O sonho de Beberibe
Publicado em 27 de fevereiro de 2009, às 04:04. | 4 Comentários
Artigo sobre Academia, Cultura Popular/Folclore, Turismo.
“Aqui o turista se adapta aos nativos e não o contrário”

- Prainha do Canto Verde, por Icehawk

Mês passado, o programa Repórter Eco, da TV Cultura mostrou um exemplo prático de sustentabilidade no turismo: a Prainha do Canto Verde, em Beberibe, no Estado do Ceará. É de encher os olhos, a alma. Todo turismólogo chora de emoção quando vê algo assim. Afinal, para o Planejador/Consultor em Turismo, isto é o sinônimo de um ótimo trabalho executado.
A reportagem é densa conceitualmente e, ao mesmo tempo, de fácil entendimento. Confronta o turismo sustentável com o turismo de massa. Até mesmo cita uma vítima deste último: Canoa Quebrada, outra praia cearense (dista 80 km de Beberibe) e que é muito famosa. Essa fama talvez esteja ligada mais ao passado do que ao presente exatamente pelas questões que levaram a sua deterioração.
Programa Repórter Eco – TV Cultura – Exibido em 11/01/09 (05´)
Uma das ferramentas importantes para este sucesso é a organização da comunidade local e o entendimento sobre turismo. Este povoado teve uma história peculiar de disputa de terras com grileiros e imobiliárias, que fez com que todos se unissem em torno de um objetivo. Por mais particular que seja, ela abriu caminho para provar que o turismo sustentável é possível.
Pelo que pude acompanhar em artigos acadêmicos e teses, eles não queimaram nenhuma etapa. Dentro de suas possibilidades, decidiram que tipo de turismo seria ali praticado, quem seria o turista recebido, quem desenvolveria a atividade e de que forma e como a riqueza seria distribuída para que o maior número de moradores fosse beneficiado.
Há muitos destinos que não se organizaram para isto e suas populações acabaram sendo jogadas nas periferias destas cidades. Como? Eis um simples resumo: as áreas próximas às praias (moradas de pescadores, por exemplo) são valorizadas; grileiros (e/ou imobiliárias) compram estes terrenos a preços de banana e os antigos moradores vão morar nas áreas periféricas ou mudam para grandes cidades. Assim, está instalada a destruição da cultura local e o início de muitos problemas sociais. Tudo o que a comunidade local da Prainha do Canto Verde não quis pra si.

- Jangadas, por Anlorfoto

Para quem quiser saber mais sobre a experiência de Beberibe, deixo mais materiais ao final.
Até mais!
Olé
Turismo sustentável: um estudo de caso sobre a experiência da comunidade de prainha do Canto Verde no litoral do Ceará.
Autor: René Schärer.
Pasos: Revista de turismo y patrimonio cultural, ISSN 1695-7121, Vol. 1, Nº. 2, 2003 , pags. 231-242.
Benchmark: Prainha do Canto Verde
Autores: Ivan Bursztyn, Lucelena Delamaro, Simone S. Rocha, Mauricio Cesar Delamaro.
Caderno Virtual de Turismo, ISSN: 1677-6976, Vol. 3, N° 3 (2003).
Turismo de base comunitária: a participação como prática no desenvolvimento de projetos turístico no Brasil – Prainha Do Canto Verde, Beberibe (CE)
Autores: Marta da Azevedo Irving, Teresa Cristina de Miranda Mendonça.
Caderno Virtual de Turismo, ISSN: 1677-6976, Vol. 4, N° 4 (2004).
Entrevista: Turismo Comunitário ajuda a fortalecer e preservar Prainha do Canto Verde no Ceará
Entrevistado: René Schärer.
Entrevista concedida à: Marize Chicanel.
Revista Global Tourism
Turismo e participação comunitária: ‘Prainha do Canto Verde, a “Canoa” que não quebrou e a “Fonte” que não secou?’
Autor: Teresa Cristina de Miranda Mendonça
Orientadora: Profª. Dra. Marta de Azevedo Irving
Dissertação de Mestrado da UFRJ
O Turismo Comunitário da Prainha do Canto Verde – Beberibe – CE
Autores: Eluziande Gonzaga Mendes, Luiza Neide M. T. Coriolano
Revista de Estudos Turísticos, ISSN 1809-6468, Nº 20 – Agosto de 2006
Créditos das fotos: Icehawk, Anlorfoto.
Promoção “O Lutador” Encerrada
Publicado em 19 de fevereiro de 2009, às 10:46. | Deixe um comentário!
Artigo sobre Promoção.
Mais uma vez, obrigado a todos que participaram!
Os ganhadores dos pares de ingresso são:
Adriano Queiroz
Davi Rodrigues
Denis Garcez
Ricardo Lima
Thiago Cavallucci
Até a próxima!
Daniel e Olé
O Lutador – Promoção
Publicado em 13 de fevereiro de 2009, às 20:59. | Deixe um comentário!
Artigo sobre Cinema, Promoção.

