Supimpa – Rafael Castro
Publicado em 11 de agosto de 2009, às 02:07. | 1 Comentário
Artigo sobre Colunistas, Música.

Eu realmente me surpreendo com as novidades musicais que andam a meandrear pelas vias da internet. Recentemente, por indicação, pimba!, outra descoberta musical. Claro, sempre sob uma ótica pessoal. Rafael Castro é o nome do batuta que me caiu à porta nesses bate-papos de isso-vale-a-pena-escutar-agora-logo-já.
Invejável, todos os seus 8 discos (produções feitas de próprio punho e suor, às graças da disseminação da tecnologia e uma fonte surpreendente de criatividade) foram lançados em tempo notável, 3 anos, tempo recorde admirável para a Produção Independente.
Não bastasse, as músicas trazem sempre um quê de novidade e questionamento. Aos que me acompanhavam na audição, ele soava como Raul Seixas, com voz grave a la Arnaldo Antunes, sempre sagaz, com humor afinado, muita presença de palco e sentimento para a música. Eu enxerguei muito da música brega em suas composições, da crítica humorada do Língua de Trapo, da vontade de criar o novo e rever o mundo, dos Tropicalistas e Jards Macalé, talvez um neo-brega, sabe-se lá.
Difícil e injusto classificar. Em entrevista em Lençóis, para um jornal local, pedia para tirar foto consertando uma máquina de lavar. Por que não? Em “Vou te encher de Birinight”, “Fobia aguda de pessoas que batucam mal”, “Silvio Santos para presidente”, “Coração trouxa”, “Me chama pra dançar”, “Cerca”, “Amor Amor Amor” entre tantas outras, transitando diversos estilos musicais.
Só resta escutar e esperar por novidades. Quiçá um show por aí, na sua cidade?
Conheça Rafael Castro no Palco MP3 e no MySpace.
Bruno Incáo
Além dos livros
Publicado em 11 de agosto de 2009, às 02:05. | Deixe um comentário!
Artigo sobre Literatura, Produção, Reflexão.

A FLIP seduz desde o primeiro contato. A proposta por si só encanta: um acontecimento literário em uma cidade histórica. Já basta. Qualquer pessoa que goste de Literatura se empolga. E se esse for o mais expressivo evento literário no Brasil, acompanhá-lo se torna obrigatório, mesmo que de longe. Então, o sujeito começa no fim do ano anterior a acompanhar as notícias. Homenageado, convidados, novidades, tudo. É até difícil acreditar que isto possa acontecer num país onde ler está longe de ser prazer para a maioria da população.
Por mais que ela também tenha um foco na promoção e venda de livros (dos autores que ali estão), os horizontes dos leitores acabam abrindo mais. Os clássicos são vistos na escola (e muito mal), já os contemporâneos nem sempre. Como descobrir os olhares de autores chineses sobre o gigante asiático; ou conhecer a irlandesa que teve seus livros banidos de seu país; ou assistir ao primeiro encontro público depois do rompimento amoroso de dois artistas franceses…? São coisas que infelizmente poderiam ser curtidas muitos anos depois de acontecerem, quando já virarem clássicas. Guardadas as devidas proporções, é como viver em 1922 e perder a Semana de Arte Moderna. Àquela época seria perdoável, mas chega a ser inadmissível com a violenta comunicação destes tempos não saber o que está acontecendo (pelo menos!).

Da mesma maneira, seria um crime fazer um evento destes sem o menor envolvimento com a comunidade, principalmente sem os pequenos. Apropriar-se da cidade por alguns dias, discutir cultura e não acrescentar nada? Por mais dinheiro que os turistas possam trazer, ainda sim seria hediondo. Por isso, a Flipinha, apesar de não ter os holofotes principais, é parte fundamental do evento. O trabalho acontece durante o ano todo com as crianças da cidade de Paraty e culminam na Flip. As crianças são incentivadas a ler, os professores participam de oficinas para trabalhar melhor os autores em sala de aula e há diálogo com outras artes.

E como é natural que as crianças cresçam e não se interessem mais pelo conteúdo infantil, esse ano foi criado um espaço para os adolescentes aproximarem-se (e manterem-se próximos) da Literatura: a FlipZona. Assim como a Flipinha, ela tem programação independente, porém abordando assuntos que chamem mais atenção deles: mídias digitais, produção/criação de áudio e vídeo, fotografia, jornalismo, exibição de filmes enfim. E está programada para também ser um projeto continuado, que aconteça durante todo o ano envolvendo as escolas de Paraty.
A Fllipinha e a FlipiZona são o mínimo que se espera de um bom evento, aquilo que a Virada Cultural de São Paulo se esquece por exemplo.

E como nem tudo são flores, os adolescentes continuarão crescendo e se tornarão adultos. O que restará para eles? A catraca, ora! Mesmo sendo patrocinado pelo conglomerado Itaú Unibanco (gigantesca instituição financeira; lucrou 2 bilhões só no primeiro trimestre de 2009), o evento é pouco gratuito. Há duas tendas: uma menor (tenda dos autores, R$30), onde ocorrem as chamadas “mesas”, que são as apresentações dos autores (é fechada) e uma maior (tenda do telão, R$10), onde há telões em que os pagantes podem entrar, sentar e assistir com um conforto mínimo. Para quem não paga (às vezes porque os ingressos acabaram após duas horas da abertura da venda pela internet), tem que se contentar com as beiradas da Tenda do Telão e torcer para não chover. Este é o maior problema do evento: o acesso. Sim, o Ministério da Cultura apóia a FLIP por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, porém falta ainda “descatracalizar” a festa. Há muitos espaços (internos e externos) na cidade que podem receber telões, democratizando um pouco mais.

