O filme das descobertas

Publicado em 27 de janeiro de 2010, às 02:20. | 2 Comentários

Artigo sobre Cinema, Em cartaz / A ser exibido.


Cartaz do filme "Hanami - Cerejeiras em flor"

Talvez restem apenas dois dias para você, ao terminar de ler este texto, levantar, ir a uma das poucas salas de cinema que ainda exibem Hanami – Cerejeiras em Flor (2008) e ficar paralisado após o fim do filme. Literalmente sem ação. Fiquei assim. Eu e mais de 85% das pessoas que lotavam a sala do cinema. Explicação? Talvez.

O filme fala da cegueira nas relações. Entes queridos, da família ou não, acabam sendo deixados de lado por nós. Mergulhamos em uma vida cada vez mais egoísta. Acabamos não sabendo os sonhos, os desejos, as aflições de quem está ali tão perto. E a relação com aqueles que estão longe fica pior ainda. Pronto, vários anos se passaram, as rugas apareceram e, ao olhar para trás perguntando se tudo valeu, a resposta pode estar longe de ser: “sim, vivemos tudo intensamente”.

Essa cegueira é tão profunda, tão enraizada que muitas vezes é necessário um baque muito forte para perceber o tempo perdido. E geralmente significa a morte ou a iminência dela acontecer. Aí bate a vontade de fazer tudo aquilo que não foi feito, falar tudo o que não foi falado, mudar prioridades…

E estes mesmos dramas que as personagens vivem são trabalhados de uma forma mais ampla pela diretora, simbolizados entra a cultura japonesa e alemã. O desdém inicial do olhar da cultura alemã para a japonesa vai diminuindo conforme se descobre esta outra cultura. Os olhos vão se abrindo, vão notando a beleza das cerejeiras em flor e acabam descobrindo a si mesmos.

E aquele estereótipo de cultura fria, simbolizada por uma pronúncia pouco harmoniosa cai por terra. O final, que até poderia ser previsível, transmite toda a força poética alemã, traz as profundas revelações do amor e rompe qualquer fronteira, seja ela cultural, geográfica, espiritual e até mesmo aquela entre platéia e história.

Definitivamente, é um filme de muitas descobertas. Talvez ainda dê tempo de você fazer as suas.

Olé

PS: mais detalhes do filme podem ser vistos neste artigo da Mostra de São Paulo. Leia depois de assisti-lo.




Mais um! Mais um!

Publicado em 1 de dezembro de 2009, às 02:20. | 2 Comentários

Artigo sobre Cinema, Música, Reflexão.


Como fazer sete anos de filmagens virarem um documentário de quase duas horas? Entre a Luz e a Sombra é a resposta de Luciana Burlamaqui para esta questão. E não é qualquer resposta. É uma resposta em forma de muitas perguntas. Trabalho tão profundo que está ao lado de outros grandes do cinema nacional, como Cidade de Deus, Ônibus 174, Estação Carandiru e Tropa de Elite, que tratam da mesma temática e mostram a urgência da reflexão que negamos a fazer todos os dias.

Há três histórias entrelaçadas que conduzem o enredo: a de Sophia Bisilliat, a da dupla de rap 509-E e a do juiz Octávio de Barros Filho.

Sophia é atriz e quis levar arte aos detentos do Carandiru. Em vinte anos de trabalho, criou o projeto “Talentos Aprisionados”, o qual tentava dar alguma luz para destacados artistas da cadeia. Assim, ela conhece a promissora dupla Dexter e Afro-X. Conseguiu a gravação de um CD e a autorização para que eles pudessem fazer shows de divulgação fora da penitenciária. Após  muitas saídas, um convite para um debate uma das emissoras mais vistas no Brasil seria uma grande oportunidade para mostrar suas idéias, sua recuperação, seu talento. Chega o momento chave do filme: a aparição no programa Altas Horas, da TV Globo. Seria debatendo a pena de morte. A discussão rumou para a pena de morte não-oficial, aquela que acontece por aí, nas ruas, nas sombras, feita por quem tem licença para matar. O adversário do debate era ninguém menos que o deputado estadual Conte Lopes, que em 98 foi o segundo deputado mais votado e em 2006 foi reeleito com 207 mil votos paulistas. O clima esquentou tanto que a conversa teve de ser interrompida. Coincidência ou não, após isso a dupla passou a ter uma dificuldade monstruosa para sair da cadeia. E o gênio e juiz que acredita na reabilitação, começa a ser colocado de lado, perde força e também fica às escuras.