Você já parou pra pensar que está sozinho? Eu já e preciso admitir que essa é uma constatação muito difícil. O novo filme de Darren Aronofsky, “O Lutador”, que estreou nessa sexta-feira, reflete exatamente sobre esse fato. O filme traz o brilhante ressurgimento de Mickey Rourke, o galã de 9 ½ semanas de amor, que está completamente desfigurado e convincente em seu papel de Randy “The Ram”.
Randy é um lutador de luta livre que fez muito sucesso nos anos 80 mas está em decadência. Trabalha em um supermercado, toma anabolizantes para se manter em forma, freqüenta boates de strip e, entre outros problemas, não consegue lidar com a única filha. Sua vida entra em colapso quando ele sofre um infarto após uma luta e tem que se afastar dos ringues.
Aronofsky sabe conduzir o seu elenco e torna a trama quase real, principalmente por conta da história do próprio ator Mickey Rourke que tem uma trajetória de vida muito parecida com a do seu personagem. Apesar do filme mostrar muitas cenas de luta livre que chegam a dar calafrios, há uma grande sensibilidade e uma mensagem tocante que permeiam todos os pormenores da vida desse lutador.
O filme levou o Leão de Ouro em Veneza, 2 Globos de Ouro e está com duas indicações ao Oscar. Vale a pena conferir! E o Vereda Estreita vai te ajudar a assistir sorteando 5 pares de ingressos na próxima 4ª feira (18/2). Para concorrer basta preencher o formulário aí a baixo!
Boa sorte! Pode preparar a pipoca e o lenço.
Até a próxima!
Marina Travassos
Inscrições Encerradas!
* Campos marcado em vermelho são de preenchimento obrigatório.
** O conteúdo deste cadastro é mantido privado e não será publicado ou divulgado para terceiros.
*** Os ingressos são válidos de segunda a quinta-feira em todas as salas onde o filme estiver sendo exibido. Com exceção às salas do Grupo Araújo, Cinemark Iguatemi (SP), Grupo Estação e salas Vip.
Do outro lado
Publicado em 11 de fevereiro de 2009, às 22:33. | Deixe um comentário!
Artigo sobre Cinema, Cultura Popular/Folclore.
Deste lado do mundo, ocidental capitalista, ouvimos muitos rumores e idéias de como deve ser viver em um país comunista. Mesmo muitos anos depois de caído o Muro de Berlim acredito que a imagem que temos desses países é sempre ruim; como repressão na China, a corrupção na Rússia ou pessoas tentando fugir de Cuba. Este vídeo me surpreendeu pelo fato de contar uma história contrária.
Na década de 60, em plena Guerra Fria, este soldado americano atravessou a fronteira da Coréia do Norte, uma das mais bem protegidas do mundo. Sem saber muito bem o que fazer por lá acabou ficando, se adaptou ao modo de vida e acabou gostando. O primeiro vídeo retrata sua vida hoje, os monumentos populares do país e seu sinificado. O segundo vídeo resgata sua vida nos EUA, memórias que hoje parecem distantes a uma pessoa que se adaptou tão bem ao estilo de vida Norte Coreano. Os dois muito bem feitos e em inglês, vou ficar devendo as legendas.
Sobre o Fórum Social Mundial
Publicado em 8 de fevereiro de 2009, às 22:46. | 3 Comentários
Artigo sobre Colunistas, Festivais, Reflexão.
Observações aos ventos oeste-leste

