Hoje, dia 11/04, às 21h40, irá ao ar, pela TV Cultura, um documentário obrigatório para todos os amantes da Cultura Popular: Inezita Barroso – a Voz e a Viola. Se você não conhece esse nome, ou conhece pouco, é uma ótima oportunidade para atualizar suas referências sobre um dos maiores ícones defensores da nossa rica cultura popular.
Dona de uma voz única, musicista, atriz, professora, apresentadora, defensora ferrenha da Cultura Caipira, também fez muitas pesquisas folclóricas pelo país (aliás, a TV Cultura detém parte disso em seu acervo, o que daria um ótimo trabalho, quem sabe se disponibilizado através da Cultura Marcas ou do Selo SESC SP). Seu amigo, Arley Pereira chamava-a de “Mário de Andrade de saias”. Essa talvez tenha sido uma de suas maiores contribuições: garimpar nossos tesouros, divulgá-los e protegê-los.
Mais do que registrar na tela sua penosa história, este documentário é uma grande reflexão sobre qual rumo devemos dar para as criações e criadores dessas inúmeras veredas estreitas que não têm, nem ao menos, o respeito de muitos brasileiros. Tanto artista perdido por ai… Valor só para o que cai nas graças dos grandes veículos de comunicação. Artista só existe porque existe público. Então, como gostar de algo que não existe?

- Guilherme Alpendre e as Irmãs Galvão

Recomendo também estes vídeos abaixo, que eu gravei na primeira exibição pública, na ECA, dia 26/03. Neles, Inezita complementa sua argumentação sobre vários assuntos tratados no filme, como educação, folclore, valorização da cultura e cultura de massa .
Inezita Barroso após a exibição do documentário (Parte 1)
Inezita Barroso após a exibição do documentário (Parte 2)
Inezita Barroso após a exibição do documentário (Parte 3)
Mesmo que estas discussões acabem sendo deixadas de lado (o comum), fico muito feliz por saber que as futuras gerações poderão conhecer um pouco da luta de Inezita e, quem sabe, consigamos mais adeptos para proteger nossos patrimônios imateriais que estão em extinção.
Parabéns ao diretor, Guilherme Alpendre, e à equipe por eternizarem e trazerem à tona Inezita Barroso. Eles são a prova de que vale a pena utilizar energia, tempo e dinheiro para realizar coisas que nem todo mundo dá o devido valor, porém são imensamente importantes. Talvez não haja aplicação prática e mercadológica, mas, se as bases de nossa sociedade forem ditas apenas pelo mercado, podemos jogar todas as nossas bibliotecas de arte, de sociologia, de antropologia… no lixo. Reinaldo Azevedo nunca entenderia que:
“O caipira de fato, nunca compõe para ser gravado. Ele cria por absoluta necessidade de homenagear um santo, de contar um acontecimento da vida dele, de narrar acontecimentos na vida local, de falar de seus sentimentos ou ainda dos mistérios da vida. É complexo.” (Inezita Barroso, trecho retirado de seu site)
A nossa sorte é que estes aqui entenderam:

- Inezita Barroso e a equipe do documentário

Boa sessão!
Olé
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