A angústia da vida refletida em ‘Cabeça a Prêmio’
Publicado em 20 de agosto de 2010, às 08:30. | 2 Comentários
Artigo sobre Cinema, Colunistas, Em cartaz / A ser exibido.
O filme começa com um uruguaio em cena, falando um castelhano meio aportuguesado em meio a um grande canavial. É pelos créditos dos patrocinadores que sabemos que a cena provavelmente se passa no Mato Grosso do Sul. E aí você pode pensar que o ator uruguaio Daniel Hendler (‘O Abraço Partido’) é um jovem brasileiro, tentando se comunicar com um paraguaio na fronteira, em um castelhano aportuguesado.
Mas ‘Cabeça a Prêmio’, estreia de Marco Ricca na direção e que chega aos cinemas nesta sexta-feira (20), vai além dos dramas de vida na fronteira, ele cria um drama familiar, mesclado com história de amor, de máfia, de fronteira. São vários gêneros que se misturam criando um clima angustiante em que cada personagem parece se afundar cada vez mais em uma lama grossa e sem saída.
O sorriso de Alice Braga quebra a tensão em alguns momentos, criando respiros de alívio no filme. No entanto, mesmo as roupas chiques da moça, que interpreta a filha de um grande agropecuarista envolvido no narcotráfico, em certo ponto do filme dão lugar a um allstar em ritmo de fuga.
Em cena, grandes nomes como Fúlvio Stefanini, Eduardo Moscovis, Cássio Gabus Mendes, Otávio Muller, Alice Braga e a participação inusitada do uruguaio Daniel Hendler, que Ricca conta ter tido o prazer de conhecer e conviver por algumas semanas. “São todos meus amigos e eu tive a sorte de aceitarem meu convite. Eu não posso pagar esses loucos. Ou pelo menos não como eles merecem”, disse em coletiva de imprensa.
Cabeça a Prêmio é uma história de amor e de dor, que se constrói em um ritmo fragmentado, como fragmentada e angustiante é a vida. Com fortes personagens e interpretações, Marco Ricca transpôs o livro homônimo de Marçal Aquino, de quem é um grande fã, para as telas, pensando em grandes amigos seus que ele considera atores fantásticos para interpretarem o roteiro de Felipe Braga, do qual ele e o próprio Marçal Aquino participaram.
O filme é uma boa pedida, mas sugiro evitar após um dia tenso!
Bruna Buzzo
“A” noite de 67!
Publicado em 28 de julho de 2010, às 02:43. | 1 Comentário
Artigo sobre Cinema, Em cartaz / A ser exibido, Música.

- Caetano Veloso. Foto: Wilson Santos/CPDoc JB

Nos cinemas, estréia nesta sexta (30/07), “Uma Noite em 67”
Como fazer um bom recorte de uma época tão turbulenta? Anos 60. Brasília. Guerra-fria. Jango. “Paz e Amor”. Decadência da Bossa Nova. Golpe de Estado em 64. Movimento anti-guitarra. Arte Pop. Costa e Silva. Guerra do Vietnã. Fleury. Beatles. Novos rumos da MPB…
Aqui na terrinha, a centralização dos meios de comunicação era uma grande dificuldade para lançar novos trabalhos. Àquela altura, as novelas não reinavam. Programas musicais dominavam os horários nobres. Não demorou muito para surgir a fórmula dos festivais televisivos, que acabavam sendo “as” oportunidades para artistas exporem seus trabalhos.

- Sérgio Ricardo. Foto: Wilson Santos/CPDoc JB

Pessoas nascidas depois de 1962 talvez não tenham noção do que os festivais foram. Talvez uma mistura de Reality Show com o efeito Copa do Mundo. As pessoas aguardavam ansiosas aquelas noites. A família inteira, do avô com 70 anos ao netinho de 8, parava à frente da TV e torcia calorosamente. A audiência era altíssima!