509-E: Afro-X e Dexter. (Foto: Divulgação)

Por quê? O que querem esconder? Que há salvação. A idéia a passar: quem comete um crime nunca mais será o mesmo; não há regeneração. A escola formadora deste tipo de visão chama-se ditadura. Parece clichê, mas basta olhar a biografia do deputado e ver em quais anos ele cursou a academia de polícia. Ele é uma peça formada pelo “sistema” para manter tudo na mais santa ordem e progresso. Mas como? Quais seriam os métodos? Com o diálogo? Respeitando os Direitos Humanos? Claro que não! Tanto que o livro lançado por Conte Lopes tem o seguinte título: Matar ou Morrer.

Esse é o mesmo “sistema” que, em 1992, através da suposta ordem do Governador de São Paulo à época, Luiz Antônio Fleury Filho, matou 111 detentos no Carandiru. Tal episódio inspirou artistas e foi fundamental para a criação do PCC (leia o que seria o estatuto do “partido”). Lembrando o sábio Raul Seixas, “(…)você mata uma / E vem outra em meu lugar(…)”.

Por enquanto acreditamos na farsa do “sistema”, na farsa da repressão. É incrível como esse sentimento está ligado à desigualdade social, ao medo que foi imposto às pessoas. Medo de dividir seus bens. Medo esse que quem realmente deveria ter eram os grandes poderosos, donos de muito dinheiro. Assim fica fácil entender o status quo que estamos mergulhados e permaneceremos por muito tempo, afinal esta visão está enraizada em muito mais do que 207 mil pessoas. É a mesma visão que dita o linchamento de uma pessoa fora dos padrões de vestimenta.

Carandiru - Rebeliao em 2001. (Foto: Divulgação)

Como um excelente documentário, não apenas nos ajuda a responder questões, mas faz outras que estão muito longe de serem respondidas, como “por que manter uma pessoa presa se ela não representa perigo para a sociedade e está regenerada?”, ou “como definir quem está regenerado e quem não está?”, ou “se alguém ficar 30 anos preso estará necessariamente regenerado após a liberdade?”,, ou “o que é representar perigo para a sociedade?”, ou “o gás é a única diferença entre o holocausto promovido na Alemanha Nazista e o holocausto nos presídios brasileiros?”…

Boas perguntas!

Olé

PS: Veja mais vídeos sobre o documentário em seu canal no YouTube: entrealuzeasombra.

Exibição: Em São Paulo e Minas Gerais, desde de 27/11. Rio de Janeiro, 04/12.

São Paulo (SP):
Unibanco Arteplex Frei Caneca / Shopping Frei Caneca
Rua Frei Caneca, 569 – 3º piso - Bela Vista
(11) 3472-2365

Cine Bombril / Conjunto Nacional
Av. Paulista, 2073 - Consolação
(11) 3285-3696

Santos (SP):
Espaço Unibanco Miramar
Av. Marechal Floriano Peixoto, 44 - Gonzaga
(13) 3284-4044

Belo Horizonte (MG):
Usina Unibanco de Cinema
Rua Aimorés, 2424 – Santo Agostinho
(31) 3337-5566

Rio de Janeiro (RJ):
Unibanco Arteplex
Praia de Botafogo, 316 – Botafogo
(21) 2559-8750




Amostra de um Cinema: Os Filmes

Publicado em 14 de novembro de 2009, às 21:43. | Deixe um comentário!

Artigo sobre Cinema, Colunistas.


Na segunda parte deste post sobre a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, deixo minhas impressões pessoais sobre os filmes que assisti, dos quais alguns já estão em cartaz. Lembro que são opiniões sensoriais experienciadas por mim, intransferíveis e intangíveis. Portanto, não devem ser consideradas como críticas, mas sugestões e relatos sobre os filmes que assisti, e recomendo como um mero espectador, com toda a subjetividade possível inerente aos comentários.

Aproveito para deixar este espaço aberto aos leitores que discordarem da minha visão sobre as películas, para que sejam incitadas discussões acerca das obras abaixo comentadas.

(500) DIAS COM ELA [(500) days of Summer]
EUA, 2009 – Marc Webb

500 dias com elaÉ uma delícia. Para se assistir acompanhado com sérios riscos de ser acometido por uma paixão arrebatadora. É leve, têm ótimas sacadas, referências indie, desenvolvimento não linear – que deixa a história muito mais interessante – e uma estética para ser saboreada (de preferência a dois). A história de um não amor que tem data pra acabar (como diz o próprio título), mas ganha seu público por ser simples e bem feito.
(trailer)


