Ótimo show; infra péssima
Publicado em 26 de março de 2009, às 02:42. | 3 Comentários
Artigo sobre Música, Shows, Turismo.

- Radiohead em São Paulo, por Marcos Hermes

Decidi ir ao Just A Fest pensando assim: “vou ver o Los Hermanos”. Talvez a única oportunidade de assisti-los. É claro que eu também veria os outros shows mesmo depois da formatura da ECA (cheguei pela manhã do domingo em casa…), resistiria até o fim, afinal, sempre é tempo para ampliar horizontes.
Por ser uma linha reta, pensei em ir de ônibus, mas o Daniel alertou que a Chácara do Jockey não tem um bom histórico em relação à infra-estrutura. Então, tivemos que ir de carro. Diga-se de passagem: sorte a nossa!
Quer dizer, quando tentávamos chegar, estava claro que muita gente resolveu ir da mesma maneira que nós. Sim, trânsito. Fomos cortando pelas ruas laterais e estacionamos longe. Escolhemos um local alto por causa da chuva que era anunciada por mães, meteorologistas e milhares de vendedores de capas de chuva. O seguro cobre roubo, mas não enchente.
Los Hermanos estava marcado para as 18h30. Apertamos o passo. Andamos, andamos e na catraca comecei a ouvir um som. Será que o show já começou? Corremos. Sim, já tinha começado. Era “O Vento”! Trânsito maldito! Havia recebido uma ligação do Yassuda (que jah estava lá) às 18h19 e ainda não tinha começado nada. A Cintia twittou que estava às 18h25 na catraca e perdeu a primeira música. Além de não organizarem a chegada (fazendo acordos com as empresas de ônibus, incentivarem o público a usar transporte coletivo, solicitarem maior apoio da CET…), começam o show antes! Essa deve ser uma das razões pelas quais a banda brasileira não fez nenhum bis: a pressa.
Enfim, chegamos à área do show. Cantando. Puxa, como era bom ouvi-los. Pura poesia! Achei a qualidade do som muito boa (ao contrário do que as pessoas twittaram sobre a transmissão pela TV fechada do canal Multishow). Talvez desse pra levantar um pouco o volume… mas estava ótimo. Vi os caras que eu pensei nunca poder ver. Agora o resto era lucro.
Confesso que nem ao menos li sobre Kraftwerk. O Rafael me apresentou os pais da música eletrônica. Que piração esse show! Claro, se não contextualizar o momento histórico em que eles surgiram, não dá pra entender nada mesmo, ai é fácil concluir que eles tomaram muito ácido pra fazer aquilo. Não que isso não tenha acontecido, pode até ser, mas a vontade de esquecer o passado olhando para o futuro, para o desenvolvimento da Europa no pós-guerra… tudo isso no contexto da Guerra Fria junto com todas as transformações que o mundo passou no período tornam esse desejo desenvolvimentista plausível. Vale muito a pena conhecê-los.

- Show do Radiohead em São Paulo, por Pedro Carrilho

Depois foi a vez da atração principal da maioria do público: Radiohead. Um dos shows mais bonitos que eu já vi, literalmente. Não tinha vontade de olhar diretamente para a banda. Era muito melhor ver o palco como um todo (junto com os telões). Aliás, estes não eram usados como habitualmente. Câmeras filmavam os integrantes de ângulos diferentes e tudo era exibido ao mesmo tempo. As imagens apareciam com as cores iguais (ou em “consonância”) com a iluminação do palco naquele instante. Muito bonito. Encantador.
Depois do terceiro bis, pouco mais de duas horas de show do Radiohead, era o momento do aperto. A saída não comportava todos. A sorte que o público era mais tranqüilo do que um-outro-ai e que não houve tumulto. A Chácara do Jockey não comporta de maneira segura tanta gente. Não quero imaginar o que poderia acontecer ali em caso de emergência. Essa falha foi extremamente grave!
Retomando a questão do transporte , se foi um perrengue chegar, imagine voltar. Todas aquelas pessoas que chegaram durante todo o dia tentavam ir embora ao mesmo tempo. Logo, o caos. O Yassuda, por exemplo, ficou 1 hora parado dentro do estacionamento oficial porque não havia qualquer fluidez no trânsito. O nosso carro teve sorte porque paramos longe e próximo da rodovia Raposo Tavares, uma das entradas da cidade. Mas isso não pode ser esquecido porque estes problemas se tornam cada vez mais recorrentes, sendo internacional ou de bairro, sendo gratuito ou não.
Reforço aqui a falta de organização logística para a locomoção do público e que a respondabilidade era da organização. Estamos atentos.
Até mais!
Olé
Créditos das fotos: Marcos Hermes e Pedro Carrilho.
Ensaios Visuais
Publicado em 16 de março de 2009, às 02:47. | 2 Comentários
Artigo sobre Cinema, Cultura Popular/Folclore, Literatura, Reflexão.
Entrando no site www.v2cinema.com/ensaiosvisuais é possível conferir um curta metragem a cada mês e procurar os vídeos em arquivo. Esta série me chamou bastante a atenção pela qualidade da produção e a variedade de temas tratados dentro da mesma proposta de um “Ensaio Visual”. De forma a encontrar metáforas visuais e elementos que representassem seus pensamentos, cada diretor seguiu sua linha e deixou na tela um resultado bem interessante.
Deixo aqui 4 curtas da série, entrando no site é possível conferir mais e ainda ler entrevistas com os diretores. Bom proveito!
Daniel Possa
A doçura que aparenta é só mais uma ferramenta
Publicado em 4 de março de 2009, às 09:37. | 1 Comentário
Artigo sobre Colunistas, Música.

