Foto: Jônatas Cunha
Bin Laden Morre. Os EUA se regozijam. Comemoram. Sentem-se vingados. Pelos milhares mortos em 11/09. Mas o maior legado de Bin Laden não se apagou. Americanos pelo mundo todo ainda estão vivendo sob a mais brutal cultura do medo.
E este medo não se esvaiu com a execução do agora mártir Bin Laden. Aliás, foi a primeira reação pós-euforia. Morreu, e agora?
Isto tudo porque o medo é muito mais fácil de adquirir do que de perder. Por dois motivos essenciais, que são no fundo relacionados à própria essência do medo: o primeiro é que não ter medo pressupõe confiar. Mas confiar em que? Na tranquilidade; O segundo é que sempre temos medo daquilo que projetamos para o futuro. O medo nunca é do que é, mas do que pode ser.
Vejamos: Se um leão encontra-se na minha frente, não tenho medo dele, mas sim da mordida que ele pode me dar. Mas ele ainda não mordeu. E o medo só existe enquanto não existe mordida. Quando existe mordida, existe dor, e o medo passa a ser da morte. E assim por diante. Nunca tememos o mundo que é. Sempre tememos o mundo que imaginamos que possa ser.
E em que se baseia esta nossa projeção? Só pode se basear naquilo que temos de material cognitivo. É como no sonho: só sonhamos com o que já vimos e vivemos. Pois então, só projetamos o futuro com base no passado. Operamos através da relação de causa e efeito, como bem nos explicou David Hume. Se vimos algo acontecer, tendemos a achar que a chance de acontecer de novo é maior do que algo que não vimos acontecer. Portanto, se uma pessoa nunca ouviu que leões são perigosos e mordem para matar, não temerá em sua presença.
Assim, um povo oprimido tende a esperar mais opressão, um povo livre tende a esperar liberdade, um povo amedrontado e atacado tende a esperar mais ataques. Para que isto mude, é preciso que o equilíbrio das experiências vividas e dos afetos sofridos mude.
Então, com Osama ou sem Osama, o povo americano, vingado ou não, continua vítima do maior ataque que poderia sofrer: o ataque contra a sua própria paz. De aeroporto em aeroporto, de raio x em raio x, este império estará sempre com uma preocupação, sempre amedrontado, sempre esperando pelo pior. E para que isto mude, serão precisos anos e anos de pura paz e tranquilidade. Algo difícil de imaginar, no mundo em que vivemos.
Clóvis de Barros Filho
- Jônatas Cunha
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