Vereda Estreita

E lá vem a Virada Cultural 2010!

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Sim, lá vem ela! Dias 15 e 16 de maio de 2010. Confesso que num primeiro momento estava com o pé atrás, mas a coletiva de imprensa me animou bastante. Não tanto pelas declarações das autoridades presentes, mas muito pela palestra técnica.

O que foi importante das autoridades: que com o amadurecimento do evento, ele está na época de “blindagem”, para que continue existindo; e que a Cultura precisa provocar reflexão e a união entre as secretarias envolvidas (e entre o  SESC-SP também) tem este intuito.

Saindo dos discursos (que são importantes, afinal é a vontade política que toca os projetos públicos), chegamos à parte técnica. O grande responsável pela organização da Virada Cultural, Zé Mauro, resumiu muito bem a programação toda e esclareceu os problemas enfrentados na organização e o planejamento para tentar evitar os erros do passado.

Primeiro ponto: a área da Virada Cultural no Centro foi aumentada. As atrações estão mais distantes entre si e aquelas que concentram grandes públicos ficam em espaços maiores e no perímetro. As pistas de danças não ficarão mais em ruas estreitas. O objetivo disso tudo é diminuir a aglomeração de pessoas, facilitar a circulação. Essas ações são importantíssimas e com certeza melhorarão o evento. Se isso não for percebido durante a Virada, poderá ser  um indício de que o público aumentou em relação ao ano passado.

Será difícil acontecer como no Carnaval de Rua do Rio 2010, mas também haverá pouquíssimos banheiros químicos. Somente 1000! Serão apenas 24 horas, mas é muito pouco. Por mais que seja difícil estimar ao certo o número de participantes, ano passado falaram em 4 milhões de pessoas! O próprio Zé admite que são milhões, logo em na menor proporção média possível seriam entre mil e duas mil pessoas por banheiro no mínimo. Pouco, muito pouco. No mínimo, nojento! Mesmo tendo limpeza constante. Os restaurantes, bares e as próprias ruas, inevitavelmente, absorverão o que os químicos não derem conta.

Outro ponto levantado: Hip Hop, movimento importantíssimo na cena cultural paulistana. não tem um espaço próprio. Com os problemas que aconteceram no passado, ocasionados por todos os lados (para entender um pouco mais sobre essa pressão assista ao filme Entre a Luz e a Sombra), o movimento acabou sendo diluído por toda a programação. Não há um espaço especial, como haverá este ano pela primeira vez para o Reggae (Palco Barão de Limeira). Zé Mauro contou também que em uma edição tentou criar um espaço especial maior, porém acabou sendo um tiro pela culatra, pois era mais afastado, era o único lugar em que a polícia fazia revista, constrangendo o público, e que ficou visto como segregação. O próprio Zé Mauro se declara entusiasta, mas disse que o Hip Hop deverá retomar o espaço perdido aos poucos.

As mudanças estão ai e parecem ser boas. Não teremos o Teatro Municipal em função das obras para seu centenário. Mas teremos 24 horas de marchinhas de carnaval de São Luiz do Paraitinga, muito cinema pelas salas proibidas da Avenida São João, quartetos de cordas na São Bento, palcos de viola e voz, ônibus circulares com intervenções artisticas, homenagem a Adoniran Barbosa em trem da CPTM (trajeto Luz-Brás), grupos de maracatu pela rua, Cantoria (Geraldo Azevedo, Xangai, Eleomar e Vital Farias), palcos de Dança e Orquestra integrados (um virado de frente pro outro, enquanto um se apresenta, o outro se prepara), as melhores barracas de pastéis da cidade, restrospectiva da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, programação infantil diluída, Barbarito Torres e Ignacio Mazacote (Buena Vista Social Club)…

A Virada Cultural é uma grande oportunidade para conhecer coisas novas. Claro que ninguém deixará de lado os seus favoritos, mas é genial reservar espaços para descobertas, novas referências, enfim experiências artísticas novas.

Acompanhar a programação é fundamental para aproveitar ao máximo as 24 horas e saber as possíveis alterações, afinal gigante do jeito que é, cancelamentos são inevitáveis. Só para ter noção disso, infelizmente, Hermeto Pascoal cancelou esta noite (a organização tentará reverter este caso).

Ótimas escolhas! Ótimas descobertas!

Olé

Programação: Sítio Oficial da Virada Cultural
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Trilha: Início // Festivais, Turismo, Urbanismo

  • http://www.veredaestreita.org Olé

    Luana,

    Ainda antes da Virada Acontecer, mandei um email para um outro blog chamado Centro Avante sugerindo uma pauta sobre o que os moradores do centro precisam fazer durante a Virada Cultural, mas eles não me responderam. Acho que não gostaram da sugestão, mas mesmo assim é muito válido o seu relato.