Não poderia deixar de citar o grande receio postulado em vertigem que se pode ter diante de mundanas vociferações diferentes. Escrever sob uma única óptica acerca de um evento que se mostra, como o Fórum Social Mundial, aos mais diversos tipos de olhares parece-me tanto arriscado quanto necessário, ainda que seja bem clara a idéia de que, por mais que se tente alcançar uma profunda e comum verdade [e aqui profunda por toda sutileza que leva o mundo a existir], muitas vezes o que se alcança no ápice estrondoso do escrever não passa de um dado superficial contextualizado em puro descontexto – quem lê também escreve o que está lendo.
No blog da Revista Veja, o que se disse acerca do “invento” aproxima-se bastante de um retrato bem marcado de toda essa questão do caminho que se faz entre o que acontece e o como passa a ser contado. Verdade que os índios tomavam coca-cola e davam entrevistas à MTV discursando sobre a importância do Fórum como espaço “onde todo cidadão é respeitado”. Mesmo diante da aparente contradição caótica, verdade também que muitos ativistas saíram “prevendo a morte do capitalismo”, como bem mostrou a tão fina ironia soletrada no título do texto informativo do blog. Poderia mesmo, com o que os meus olhos puderam ver, acrescentar até mais: pois sim, os índios dançavam suas danças de tênis em tapumes em que foram muitas vezes vistos como objetos por pessoas que se ocupavam de fotografá-los pouco interessadas nas (a)culturas que se tinham respirando cansadas por ali. Sim, os índios vendiam suas pinturas tribais aos corpos dos ativistas, negociavam preços, vestiam fraldas nas suas crianças, se mobilizavam em passeatas ao gosto de todo costume branco e sim, quase se vendiam [e digo isso porque vendiam quase tudo de sua cultura] na Feira da Economia Solidária.

Também tendo em vista a participação de pessoas diversas, desde “comunistas protestando contra o “imperialismo” dos EUA até ambientalistas e socialistas moderados”, não se poderia deixar de citar o grande número de comerciantes dentro do evento, o questionável preço da água [R$1,00 por 300ml, R$0,30 nos mercados] e a própria sustentação de alguns argumentos acerca da preservação da Amazônia, já que se pôde contar com a distribuição de um grande número de panfletos que estiveram bastante espalhados pelo chão dos locais em que aconteciam o evento.
No mais e é claro, o fato de que o evento esteve bastante desorganizado, tendo várias de suas atividades canceladas ou transferidas para outros locais [os quais os voluntários não sabiam indicar por não terem acesso à informação ou mesmo por não saberem localizá-los foi bastante corrente]. Os problemas com a infra-estrutura pouca para abrigar o grande número de pessoas previstas [aparentemente, nos bairros situados ao redor do evento – periféricos – a água passou a faltar] e a programação falha que muitas vezes não indicava o local dos eventos, além dos mapas incompletos, também se tornaram reclamações notórias.
No entanto, o que a mídia “convencional” não se ocupou de registrar massificadamente foi a reflexão acerca da capacidade que teve o evento de reunir [ainda que tortamente] alguns povos indígenas [a maior participação desde o primeiro Fórum] por diferentes causas e discussões, se ocupando, em vez disso, de tratar o dado superficialmente e se utilizando muitas vezes de um tom debochado e até mesmo irônico para difundi-lo, de maneira que a discussão sobre o porquê de os índios deverem, supostamente, se mostrar apenas nus a entoar seus cânticos, sem poderem se talhar de costumes de outras sociedades, tenha tido quase nada ou nenhum espaço; o papel de informar muitas vezes se confunde com o de exprimir uma posição unilateral acerca de.
Também não pareceu de grande importância mostrar a iniciativa da organização do evento em incentivar a participação dos habitantes locais e a própria consolidação de algumas idéias mais específicas talhadas em eixos diferentes como, por exemplo, a semana de Ação Global contra o TLC [a quem não sabe o Mercosul ratificou um Tratado de Livre Comércio com Israel], marcada neste Fórum para ter início no dia 28 de março.
Promover uma reflexão [convidar à, sem se ater necessariamente a longas páginas de discussão] sobre as causas dos problemas encontrados no Fórum não pareceu ser algo interessante a se tratar, reflexão a qual parece deter uma boa explicação para os que participaram do evento e se decepcionaram e para os que não participaram e tiveram acesso às informações de que havia um grande encontro de férias acontecendo em lugar de sérias discussões.

Organizar um evento de esquerda dentro de um sistema maior regido pela direita não parece ser uma tarefa fácil, ainda mais se pensarmos que, embora dotados de ideais que discordam tantas vezes das regras de funcionamento do mundo, ainda sim carregamos reflexos dessa sociedade, ainda sim somos ao bel (des)prazer um pouco individualistas, um pouco consumistas até [talvez isso explique a louca presença dos vendedores ambulantes lá]. O que grande parte da mídia talvez não tenha enxergado [ou não tenha querido enxergar] é que muitas das contradições apontadas no Fórum eram, portanto, óbvias e que, no entanto, ele ainda pode ser considerado só pelo fato de que há iniciativa para que ele exista, um suspiro digno de muita discussão e dúvida de que “um outro mundo é possível”.
A questão que fica diante das coisas todas é: – “qual mundo será esse?”
Monise Martinez


