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Xixi aqui não! Onde então? Sei não…



Placas da campanha da Antártica (Ambev). Foto: Olegário A. Filho
Placas da campanha da Antártica (Ambev). Foto: Olegário A. Filho

Enquanto a Prefeitura do Rio de Janeiro mostrou que não está pronta para resolver os problemas de grandes eventos, a Antártica (AmBev) deixou claro que não está preparada para patrociná-los. Fato: não existe oferta de banheiros públicos. Outro fato: cerveja é diurética. Logo, aquilo que não sair no suor por causa do calor, sairá em forma de urina. Então….

A empresa Dream Factory venceu a Licitação Pública e ficou responsável pela infra-estrutura do Carnaval de Rua do Rio de Janeiro. O Patrocínio: Antártica (AmBev). A contrapartida da Prefeitura seria a publicidade por toda a cidade. A campanha desenvolvida era pautada na conscientização, apesar de não terem tomado consciência de que apenas 4 mil banheiros químicos (considerando que ficassem todos ao mesmo tempo durante os quatro dias de carnaval) era muito pouco para tanta gente. Segundo o Jornal Extra (edição de janeiro de 2010), a previsão era de 2,5 milhões de pessoas. E, segundo o Guia Oficial do Carnaval (da Prefeitura / RioTur), este ano o Carnaval de Rua bateu recorde: mais de 3 milhões de pessoas.

Dividindo 3 milhões por 4 dias de festa (sábado a terça), teríamos 750 mil pessoas. Então, a proporção era de 188 pessoas por banheiro em um dia. Ao final do quarto dia de festa, por cada banheiro teriam passado 752 por um único banheiro! Se havia manutenção, ela era precária porque não deu nem pra notá-la.

Havia também uma espécie de mictório sem nenhuma privacidade. Qualquer um que passasse via alguém ali. Sem contar que, como Fabiano Rampazzo do Terra apurou, “alguns biombos apresentaram vazamento e a urina escorria toda para a calçada, tirando, assim, seu sentido e utilidade”.

Talvez por ter plena noção de que a infra-estrutura era pequena, a prefeitura adotou medidas de contenção. Por meio de um órgão que mais parece ser um remanescente da época da ditadura (a Secretaria Especial da Ordem Pública – SEOP), agentes capturavam aqueles que não tinham coragem para enfrentar os banheiros e/ou mijódromos. Estava aberta a temporada de caça aos mijões:

“Não será tolerado foliões urinando nas portas dos moradores. É inadmissível. Foram montados 4 mil banheiros químicos pela Cidade. As pessoas devem brincar e se divertir, mas com educação. Os mijões que forem flagrados tendo tal atitude serão conduzidos para a delegacia da área”, afirmou Rodrigo Bethlem, secretário da Ordem Pública. Da reportagem de Lívia Breves, do Jornal O Globo.

Camburão de "Controle Urbano". Foto: Olegário A. Filho
Camburão de “Controle Urbano”. Foto: Olegário A. Filho

A cerveja Antártica (AmBev) usou e abusou da alta visibilidade, pagando apenas 5 milhões de reais e atingindo um público com muito maior do que 3 milhões de pessoas (afinal, além dos foliões, tem a mídia espontânea, fotos, vídeos, adereços e até passantes que não pularam o carnaval). Então, ela também tem que ser responsabilizada pelos problemas estruturais que o evento teve. Mais de 300 prisões e constrangimento porque, da maneira que foi planejado, esses banheiros aí, só na base da força!

Será que se houvesse banheiros suficientes e limpos teriam havido estas prisões? Será que tantos banheiros privados de moradores locais e comerciantes seriam suplicados pelos foliões? Então, aqueles que tivessem incontinência urinária não poderiam brincar o carnaval?

Camburão levando presos.
Camburão levando presos.

Enfim, uma grande mostra de que a cidade está longe de oferecer infra-estrutura adequada para os eventos que se propõe executar.

Olé

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