Defesa: Gestão de Patrimônios Históricos
Publicado em 14 de junho de 2010, às 22:06. | 4 Comentários
Artigo sobre Academia, Em cartaz / A ser exibido, Teoria, Turismo, Urbanismo.
Nesta quarta-feira (16/06), o Professor Mário Jorge Pires defende sua tese de Livre-Docência que trata sobre a gestão de cidades históricas e museu brasileiros.
Em sua pesquisa, foram visitadas por volta de 60 cidades históricas brasileiras (das 93 planejadas). Em algumas, muito chá de cadeira e porta na cara. Mas pode fazer um diagnóstico da situação atual dos patrimônios e exibirá um dos possíveis modelos que este tipo de gestão permite.
Professor (com P maiúsculo) deu em seus “29 anos de ECA e 34 de USP” grandes contribuições à pesquisa na área do Turismo Cultural. Também é o representante do curso de Turismo no Conselho Municipal de Turismo de São Paulo e tem bons livros publicados: Raízes do Turismo no Brasil, Lazer e Turismo Cultural, e Sobrados e Barões da Velha São Paulo.
A defesa começará às 10h.
Até mais!
Olé
Defesa da Livre-Docência sobre gestão de patrimônios culturais
Data: 16/06/2010
Hora: 10 horas
Local: Escola de Comunicações e Artes da USP
Av. Professor Lúcio Martins Rodrigues, 443 – Prédio Central (mapa)
Mais informações pelo telefone: (11) 3091-4122
Cinco bibliotecas de São Paulo – ( roteiros #456SP )
Publicado em 29 de janeiro de 2010, às 19:48. | 3 Comentários
Artigo sobre Academia, Livros, Turismo.

- Parte interna no prédio da FAU-USP. Foto: Nilton Suenaga.

Demorei bastante para entender o poder que as bibliotecas exercem sobre nós. Aquela imagem clichê (geralmente também associada aos museus) de muito pó, almoxarifado e de nem poder se movimentar direito sem ouvir um “shiu!” ficou por muito tempo em minha mente. Acho que a paixão por um livro, depois outro, e mais um… acabou fazendo com que uma biblioteca passasse a ser para mim um paraíso.
Em São Paulo existem muitas bibliotecas, e por isso pensei em fazer um roteiro com bibliotecas que são abertas a todos, mas não há muita divulgação sobre sua existência e seu conteúdo. Então, resolvi listar cinco bibliotecas da USP: quatro que já existem e uma que ainda não foi inaugurada: FFLCH, ECA, FAU, Brasiliana e do Museu Paulista.
FFLCH: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
É a maior delas. Seu acervo é gigante e muito denso. É difícil não encontrar algum livro de humanas ali. São três andares de livros, teses, revistas científicas, mapas etc. Destas bibliotecas, talvez seja menos agradável de passar algum tempo lá lendo devido à “iluminação de escritório”. Sítio.
ECA: Escola de Comunicações e Artes
Além de muitos livros sobre Comunicações, há um bom acervo de peças de teatro, e uma sessão de multimeios, com filmes difíceis de encontrar e ótimos CDs de música. Se estiver em um grupo pequeno, é possível assistir os filmes em uma pequena sala escura. Durante o ano letivo, não é aconselhável ler ali às quintas-feiras à noite, pois os alunos realizam semanalmente a tradicional “Quinta i Breja” próxima à biblioteca, e o som pode atrapalhar um pouco a concentração. Sítio.
FAU: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
A mais charmosa de todas. Só pelo fato de estar no prédio tombado de Artigas e seu acervo ser focado em arquitetura já bastaria para chamar a atenção. Tem iluminação muito aconchegante e suas mesas (com luminárias individuais) estão bem dispostas entre as estantes e sua parede de vidro, que dá vista para a parte interna do edifício. Ah, barulho não é privilégio de outras bibliotecas, afinal isso faz parte do cotidiano estudantil. Pode ser que alguma festa organizada pelos alunos, ou um evento no auditório, esteja acontecendo e cause incômodo. Sítio.
Brasiliana
Sua construção ainda acontece no Campi Cidade Universitária, mas já desperta desejos entre os fãs de livros sobre o Brasil. Foi uma doação do famoso bibliófilo José Mindlin, ex-aluno da USP que resolveu doar o acervo à universidade. Está sendo erguido um prédio só para ela, que é recheada de raridades. Para ir matando essa vontade e, principalmente, para qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo ter mais possibilidade de acessar seu conteúdo, livros raros estão sendo digitalizados e colocados na internet. Sítio.
Museu Paulista da USP (ou popularmente conhecido como “Museu do Ipiranga”)
Longe da Cidade Universitária, no meio do Parque da Independência, o que não falta é tranqüilidade à centenária biblioteca, que é bem arejada tem ambiente muito agradável. Seu foco é História, tendo muitas obras sobre o Brasil e especificamente sobre São Paulo. Sítio.
Espero que aproveite o roteiro que pode ser feito em um dia, mas também durar uma vida inteira.
Boas descobertas!
Olé
O sonho de Beberibe
Publicado em 27 de fevereiro de 2009, às 04:04. | 4 Comentários
Artigo sobre Academia, Cultura Popular/Folclore, Turismo.
“Aqui o turista se adapta aos nativos e não o contrário”