- Chico Buarque e MPB4. Foto: Wilson Santos/CPDoc JB

Renato Terra e Ricardo Calil tinham a intenção de fazer um documentário sobre os festivais. Perceberam que precisavam diminuir o tamanho de sua abordagem para um único festival. Mas qual seria o mais emblemático? Escolheram o que trazia os compositores como intérpretes, o que tinha mais qualidade musical. Foi também nele que Caetano Veloso e Gilberto Gil começam a romper com a MPB, iniciando o Tropicalismo.
Optaram ainda por reduzir mais. Não retratar todos os dias, somente a final. E dela, somente seis músicas:
Chico Buarque e o MPB 4: “Roda Viva”;
Caetano Veloso e os Beat Boys: “Alegria, Alegria”’
Gilberto Gil e os Mutantes: “Domingo no Parque”
Edu Lobo e Marília Medalha: “Ponteio”;
Roberto Carlos: “Maria, Carnaval e Cinzas”
Sérgio Ricardo: “Beto Bom de Bola”
Assim como tinha o “bandido” e o “mocinho”, tinha a música “pura” versus a “importada”; “politização” versus “alienação”; “caretice” versus “renovação”; “samba político” versus “samba disfarçado”… O público estava dividido. Muitos estudantes faziam parte da plateia e iam ali para ovacionar aquilo que era abafado nas ruas pela Ditadura. Agentes do Comando de Caça aos Comunistas também estavam presentes. Tudo fervia.
O resultado de tudo isso é o documentário “Uma Noite em 67”. Para quem viveu aquela época, rememorar tudo aquilo e para quem não viu ao vivo, é um ótimo ponto de partida para entender um pouco mais o panorama daqueles famigerados anos 60.

