ser Carnaval, esta festa tão antiga, tão característica do nosso país… Então, foi que conversando com o Dr. Ivan, pai de um grande amigo, conheci um pouquinho do frevo. Ele mostrou-me vários cds que tinha ganhado de seus familiares que moram no Nordeste.
Percebi que o frevo vai muito além da parte da música Vassourinhas e de alguém pulando com um guarda-sol na mão. Essa imagem passada pelos meios de comunicação de massa acaba vulgarizando toda a magia do frevo, escondendo as várias vertentes dele. Não que esta cena seja um problema, mas resumir tudo nesta imagem é algo extremamente triste para a cultura brasileira.
Eu queria poder copiar todos aqueles CDs (frevo, forró…), mas não tinha tempo hábil para isso. Então, o que me restou era procurar na internet sons, textos e imagens sobre.
A primeira coisa a encontrar foi um blog que tem CDs completos de frevo. Aliás, vou fazer um post sobre este tipo de blog que dissemina cultura… Achei o CD do Galo da Madrugada, bloco carnavalesco de Pernambuco. Este texto excelente está no encarte do CD (parece ser da autoria de Gustavo Krause):
A minha vida é regida por dois calendários. Um é o tradicional calendário gregoriano que me faz contar os dias no ritual de envelhecer. O outro é um calendário sentimental que me faz dividir o ano em dois tempos: o antes e o depois do Galo da Madrugada, que se fundem magicamente na mesma contagem regressiva. São trezentos e sessenta e quatro dias de uma saudade em bloco.
A saudade do que foi e a saudade do que está pra ser. É assim a minha longa espera para a chegada do fugaz sábado de Zé Pereira. E que, quando chega, misturo uma santa devoção à mais profana liturgia sabática deste país carnavalizado: O Galo da Madrugada. Entro de alma leve e lata cheia na mais “ofegante epidemia” da epidemia chamada Carnaval.
Meto a cara na minha cara sem a (más)cara das convenções. Enxergo na palavra de ordem-escrita no pentagrama.
- Ei, pessoal, Vem Moçada – as cores da alegria. Mastigo poeira e sol. Bebo suores. E embriagado de folia, sou sábado. Sou Galo. Sou Fantasia
EVOÉ!
Procurando na faculdade por um livro sobre Frevo, achei este aqui que parece ser muito interessante:
Do frevo ao manguebeat
José Teles
Editora 34
Um trecho deste livro que está em seu verso: “Em um depoimento sobre Capiba e Nelson Ferreira, o maestro Guerra Peixe (uma apaixonado pela música pernambucana) declarou sobre a complexidade do frevo: ‘Antes de mais nada, o compositor de frevo tem que ser músico. Tem que entender de orquestração’. Já para o mestre Capiba, o frevo é um dos gêneros de música popular mais criativos do mundo e, em determinada ocasião, se baseou nele para compor uma peça para o Quinteto da Filarmônica de Berlim. Os instrumentistas não conseguiram tocar e responderam: ‘Infelizmente, o senhor escreveu algo muito difícil e rápido demais para nós’.” José Teles
Ah, e eu preciso contar que neste fim de semana ganhei um belo presente. O Dr. Ivan esteve aqui em São Paulo e trouxe-me os CDs! Excelente!
Acesse o blog O Frevo.
Bom Carnaval fora de época!
Olé
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