- Prainha do Canto Verde, por Icehawk

Mês passado, o programa Repórter Eco, da TV Cultura mostrou um exemplo prático de sustentabilidade no turismo: a Prainha do Canto Verde, em Beberibe, no Estado do Ceará. É de encher os olhos, a alma. Todo turismólogo chora de emoção quando vê algo assim. Afinal, para o Planejador/Consultor em Turismo, isto é o sinônimo de um ótimo trabalho executado.
A reportagem é densa conceitualmente e, ao mesmo tempo, de fácil entendimento. Confronta o turismo sustentável com o turismo de massa. Até mesmo cita uma vítima deste último: Canoa Quebrada, outra praia cearense (dista 80 km de Beberibe) e que é muito famosa. Essa fama talvez esteja ligada mais ao passado do que ao presente exatamente pelas questões que levaram a sua deterioração.
Programa Repórter Eco – TV Cultura – Exibido em 11/01/09 (05´)
Uma das ferramentas importantes para este sucesso é a organização da comunidade local e o entendimento sobre turismo. Este povoado teve uma história peculiar de disputa de terras com grileiros e imobiliárias, que fez com que todos se unissem em torno de um objetivo. Por mais particular que seja, ela abriu caminho para provar que o turismo sustentável é possível.
Pelo que pude acompanhar em artigos acadêmicos e teses, eles não queimaram nenhuma etapa. Dentro de suas possibilidades, decidiram que tipo de turismo seria ali praticado, quem seria o turista recebido, quem desenvolveria a atividade e de que forma e como a riqueza seria distribuída para que o maior número de moradores fosse beneficiado.
Há muitos destinos que não se organizaram para isto e suas populações acabaram sendo jogadas nas periferias destas cidades. Como? Eis um simples resumo: as áreas próximas às praias (moradas de pescadores, por exemplo) são valorizadas; grileiros (e/ou imobiliárias) compram estes terrenos a preços de banana e os antigos moradores vão morar nas áreas periféricas ou mudam para grandes cidades. Assim, está instalada a destruição da cultura local e o início de muitos problemas sociais. Tudo o que a comunidade local da Prainha do Canto Verde não quis pra si.

