Em 1º de maio, entra em cartaz um documentário, antes de qualquer coisa, obrigatório: Condor. Por que digo isso? O que é dito no Brasil sobre o Regime Militar, ou melhor, sobre o Golpe Militar? E sobre golpes de Estado no mesmo período? Nada. Quando a imprensa toca no assunto, fala da liberdade de expressão oprimida, dos exilados e, às vezes, de torturados. Tenho a impressão de que utiliza isso como o grande trunfo do Quarto Poder, mas isto renderia um outro post.
Mas e como funcionava a Roda-viva? E esse samba popular que nunca passa nesta avenida? São perguntas que o documentário pode despertar, fazendo um passeio sobre a América Latina (mais específicamente, do Sul) naqueles anos de Guerra Fria e deixando mais clara a articulação entre os governos militares desses países. Importantíssimo por mostrar lado a lado as peculiaridades de alguns países que também tiveram o desprazer da ditadura, as maneiras como nossos hermanos vão encerrando o assunto e como nós damos nosso querido jeitinho.
Trailer do filme Condor
Alguns críticos falavam sobre a grande quantidade de informações que existe nas quase duas horas de filme e que a edição poderia ter feito um arranjo melhor, cortando muitas cenas. Concordo que ficou grande, mas temos muito pouco de tudo isso. Precisamos fazer esse paralelo para acordar. Por isso, “obrigatório” (sem nenhum trocadilho), afinal, como já disse, essa questão é pouco levantada no Brasil. Além do mais, o filme é rico em detalhes, como filmagens e discursos de Salvador Allende, relatos de torturadores, torturados, familiares… Nós brasileiros sabemos muito pouco sobre os acontecimentos e tratamos como algo simples e já resolvido. Triste.
Uma coisa que gostei muito foi a impressão de que a América Espanhola é realmente aqui do lado; que somos parentes muito próximos; que temos coisas em comum, que vão além da paixão pelo futebol. Esporte este que também amo, mas admito que nos separa tanto.
Bom filme!
Olé
Comentários
Um comentário para o artigo “A imensa Roda-viva”
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Salve!
É Andréa, da salinha de pesquisa, tudo bem?
Você me fez ter mais vontade de assitir ao “Condor”… por si só, o filme me atrai (como vc disse, poucos tratam os golpes militares com a profundidade exigida. Quando a mídia refere-se a tais dias negros, limitam-se a contar o que lhes convém sobre a posição assumida na época. Censuram-se.)
E, que coisa, naquela tarde, ouvi “Roda Viva” até não tirá-la mais da cabeça!
Abraços!