A Virada de cada um

Publicado em 30 de abril de 2008, às 1:15. | 1 Comentário

Artigo sobre Literatura, Música, Shows.


A Vidada Cultural é um daqueles eventos em que a variedade de atrações impossibilita qualquer consenso quanto a um roteiro de coisas a se ver. Por isso mesmo cada qual que escreve aqui seguiu seu rumo e eu preferi seguir o meu próprio também.

Casa das Rosas - Av. Paulista,37
Casa das Rosas - Av. Paulista, 37

Minha Virada Cultural começou com um recital de poesia na Casa das Rosas. Um clima mais intimista, cadeiras para se sentar e um silêncio profundo no casarão para ouvir os autores recitarem seus poemas do palco montado na sala. Passado um certo tempo a calma é repentinamente quebrada com os risos frente aos poemas eróticos de Xico Sá. Logo penso que seria ótimo poder viver aquele ambiente em outros tempos que não apenas na Virada. Para mim toda essa estrutura entre sábado e domingo serve exatamente para isso, fazer o paulistano conhecer melhor os atrativos de sua cidade e passar a freqüentar mais esses pontos de interesse. Saindo, recebi na porta a programação da casa para o próximo mês, muitos cursos interessantes com inscrições por R$ 10 e recitais que pretendo retornar para ver. Xico aproveitou a oportunidade ainda para mostrar um de seus último poemas (disponível em seu blog - O Carapuceiro) feito em homenagem ao Padre Adelir, mais conhecido como o Padre dos Balões.

Rondó do Padre Voador
de Xico Sá

“Ô vontade de fazer como o padre dos balões coloridos
E pelos ares dar um belo perdido

E cair vivo beeeeem distante
Como um Walt Whitman delirante

Mesmo que na ilha
não tenha sequer um radinho de pilha

O que vale é virar um Robinson Crusoé
…só pra ver qualé, mané!

Mesmo que lá não tenha futebol
E os deuses brinquem de chutar o sol

Mesmo que não tenha puteiro…
Me acabo na mão feito colher de pedreiro

Dou um belo balão no cartão visa
E vou viver de flozô e brisa

Recitando Vinícius e Bandeira
Para a minha mulher-bananeira

Ô vontade de fazer como o padre maluco
E cair direto na Aurora, Recife, Pernambuco

Porque mais vale um vigário voando
Do que dois ateus vagabundos

Mesmo que nos ares vire uma noviça
E dê até para o coroinha da missa

Ô vontade de ser o padre perdido
que deu um balão em Jesus Cristo

Quem me dera a coragem do vigário
E eu deixasse mesmo de ser otário.

Saísse de vez do plano terreno…
Pense!, imagine, meu caro John Lennon!”

Foto do Centro a Noite
Palco Santa Ifigênia

A calma do interior da Casa repentinamente foi quebrada pela multidão que se aglomerava no jardim esperando por Tom Zé. O show atrasou bastante e eu precisava seguir para a Av. São João para ver o Zé Ramalho. O Metrô aberto durante toda a noite ajudou bastante na locomoção. Chegando ao Centro começa a parte mais legal de toda Virada: poder andar por lá durante a noite sem muitos dos problemas habituais. A gente se acostuma com certas coisas e fica acomodado de não poder freqüentar certas regiões da cidade, o centro é bem mais bonito à noite. Se acendem as luzes dos postes de época e a iluminação dos monumentos dá aquele ar nostálgico que gostaríamos de ver todos os dias.

Foto do Show do Z'e Ramalho na Virada Cultural 2008
Show do Zé Ramalho - Palco da Av. São João

O Zé Ramalho entretanto foi muito conturbado. O Show começou pontualmente, mas precisei me espremer bastante a ponto de desistir da vista privilegiada na proximidade do palco para ir para um lugar mais calmo. De longe o som estava bem ruim e isso se seguiu durante o show dos Mutantes, acabei indo conferir as outras atrações.

