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Carnaval 2010 no Rio

Santa Tereza, após o Bloco das Carmelitas. Foto: Olegário A. Filho
Santa Tereza, após o Bloco das Carmelitas. Foto: Olegário A. Filho

Não imaginava. Claro! Bombardeado pela mídia, era de se esperar que o Carnaval do Rio se resumisse à Sapucaí. Mas não é bem assim. Cidade enfeitada, muita gente fantasiada. Clima de festa. Centenas de blocos pelas ruas e avenidas. Essa é a cara do carnaval de rua do Rio de Janeiro: uma festa bastante democrática.

Fiquei sabendo disso quando amigos meus voltaram da folia de 2009, falando o quanto era bom brincar nas ruas cariocas. Isso somado ao cancelamento do Carnaval 2010 em São Luiz de Paraitinga não me deixou dúvidas em escolher uma festa diferente das milhares existentes por ai: onde um monte de gente leva seu carro para fazer competição de som… enfim, aqueles que não diferem em nada. Estava decidido: Rio de Janeiro.

Uma das peculiaridades de lá é que tudo começa cedo, às 7… 8 horas da manhã e dura o dia todo. Ao anoitecer você já está quebrado de tanto pular atrás de bloco e não vê a hora de descansar, afinal às 7h já tem bloco de novo! Como é uma grande cidade, é claro que tem várias coisas para se fazer à noite, mas a proposta não era esta.

Multidão atrás do Bloco das Carmelitas. Foto: Olegário A. Filho
Multidão atrás do Bloco das Carmelitas. Foto: Olegário A. Filho

Tinha turista, mas não era aquela coisa de só ter turista. Estava lotado de cariocas. A folia é feita para e pelos moradores de lá. Isso atualmente é um enorme diferencial para o Rio, afinal tem tanta festa por ai que tem o simples objetivo de agradar aos turistas. Apesar da Prefeitura burocratizar a espontaneidade, pois era preciso solicitar autorização antes do dia 30 de agosto do ano anterior, os blocos existiam porque os foliões queriam ir pra rua, brincar o carnaval, pouco importando se tinham forasteiros ali ou não.

Foliões concentrados para a Orquestra Voadora. Foto: Lara Baggi
Foliões concentrados para a Orquestra Voadora. Foto: Lara Baggi

Não vi nenhuma briga. Uma amiga carioca disse que isso é mais comum em blocos da Zona Sul. Segundo ela, por eu ter ficado mais por Santa Tereza, Centro não era tão estranho. Mas pra mim, um paulista que passou inúmeros carnavais durante a adolescência no litoral paulista, não ver uma confusão é algo de se espantar!

Do alto, foliões viam a Orquestra Voadora. Foto: Olegário A. Filho
Do alto, foliões viam a Orquestra Voadora. Foto: Olegário A. Filho

Também não vi nenhum assalto, roubo, furto etc, mas vi vários policiais absurdamente armados, mostrando que há apenas uma trégua na guerra habitual. Talvez, parte daquela faxina pra receber as visitas, afinal teremos Copa do Mundo, Olimpíadas…

O Rio de Janeiro mesmo com todas as suas contradições é encantador. Se você não acha, leia o livro Carnaval no fogo, de Ruy Castro. Indico, mas ainda não o li. É que depois do relato do adolescente paulista que leu o livro em uma madrugada e de manhã pegou um ônibus para o rio, já coloquei na lista dos próximos.  Depois que eu ler, falo dele aqui.

Marcel Nicolau (trombone), Orquestra Voadora. Foto: Olegário A. Filho
Marcel Nicolau (trombone), Orquestra Voadora. Foto: Olegário A. Filho

Outra leitura (mas essa eu li!): um guia feito há uns anos chamado Guia do Carnaval de Rua do Rio de Janeiro. Além de falar um pouco sobre vários blocos, também traz um histórico das comemorações na cidade: os cordões, os ranchos, Grandes Sociedades, escolas de samba e o apoio do governo de Getúlio… fala até da adesão de dom Pedro II no entrudo. Muito bom para esse primeiro contato, mas por ter sido feito em 2007 e para o carnaval daquele ano, abstraia as datas (programações). Deveria ser algo mais perene, mas mesmo assim vale a leitura.

Resumindo, se é que se pode resumir: foi muito bom! Muito bom ver a marcha alegre se espalhando na avenida e insistindo. Muito bom cantar muita marchinha. Muita! Na saída de um bloco, voltávamos de metrô e o vagão todo cantando: “Ô ô ô ô, Aurora…”. Era a cidade toda enfeitada pra ver o Carnaval passar. Incrível como o povo de uma grande cidade mantém seus porquês de uma festa popular pra si mesmo. Que me perdoem Luiz Melodia, os Titãs e companhia, mas eu fico triste quando acaba o carnaval.

Olé

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  • Evandro

    De peito aberto, meu povo grita:
    modéstia à parte, meu senhor, sou carmelita!

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