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O que é isso, companheiro?



Foto: Olegário A. Filho

Difícil apreender o que foi o IV Congresso Fora do Eixo. Tudo ali acontece! Estive em seis dias de longas reuniões e encontros, e, lá pelo último, ainda estava com a sensação de que não o compreendia bem. Só fiquei mais tranqüilo quando o experiente jornalista Pedro A. Sanches (do blog Farofafá) disse que aquilo tudo também era complexo para ele.

Mas o que é tão difícil de entender? 

Coisas do tipo: sábado à noite, último dia de congresso e o Paço das Artes lotado de pessoas discutindo política cultural. O detalhe é que durante a semana inteira, elas dormiram 4 horas por noite: aquelas que não foram às apresentações das bandas no Festival Fora do Eixo (que acontecia todos os dias após o congresso), estavam editando vídeos, textos e/ou se reunindo para ajustar detalhes da organização do congresso, ou ainda estabelecendo novas redes de contato.

E o que poderia justificar esse violento engajamento? Além dos objetivos serem os mesmos entre os participantes (acabar com o monopólio da cena cultural), os métodos são extremamente motivantes, baseados na horizontalidade. Ninguém é mais do que ninguém. Qualquer um ali poderia sugerir um encontro impensado até aquele momento ou pedir a palavra em um debate.

Aliás, o congresso negava uma grade de programação. Era uma não-grade. A idéia é não engessar os participantes, como acontece em eventos convencionais. Funcionava assim: os encontros pré-marcados estavam na programação do site, e no amplo espaço as pessoas se auto-organizavam nas reuniões. Para saber o que estava acontecendo, bastava olhar para um mural eletrônico projetado numa parede central, onde qualquer pessoa poderia se informar sobre as muitas rodas de conversas. E do mesmo modo, conseguiria adicionar algum aviso de onde ira acontecer alguma outra reunião.

Essa dinâmica exigia que os congressistas saíssem da passividade. Eram obrigados a se movimentar, a procurar as outras pessoas, a conversar com outros participantes. O que a olhos ortodoxos é interpretado como uma enorme bagunça, é o formato utilizado por gente não-acomodada. Os novos tempos.

Mesmo as grandes reuniões tinham um caráter informal, que permitia confundir plenária e convidados. Extensão da idéia de que eles, os convidados, estavam ali para provocar, para discutir e não necessariamente para palestrar. E isso também exige o mínimo envolvimento.

Aliás, era bem perceptível quando um “palestrante” aparecia apenas para falar e logo saia correndo, apressado para resolver seus compromissos. Como se a opinião dos outros e o debate não fosse importante. Enfim, outro padrão de envolvimento.

Por outro lado, às vezes surgem barreiras comunicacionais. Talvez provocadas pela velocidade e pela fome por comunicação. Ou por supor que falam somente a quem está acostumado com as siglas e expressões próprias. Alguns estavam atentos e às vezes chamavam a atenção para isto.

Foto: Olegário A. Filho

Indo além dos jargões próprios que determinados grupos acabam criando naturalmente, um outro tipo de linguajar foi colocado em pauta: o de classes. Em uma das rodas, um rapper disse mais ou menos assim: “vocês têm que falar mais fácil porque quem é da minha quebrada não vai entender”. Quem conhece de verdade o Brasil, sabe que esse é um ponto fundamental. Para o Circuito Fora do Eixo chegar a ser “a rede das redes” como almeja, esta questão deve ser encarada de frente.

E quando o Circuito vence os limites do continente Brasil? Na conversa a respeito do Fora do Eixo América Latina, feita em espanhol, uma participante também comentou sobre a barreira linguística dos dois idiomas. É algo para pensar e planejar. Quiçá cada integrante tenha que estudar o idioma do país vizinho por sua conta e/ou o Fora do Eixo possa pensar em um programa de ensino/aprendizado/vivência a partir das linguagens (literatura, música, cinema…).

Mas se não consegui entender tudo, fui capaz de sentir a energia, a força. Seus números de 2011 fazem mais sentido quando se começa a compreender as filosofias e métodos para que o cenário independente se movimente mais:

13.500 artistas fizeram 5.152 shows musicais 170 festivais de música R$ 2.500.000,00 em cachês pagos 750 sessões em cineclubes, totalizando 22.500 espectadores 160 ações na área teatral, envolvendo 40 grupos e 20 artistas independentes 1.500 exemplares publicados da edição impressa do Seda Poemas

(Fonte: Circuito Fora do Eixo)

Difícil entender e deixar de admirá-los. Eles são uma rede. Fazem circular a cultura independente de maneira muito mais fácil e dão fôlego para aqueles que sonham em viver como artistas.

Bons sonhos!

Olé

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    Pena que não fiquei sabendo… Estava numa correria tão pesada por esses dias que acabei me dispersando de tudo!

    Certamente eu teria ido, deve ter sido sucesso!

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