ACONTECEU EM WOODSTOCK [Taking Woodstock]
EUA, 2009 – Ang Lee

Aconteceu em WoodstockFilme que foi feito para ser gostado. Não é nenhum clássico instantâneo, mas sem dúvida alguma cumpre rigorosamente o que se propõe: divertir. Causa um arrependimento em seus espectadores por não poderem ter comparecido ao famoso Festival Hippie que marcou uma geração. Os atores estão impecáveis – sem exceção – e a fotografia aparece surpreendentemente bela. Um filme que vale a pena, e conta até com alguns tons de genialidade de Ang Lee, acompanhando em seu começo, meio e fim a execução do festival de música mais famoso do mundo, focando na história de vida de um personagem, que foi mudada com o desenvolver do evento. Assista.
(trailer)

ALÔ, ALÔ, TEREZINHA [Alô, Alô, Terezinha]
Brasil, 2009 – Nelson Hoineff

Alô, Alô, TerezinhaUma verdadeira perda de tempo. Tenta alavancar o apresentador Abelardo Barbosa – o famoso Chacrinha – a um posto que ele não merece estar: o de gênio da televisão brasileira. É irritante, cansativo e deprimente. É a tentativa frustrada de trazer elementos do gosto popular a um nível elevado de aceitação cultural. Conta com vídeos da época em péssimo estado, o que o torna ainda pior. Não é divertido, não é bem montado, não é inteligente. Não mostra a que veio.
(trailer)

A VIDA EM BLOCO [Bloques]
Venezuela, 2008 – Alfredo Hueck e Carlos Caridad

Vida em BlocoO filme Venezuelano não pode ser considerado um destaque. Não tem nada de espetacular nas duas histórias dirigidas por diferentes diretores, mas é interessante. Um filme pra passar a tarde quando não se tem nada pra fazer. Nenhuma grande surpresa, nenhuma grande decepção. Debate a velha temática de que a vida na metrópole às vezes não deixa perceber que vivemos tão perto e ao mesmo tempo tão longe uns dos outros. Morno.
(trailer)

COLIN [Colin]
Reino Unido, 2009 – Marc Price

ColinEste filme foi bastante comentado e teve salas cheias nas exibições da Mostra. Fui assistir com uma expectativa mediana, já que sabia que era uma produção de baixo custo. Contudo, já vi muitas produções de baixo custo muito bem feitas e esta, lhes digo, não é uma delas. O roteiro é fraco demais, e deveria certamente se limitar a um curta metragem. O filme se arrasta por mais de 90 minutos como os zumbis que o protagonizam. A grande revolução que “Colin” propõe é contar a mesma história de uma epidemia, só que na visão do zumbi, e não do mocinho. Não acho tão genial assim a ponto de compensar cenas toscas, ridicularizadas justamente pela falta de aporte financeiro. É bastante despropositado e, pra mim, um péssimo resultado para o investimento de 129 dólares.
(trailer)

DEIXA ELA ENTRAR [Låt Den Rätte Komma In]
Suécia, 2009 – Tomas Alfredson

Deixa ela entrarO filme, que já figurava nos telões da capital antes mesmo da Mostra acontecer, vale o investimento. Este sim conta a mesma história – a dos vampiros – de um jeito diferente. Além da fotografia linda que Alfredson entrega, o enredo envolve, alternando entre tensões e alegrias, descobertas e constatações, decepções e sinceridades. A atuação dos jovens atores suecos chama a atenção, especialmente seu protagonista, um garoto andrógeno que é atormentado por colegas de escola e permanece numa vida solitária e tímida. Trama deliciosa, fotografia linda e atuações simplistas - mas bem feitas – fazem deste um filme que deve ser assistido.
(trailer)

ERVAS DANINHAS [Les Herbes Folles]
França, 2009 – Alain Resnais

Ervas DaninhasResnais volta mais Resnais do que nunca. Em cartaz há dois anos com “Medo Privados em Lugares Públicos”, o diretor octogenário entrega no novo filme boa parte do seu jeito de lidar com conflitos psicológicos e montanhas-russas sentimentais. Em alguns momentos se torna um pouco cansativo, mas nunca deixa de ser emocionante e verdadeiro. Tem cara de clássico francês, tem jeito de clássico francês, tem atores clássicos franceses, música francesa, fotografia francesa e olhar de um diretor extremamente francês, tornando-se, por conseqüência, um verdadeiro clássico francês.
(trailer)

O SOLISTA [The Soloist]
Reino Unido, EUA e França, 2009 – Joe Wright

Cartaz: O SolistaO diretor de “Orgulho e Preconceito” extraiu o máximo de Jamie Foxx. O ator/comediante/rapper considera este o grande papel de sua vida, encarnando o esquizofrênico músico que vive nas ruas de Los Angeles. Robert Downey Jr. fica em segundo plano, mas seu personagem tem uma grande importância ao tentar trazer o tempo todo este gênio esquecido para a realidade. Mas quem disse que estar livre dos problemas psiquiátricos é o ideal? Confronta seus próprios dilemas. O filme ganhou meu carinho, fã incondicional de música, pela forma tratando o universo musical como sendo um sublime ato de execução e apreciação, seja através da cabeça de um doente, seja através de uma mente contestavelmente sã. Delicioso, apesar de pecar no exagero aos temas sociais.
(trailer)

