
- Radiohead em São Paulo, por Marcos Hermes

Decidi ir ao Just A Fest pensando assim: “vou ver o Los Hermanos”. Talvez a única oportunidade de assisti-los. É claro que eu também veria os outros shows mesmo depois da formatura da ECA (cheguei pela manhã do domingo em casa…), resistiria até o fim, afinal, sempre é tempo para ampliar horizontes.
Por ser uma linha reta, pensei em ir de ônibus, mas o Daniel alertou que a Chácara do Jockey não tem um bom histórico em relação à infra-estrutura. Então, tivemos que ir de carro. Diga-se de passagem: sorte a nossa!
Quer dizer, quando tentávamos chegar, estava claro que muita gente resolveu ir da mesma maneira que nós. Sim, trânsito. Fomos cortando pelas ruas laterais e estacionamos longe. Escolhemos um local alto por causa da chuva que era anunciada por mães, meteorologistas e milhares de vendedores de capas de chuva. O seguro cobre roubo, mas não enchente.
Los Hermanos estava marcado para as 18h30. Apertamos o passo. Andamos, andamos e na catraca comecei a ouvir um som. Será que o show já começou? Corremos. Sim, já tinha começado. Era “O Vento”! Trânsito maldito! Havia recebido uma ligação do Yassuda (que jah estava lá) às 18h19 e ainda não tinha começado nada. A Cintia twittou que estava às 18h25 na catraca e perdeu a primeira música. Além de não organizarem a chegada (fazendo acordos com as empresas de ônibus, incentivarem o público a usar transporte coletivo, solicitarem maior apoio da CET…), começam o show antes! Essa deve ser uma das razões pelas quais a banda brasileira não fez nenhum bis: a pressa.
Enfim, chegamos à área do show. Cantando. Puxa, como era bom ouvi-los. Pura poesia! Achei a qualidade do som muito boa (ao contrário do que as pessoas twittaram sobre a transmissão pela TV fechada do canal Multishow). Talvez desse pra levantar um pouco o volume… mas estava ótimo. Vi os caras que eu pensei nunca poder ver. Agora o resto era lucro.
Confesso que nem ao menos li sobre Kraftwerk. O Rafael me apresentou os pais da música eletrônica. Que piração esse show! Claro, se não contextualizar o momento histórico em que eles surgiram, não dá pra entender nada mesmo, ai é fácil concluir que eles tomaram muito ácido pra fazer aquilo. Não que isso não tenha acontecido, pode até ser, mas a vontade de esquecer o passado olhando para o futuro, para o desenvolvimento da Europa no pós-guerra… tudo isso no contexto da Guerra Fria junto com todas as transformações que o mundo passou no período tornam esse desejo desenvolvimentista plausível. Vale muito a pena conhecê-los.

- Show do Radiohead em São Paulo, por Pedro Carrilho

Depois foi a vez da atração principal da maioria do público: Radiohead. Um dos shows mais bonitos que eu já vi, literalmente. Não tinha vontade de olhar diretamente para a banda. Era muito melhor ver o palco como um todo (junto com os telões). Aliás, estes não eram usados como habitualmente. Câmeras filmavam os integrantes de ângulos diferentes e tudo era exibido ao mesmo tempo. As imagens apareciam com as cores iguais (ou em “consonância”) com a iluminação do palco naquele instante. Muito bonito. Encantador.
Depois do terceiro bis, pouco mais de duas horas de show do Radiohead, era o momento do aperto. A saída não comportava todos. A sorte que o público era mais tranqüilo do que um-outro-ai e que não houve tumulto. A Chácara do Jockey não comporta de maneira segura tanta gente. Não quero imaginar o que poderia acontecer ali em caso de emergência. Essa falha foi extremamente grave!
Retomando a questão do transporte , se foi um perrengue chegar, imagine voltar. Todas aquelas pessoas que chegaram durante todo o dia tentavam ir embora ao mesmo tempo. Logo, o caos. O Yassuda, por exemplo, ficou 1 hora parado dentro do estacionamento oficial porque não havia qualquer fluidez no trânsito. O nosso carro teve sorte porque paramos longe e próximo da rodovia Raposo Tavares, uma das entradas da cidade. Mas isso não pode ser esquecido porque estes problemas se tornam cada vez mais recorrentes, sendo internacional ou de bairro, sendo gratuito ou não.
Reforço aqui a falta de organização logística para a locomoção do público e que a respondabilidade era da organização. Estamos atentos.
Até mais!
Olé
Créditos das fotos: Marcos Hermes e Pedro Carrilho.
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