- Jangadas, por Anlorfoto

Para quem quiser saber mais sobre a experiência de Beberibe, deixo mais materiais ao final.
Até mais!
Olé
Turismo sustentável: um estudo de caso sobre a experiência da comunidade de prainha do Canto Verde no litoral do Ceará.
Autor: René Schärer.
Pasos: Revista de turismo y patrimonio cultural, ISSN 1695-7121, Vol. 1, Nº. 2, 2003 , pags. 231-242.
Benchmark: Prainha do Canto Verde
Autores: Ivan Bursztyn, Lucelena Delamaro, Simone S. Rocha, Mauricio Cesar Delamaro.
Caderno Virtual de Turismo, ISSN: 1677-6976, Vol. 3, N° 3 (2003).
Turismo de base comunitária: a participação como prática no desenvolvimento de projetos turístico no Brasil – Prainha Do Canto Verde, Beberibe (CE)
Autores: Marta da Azevedo Irving, Teresa Cristina de Miranda Mendonça.
Caderno Virtual de Turismo, ISSN: 1677-6976, Vol. 4, N° 4 (2004).
Entrevista: Turismo Comunitário ajuda a fortalecer e preservar Prainha do Canto Verde no Ceará
Entrevistado: René Schärer.
Entrevista concedida à: Marize Chicanel.
Revista Global Tourism
Turismo e participação comunitária: ‘Prainha do Canto Verde, a “Canoa” que não quebrou e a “Fonte” que não secou?’
Autor: Teresa Cristina de Miranda Mendonça
Orientadora: Profª. Dra. Marta de Azevedo Irving
Dissertação de Mestrado da UFRJ
O Turismo Comunitário da Prainha do Canto Verde – Beberibe – CE
Autores: Eluziande Gonzaga Mendes, Luiza Neide M. T. Coriolano
Revista de Estudos Turísticos, ISSN 1809-6468, Nº 20 – Agosto de 2006
Créditos das fotos: Icehawk, Anlorfoto.
Acadêmicos a portas fechadas
Publicado em 28 de setembro de 2008, às 22:41. | 1 Comentário
Artigo sobre Academia, Colunistas, Literatura.
O discreto e secreto charme da Academia Paulista de Letras.

