Aproveitando a época de Olimpíadas e os olhares todos voltados para o lado de lá do mundo, mais especificamente para a China, resolvi escrever um pouco sobre a sétima arte dentro desse país que possui uma história tão conturbada.
O cinema é uma das artes mais controladas dentro da China. Há até pouco tempo atrás, a maioria dos cineastas chineses vivia na clandestinidade, trabalhava sem recursos e era submetida ao Departamento Nacional do Cinema, que proibia o aluguel de equipamentos, entre outras represálias. No final de 2001, o Regulamento da Indústria Cinematográfica no país foi modificado, autorizando os cineastas a pedirem “permissão de produção” para o Departamento e acabando, assim, com o monopólio dos estúdios e a clandestinidade dos diretores.
Apesar disso, a censura do país em relação ao cinema ainda é muito grande. Muitos filmes são banidos todos os anos e outros só passam pela censura com grande parte do material cortado, filmes de Hollywood são limitados a apenas 30 por ano e existem cerca de mil salas de cinema no país inteiro. Com todas essas complicações, o mercado de filmes piratas na China é muito grande e preferido pelos chineses que apreciam o cinema.
O gênero mais popular do cinema chinês são os filmes de kung fu e poucos filmes desse país se tornaram mundialmente conhecidos. Porém, mesmo com todos esses problemas, o cinema chinês já fez grandes produções, um exemplo disso é o filme “O tigre e o dragão” (2000), que apesar de ser dirigido por um taiwanês, Ang Lee, narra a história de duas mulheres, com grandes habilidades em artes marciais, cujos destinos se cruzam em meio à Dinastia Ching, na China. O filme mistura fantasia, lutas, romance e lendas orientais e recebeu vários prêmios, dentre eles Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, Fotografia, Direção de Arte e Trilha Sonora.
Outro filme que, apesar de não ter recebido tantas premiações, também faz parte das grandes produções chinesas é “Herói” (2002) , produzido por Quentin Tarantino e protagonizado por Jet Li. O filme se passa na China antes da unificação e o estado de guerra ininterrupto entre as várias dinastias existentes. O ponto forte de “Herói” é a sua belíssima fotografia que vibra e coloca as cores quase como protagonistas do filme.
Para aqueles que não são muito fãs do cinema asiático e línguas estranhas, há sempre a opção mais românica e infantil, como Mulan (1998). O desenho foi produzido pela Disney que tomou algumas liberdades para narrar a sua versão da história (pra variar, né?) e acabou causando certo desconforto entre o público chinês. Mesmo assim, o desenho arrecadou cerca de 310 milhões de dólares pelo mundo, superando seus antecessores “Hércules” (1997) e “O Corcunda de Notre-Dame” (1996).
Bom, agora é só escolher, estourar a pipoca e assistir não só os grandes atletas atuando na terra dos olhos puxados, mas também essas grandes produções.
Bom filme e boas Olimpíadas para todos!
Até a próxima!
Marina Travassos
Comentários
Um comentário para o artigo “Cinema vs. China”
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Eu adorei esse filme,me ajudou bastante para fazer um trabalho.
E muito interessante