Era outra vez… Até quando?
Publicado em 17 de julho de 2008, às 2:02.
Artigo sobre Cinema, Reflexão.
Dia 25 de julho o filme brasileiro Era uma vez… de Breno Silveira entra em cartaz nas telonas. Se eu disser que é do mesmo diretor de 2 Filhos de Francisco (filme da trajetória da dupla Zezé Di Camargo & Luciano) talvez você fique com o pé atrás. E se adicionar o fato de que este filme é um Romeu e Julieta passado no Rio de Janeiro contemporâneo, sendo que o Romeu é da Favela do Cantagalo e a Julieta, moradora de Ipanema, é provável que você não tenha vontade de assisti-lo. Mas, apesar dessas primeiras impressões tendenciosas, digo que vale a pena sim.
Os críticos podem dizer que virou moda há algum tempo fazer filmes retratando favela, pobreza, etc, onde o objetivo final é a bilheteria. Vamos separar as coisas. É fato que as grandes produtoras querem se aproveitar do fenômeno BOPE, o que não quer dizer que os cineastas não podem colocar tais questões em voga, afinal, os problemas estão aí e, pelo visto, não queremos discuti-los. Só empurramos com a barriga! A periferia terá que gritar da mesma maneira que o fez na França em 2005 para ser notada? É fato que Tropa de Elite trouxe à tona muitas de nossas hipocrisias, mas muita gente interpretou errado: elegeram o Capitão Nascimento como presidente do Brasil! Tudo ao contrário! Então, partindo da máxima democrática que as discussões devem acontecer para encontrarmos soluções, como dizer que o tema está encerrado? Será que já é hora de irmos procurar o Parnaso, assim como muitos entendidos do cinema dirão? Está muito claro que não.
Tema justificado, podemos falar do filme em si. O diretor trouxe um ar muito poético para a questão. Este é o seu maior mérito. A sensibilidade é enorme e está retratada em várias cenas. A importância da ternura nos relacionamentos pode ser uma sugestão de caminho para a resolução de nossos problemas sociais. A fotografia acompanhou esta ingenuidade com seu colorido vibrante, sua delicadeza, sua simplicidade e sua sinceridade.
Neste ponto, entra a “amaciada” do filme anterior. Era uma vez… estava há mais ou menos 10 anos na mente do diretor. Poucos se interessaram pela idéia. É ai que 2 filhos de Francisco aparecem, tanto abrindo as portas para este projeto como para o autoconhecimento do Breno. Ele nos confessou que a princípio não queria fazer as filmagens da dupla sertaneja. Sua opinião mudou depois de conhecer a história do pai deles. E não só sua opinião, mas seu jeito de fazer cinema, sua maneira de ver o mundo…: tudo com mais poesia.
Porém, como a proposta era ser um Romeu e Julieta adaptado para os dias de hoje, os porquês do enredo eram o maior desafio e, infelizmente, não foram bem resolvidos. Você deve abstrair isso. Por mais estranhas e absurdas que possam parecer algumas passagens, tente, pelo menos durante o filme, não criticá-las e entrar de cabeça na história. Saí da sessão ofegante e demorei para processar algumas coisas porque o filme é forte. Perguntei ao Breno qual era a reação que esperava daquele mesmo público que entendeu errado Tropa de Elite. Ele se esquivou um pouco, mas acha que causará muita polêmica. Não tenho a menor dúvida disso!
Mesmo com os problemas que eu coloquei, vale o ingresso sim, afinal erros acontecem. Não dá pra esperar somente obras-primas de todo mundo. E para um artista ter uma obra em seu estágio pleno, geralmente, houve muita experimentação.
Boa sessão!
Olé
Comentários
3 comentários para o artigo “Era outra vez… Até quando?”
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[...] O Vereda Estreita recebeu da Brazucah alguns ingressos do filme “Era uma vez…” para serem sorteados entre nosso leitores. O filme é do diretor de Breno Silveira, o mesmo de “2 Filhos de Francisco”, falamos mais sobre ele aqui. [...]
é verdade, esse tema já está batido. mas vou seguir sua sugestão e assistir
valeuu
Se vc me disser que é tão bom qnto 2 Filhos de Francisco eu assisto com certeza! Esse cara é mto bom!