- Gilberto Gil. Foto: Wilson Santos/CPDoc JB

Enfim, vale muito a pena assistir e perceber que, no fundo, hoje o que menos importa é a colocação final das músicas.
Boa sessão!
Olé
PS: os diretores têm mais de 70 horas de material gravado e prometeram disponibilizar de alguma forma. Agora é esperar também o DVD ou os DVDs.
Detelhes
Título original: Uma Noite em 67
País: Brasil
Diretor: Renato Terra e Ricardo Calil
Fotografia: Jacques Cheuiche
Montagem: Jordana Berg
Ano: 2010
Estréia: 30 de julho de 2010
Salas de exibição
Promoção: Pré-estréia “Uma Noite em 67″
Publicado em 19 de julho de 2010, às 16:54. | 1 Comentário
Artigo sobre Cinema, Promoção.
Junto com a nossa parceira Brazucah, estamos lançando uma promoção (praticamente relâmpago). Sortearemos 1 par de convites para a pré-estréia do filme Uma noite em 67, de Renato Terra e Ricardo Calil. O evento é fechado e acontecerá em São Paulo, no dia 20 de julho (terça-feira), às 20h.
Sinopse do filme:
“No teatro: aplausos, vaias, um violão quebrado, guitarras estridentes. No palco: os jovens Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Roberto Carlos, Edu Lobo e Sérgio Ricardo. As músicas: “Roda Viva”, “Ponteio”, “Alegria, Alegria”, “Domingo no Parque”. E só um deles sairia vencedor. Isso é Uma Noite em 67, um convite para viver a final do Festival da Record que mudou os rumos da MPB.”
Promoção:
Um par de convites para a pré-estréia fechada de “Uma noite em 67″.
Local: São Paulo, SP, Brasil.
Dia: 20/07/10.
Horário: 20h.
Para concorrer, basta preencher e enviar o formulário com todos os campos requeridos devidamente preenchidos. Serão aceitos aqueles enviados até às 20 horas do dia 19/07/10 (GMT -03:00):
Inscrições Encerradas!
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Distrito 9
Publicado em 1 de maio de 2010, às 12:49. | 1 Comentário
Artigo sobre Cinema, Colunistas.
Montado como se fosse um documentário e dirigido pelo sul-africano Neill Blomkamp, o filme retrata um apartheid de aliens em Johannesburgo, capital da África do Sul. Quando vi o trailler, lembro de pensar que era apenas mais um filme sobre ETs, invasão à terra e afins. Mas Distrito 9 é muito mais que isso. Ele faz refletir sobre o preconceito para com o diferente e sobre a questão do apartheid, colocando ETs para pousarem bem ali, onde anos antes os negros é que eram jogados em favelas e empurrados para os subúrbios.
Após aterrissarem na Terra por problema técnicos em sua espaçonave, sofrendo com a fome e a falta de um lugar para ficar, as autoridades locais acomodam os alienígenas no ‘Distrito 9′, uma enorme favela onde nigerianos traficam armas e latas de comida de gato (o alimento favorito dos aliens), além de comerem os extraterrestres achando que talvez assim consigam usar suas poderosas armas (que só funcionam ao toque do ‘dedo’ alienígena).
Chamados de ‘camarões’ pelos seres humanos, o tratamento dedicado aos alienígenas não é muito diferente da maneira como foram tratados os tútsis em Ruanda, chamados de ‘baratas’ pelo hútus à época da limpeza étnica (800 mil tútsis morreram em Ruanda em 1994 – sobre isso, ver o filme Hotel Ruanda) ou do modo como os sul-africanos vêem os emigrantes zimbabuanos hoje em dia, como comenta o diretor Neill Blomkamp em entrevista à Folha.
Em Distrito 9, o que sentimos pelo extraterrestres vai da aversão inicial que sua aparência nos causa (são muito feias as criaturas que aparecem no vídeo) à afeição gerada pelo sentimento de que a injustiça que lhes é cometida não é algo certo.
Para aproximar ainda mais o espectador das feias criaturas, Distrito 9 usa o fantástico recurso narrativo de mostrar um ser humano que é contaminado por uma substância que aos poucos o transformará em um extraterrestre. Aqui vemos que, do dia para a noite, tudo o que mais amamos pode se perder. No caso do personagem, é sua humanidade que entra em um jogo cuja vitória ele sabe difícil.
Perseguido e isolado de seus iguais, só lhe resta fazer amizade com os mesmo ‘camarões’ que ele próprio perseguia quando trabalhava para o governo em uma missão que queria tirar os alienígenas do Distrito 9 e transferí-los para o interior do país.
Esquecido entre os indicados os Oscar deste ano, Distrito 9 é um desses filmes que te faz parar um pouco e refletir sobre a vida antes mesmo de desligar a televisão.
Bruna Buzzo
Detelhes
Título original: District 9
País: África do Sul e Nova Zelândia
Diretor: Neill Blomkamp
Fotografia: Trent Opaloch
Trilha sonora: Clinton Shorter
Ano: 2009
Estréia: 16 de outubro de 2009
Salas de exibição
Cinema: “Os EUA VS. John Lennon”
Publicado em 23 de abril de 2010, às 02:54. | Deixe um comentário!
Artigo sobre Cinema, Colunistas, Em cartaz / A ser exibido.
O documentário que conta a batalha quase psicótica do líder dos Beatles para promover a paz a todo custo cumpre seu dever. Conta à risca o desenrolar dos fatos na vida de Lennon de forma cronológica que o associaram à imagem de um ativista compenetrado na busca pela paz mundial. A falha: faltam takes inteligentes, deixando, às vezes, documental demais e termina com a morte do protagonista, esquecendo de contemplar todo o resultado gerado pelo seu esforço, no período que sucedeu o doloroso 8 de dezembro de 1980. De qualquer forma é emocionante ver a obstinação do cantor e de sua fiel companheira, Yoko Ono, com toques de genialidade crítica às formas como a imprensa lidava com suas atitudes. Definitivamente seu legado é atemporal.
Victor Gouvêa
Detelhes
Título original: The U.S. vs. John Lennon
País: Estados Unidos
Diretor: David Leaf, John Scheinfeld
Fotografia: James Mathers
Ano: 2006
Estréia: 2 de abril de 2010
Salas de exibição






