Oficina da Resistência
Publicado em 15 de maio de 2009, às 12:02.
Artigo sobre Colunistas, Patrimônio, Teatro.

- Teatro Oficina (Foto: Luís Ushirobira)

A primeira experiência foi muito intensa. Fui assistir “Homem I”, segunda parte da epopéia do Sertão que o Teatro Oficina se propôs a construir. O grupo Uzyna Uzona apresentava – com incontáveis influências diversas – em 6 horas de textos em prosa, uma parte da obra de Euclides da Cunha. Não é fácil de digerir. A energia que rege o Oficina é muito forte, Dionisíaca. Mas era impossível não assistir a tudo que aquela reunião de pessoas fazia, por ser obviamente cercado de muita paixão, profissionalismo e libertinagem psicológica. Tudo isto sob a batuta experiente do profeta José Celso Martinez Corrêa, nome facilmente lembrado como um dos maiores teatrólogos que o Brasil já teve.
É Teatro de Resistência. Resistem, há 50 anos completados em 2008, a todas as intempéries que o alternativo sofre. Atualmente resistem “à força da grana que ergue e destrói coisas belas”, na sua forma mais real. Silvio Santos quer destruir o Teatro Oficina. O empresário almeja construir um Shopping Center na área que é tombada pelo Condephaat. Zé e o grupo resistem, mais uma vez, sugerindo outro aproveitamento para a área: O Anhangabaú da Feliz Cidade. A proposta inclui a Universidade Antropófaga – com claras referências a Oswald de Andrade -, uma área verde, uma Ágora e um Teatro de Estádio, com capacidade para 5 mil pessoas.
Sua sede não poderia ser mais significativa. Estão no coração da capital paulista, em uma edificação assinada por Lina Bo Bardi, arquiteta modernista, autora, entre outras obras, do MASP e do SESC Pompéia. É impressionante como aquelas pessoas comunicam com o espaço em que estão inseridas. Atores sobem e descem rapidamente escadas improvisadas que conduzem ao céu. Tornam-se anjos, também, por dar oportunidade de contato com a cultura para crianças carentes, através do Movimento Bixigão. Aliás, um dos méritos do Teatro Oficina é a popularização da cultura. Tentam de diversas formas levar para o grande público seu trabalho, seja pelos preços populares das bilheterias, ou mesmo apresentações gratuitas que realizam fora de sua sede.
Muitas vezes se faz necessário um maior embasamento para compreender todas as entrelinhas com as quais se comunicam. Recomendo fortemente que comprem os livretos confeccionados para clarear algumas referências que se utilizam. É difícil explicar a intensidade do trabalho que estas pessoas fazem apenas com palavras. Deve ser degustado sem moderação nenhuma de forma pessoal e intransferível. Proporcionaram conhecer mais. Fizeram que eu lesse novamente Euclides. Apresentaram o Teatro Nô. Resgataram meu interesse por Oswald de Andrade. O Teatro Oficina é mais do que se propõe: É necessário.
Victor Gouvea
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2 comentários para o artigo “Oficina da Resistência”
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Olá! Primeiramente, parabéns pelo Vereda Estreita. É incrivelmente bem feito e muito útil!
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[...] de um trabalho do Harmonia do Samba, para um do Paulinho da Viola. No teatro, por exemplo, como citei anteriormente, do Teatro Oficina para as peças que acontecem no teatro da Gazeta. Que dirá, então, dos livros? [...]