Pra não dizer que não falei da FLIP
Publicado em 10 de julho de 2008, às 02:33.
Artigo sobre Festivais, Literatura, Turismo.

Baía de Paratí – estado do Rio de Janeiro
A FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty – chegou agora em 2008 a sua 6ª edição. Da primeira edição até este ano o evento cresceu bastante, tanto que o Ministério do Turismo elegeu a cidade como referência em turismo cultural dentro do Plano Aquarela. Este planejamento define as bases para divulgação do Brasil no exterior. O objetivo de colocar Paraty (RJ) como destino internacional tem funcionado principalmente durante o evento, prova disto é que uma cama de albergue chega a custar R$ 350 por dia nesta época do ano.
Talvez esse preço um tanto limitante e o fato de a festa ocorrer fora de feriado, em dias úteis, deixe aquele clima mais refinado na cidade. Só aparecem aqueles que estão realmente ligados de alguma forma à cultura literária. Pude comparecer a uma edição passada e desta vez acompanhei o evento por relatos de blogueiros. O Blog do Tas entrevistou Liz Calder, a fundadora do evento literário. Uma das perguntas foi exatamente sobre o crescimento do evento nos últimos anos e o futuro da festa, ela respondeu: “Pois é, o mundo inteiro só pensa nisso: é uma espécie de fome para ficar cada vez maior. De ficar grande, gordo. É uma epidemia. Uma obsessão de crescer a qualquer custo sem se importar com o rumo das coisas. Eu não, penso que a sabedoria é saber a hora de parar de crescer”.
Bom lembrar ainda q o “F” do nome não é de feira, é de festa, uma Festa da Literatura. É neste clima que o evento se consagrou. Este ano comemora-se ainda o centenário de morte de Machado de Assis como tema central. Não sei que felicidade pode haver na morte de Machado de Assis, mas o importante é que o crítico Roberto Schwarz, que é grande especialista na obra machadiana, iniciou o evento com uma palestra sobre o tema. Ao final este dia se completou com o show de Luíz Melodia.

Roberto Schwarz na abertura da FLIP 2008
Depois desta abertura em grande estilo a festa se divide em várias mesas de discussão reunindo grandes nomes da literatura. Desde brasileiros como Xico Sá (já citado aqui no Vereda antes) e Humberto Werneck, até grandes estrangeiros como Neil Gaiman e Sir Tom Stoppard. Deixo a baixo o vídeo de um fragmento da mesa entre Stoppard e Luís Fernando Veríssimo, um grande momento.
Luís Fernando Veríssimo pergunta a Tom Stoppard
Ao caminhar da festa o clima de Paraty vai sendo completado por sessões de cinema, atividades ao ar livre, oficinas, shows e performances. Se você, assim como eu, quer saber um pouco mais do que perdeu e já começar a se preparar para o ano que vem, dê uma passada pelo Blog Recortes da FLIP 2008 e pelos posts sobre o evento no Blog do Tas, que cobriu o evento este ano. Para saber notícias do evento do próximo ano entre no site oficial da FLIP, mas acho que ainda vai demorar um pouquinho.
Daniel Possa
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