Morreram de overdose
Publicado em 10 de julho de 2008, às 21:49.
Artigo sobre Reflexão, Televisão, Turismo.
É provável que você já tenha visto estes comerciais encomendados pelo TSE. Acho-os muito bonitos. Um belo texto, em duas versões: uma narrada por uma criança e outra narrada pelo Abujamra. Difícil não admirar.
Versão narrada pela criança
Versão narrada por Antônio Abujamra
Um amigo meu me disse recentemente que “publicidade é diferente de arte”. Sabe-se que as artes são, desde tempos remotos, usadas como divulgadoras de idéias, com todos os seus apelos argumentativos. Não quero discutir aqui se publicidade é arte (muito menos definir uma das duas!). Só mostrar que as coisas não podem estar tão distantes assim. Se não puder dizer que ela é arte (ou artística), pelo menos que me deixem dizer que está a beira dela. Não dá pra negar que nestes segundos nos transportam para aquele passado recente, combativo, com causa clara. Os ícones, o texto, a narração… transmitem a idéia de que tudo aquilo não foi só sonho e nem à toa.
Só não podemos nos esquecer de algumas coisas: da impunidade da ditadura; de que se fizermos esse balanço, praticamente as vidas das pessoas que lutaram, de nada valeram; de que são poucos os políticos sérios por aqui; de que falta informação (conhecimento) para grande parte da população; de que ainda vivemos uma ditadura velada…
Ao mesmo tempo, podemos interpretar esses comerciais da maneira que o TSE deseja: transformar o caráter obrigatório em um direito (sem contar a intenção dos jovens tirarem o título de eleitor o mais rápido possível). Ou ir além, discutindo, cobrando, nos tornando realmente mais ativos politicamente.
O único limite que existe (por mais tênue que seja) entre a esperança e o pessimismo é o que faremos depois das urnas. É… quem sabe daqui a algumas décadas as coisas melhorem, não?
Olé
Comentários
Um comentário para o artigo “Morreram de overdose”
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Achei excelente a série de vídeos divulgadas pelo TSE. Um raro exemplo de boa utilização do dinheiro público em propaganda oficial. Propaganda oficial de qualidade.
Achei excelente também a tua análise dos mesmos.
Só faço duas observações: a primeira é que pode haver uma outra interpretação para o texto lido nos vídeos. Ante a deseperança atual com a política (e os políticos) brasileira, e as manifestações pelos 40 anos do 1968, que relembram a luta de alguns grupos pela redemocratização, o texto subliminarmente diz: “Tudo bem, se você não valoriza o teu voto por você, se não acredita mais nele, pelo vote com consciência por eles, os heróis da luta pela redemocratização, que você tanto admira hoje. Não deixe que a luta deles tenha sido em vão”. É uma outra forma de interpretar o texto, não?
O segundo óbice é quando você cita que o texto não lembra as mazelas da ditadura, e que seria parcial. Entendo que este não é o objetivo do texto, nem da publicidade: julgar o regime militar. O objetivo é valorizar a atuação de determinados grupos naquele período pela redemocratização, e valorizar o voto do cidadão. Se não por si mesmo (o que esta obvio nos resultados das eleições dos últimos anos), ao menos pelos que lutaram para que nós pudessemos votar livremente. A campanha, ao meu ver, é de valorização do voto.