Silent Disco
Silent Disco no Mosteiro de São Bento

De longe o Silent Disco foi o que mais me chamou a atenção. De frente para o Mosteiro de São Bento centenas de pessoas dançavam loucamente no silêncio, a pista toda colorida contrastava com o cinza do Mosteiro e os fones de ouvido tocavam todos o mesmo som do DJ Holandês. A fila era grande mas valia a pena enfrentá-la por algum tempo naquela experiência excêntrica.

Lixo na Virada Cultural
Lixo acumulado no Centro

Fiquei sabendo durante o evento que a quarta Virada Cultural é o terceiro evento mais importante do estado de São Paulo, perdendo apenas para o Grande Prêmio de Fórmula 1 e para a Parada Gay. Se movimenta a economia e o Centro ganha vida durante a Virada, seria ótimo se fosse assim sempre. O amanhecer entretanto revelou o verdadeiro saldo do evento, pilhas de lixo espalhadas pelo chão, pichações, postes e utensílios públicos depredados, um forte cheiro de urina e pessoas jogadas pelos cantos (e não eram os moradores de rua de sempre). É visível o interesse do público por eventos como esse, mas falta um pouco de planejamento e áreas próprias para shows em São Paulo. Shows de rua com milhões de pessoas são feitos para dar errado: se incomodam os moradores, se sujam as ruas em que se trabalha no próximo dia e se estraga o nosso já tão degradado Centro. A Virada vale 24h acordado pelas atrações, mas o saldo para a cidade continua sendo negativo.

Daniel Possa

p.s.: Confira mais fotos e vídeos da virada em nosso Flickr e YouTube, ou no Flickr da Virada Cultural 2008.




Pouca gente?

Publicado em 27 de abril de 2008, às 13:48. | 1 Comentário

Artigo sobre Reflexão, Shows.


Uma das grandes atrações de ontem na Virada Cultural era Zé Ramalho. Assim pensava muita gente. E muita, muita, muita gente resolveu assisti-lo. Porém, dezenas de corpos não ocupam o mesmo espaço. Estávamos muito longe do palco e mesmo assim, havia um fluxo constante de pessoas que impedia assistir ao show tranqüilamente. Tivemos que recuar. Após entrarmos em uma rua ao lado (a situação estava só um pouco melhor), o Zé cantou: Êêêê ôôô vida de gado! / Povo marcado / Povo feliz. Não havia melhor canção. Era literal!

 

Zé Ramalho cantando “Beira-mar” - Palco São João - Virada Cultural 2008

Claro que um evento desta magnitude tem problemas! Mas, ano passado, aconteceu a mesma coisa: as primeiras horas da Virada estavam com várias atrações superlotadas ou com intermináveis filas.

Concordo plenamente que a área do público do palco principal (Palco São João) foi ampliada. Agora, é evidente que o evento precisa de 3 palcos principais e com shows no mesmo instante.

Então, se você achava que tinha perdido o show, comemore!

A causa só pode ser sede. Não consigo ler de outra forma a quantidade de pessoas! Mesmo São Paulo sendo uma cidade extremamente cultural, com coisas boas para se fazer todos os dias, seria uma grande redundância da minha parte, mas: a população brasileira é carente de Cultura. E nem estou falando de qualidade!

O ideal é que os lugares fossem bastante agitados pela prefeitura (leia Governo) sempre, e não uma, duas, ou três vezes por ano. Precisamos viver cultura. Não só reproduzindo, criando também. Mais verbas destinadas para isso (e sem tirar de nenhuma biblioteca!). Investimentos nos artistas!

Bons sonhos!

Olé




Sem programação pra Virada?

Publicado em 25 de abril de 2008, às 21:27. | 2 Comentários

Artigo sobre O Blog.


Se você também vai a esta overdose de Cultura que é a Virada Cultural, mas ainda não fechou sua programação e não consegue acessar o site (tem muita gente tentando!), tenho algumas saídas.

