É tempo de escolhas
Publicado em 21 de abril de 2009, às 02:58. | 1 Comentário
Artigo sobre Cinema, Reflexão.
Como imaginar isso? Depois de assistir a dois filmes do Festival Sesc Melhores Filmes 2009, chego em casa, ligo a televisão para ver algo enquanto tomava um lanche. Pra variar, nada de mais, só um filme com o Adam Sandler.
Por diversas vezes quase desliguei a TV. “Filminho bobo”. Mas não sei porque continuei ali. Talvez fiquei por causa de outro longa que o Sandler trabalhou, O Paizão. Acho que essa impressão ruim era pela estrutura da história: um controle remoto dá um poder estranho à personagem principal e depois ele acaba funcionando automaticamente… O filme só fica interessante quando o detalhe do controle remoto é superado e percebe-se a intenção daquilo tudo, quando a gente entende que aquela história pode ser a nossa.
Nunca pensei que eu fosse ficar tão mexido com um filme em uma situação tão corriqueira. despretensiosa. Deve ser por saber que a vida é curta, que passa depressa. Existe pouco tempo para fazer tudo: família, amigos, responsabilidades, projetos… e é inevitável ter que estabelecer prioridades. Neste instante, os erros podem acontecer e nunca mais serão consertados. O pior disso tudo é que não adianta querer viver mais se nossos queridos não estiverem aqui para partilhar esses momentos conosco. Sim, o filme fala sobre perda de tempo. Se já entendeu o recado, vá correndo assistir Click. Se não entendeu, vá também; quem sabe isso adianta o processo, pois, se estiver em idade avançada e perceber seus erros de prioridade, espero que ainda haja tempo para acertar e começar a viver intensamente.
Boas escolhas!
Olé
Tempos urbanos
Publicado em 14 de abril de 2009, às 11:06. | Deixe um comentário!
Artigo sobre Cinema, Reflexão.
No final do ano passado pessoas de todo o mundo vieram a São Paulo para a reunião do Urban Age. Este fórum global visa discutir o papel das cidades e da urbanização dentro do contexto da sociedade, principalmente em como construir um espaço urbano melhor em cidades que crescem exponencialmente. A conferência principal, realizada na Estação Júlio Prestes, foi aberta pelo prefeito Gilberto Kassab e deu inicio aos trabalhos de pesquisa dentro da cidade. Pesquisadores de várias instituições brasileiras e mundiais circularam pelas vielas de favelas, conversaram com moradores e lideranças locais, com o objetivo comum de conhecer e ouvir os problemas que enfrentam.
No segundo semestre de 2009 será publicado o Urban Age Research Report de São Paulo que reunirá os dados, fatos e sugestões para melhorar este espaço urbano. Enquanto este relatório não chega, deixo estes três videos produzidos pela OutrosFilmes especialmente para esta reunião. Em cada um deles uma pequena história de luta contra o ambiente urbano. No primeiro, o trabalho em um pronto socorro da periferia, depois a história de Juliana, que demora mais de três horas para ir ao trabalho todos os dias, e por último uma academia que funciona sobre um viaduto e une todos os tipos de figuras da cidade. Todos muito bem produzidos, vale a pena conferir.
Daniel Possa
Muito mais do que intérprete
Publicado em 11 de abril de 2009, às 03:52. | 4 Comentários
Artigo sobre Cinema, Cultura Popular/Folclore, Música, Reflexão, Televisão.
Hoje, dia 11/04, às 21h40, irá ao ar, pela TV Cultura, um documentário obrigatório para todos os amantes da Cultura Popular: Inezita Barroso - a Voz e a Viola. Se você não conhece esse nome, ou conhece pouco, é uma ótima oportunidade para atualizar suas referências sobre um dos maiores ícones defensores da nossa rica cultura popular.
Dona de uma voz única, musicista, atriz, professora, apresentadora, defensora ferrenha da Cultura Caipira, também fez muitas pesquisas folclóricas pelo país (aliás, a TV Cultura detém parte disso em seu acervo, o que daria um ótimo trabalho, quem sabe se disponibilizado através da Cultura Marcas ou do Selo SESC SP). Seu amigo, Arley Pereira chamava-a de “Mário de Andrade de saias”. Essa talvez tenha sido uma de suas maiores contribuições: garimpar nossos tesouros, divulgá-los e protegê-los.
Mais do que registrar na tela sua penosa história, este documentário é uma grande reflexão sobre qual rumo devemos dar para as criações e criadores dessas inúmeras veredas estreitas que não têm, nem ao menos, o respeito de muitos brasileiros. Tanto artista perdido por ai… Valor só para o que cai nas graças dos grandes veículos de comunicação. Artista só existe porque existe público. Então, como gostar de algo que não existe?

- Guilherme Alpendre e as Irmãs Galvão

Recomendo também estes vídeos abaixo, que eu gravei na primeira exibição pública, na ECA, dia 26/03. Neles, Inezita complementa sua argumentação sobre vários assuntos tratados no filme, como educação, folclore, valorização da cultura e cultura de massa .
Inezita Barroso após a exibição do documentário (Parte 1)
Inezita Barroso após a exibição do documentário (Parte 2)
Inezita Barroso após a exibição do documentário (Parte 3)
Mesmo que estas discussões acabem sendo deixadas de lado (o comum), fico muito feliz por saber que as futuras gerações poderão conhecer um pouco da luta de Inezita e, quem sabe, consigamos mais adeptos para proteger nossos patrimônios imateriais que estão em extinção.
Parabéns ao diretor, Guilherme Alpendre, e à equipe por eternizarem e trazerem à tona Inezita Barroso. Eles são a prova de que vale a pena utilizar energia, tempo e dinheiro para realizar coisas que nem todo mundo dá o devido valor, porém são imensamente importantes. Talvez não haja aplicação prática e mercadológica, mas, se as bases de nossa sociedade forem ditas apenas pelo mercado, podemos jogar todas as nossas bibliotecas de arte, de sociologia, de antropologia… no lixo. Reinaldo Azevedo nunca entenderia que:
“O caipira de fato, nunca compõe para ser gravado. Ele cria por absoluta necessidade de homenagear um santo, de contar um acontecimento da vida dele, de narrar acontecimentos na vida local, de falar de seus sentimentos ou ainda dos mistérios da vida. É complexo.” (Inezita Barroso, trecho retirado de seu site)
A nossa sorte é que estes aqui entenderam:

- Inezita Barroso e a equipe do documentário

Boa sessão!
Olé
Nossa história em documentário
Publicado em 2 de abril de 2009, às 12:47. | 2 Comentários
Artigo sobre Cinema, Cultura Popular/Folclore, Estudo, Reflexão, Teoria.
Esta série de 7 vídeos remonta toda a história do Brasil desde a colonização até a redemocratização. Todo o contexto segue a visão do historiador Boris Fausto, um dos intelectuais mais respeitados do país. Seu livro A Revolução de 30 - historiografia e história, considerado um clássico do tema, é leitura obrigatória na academia de história. Mais recentemente obteve o reconhecimento por sua produção e ingressou na Academia Brasileira de Ciências (ABC).
Cada vídeo com aproximadamente 30 min remonta uma parte de nossa história, vale a pena conferir.
História do Brasil 1 - Colônia
História do Brasil 2 - Império
História do Brasil 3 - República Velha
História do Brasil 4 - Era Vargas
História do Brasil 5 - Período Democrático
História do Brasil 6 - Regime Militar
História do Brasil 7 - Redemocratização
Daniel Possa