A caminho de prestar um favor a minha mãe, estabelecer uma conexão entre ela e os conteúdos musicais da internet, desemboquei neste post. Navegando pela internet, buscando músicas da Vanessa da Mata, tropecei no site da Veja, encontrei Roberta Sá e descobri Gulin. Thaís Gulin. Um deleite.
Eu estava realmente inconformado com a banalidade das músicas que tinha ouvido até agora. Harmonias tradicionais, finais clichês, no esquema que mantém o front e troca o fundo, ou pouco mais. Isto é, ficam reforçando o óbvio da tonalidade. Vamos falar um pouquinho de música, pra ajudar.
(Se não quiser saber de teoria musical básica, pule esta parte).
Harmonia são sons simultâneos. Melodia são sons consecutivos. Na prática, isto é, uma flauta constrói melodias, uma nota por vez. Um piano pode produzir várias ao mesmo tempo, inclusive. Assim, constrói melodias e harmonias. Quando você canta, você está conduzindo uma melodia. Quando alguém diz: “toca um Dó maior”, esse alguém pede a tonalidade em que a harmonia será expressada.
Pois bem. O que vem a ser um dó maior? São três notas simultâneas: um Dó, um Mi e um Sol. Tem um livro bem interessante do Arnold Schoenberg chamado Harmonia, que evolui magistralmente sobre o tema, sendo considerado quase um tratado último sobre harmonia. Mas enfim, o fato interessante em um dó maior, citado no livro, e observado pela física, é que uma nota sozinha não toca somente sua freqüência, ela gera uma série de harmônicos. Os mais intensos estão nas quintas e terças (dó, ré, MI, fá, SOL, lá, si). Então um dó maior, na verdade, reforça uma tendência natural do som, por isso aparenta ser tão bem resolvido, sem tensões.
No entanto, com o passar do tempo e a evolução da música, as harmonias foram ficando complexas, e o que era dissonante (isto é, reforçavam partes não evidenciadas do som) e feio passou a ser aceitável, bonito, lindo até. No Jazz, por exemplo, é lei, explora-se eternamente a riqueza da dissonância.
Resumindo e aumentando, uma música óbvia é aquela que segue padrões consagrados de acordes, reforçando harmonias óbvias, monotonamente consonantes, complementadas por um ritmo quadrado e timbres consagrados.
Mas voltando…
Chegou a novidade aos meus ouvidos, inesperadamente. Thaís Gurlin lançou o CD “Thaís Gurlin”, que eu encontrei tropeçando enquanto navegava na internet…

- Arrigo Barnabé por Fernanda Serra Azul

Já adianto que não se pode esperar coisas óbvias de alguém que em seu primeiro CD puxa para Arrigo Barnabé (rico em dissonâncias). E coloca Tom Zé, rico em experimentações. E tem Chico Buarque. E traz um pente fino das pérolas do cancioneiro nacional ricas em boas letras e ótimos temas, mas deixadas de escanteio por gravadoras populistas. E traz excelentes instrumentistas pra gravação. Uma produção excelente. Escutar o disco é como saborear um novo prato, ou enxergar uma nova cor.

A construção das músicas eleva o tom e a beleza das letras. O arranjo arrepia em dissonâncias lindas, trançando os temas e compondo o clima. A interpretação, maravilhosa. Foram ao todo 3 anos de pesquisa e experimentação para cozinhar o disco “Thaís Gulin”. Nele a música brasileira é entrecortada, os estilos se convergem e público, em deleite, agradece.
Pra quem quiser conferir uma prévia do que se trata o CD: no MySpace ou na Last.fm.
Estou pagando pra ver o próximo show (acompanhe informações em sua comunidade).
Vale a pena.
Bruno Incáo

