Vereda Estreita

MIMO 2009

Show de Hermeto Pascoal. Foto: Marcelo Lyra.
Show de Hermeto Pascoal. Foto: Marcelo Lyra.

A receita não poderia dar errado. Tenha como sede uma cidade que é Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade da Unesco, com suas ladeiras encantadoras, Igrejas seculares e todo o charme inerente aos deliciosos restaurantes, ateliês e pousadas que recheiam suas vielas. Adicione músicos de altíssimo nível, com apresentações impecáveis, extremamente minuciosos, além de misturas e apresentações inéditas no Brasil. Acrescente, por fim, uma pitada de brasilidade, e um público afoito por toda esta grande mistura cultural e artística. O resultado é a Mimo, Mostra Internacional de Música em Olinda, que aconteceu de 1 a 7 de setembro na cidade de Olinda, e também teve poucas apresentações em Recife e João Pessoa, sinalizando um início de expansão da Mostra para os próximos anos.

A cidade recebeu de braços abertos o evento que chega maduro à sua 6ª edição. Com patrocínio do BNDES e da Petrobrás, e apoios de peso como da Funarte e do Ministério da Cultura, entre outros, as ruas foram tomadas e o palco para as apresentações musicais foram – com a exceção do show dos cubanos do Buena Vista Social Club – as Igrejas. E este é, possivelmente, o único problema da Mostra. É absolutamente rica, multidisciplinar e bem estruturada, mas, ao mesmo tempo, extremamente restrita.

Show do Buena Vista Social Club Stars. Por Beto Figueiroa.
Show do Buena Vista Social Club Stars. Foto: Beto Figueiroa.

Desde a divulgação anterior ao evento percebe-se certa timidez em alcançar grandes públicos, e assim se mantém no decorrer da Mimo. Muitas pessoas em Recife, por exemplo, não sabiam que estava acontecendo o evento na cidade vizinha. Os ingressos para as apresentações dentro das Igrejas eram distribuídos duas horas antes, gratuitamente. Contudo, as enormes filas que se formavam, não eram totalmente contempladas com as entradas, especialmente para as apresentações mais concorridas.

A produção encontrou duas soluções para eufemismar esta sede do grande público: A primeira foi disponibilizar telões do lado de fora de onde ocorriam as apresentações, mas que, ainda assim, era voltado apenas para um público pequeno, o que causou algumas tensões com pessoas que não assistiram ao show apenas pelo fato do telão não estar virado para fora. A segunda foi sobrepor apresentações, fazendo com que a programação se chocasse em alguns momentos e, assim, obrigando o público a escolher entre, por exemplo, terminar de assistir ao concerto de uma pianista mineira aclamada pela crítica internacional, ou tomar desde o início a apresentação de um multi-instrumentista pernambucano. É uma decisão difícil e que não pode ser tomada sem uma ponta de arrependimento – ou por deixar de prestigiar a pianista até o fim, ou por perder o início da apresentação do pernambucano. Além disso, para quem não pudesse estar aqui em Olinda, a produção disponibilizou no site da Mostra um link ao vivo.

ST. PETERSBURG STRING QUARTET, no Mosteiro de Sao Bento. Foto: Beto Figueiroa.
St. Petersburg String Quartet, no Mosteiro de Sao Bento. Foto: Beto Figueiroa.

Ainda assim, é um verdadeiro desperdício que fiquem tão compactadas as apresentações, apesar de ser indescritível a sensação de experimentar na perfeita acústica eclesiástica ao lado de obras centenárias, apresentações musicais inesquecíveis, como a de Gonzalo Rubalcaba, David Linx e Sérgio Krakowski, e do eterno mestre, Hermeto Pascoal. A solução? Se os palcos fossem externos com certeza a qualidade sonora não seria nem de longe tão boa, mas a proposta atingiria a um número muito maior de pessoas, já que o investimento para o evento é público. Além disso, diminui-se o risco de grandes concentrações dentro de patrimônios sensíveis, o grande motivo para a restrição popular. Mas dizer que a Mimo é totalmente excludente também é uma inverdade. Os ingressos eram, sim, distribuídos, além dos workshops e Master Classes desenvolvidas com alguns dos músicos participantes da Mostra, e o melhor: tudo gratuito.

Gonzalo Rubalcaba, David Linx e Sérgio Krakowski, na Igreja da Sé. Foto: Marcelo Lyra.
Gonzalo Rubalcaba, David Linx e Sérgio Krakowski, na Igreja da Sé. Foto: Marcelo Lyra.

Há que se ser justo: a Mostra Internacional de Música em Olinda é digna de ser aplaudida de pé – como foram encerradas várias das cerca de 30 apresentações que passaram por aqui – incluindo também projeções de filmes ligados ao universo da música que estiveram nas principais salas de cinema do Brasil recentemente, e poucas apresentações teatrais. Seu maior trunfo é o primor pela qualidade da programação sem nenhuma preocupação comercial. A Mimo, sem dúvida alguma, deve entrar no calendário de eventos culturais anuais que são imperdíveis, meticulosamente bem feitos e vanguardistas e, se continuar exatamente assim, do jeito que está, já pode ser considerada um verdadeiro sucesso. Mas a  Mimo pode e deve ir mais longe.

Victor Gouvêa

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  • http://funcionaface.blogspot.com André Borges

    Muito legal o trabalho que vocês elaboram no blog, muita luz pra todos!!!!!
    André Borges.
    http://www.myspace.com/funcionaface

  • http://www.angeladalpos.blogspot.com Angela Dal Pos

    Oi, obrigada por seguir o blog Morena de Pintas. Aproveitei para conhecer seu blog e adorei, já me cadastrei como seguidora. A propósito, como descobriram meu blog nessa blogosfera infinita? Fico muito honrada!
    abraço e parabéns pelo ótimo conteúdo do Vereda estreita.

  • http://www.adrianaviaro.blogspot.com Dri Viaro

    oi, passei pra conhecer seu blog, e desejar bom dia
    bjsss

    aguardo sua visita :)

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