Vereda Estreita

Manual para virar melhor

A Virada Cultural 2010 está diferente. São evidentes as mudanças estruturais na programação, na extensão física que está ocupando, nos tipos de apresentações e na multiplicidade artística. Fato inegável. Ouvi de várias pessoas que gostariam de serem repartidas nos dias 15 e 16 de maio para poder aproveitar tudo o que está sendo ofertado nesta edição memorável do consolidado evento que sacode a cidade de São Paulo há 6 anos.

Causa até aquele incômodo gostoso de ter que decidir entre atrações incríveis que se sobrepõem em cantos diferentes e, muitas vezes, distantes. Para tanto, fizemos algumas sugestões, abaixo, de como aproveitar sua Virada. Claro, são apenas sugestões que passam pelas preferências individuais. Mas não deixam de ser boas sugestões.

Uma delas, por exemplo, é que não se fixe em apresentações que exijam qualidade acústica, como na Estação da Luz, onde acontecerão as Orquestras (vale para o Piano na Praça, que terá Joana Boechat, uma expoente mineira nesta arte). Para quem gosta de apreciar música nas suas mais tênues nuances, é irritante ser submetido ao excesso de barulho e a acústica inadequada para assistir às atrações. Mas estes chatos vão ter a oportunidade de assistir apresentações – provavelmente concorridas – dentro do Mosteiro de São Bento. Tive, contudo, ótimas experiências na Virada com palcos de Dança – que este ano também será na Luz, e conta até com grupos internacionais – apesar da quantidade excessiva de pessoas, que sempre dificulta um pouco neste evento.

Cada palco oferece pelo menos uma atração imperdível, dependendo da preferência musical de cada um. Recomendo fortemente que todos os aspirantes a virar a noite fujam de programações distantes (nos SESC’s e CEU’s, por exemplo), que, para mim, são para as pessoas que querem participar de alguma forma do evento, mas não vão acompanhar o pique de quem vai curtir as 24 horas (ainda que haja tentações grandes, como a Orquestra Imperial no SESC Pompéia).

Desta vez há uma inédita segmentação de público: Os nerd’s terão seu espaço pela primeira vez! A Praça Roosevelt será a Meca dos aficionados por RPG, Star Wars, animes e outros. E, aproveitando esta separação de tribos, bizarrices também contarão com um espaço próprio na Galeria Prestes Maia. Para que gosta – ou tem estômago – suspensões corporais e tatoos serão acompanhadas de muita música eletrônica. Os chamados “bregas” (há quem os chame de injustiçados da MPB) terão seu palco novamente, que ano passado foi um sucesso entre tias velhas e estereótipos de peito peludo e correntes douradas. Há ainda, pela primeira vez, o palco dos reggaeiros, que conta com novos e velhos representantes do ritmo jamaicano.

Imperdíveis mesmo são as apresentações únicas que acontecerão, e a Virada está cheia delas. Começando por Barbarito Torres, integrante do Buena Vista Social Club e dono de uma energia musical singular e contagiante. Outra pérola é o Seu Nelson Sargento, reconhecido sambista mangueirense, do alto de seus 85 anos bem vividos na malandragem dos morros cariocas, sobe ao palco da Praça da República às 21 horas para apresentar alguns clássicos do ritmo. Vale sempre passar pelo Parque da Luz, pela noite, para conferir as estonteantes intervenções artísticas lá sediadas. No palco dos bregas, pode-se esperar muita criatividade na apresentação de André Abujamra relendo em forma de rock as canções de Nelson Gonçalves.

Outra apresentação que deve ser, no mínimo, curiosa, é o tributo que o Velhas Virgens fará a Adoniran Barbosa. Não há como esquecer, claro, a OBMJ (Orquestra Brasileira de Música Jamaicana), ou a apresentação do extraordinário Grupo Sambô, que faz a mistura deliciosa de samba com rock, ou rock com samba, mesmo não sendo de samba-rock. Aos foliões desiludidos por São Pedro, as marchinhas de São Luís do Paraitinga estarão lá no Largo da Misericórdia para animar naquela hora de sono.

Enfim, a dica é esta: fuja de apresentações que possam exigir qualidade e público menor para a apreciação, e tente aproveitar ao máximo o que está ao alcance dos seus pés. Não se esqueça de se deixar surpreender por alguma atração que vai começar em um palco qualquer enquanto espera o próximo show, e boa Virada!

Victor Gouvêa

Trilha: Início // Festivais, Turismo

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    Ah, não se esqueça de levar um tênis bem confortável.

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    Ótimas dicas!
    Obrigada.
    :)

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