Não vou fazer cerimônias. Quando você pensar em ir a Ouro Preto, saindo de São Paulo, não viaje com a empresa de ônibus ÚTIL. Vale mais a pena ir para Belo Horizonte e lá pegar outro ônibus para Ouro Preto. Ah, vou mais longe: nunca compre uma passagem da empresa ÚTIL! Não viaje com eles nem de graça!
Confesso ter parcela de culpa também, afinal, cheguei atrasado para a partida, marcada para as 19h45. Ainda tentei alcançar o ônibus com um taxi, mas não teve jeito. De volta à rodoviária, mais precisamente ao guichê da empresa, tentei conversar sobre a situação (a passagem custa quase R$ 100,00!) mas foram irredutíveis! Queriam ficar a todo custo com o meu dinheiro e de mais duas pessoas (Lucas e Aninha). Os funcionários desta empresa não são treinados para resolver problemas, e sim para serem máquinas caça-níqueis. A Útil faturou (significado popular) trezentos reais! Parabéns!
Qualquer livro que se propõe a introduzir o Turismo diz que poltronas vazias durante uma viagem (assim como quartos não-ocupados, por exemplo) têm validade. Funciona da mesma maneira que alimentos perecíveis, se não forem vendidos dentro de um certo prazo, eles estragam. Não há como vender uma passagem de uma viagem que já aconteceu; locar um quarto para o final de semana passado… O tempo é fator vital para a atividade. Vendendo ou não vendendo, quem trabalha com turismo continua tendo custos (fixos e variáveis).
Por outro lado, a taxa de ocupação (ocupação real divido pela possibilidade total de ocupação) não é tão próxima dos 100%, salve algumas exceções. Então, é sabido que nem todas os lugares serão vendidos, logo, é muito provável que poltronas viajassem vazias. Aqui eu faço a pergunta: por que não colocar os CLIENTES, que por ventura perderam aquele ônibus, no próximo vago?
Outra possibilidade era devolver uma parcela da passagem. Assim como até os hotéis mais fuleiros fazem, exige-se uma parcela da estada para garantir a reserva e caso o cliente não possa ir, esta parcela fica para o hotel. Justo. Aqueles custos citados acima entram nesta parcela e a empresa não sofre com isso.
Nem um, nem outro. Preferiam deixar as poltronas do próximo horário vazias a nos levar. Não tínhamos nenhuma importância pra eles. Era como se fossemos carga. Me senti um pacote largado em um terminal de cargas. Sensação horrível.
Nossas alternativas eram: voltar para casa (e perder também a passagem de volta já comprada) ou fazer a rota SP – BH - Ouro Preto.
Às 21h45 partíamos para a capital mineira em um ônibus leito da Cometa e que parava no máximo duas vezes durante a viagem. Vale dizer que os funcionários desta empresa nos disseram que, se o problema fosse com eles, nossa passagem seria transferida para o próximo horário (caso houvesse poltrona disponível) sem nenhum problema! Aqui também cabe dizer que fomos muito bem acolhidos e que a viagem foi muito boa.
Exatamente às seis da manhã, desembarcamos na rodoviária de BH. Como foram 80 reais nesta última passagem, Lucas e eu pensamos em pedir carona até Ouro Preto. Aninha comprou o trajeto final (R$ 20,00). Nós dois a deixamos na rodoviária e seguimos em direção à saída da cidade, “onde passavam os caminhões”.
Depois de milhares de recusas, xingamentos, cuspidas (que passaram bem perto!), muitos quilômetros rodados a pé, risco de atropelamento em uma ponte altíssima sem acostamento em que os caminhoneiros desviavam dos infinitos buracos, resolvemos abortar a missão pegando um dos vários ônibus da Pássaro Verde que passavam por ali com destino a OP. Afinal, além de tudo, não poderíamos perder a visita técnica com o professor Mário Jorge.
Quando encontramos o restante do pessoal, descobrimos que a Aninha chegou com apenas uma hora e meia de diferença. Quem saiu no horário com a Ùtil parou em diversas cidades (demorou muito) e o ônibus não era confortável como o nosso.
Por nossa passagem de volta já estar comprada, não tivemos escolha: tinha que ser com a famigerada empresa. Para resumir: o motorista que nos levaria estava atrasado e um outro ficou enrolando, dando voltas, estacionou na rua… tudo para esperar o cara chegar! Como, além disso, o ônibus para em diversas cidades, o motorista quis tirar seu atraso enfiando o pé no acelerador. Não deu tempo decente para a parada e falou mal de um passageiro para nós (outros passageiros)! O rapaz não podia atrasar dois minutos, mas ele podia chegar atrasado! Sem contar que não havia água lacrada; o funcionário que abre o bagageiro demorou 10 minutos para chegar na plataforma de desembarque…
Você pode pensar que isso tudo foi muito pontual, mas nem todos da minha sala voltaram no mesmo horário e também tiveram problemas.
Por tudo isso, aconselho quem precisar utilizar os serviços da União Transporte Interestadual de Luxo S/A, por ironia mais conhecida por ÚTIL, que a evite a todo custo para ter uma viagem sem amadorismos.
Boas viagens!
Olé
Comentários
2 comentários para o artigo “A gente somos inútil”
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Viagei para Ouro Preto mas comprei tudo num portal de turismo (www.rbhpraias.com.br) justamente para nao acontecer essas coisas. Fui direto do aeroporto para la. É ate melhor pagar um pouco a mais do que passar por um stress desses.
No ramo da aviação, existe a Star Alliance, uma aliança entre várias empresas de aviação mundiais. Quando um passageiro perdia um vôo, na medida do possível era absorvido em outro sem custos.
Isso aconteceu comigo quando fui à Alemanha. Por pura incompetência da Varig, perdi a conexão da própria companhia em Lisboa. Então a TAP me realocou em outro vôo, sem que eu pagasse nada.
Essa mesma mentalidade poderia ser adotada pelas empresas de ônibus, ainda mais quando são viagens longas e caras.