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“A” noite de 67!



Caetano Veloso. Foto: Wilson Santos/CPDoc JB

Nos cinemas, estréia nesta sexta (30/07), “Uma Noite em 67”

Como fazer um bom recorte de uma época tão turbulenta? Anos 60. Brasília. Guerra-fria. Jango. “Paz e Amor”. Decadência da Bossa Nova. Golpe de Estado em 64. Movimento anti-guitarra. Arte Pop. Costa e Silva. Guerra do Vietnã. Fleury. Beatles. Novos rumos da MPB…

Aqui na terrinha, a centralização dos meios de comunicação era uma grande dificuldade para lançar novos trabalhos. Àquela altura, as novelas não reinavam. Programas musicais dominavam os horários nobres. Não demorou muito para surgir a fórmula dos festivais televisivos, que acabavam sendo “as” oportunidades para artistas exporem seus trabalhos.

Sérgio Ricardo. Foto: Wilson Santos/CPDoc JB

Pessoas nascidas depois de 1962 talvez não tenham noção do que os festivais foram. Talvez uma mistura de Reality Show com o efeito Copa do Mundo. As pessoas aguardavam ansiosas aquelas noites. A família inteira, do avô com 70 anos ao netinho de 8, parava à frente da TV e torcia calorosamente. A audiência era altíssima!

Chico Buarque e MPB4. Foto: Wilson Santos/CPDoc JB

Renato Terra e Ricardo Calil tinham a intenção de fazer um documentário sobre os festivais. Perceberam que precisavam diminuir o tamanho de sua abordagem para um único festival. Mas qual seria o mais emblemático? Escolheram o que trazia os compositores como intérpretes, o que tinha mais qualidade musical. Foi também nele que Caetano Veloso e Gilberto Gil começam a romper com a MPB, iniciando o Tropicalismo.

Optaram ainda por reduzir mais. Não retratar todos os dias, somente a final. E dela, somente seis músicas:

Chico Buarque e o MPB 4: “Roda Viva”;
Caetano Veloso e os Beat Boys: “Alegria, Alegria”’
Gilberto Gil e os Mutantes: “Domingo no Parque”
Edu Lobo e Marília Medalha: “Ponteio”;
Roberto Carlos: “Maria, Carnaval e Cinzas”
Sérgio Ricardo: “Beto Bom de Bola”

Assim como tinha o “bandido” e o “mocinho”, tinha a música “pura” versus a “importada”; “politização” versus “alienação”; “caretice” versus “renovação”; “samba político” versus “samba disfarçado”… O público estava dividido. Muitos estudantes faziam parte da plateia e iam ali para ovacionar aquilo que era abafado nas ruas pela Ditadura. Agentes do Comando de Caça aos Comunistas também estavam presentes. Tudo fervia.

O resultado de tudo isso é o documentário “Uma Noite em 67”. Para quem viveu aquela época, rememorar tudo aquilo e para quem não viu ao vivo, é um ótimo ponto de partida para entender um pouco mais o panorama daqueles famigerados anos 60.

Gilberto Gil. Foto: Wilson Santos/CPDoc JB

Enfim, vale muito a pena assistir e perceber que, no fundo, hoje o que menos importa é a colocação final das músicas.

Boa sessão!

Olé

PS: os diretores têm mais de 70 horas de material gravado e prometeram disponibilizar de alguma forma. Agora é esperar também o DVD ou os DVDs.

Detelhes
Título original: Uma Noite em 67
País: Brasil

Diretor: Renato Terra e Ricardo Calil
Fotografia: Jacques Cheuiche
Montagem: Jordana Berg
Ano: 2010
Estréia: 30 de julho de 2010
Salas de exibição

Leia também:

  1. Promoção: Pré-estréia “Uma Noite em 67″
  2. Cinema: “Uma noite fora de série”
  3. Promoção “Uma Noite em 67” Encerrada
  4. O exportador da Bossa Nova
  5. Uma noite no cinema

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