Já que a parte de sugestões começou, faltam saraus, mesas menores de discussão onde o público possa participar (principalmente sobre o homenageado), exposições, música, teatro… E por outro lado, o número de pessoas já é bastante grande. Talvez fosse a hora de pensar em mudar a data, pois os fins de semana do mês de julho têm fluxos maiores devido às férias escolares. Ainda há muito trabalho a ser feito, mas a organização parece estar na trilha certa.
A energia que a cidade tem durante a festa é ótima. Inegável. As pessoas que se encontra lá são muito interessantes. Mesas são importantes, mas não tudo. Se elas fossem tão fundamentais, poderíamos ficar em casa e assistir tudo via internet. Quando for programar a sua Flip, escolha algumas mesas, veja muitos eventos da OFF Flip, separe tempo para sentar e conversar, tire fotos, encontre e conheça pessoas.

Texto gigante. E não deve ser o último sobre a FLIP.
Olé
Encontro ingênuo
Publicado em 11 de agosto de 2009, às 01:45. | 1 Comentário
Artigo sobre Literatura.

Já falei muito aqui que o mais importante na FLIP são os encontros. Pois bem, encontrei esta trupe de artistas que faziam pequenos improvisos no meio das tortuosas ruas de Paraty. Achei-os interessantes, simples.
Parece que também se encontraram pelo acaso da festa. Os homens já se conheciam. Pediram um ponto de energia, o restaurante empolgou-se e cedeu. E a terceira integrante veio de um universo paralelo agregar o espetáculo com suas poesias.
As apresentações eram simples, como experimentações ingênuas, despretensiosas, incertas. Tentei captar isso com a câmera e fiz os vídeos abaixo, mas acho que não consegui. Se usar a imaginação, talvez entenda o que tentei dizer.
Como é bom ser ingênuo!
Olé
Semeando rios
Publicado em 11 de agosto de 2009, às 00:38. | Deixe um comentário!
Artigo sobre Literatura, Livros, Teatro.

Um dos critérios para avaliar uma peça infantil é perceber o quanto as crianças avançam em direção ao palco no decorrer da apresentação. Manter a atenção dos pequenos é para poucos, mas a tarefa parecia muito simples para o grupo Coletivo Teatral Sala Preta, que apresentou a peça O Cascudo Douradinho em: Amiga Lata, Amigo Rio, ao final da Flipinha 2009 (programação infantil da FLIP).
O texto surgiu do livro (quase homônimo) Amiga lata, Amigo Rio, de Thiago Cascabulho. Tanto em um como em outro (claro!), a estrutura que dá vida aos rios é bem mastigada para que o público entenda bem como poluímos tanto o meio. Uma das questões mais importantes apontadas é que enquanto somos pequenos, somos críticos e repudiamos esse modo, mas quando crescemos esquecemos a maneira como pensávamos. Reflexão importante também para quem é novo na categoria “adulto”, já que a “sustentabilidade” entrou em pauta há pouco tempo na sociedade, tema pouco comum no currículo escolar dos mais velhos (esse histórico parece ser melhor discutido no livro Educação Ambiental: princípios, história, formação de professores, de Fábio Cascino, 1999 e no capítulo 5 da tese de mestrado Pedra da Miraguaia: Tema gerador de atividades pedagógicas em Educação Ambiental de Ana Matilde da Silva, UNIVALI, 2006).
Tudo isso já rendeu ações que saem do campo literal: o Projeto Douradinho, que além de levar a consciência ambiental com o trabalho da pedagoga Anésia Gilio, também estimula a leitura com a distribuição do livro nas escolas.
Quem quiser conhecer o livro, o projeto e o grupo de teatro acesse as respectivas páginas abaixo:
Livro e projeto pedagógico: Projeto Douradinho.
Coletivo Teatral Sala Preta: salapreta.wordpress.com
Thiago Cascabulho (autor do lvro): blog

Até mais!
Olé
Música na igreja - FLIP 2009
Publicado em 11 de agosto de 2009, às 00:35. | 1 Comentário
Artigo sobre Festivais, Música, Shows.
Além das concorridas mesas, acontecem alguns eventos paralelos durante a FLIP. Em grande parte, eles são da OFF FLIP, que é um circuito de acontecimentos culturais paralelo à programação oficial.
Um destes eventos aconteceu na igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios. Foi uma ótima apresentação do acordeonista Bruno Moritz tocando músicas eruditas e populares.
Infelizmente “Asa Branca” não foi gravada, mas seguem outros quatro registros:
Dança Húngara nº 5 , por Bruno Moritz
Moto perpetuo, por Bruno Moritz
Variações Paganinianas, por Bruno Moritz
Acompanhei-te Cavaquinho, por Bruno Moritz
Músico excelente. Quando soubermos de novas apresentações, divulgaremos em nosso twitter.
Até!
Olé
PS: mais sobre Bruno Moritz no sítio Clube do Acordeom.

