O que esperar de um homem que nasceu em plena sexta-feira 13 e criou um personagem macabro que, praticamente, dominou sua vida e, cujo nome do primeiro filme dirigido é O Juízo Final? Muitas coisas. O cineasta José Mojica Marins, mais conhecido por “Zé do Caixão” não é só um “personagem macabro”, mas um fenômeno do trash-cult de nossa época.
Nascido em 13 de março de 1936 numa família simples, José se interessou pela sétima arte muito cedo, talvez apoiado no fato de que seu pai era gerente do Cine Santo Estevão, em São Paulo. Aos 13 anos (número cabalístico, não?) ele dirigiu o seu primeiro curta metragem: O Juízo Final. Garoto prodígio, aos 17 anos, quando já tinha gravado quase 80 curtas- metragem, resolveu abrir a Companhia Cinematográfica Atlas (que mais tarde se chamaria Apolo Ltda.) e montou uma escola de cinema.
O seu primeiro longa metragem, Sentença de Deus, foi rodado entre 1954 e 1956. Porém, foi em 1963, depois de um pesadelo com um vulto que o arrastava até o seu próprio túmulo, que surgiu o personagem que o tornaria famoso para várias gerações: o Zé do Caixão.

O mais interessante de tudo é que Mojica Marins teve seus filmes lançados na Europa e nos Estados Unidos e ficou bem conhecido e até aclamado por aquelas bandas (pois é, Tom Zé, não foi só você!). Fora do país ele já participou de mostras, festivais e recebeu prêmios como uma homenagem pelo conjunto de sua obra no Sundance Film Festival, um dos mais importantes festivais de cinema independente. Todo esse reconhecimento, que infelizmente não foi igual no Brasil, lhe rendeu um nome estrangeiro “Coffin Joe”, milhares de espectadores e uma legião de seguidores fiéis (é só procurar no Orkut).
Mas por que chamar tanta atenção para tal figura numa sexta-feira 8? Porque justamente hoje (08/08/08) estréia o seu novo filme A encarnação do demônio levou quase 30 anos para ser rodado e é o último longa da trilogia que começou com À meia-noite levarei sua alma (1964) e apresentou depois Esta noite encarnarei no teu cadáver (1967).

A película mostra a saga de Zé do Caixão que, após muitos anos de cadeia, é libertado e tenta encontrar a mulher que possa lhe gerar um filho perfeito (o mesmo motivo que o levou ao cárcere). Durante seu caminho pela cidade de São Paulo o coveiro espalha aquilo que ele sabe fazer de melhor: o seu terror.
O filme conta com a produção de Paulo Sacramento (Amarelo Manga), figurinos de Alexandre Herchcovitch e um baixo orçamento de quase 2 milhões de reais (não se iluda, isso é bem pouco para o cinema).
Não, não estou querendo aqui “puxar o saco” do Zé do Caixão, aliás, confesso que nem eu mesma assisti muitas coisas de sua obra. Só acredito que não se deve fazer discriminações dentro do universo da arte e é por isso que escrevo este post. Afinal, um cara que sobrevive de cinema “horrorshow”, no Brasil, há uns bons 50 anos deve ter credibilidade e até mesmo admiração.
Fiquem com o trailer. Mas atenção: é só para aqueles que tem estômago, de verdade! Se você assistiu Jogos Mortais e quase passou mal nem pense em dar play.
Site oficial do filme: www.encarnacaododemonio.com.br
Site oficial do Zé do Caixão: www.zedocaixao.com.br
Até a próxima
Marina Travassos (ou Travessa pra quem preferir)
Comentários
2 comentários para o artigo “Sexta-feira 8”
Deixe um comentário!



O Zé é realmente um personagem do imaginário brasileiro. Ele faz um programa no canal Brasil, fica o link para alguns programas completos:
http://www.sopadecerebro.com/2008/08/programa-o-estranho-mundo-de-z-do-caixo.html
08/08/2008=0+8+0+8+2+0+0+8=26=2+6=8
Dia bom para o Zé do Caixão e para os Chineses. Lançamento das Olimpíadas e da Encarnação do Demônio, o que mais pode acontecer?