    Elaine,

    Existem vários pontos no seu comentário, mas acho que é possível abordá-lo de forma geral.
    São dois órgãos diferentes que cuidam das Viradas. Outro agravante é o nível, afinal um cuida apenas da ‘cidade’ de São Paulo, enquanto outro do ‘estado’ de São Paulo. Só ai, já existem muitas dificuldades: se dentro da cidade a Virada Cultural está longe do ideal, imagine no estado.

    Acho que o grande problema disso tudo é abandonar a produção cultural. O Estado precisa ajudar a criar artistas e pensadores da realidade e não investir apenas em reprodução cultural, que não deixa de ser aquela velha fórmula da Antiga Roma (“pão e circo”).

    Quanto aos problemas que o evento traz aos moradores (como o caso da Luana), não podem ser esquecidos, mas festas são assim. Existem vários exemplos de festas (profanas ou religiosas) que extrapolam no que diz respeito a barulho, acumulo de pessoas etc.

    É claro que o Estado deveria tentar amenizar os impactos e é nosso dever criticar e fiscalizar para que os detalhes cheguem próximos ao ideal.

    O que acham?

    Ah, Elaine, quando comentou sobre a secretaria, não ficou claro sobre qual estava falando no fim do comentário. Por isso, coloco os três:

    Sec. Cultura MUNICIPAL de São Paulo: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/

    Sec. Cultura ESTADUAL de São Paulo:
    http://www.cultura.sp.gov.br/

    Sec. Cultura MUNICIPAL de São Bernardo do Campo: http://www.saobernardo.sp.gov.br/comuns/pqt_container_r01.asp?srcpg=secretarias_sc&area=SC

  • Elaine Braga

    Com respeito à realização, pelos municípios do Estado, da rodada “interiorana” na Virada Cultural, gostaria de tecer alguns comentários.
    Que fique claro que essa é uma iniciativa válida, no sentido em que promove uma aproximação do povo com o Estado e amplia o lazer, mormente para a população menos favorecida.
    No entanto, há duas considerações de suma importância que devem ser feitas:
    - primeiro, é bom que se diga que a programação, pelo menos no meu
    município, é absolutamente restritiva, reduzindo as apresentações apenas a
    grupos de música eletrônica, principalmente estrangeira. Não há nenhum espaço, por exemplo, para música clássica, orquestral, bandas, corais, nada!
    Creio que não é apenas o que foi programado que o povo deveria receber a título de “cultura”;
    - em segundo lugar, mas não menos importante, é que, pelo menos no caso de São Bernardo do Campo, a prefeitura não se estrutura para essas apresentações, fazendo com que sejam feitas em espaço público e sem qualquer tratamento acústico, o que, além de desrespeitar Lei vigente,
    agride a liberdade da população em querer participar ou não do evento, pois impinge a todos os moradores da região onde se realiza os shows (Paço Municipal), a participação compulsória nos mesmos. Deve-se salientar que, vez que as apresentações são ininterruptas, obriga a todos a ficarem
    acordados durante 24 horas, devido ao consequente barulho. Impinge-se a
    todos, dessa forma nada democrática, no melhor estilo dos anos da ditadura, um evento estatal.
    Note-se que há alternativas mais racionais, como realizar-se o evento no Ginásio Municipal, que é fechado, mas insiste-se em fazê-lo em praça pública.
    Retira-se, dessa forma, o direito básico do cidadão, que paga seus impostos, ao necessário descanso, ao repouso após uma semana de árduo trabalho.
    Gostaria que alguém pudesse tomar alguma providência no sentido de alertar
    os responsáveis (Secretaria de Cultura do Município), apelando para seu bom
    senso. Gostaria de receber um retorno dessa comunicação.
    Grata.

  • Luana

    Gostaria de saber se os organizadores da virada cultural estão cientes da existencia de residencia no local dos eventos… pois por exemplo, na minha residencia tem uma pessoa idoso e crianças que precisam dormir, em meu predio alem 90% dos moradores são pessoas idosas, é um absurdo as pessoas abandonarem suas casas para ter o direito de dormir… Ja que o evento ja está confirmado esperamos que os organizadores tenham respeito e pelo menos não tirem nosso direito de ir e vir, colocando “barreiras” ao redor do locais dos shows obstruindo as entradas dos prédios, para que possamos entrar e sair de nossas casas sem ser revistados, sem ter que enfrentar multidoes em frente os prédios, como aconteceu ano passado! E uma pena que no ano 2010 ainda tenho que passar por este tipo de situação e o pior 70% das atraçoes não tem nada haver com cultura, com certeza nos moradores do centro de Sp não nos esqueceremos deste tipo de situação nas eleiçoes…

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