Na segunda parte deste post sobre a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, deixo minhas impressões pessoais sobre os filmes que assisti, dos quais alguns já estão em cartaz. Lembro que são opiniões sensoriais experienciadas por mim, intransferíveis e intangíveis. Portanto, não devem ser consideradas como críticas, mas sugestões e relatos sobre os filmes que assisti, e recomendo como um mero espectador, com toda a subjetividade possível inerente aos comentários.
Aproveito para deixar este espaço aberto aos leitores que discordarem da minha visão sobre as películas, para que sejam incitadas discussões acerca das obras abaixo comentadas.
(500) DIAS COM ELA [(500) days of Summer]
EUA, 2009 – Marc Webb
É uma delícia. Para se assistir acompanhado com sérios riscos de ser acometido por uma paixão arrebatadora. É leve, têm ótimas sacadas, referências indie, desenvolvimento não linear – que deixa a história muito mais interessante – e uma estética para ser saboreada (de preferência a dois). A história de um não amor que tem data pra acabar (como diz o próprio título), mas ganha seu público por ser simples e bem feito.
(trailer)
ACONTECEU EM WOODSTOCK [Taking Woodstock]
EUA, 2009 – Ang Lee
Filme que foi feito para ser gostado. Não é nenhum clássico instantâneo, mas sem dúvida alguma cumpre rigorosamente o que se propõe: divertir. Causa um arrependimento em seus espectadores por não poderem ter comparecido ao famoso Festival Hippie que marcou uma geração. Os atores estão impecáveis – sem exceção – e a fotografia aparece surpreendentemente bela. Um filme que vale a pena, e conta até com alguns tons de genialidade de Ang Lee, acompanhando em seu começo, meio e fim a execução do festival de música mais famoso do mundo, focando na história de vida de um personagem, que foi mudada com o desenvolver do evento. Assista.
(trailer)
ALÔ, ALÔ, TEREZINHA [Alô, Alô, Terezinha]
Brasil, 2009 – Nelson Hoineff
Uma verdadeira perda de tempo. Tenta alavancar o apresentador Abelardo Barbosa – o famoso Chacrinha – a um posto que ele não merece estar: o de gênio da televisão brasileira. É irritante, cansativo e deprimente. É a tentativa frustrada de trazer elementos do gosto popular a um nível elevado de aceitação cultural. Conta com vídeos da época em péssimo estado, o que o torna ainda pior. Não é divertido, não é bem montado, não é inteligente. Não mostra a que veio.
(trailer)
A VIDA EM BLOCO [Bloques]
Venezuela, 2008 – Alfredo Hueck e Carlos Caridad
O filme Venezuelano não pode ser considerado um destaque. Não tem nada de espetacular nas duas histórias dirigidas por diferentes diretores, mas é interessante. Um filme pra passar a tarde quando não se tem nada pra fazer. Nenhuma grande surpresa, nenhuma grande decepção. Debate a velha temática de que a vida na metrópole às vezes não deixa perceber que vivemos tão perto e ao mesmo tempo tão longe uns dos outros. Morno.
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COLIN [Colin]
Reino Unido, 2009 – Marc Price
Este filme foi bastante comentado e teve salas cheias nas exibições da Mostra. Fui assistir com uma expectativa mediana, já que sabia que era uma produção de baixo custo. Contudo, já vi muitas produções de baixo custo muito bem feitas e esta, lhes digo, não é uma delas. O roteiro é fraco demais, e deveria certamente se limitar a um curta metragem. O filme se arrasta por mais de 90 minutos como os zumbis que o protagonizam. A grande revolução que “Colin” propõe é contar a mesma história de uma epidemia, só que na visão do zumbi, e não do mocinho. Não acho tão genial assim a ponto de compensar cenas toscas, ridicularizadas justamente pela falta de aporte financeiro. É bastante despropositado e, pra mim, um péssimo resultado para o investimento de 129 dólares.
(trailer)
DEIXA ELA ENTRAR [Låt Den Rätte Komma In]
Suécia, 2009 – Tomas Alfredson
O filme, que já figurava nos telões da capital antes mesmo da Mostra acontecer, vale o investimento. Este sim conta a mesma história – a dos vampiros – de um jeito diferente. Além da fotografia linda que Alfredson entrega, o enredo envolve, alternando entre tensões e alegrias, descobertas e constatações, decepções e sinceridades. A atuação dos jovens atores suecos chama a atenção, especialmente seu protagonista, um garoto andrógeno que é atormentado por colegas de escola e permanece numa vida solitária e tímida. Trama deliciosa, fotografia linda e atuações simplistas – mas bem feitas – fazem deste um filme que deve ser assistido.
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ERVAS DANINHAS [Les Herbes Folles]
França, 2009 – Alain Resnais
Resnais volta mais Resnais do que nunca. Em cartaz há dois anos com “Medo Privados em Lugares Públicos”, o diretor octogenário entrega no novo filme boa parte do seu jeito de lidar com conflitos psicológicos e montanhas-russas sentimentais. Em alguns momentos se torna um pouco cansativo, mas nunca deixa de ser emocionante e verdadeiro. Tem cara de clássico francês, tem jeito de clássico francês, tem atores clássicos franceses, música francesa, fotografia francesa e olhar de um diretor extremamente francês, tornando-se, por conseqüência, um verdadeiro clássico francês.
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O SOLISTA [The Soloist]
Reino Unido, EUA e França, 2009 – Joe Wright
O diretor de “Orgulho e Preconceito” extraiu o máximo de Jamie Foxx. O ator/comediante/rapper considera este o grande papel de sua vida, encarnando o esquizofrênico músico que vive nas ruas de Los Angeles. Robert Downey Jr. fica em segundo plano, mas seu personagem tem uma grande importância ao tentar trazer o tempo todo este gênio esquecido para a realidade. Mas quem disse que estar livre dos problemas psiquiátricos é o ideal? Confronta seus próprios dilemas. O filme ganhou meu carinho, fã incondicional de música, pela forma tratando o universo musical como sendo um sublime ato de execução e apreciação, seja através da cabeça de um doente, seja através de uma mente contestavelmente sã. Delicioso, apesar de pecar no exagero aos temas sociais.
(trailer)
RICKY [Ricky]
França, 2009 – François Ozon
O filme tenta, mas não consegue. Ozon, que tem uma filmografia de respeito, causa no público uma decepção natural, já que se espera muito de diretores consagrados, como ele. É um conto, e assim deve ser encarado para que se torne palatável. Nele, Fraçois Ozon se reinventa, fala de coisas que são paradoxais a temáticas abordadas anteriormente, prega a união da instituição familiar como salvação, e deixa um enorme ponto de interrogação na cabeça dos espectadores, além de atuações confusas e estética discutível. Vale assistir por dois motivos: Pra ter do que falar depois com amigos cinéfilos, e a oportunidade de criticar um filme do Ozon. Ah, e claro, se você gostar de perguntas sem respostas.
(trailer)
Victor Gouvêa
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