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Fabiana Cozza canta samba com respeito



Aquece o corpo, a voz e reza, reza muito. Assim começa o show de Fabiana Cozza, a mulher que nasceu dentro do samba, que aprendeu o samba no berço, com o pai, com as vozes que escutava desde menina. A vida tentou colocar a voz doce e forte no jornalismo, entretanto aos 24 anos o palco chamou.

O samba é seu dom. Aprendeu a bater samba onde nasceu, na Vila Madalena, em São Paulo, com batuqueiros que freqüentavam a casa de sua avó. O samba é cultuado por essa paulistana. A cantora pode ser encontrada em um samba a sambar e, de repente, o microfone chama, e ela canta.

A voz clareia qualquer local quando Cozza começa a cantar, a declamar, enfim, a encantar. Cantar samba é devoção, é como um ritual para ela. Aliás, o samba é uma forma de estar no mundo, de dizer o que pensa, sonha e acredita. Uma forma de estabelecer amizade, de receber e doar carinho.

DOS CDS

Oficialmente são dois CDs. O primeiro, O Samba é Meu Dom, tem canções como Meu Drama, de Silas de Oliveira e Joaquim Ilarindo, e o clássico de Wilson das Neves e Paulo Cesar Pinheiro que dá nome a obra. Feito do nada, de Sérgio Santos, é o tipo de samba triste, que chora e que, repentinamente, alegra-se para se entristecer novamente. Com os ouvidos abertos e com as luzes apagadas, para perceber a riqueza da canção, ouve-se Luzes, de Josias Damasceno e Mário Mammana. O samba A Morte de Chico Preto, de Geraldo Filme, é uma versão magnífica daquele típico samba que cresce a partir de cavaco e coro. Uma obra completa que consegue ir além de um CD de samba, apresenta a cantora e sua múltipla interpretação “sambística”.

Quando o Céu Clarear, o segundo CD, é o encontro da cantora com as raízes do samba. Embalado por canções de forte percussão, o trabalho dialoga com o mar e com a negritude. Um CD para se fechar os olhos e deixar a alma ser levada. O destaque é a canção Doces Recordações, de Ivone Lara e Delcio Carvalho, em que a professora Ivone, que participa da versão, “aconselha” Fabiana – uma canção imprescindível. A canção Parte, de Rubem Nogueira e Paulo Cesar Pinheiro, alegra e liberta o corpo e é daquelas músicas que não deveriam terminar.

A canção que merece significativo destaque é Novo Viver, de Magno Souza e Maurílio Oliveira, isso porque consegue unir um arranjo extremamente bem elaborado, uma letra que define a cantora como pessoa e profissional e, por fim, por ser cantada com a alma, como todas as canções que são interpretadas por Fabiana Cozza, a nova voz do samba que deve ficar no hall das grandes.

O samba sorri e batuca o corpo de Fabiana
Música que respeita o samba e marca a alma – um retrato de Fabiana Cozza

Lucas Rossi

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