Ao mesmo tempo que a Festa Literária Internacional de Paraty é um estimulo para o aumento de repertório, também pode ser muito mercadológica e dar pouco apoio para escritores nacionais já conhecidos.
Outras referências são sempre bem-vindas. Ainda mais quando são de fora, e fazem atravessar oceanos linguísticos. Isso pode ser um grande incentivo para qualquer pessoa que tenha pouco contato com a Literatura: estudantes do Ensino Médio ou leitores de best-sellers. Eventos podem ajudar popularizar o erudito. Um bom panorama sobre o que poderá ser visto na programação principal deste ano é este artigo de Mona Dorf. Abaixo, três vídeos que ela fez entrevistando o curador do evento, Flávio Moura.
Mas tem outro lado: o que acaba cedendo por causa de outros interesses mercadológicos, como aponta o escritor Marcelino Freire, em seu artigo Quase tudo sobre a Festa, publicado em seu blog. Lá, explicou porque, sendo um dos grandes entusiastas do evento, decidiu não ir este ano. Um de seus argumentos é que o evento talvez tenha dado uma estacionada quanto proposta literária e valorizado mais o lado mercadológico da coisa.
Outro ponto é que em pleno ano de eleição Fernando Henrique Cardoso (PSDB) abrirá o evento falando sobre o homenageado, Gilberto Freyre. Este ultimo escreveu um dos três livros responsáveis pela formação do pensamento contemporâneo brasileiro (os outros são Sérgio Buarque de Holanda e Caio Prado Júnior). FHC fez o prefácio de Casa Grande & Senzala, mas o melhor mesmo era aproveitar Antônio Cândido, (ver livros da Editora Ouro Sobre Azul) que além de ser crítico literário (e com certeza conhece o restante da obra do Freyre), viveu essas transformações todas.
Um ponto triste, e que dá mais fundamentos para os argumentos do Marcelino, é sobre a repressão do ano passado. Autores com nenhuma visibilidade costumam ir a este tipo de encontro para divulgar seu trabalho. O que seria magnífico para o evento, pois faz com que a cidade realmente transpire Literatura. Porém, há registros que em 2009 a Prefeitura de Paraty impediu isso. Pior ainda é ver nas imagens seguranças da própria FLIP ajudando! O artigo mostra a apreensão de livros do Pedro Tostes (leia aqui também), como se estivéssimos em plena ditadura da Idade Média.
Como eu pessoalmente tenho muito a aprender, vou no embalo de meu entusiasmo e estarei lá. Mas a pulguinha está atrás da orelha e não pode ser ignorada. Esta reflexão sobre ir ou não ir colocada pelo Marcelino acontece em um momento importante para o evento. As primeiras edições provavelmente eram mais literárias do que as últimas, e agora é o momento de entender pra qual caminho a Festa vai rumar: o do monopólio mercadológico e absolutista da programação principal (mesas de autores) ou da efervescência artística plural que também brota nas através das várias linguagens artísticas.
Olé
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