Cinco bibliotecas de São Paulo – ( roteiros #456SP )
Publicado em 29 de janeiro de 2010, às 19:48. | 3 Comentários
Artigo sobre Academia, Livros, Turismo.

- Parte interna no prédio da FAU-USP. Foto: Nilton Suenaga.

Demorei bastante para entender o poder que as bibliotecas exercem sobre nós. Aquela imagem clichê (geralmente também associada aos museus) de muito pó, almoxarifado e de nem poder se movimentar direito sem ouvir um “shiu!” ficou por muito tempo em minha mente. Acho que a paixão por um livro, depois outro, e mais um… acabou fazendo com que uma biblioteca passasse a ser para mim um paraíso.
Em São Paulo existem muitas bibliotecas, e por isso pensei em fazer um roteiro com bibliotecas que são abertas a todos, mas não há muita divulgação sobre sua existência e seu conteúdo. Então, resolvi listar cinco bibliotecas da USP: quatro que já existem e uma que ainda não foi inaugurada: FFLCH, ECA, FAU, Brasiliana e do Museu Paulista.
FFLCH: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
É a maior delas. Seu acervo é gigante e muito denso. É difícil não encontrar algum livro de humanas ali. São três andares de livros, teses, revistas científicas, mapas etc. Destas bibliotecas, talvez seja menos agradável de passar algum tempo lá lendo devido à “iluminação de escritório”. Sítio.
ECA: Escola de Comunicações e Artes
Além de muitos livros sobre Comunicações, há um bom acervo de peças de teatro, e uma sessão de multimeios, com filmes difíceis de encontrar e ótimos CDs de música. Se estiver em um grupo pequeno, é possível assistir os filmes em uma pequena sala escura. Durante o ano letivo, não é aconselhável ler ali às quintas-feiras à noite, pois os alunos realizam semanalmente a tradicional “Quinta i Breja” próxima à biblioteca, e o som pode atrapalhar um pouco a concentração. Sítio.
FAU: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
A mais charmosa de todas. Só pelo fato de estar no prédio tombado de Artigas e seu acervo ser focado em arquitetura já bastaria para chamar a atenção. Tem iluminação muito aconchegante e suas mesas (com luminárias individuais) estão bem dispostas entre as estantes e sua parede de vidro, que dá vista para a parte interna do edifício. Ah, barulho não é privilégio de outras bibliotecas, afinal isso faz parte do cotidiano estudantil. Pode ser que alguma festa organizada pelos alunos, ou um evento no auditório, esteja acontecendo e cause incômodo. Sítio.
Brasiliana
Sua construção ainda acontece no Campi Cidade Universitária, mas já desperta desejos entre os fãs de livros sobre o Brasil. Foi uma doação do famoso bibliófilo José Mindlin, ex-aluno da USP que resolveu doar o acervo à universidade. Está sendo erguido um prédio só para ela, que é recheada de raridades. Para ir matando essa vontade e, principalmente, para qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo ter mais possibilidade de acessar seu conteúdo, livros raros estão sendo digitalizados e colocados na internet. Sítio.
Museu Paulista da USP (ou popularmente conhecido como “Museu do Ipiranga”)
Longe da Cidade Universitária, no meio do Parque da Independência, o que não falta é tranqüilidade à centenária biblioteca, que é bem arejada tem ambiente muito agradável. Seu foco é História, tendo muitas obras sobre o Brasil e especificamente sobre São Paulo. Sítio.
Espero que aproveite o roteiro que pode ser feito em um dia, mas também durar uma vida inteira.
Boas descobertas!
Olé
O filme das descobertas
Publicado em 27 de janeiro de 2010, às 02:20. | 2 Comentários
Artigo sobre Cinema, Em cartaz / A ser exibido.
Talvez restem apenas dois dias para você, ao terminar de ler este texto, levantar, ir a uma das poucas salas de cinema que ainda exibem Hanami – Cerejeiras em Flor (2008) e ficar paralisado após o fim do filme. Literalmente sem ação. Fiquei assim. Eu e mais de 85% das pessoas que lotavam a sala do cinema. Explicação? Talvez.
O filme fala da cegueira nas relações. Entes queridos, da família ou não, acabam sendo deixados de lado por nós. Mergulhamos em uma vida cada vez mais egoísta. Acabamos não sabendo os sonhos, os desejos, as aflições de quem está ali tão perto. E a relação com aqueles que estão longe fica pior ainda. Pronto, vários anos se passaram, as rugas apareceram e, ao olhar para trás perguntando se tudo valeu, a resposta pode estar longe de ser: “sim, vivemos tudo intensamente”.
Essa cegueira é tão profunda, tão enraizada que muitas vezes é necessário um baque muito forte para perceber o tempo perdido. E geralmente significa a morte ou a iminência dela acontecer. Aí bate a vontade de fazer tudo aquilo que não foi feito, falar tudo o que não foi falado, mudar prioridades…
E estes mesmos dramas que as personagens vivem são trabalhados de uma forma mais ampla pela diretora, simbolizados entra a cultura japonesa e alemã. O desdém inicial do olhar da cultura alemã para a japonesa vai diminuindo conforme se descobre esta outra cultura. Os olhos vão se abrindo, vão notando a beleza das cerejeiras em flor e acabam descobrindo a si mesmos.
E aquele estereótipo de cultura fria, simbolizada por uma pronúncia pouco harmoniosa cai por terra. O final, que até poderia ser previsível, transmite toda a força poética alemã, traz as profundas revelações do amor e rompe qualquer fronteira, seja ela cultural, geográfica, espiritual e até mesmo aquela entre platéia e história.
Definitivamente, é um filme de muitas descobertas. Talvez ainda dê tempo de você fazer as suas.
Olé
PS: mais detalhes do filme podem ser vistos neste artigo da Mostra de São Paulo. Leia depois de assisti-lo.
Detalhes
Título original: Kirschblüten – Hanami
País: Alemanha e França
Diretor: Doris Dörrie
Fotografia: Hanno Lentz
Trilha sonora: Claus Bantzer
Ano: 2008
Estréia: 25 de dezembro de 2009
Salas de exibição