O Largo do Arouche, centro da capital paulistana, está calmo. Poucos carros e poucas pessoas caminham em frente aos antigos prédios. Histórias parecem querer brotar do chão, das árvores. As estátuas, a qualquer momento, contarão alguma história dos tempos em que o local era sinônimo de sofisticação. Em um dos prédios, escondido entre duas árvores de copas largas, a serenidade do Largo é rompida por uma discussão acalorada.
Para chegar até à discussão, o elevador é o caminho. A ascensorista lê um livro. No andar de carpete escuro e quadros de antigos presidentes, as portas estão fechadas, ninguém entra. Vez ou outra o corredor do terceiro andar é tomado por algum senhor que abre a porta. Aliás, o corredor mantém o mesmo ar sereno do Largo.
Um jovem escritor, que não é imortal, está sentado em um dos sofás de couro verde, mais precisamente no sofá central. Ele espera, com um copo de cerveja pela metade, por Inácio de Loyola Brandão, um dos acadêmicos que não compareceu às 17h daquela quinta-feira 11 de setembro, horário que normalmente acontecem as reuniões.
A Academia Paulista de Letras, abrigo de alguns intelectuais do estado de São Paulo desde 27 de novembro de 1909, parece querer se esconder do mundo. Algo como uma sociedade secreta. Mas Geraldo Dias Moreira, o redator de atas da academia desde 1976, afirma que “não há nada de secreto”. O que acontece é que “hoje em dia, tudo precisa de audiência, tudo precisa ser popular e a Academia não tem essa característica, ela é discreta, tem um charme”, comenta Walcyr Carrasco, o mais novo imortal empossado na semana anterior.
Nomes como os de Mário de Andrade, Plínio Salgado, Marcos Rey, Sérgio Buarque de Holanda, Monteiro Lobato e Menotti Del Picchia ocuparam algumas cadeiras. Atualmente, as cadeiras, não as mesmas necessariamente, acolhem Lygia Fagundes Teles, Gabriel Chalita, Jorge Caldeira, Paulo Bomfin, Mindlin, Ruth Rocha e muitos outros.
O prédio que acolhe os imortais dá uma sensação de coisas ocultas, de conversas ao pé do ouvido. Do corredor, ouve-se vozes fortes em discussão. “Briga de homenzinhos”, alguém comenta tentando suavizar o que parece estar sério. A reunião de uma hora encerra-se. A porta enfim se abre. Os acadêmicos parecem correr em busca de algo: a saída. Os poucos presentes na reunião, não mais de 15 segundo o redator de atas, vão em direção ao elevador. Ficam cerca de cinco a tomarem o café da tarde que é servido na sala em frente à porta do entra e sai de senhores da reunião.
Os imortais olham desconfiados, sentem que há pessoas diferentes, fogem. Eles fogem da caneta e do bloco de papel. O presidente, José Renato Nalini, faz parte do grupo que procura a saída. No elevador, ele declara que “infelizmente não pode falar, está atrasado para ir dar aula”.
Duas senhoras comentam sobre o rapaz sentado no sofá verde. Uma pergunta para a outra quem poderia ser aquele. Se era homem ou mulher, ou o que era. Ela parece não gostar da presença dele, logo vai embora. A outra segue para a sala de chá, onde a discussão da reunião não termina. Alguém diz que não se deve xingar os outros. Outro diz que não é com gritos que as coisas mudam.
Ana Maria Martins, uma imortal de andar e roupas tradicionais e secretária geral desde 2007, antes de ir tomar seu chá fala em voz fraca que não pode responder a muitas perguntas, pois acaba de sair de uma forte gripe. Ela explica que “a Academia defende a língua portuguesa” e que, para ela, “ser acadêmica é ser reconhecida”.
Diferentemente dessa quinta-feira, as reuniões costumam ser abertas ao público, essa reunião foi um caso especial. Questões institucionais precisavam ser discutidas à portas fechadas.
Restam três acadêmicos na sala do chá, bolo de cenoura com cobertura de chocolate e os pasteizinhos que Ana Maria Martins diz ter adorado. Dois homens escondidos em seus bigodes acompanham a secretária geral. Eles, depois de meia hora de chá, fogem para o elevador.
A senhora Ana Maria ainda caminha do corredor até a sala da secretaria. O prédio já está vazio. A biblioteca e a sala de leitura já encerram suas atividades do dia. A porta de entrada, ou saída, no térreo está fechada. O porteiro abre o Largo do Arouche, que já se põe. A Academia Paulista de Letras dormirá mais uma vez.
Lucas Rossi
Um pouquinho de teoria
Publicado em 10 de setembro de 2008, às 00:55. | Deixe um comentário!
Artigo sobre Academia, Cinema, Colunistas, Teoria.
Esta semana a Cinemateca Brasileira e o CINUSP “Paulo Emílio” estão promovendo o seminário “Cinema digital: Novos formatos de expressão e difusão audiovisual”. O evento conta com palestras e uma mostra de filmes dedicados ao tema.
O objetivo central do seminário é colocar em pauta as diferenças que surgiram no mercado com a introdução da tecnologia digital dentro do cinema. O intuito do evento é promover uma troca de experiências entre pesquisadores, realizadores e profissionais do meio audiovisual, tanto brasileiros quanto estrangeiros, sem esquecer, é claro, dos meros espectadores e curiosos como nós. As mesas redondas estão divididas em quatro assuntos principais: produção, mercado, formação e preservação.
Para aqueles que tiverem um tempo e vontade de ir é só entrar no site www.cinemadigitalnovosformatos.org.br e conferir a programação. Já para aqueles que tiverem preguiça ou não puderem ir até os locais, é só entrar no site e assistir ao vivo às transmissões. Não tem tempo de ver ao vivo? É só entrar no site do departamento de audiovisual da USP que o material ficará hospedado lá por um tempo. Opções é que não faltam!
Acho super importante eventos como esse que misturam a teoria e a prática. Devo ser meio tradicionalista, mas acredito que é a partir da teoria que se constrói uma prática consistente. Então, acho que a maior dica pra você que está lendo esse post é: corra atrás de informação sobre o que você gosta, seja em palestras, livros, filmes, Internet… informação nunca é demais (bem clichê mesmo!).
Até a próxima!
Marina Travassos


