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Por que Paraty?

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Em menos de um mês, acontecerá um dos mais esperados encontros literários: a FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty). Não é como algum evento de inverno em Campos do Jordão aparenta ser: vazio, onde se tem a impressão de que muitas pessoas vão apenas para ostentar. Essa festa é uma ótima oportunidade para conhecer gente interessante, desde os autores e palestrantes até o público do evento.

Por que Paraty? Paraty tem um conjunto arquitetônico rico, foi um dos grandes portões de entrada do Brasil e viveu seu auge no período aurífero. Estagnou no tempo. O que trouxe a região (litoral Sul do RJ até o Litoral Norte de São Paulo) novamente para o mapa brasileiro foi a estrada Rio-Santos (anos de 1950). E isso ajudou Paraty a cultivar lendas e tradições em tal ambiente de outros tempos, com pouquíssima interferência desenvolvimentista dos grandes centros. Assim como na Biologia, é uma relação de protocooperação: ao mesmo tempo em que a FLIP traz aspectos de requinte intelectual à cidade, a cidade dá ambiência de séculos passados ao evento.paraty021

Então, não é nada inteligente ir para a FLIP sem o conhecimento razoável de Paraty. Não só a história oficial contada por séculos, mas também seus contos passados pela oralidade. Por isso, recomendo o livro Paraty – Encanto e Malassombras, de Thereza e Tom Maia.

paraty_encantos_malassombras3Esta obra é resultado de pesquisa realizada entre os anos de 1973 e 2005. Pelo nome, pode dar a impressão de que tem muitas páginas com as “malassombras”, mas não. Ele é um “guia cultural” com a história da cidade, pequena descrição sobre as festas, bibliografia (boa lista de referências para outros estudos) e histórias contadas por moradores envolvendo alguns pontos da cidade. Estas últimas foram escolhidas por serem as mais repetidas “dentre as mais de sessenta fitas gravadas” em campo. Também há muitas coisas em inglês. Isso tudo dá corpo às 166 páginas do livro.

Farinha de Suruí
Aguardente de Parati,
Fumo de Baependi,
É só comê, bebê, pitá e caí.

Os autores são o casal Thereza e Tom Maia, que se apaixonaram pela cidade desde a primeira visita em 1958. Junto com outras pessoas, também são responsáveis pela fundação do Instituto Histórico e Artístico de Paraty. Outra obra que parece ser bastante interessante deles (ainda não li) é Paraty – Religião e Folclore, premiada pelo MEC. Isso mostra o quanto se dedicaram pela memória material e imaterial da cidade.

foto de Gláucio Dutra Rocha
Foto de Gláucio Dutra Rocha

Caso não esteja com sono durante a madrugada, vale pegar o livro e dar uma volta pela cidade procurando “os seres da noite”. Com certeza a FLIP será outra depois de encontrar o “Coveiro Ladrão” ou talvez a carruagem de Dona Geralda…

Boa festa!

Olé

PS: Este documento pode ajudar, caso não encontre o livro até a FLIP.

Crédito da última foto: Gláucio Dutra Rocha.

  • http://londonpresentsbrazil.blogspot.com/ vanessa

    oi pessoal, o site de vcs eh muito bom parabens. eu sou estudante de jornalismo da unesp(pretendendo transferir pra puc ou mackenzie rs) e estou morando temporariamente em londres. eu gostaria de colaborar com vcs, vcs soh aceitam pessoas da usp?

  • http://www.amigosdacachaca.net Alexsander (@stora)

    Estando em Paraty, não deixe de experimentar uma das diversas (maravilhosas) cachaças que tem por lá.

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