O Estadão colocou uma espécie de agendinha com as atrações, horários, endereços…. Bastante confusa, mas pode ajudar. Por aqui.

O Blog da Garçonete criou uma página para também auxiliar a montar a sua programação. Muito melhor que a do Estadão. Recomendo!

Resolvemos também disponibilizar aqui em nosso servidor o pdf oficial com a programação. Basta clicar neste link.

Estaremos lá. Se a sala de imprensa for boa, postaremos de lá mesmo.

Bom, hoje tenho que ir dormir cedo (post pequeno, neh?!).

Até amanhã!

Uma ótima Virada!

Olé




A imensa Roda-viva

Publicado em 17 de abril de 2008, às 18:22. | 1 Comentário

Artigo sobre Cinema.


Em 1º de maio, entra em cartaz um documentário, antes de qualquer coisa, obrigatório: Condor. Por que digo isso? O que é dito no Brasil sobre o Regime Militar, ou melhor, sobre o Golpe Militar? E sobre golpes de Estado no mesmo período? Nada. Quando a imprensa toca no assunto, fala da liberdade de expressão oprimida, dos exilados e, às vezes, de torturados. Tenho a impressão de que utiliza isso como o grande trunfo do Quarto Poder, mas isto renderia um outro post.

Mas e como funcionava a Roda-viva? E esse samba popular que nunca passa nesta avenida? São perguntas que o documentário pode despertar, fazendo um passeio sobre a América Latina (mais específicamente, do Sul) naqueles anos de Guerra Fria e deixando mais clara a articulação entre os governos militares desses países. Importantíssimo por mostrar lado a lado as peculiaridades de alguns países que também tiveram o desprazer da ditadura, as maneiras como nossos hermanos vão encerrando o assunto e como nós damos nosso querido jeitinho.

 

Trailer do filme Condor

Alguns críticos falavam sobre a grande quantidade de informações que existe nas quase duas horas de filme e que a edição poderia ter feito um arranjo melhor, cortando muitas cenas. Concordo que ficou grande, mas temos muito pouco de tudo isso. Precisamos fazer esse paralelo para acordar. Por isso, “obrigatório” (sem nenhum trocadilho), afinal, como já disse, essa questão é pouco levantada no Brasil. Além do mais, o filme é rico em detalhes, como filmagens e discursos de Salvador Allende, relatos de torturadores, torturados, familiares… Nós brasileiros sabemos muito pouco sobre os acontecimentos e tratamos como algo simples e já resolvido. Triste.

Uma coisa que gostei muito foi a impressão de que a América Espanhola é realmente aqui do lado; que somos parentes muito próximos; que temos coisas em comum, que vão além da paixão pelo futebol. Esporte este que também amo, mas admito que nos separa tanto.

Bom filme!

Olé




Tá chegando a hora…

Publicado em 1 de abril de 2008, às 13:51. | 1 Comentário

Artigo sobre Cinema, Dança, Exposições, Música, Shows, Teatro.


Mais um ano se passa. Conto os dias desde o último evento: a Virada Cultural! “Das 18h do dia 26 às 18h do dia 27 de abril” teremos um dos eventos mais aguardados no campo cultural aqui na cidade de São Paulo.

Muitas pessoas relacionam a última edição apenas à grande confusão que aconteceu na Praça da Sé, às atrações superlotadas… e provavelmente hesitarão em ir. É importante que essas pessoas entendam que operar um evento desta magnitude é bastante complicado. Só espero que ninguém desista por causa dos problemas do ano passado.

A programação oficial ainda não saiu e o site oficial não está pronto. Mas o SESC já se adiantou e divulgou em seu site os eventos que acontecerão em suas unidades. Acesse por aqui.

Então, agora é hora de analisar esta parte da programação e começar a traçar um roteiro prévio.

Até mais!

Olé




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