RICKY [Ricky]
França, 2009 – François Ozon

RickyO filme tenta, mas não consegue. Ozon, que tem uma filmografia de respeito, causa no público uma decepção natural, já que se espera muito de diretores consagrados, como ele. É um conto, e assim deve ser encarado para que se torne palatável. Nele, Fraçois Ozon se reinventa, fala de coisas que são paradoxais a temáticas abordadas anteriormente, prega a união da instituição familiar como salvação, e deixa um enorme ponto de interrogação na cabeça dos espectadores, além de atuações confusas e estética discutível. Vale assistir por dois motivos: Pra ter do que falar depois com amigos cinéfilos, e a oportunidade de criticar um filme do Ozon. Ah, e claro, se você gostar de perguntas sem respostas.
(trailer)

Victor Gouvêa




Amostra de um Cinema

Publicado em 13 de novembro de 2009, às 07:22. | Deixe um comentário!

Artigo sobre Cinema, Colunistas, Produção.


Hueck y Caridad, Ang Lee, Hoineff, Price, Alfredson, Resnais, Wright, Ozon e Webb. Foi tudo o que eu consegui assistir da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A programação sempre causa reações diversas em seu ávido público. Eu, por exemplo, entro em estado de ansiedade extrema quando tenho em mãos o schedule de datas e horários dos filmes. Sei que não vai ser possível assistir a todos que gostaria e inevitavelmente me vejo acometido pela dúvida: aproveito para assistir os mais comentados – e que provavelmente entrarão no circuito comercial mais cedo ou mais tarde -, ou arrisco assistir produções menos prestigiadas que possivelmente tenham na Mostra a oportunidade única de serem exibidas?

Por fim, acabo sempre optando pelo possível. Assisto aos filmes que encaixem melhor na minha disponibilidade – que se desdobra em tempos de Mostra -, incluindo alguns prestigiados e outros menos conhecidos. Deixo, com um aperto no peito, muitos de fora, na esperança de encontrar, em poucos meses, seus cartazes expostos nos cinemas da Paulista.

Em uma tarde qualquer, estava no Conjunto Nacional quando fui pego de surpresa – como todos os que ali estavam – por um senhor que gritava insistentemente contra os preços abusivos dos filmes. Não concordo totalmente, apesar de achar que os ingressos poderiam ser mais baratos, já que o evento conta com muitos apoios e patrocínios de peso. Sabemos que é muito custoso o transporte de películas e uma infra-estrutura megalômana, como a que seus organizadores proporcionaram. Os preços poderiam ser mais baixos, mas definitivamente não podem ser considerados abusivos. Talvez tenha sido um protesto impensado, sem calcular, mesmo que superficialmente, os custos astronômicos de um evento deste porte.

A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo chegou a sua 33ª edição com um desafio: se reinventar. Antigamente, como foi destacado em um artigo da Folha de São Paulo, a Mostra tinha uma função quase bandeirante, trazendo – com muito suor – produções alternativas para o cenário cultural brasileiro, e vivenciando verdadeiras cruzadas para exibir filmes que dificilmente entrariam no circuito comercial. Apenas os grandes sucessos da Mostra chegavam às salas de cinema para o grande público. Hoje já não possui mais este viés. Uma parte significativa das produções apresentadas fatalmente entrará em exibição nas inúmeras salas da capital paulista, que tem como seu fiel público alguns apreciadores exigentes da sétima arte.

Mas há que se ponderar: a Mostra não perdeu sua importância. Assim como anos atrás revelava diretores que hoje são consagrados, traz à tona nomes não muito conhecidos, mas com carreiras promissoras, que provavelmente serão os gênios de amanhã. Tem a missão de revelar cuidadosamente algumas obras que figurarão nas listas de clássicos do futuro, e que no presente já disputam público, mídia, crítica e salas de cinema com monstros da película. Além disso, provoca uma deliciosa atmosfera na cidade, lembrando o público a todo instante que um marco da cultura filmográfica está se desenrolando, pela 33ª vez. E que, pelo bem do saber sinestésico que é o cinema, encontre solo fértil para muitas outras edições.

Victor Gouvêa




É tempo de escolhas

Publicado em 21 de abril de 2009, às 02:58. | 1 Comentário

Artigo sobre Cinema, Reflexão.


Como imaginar isso? Depois de assistir a dois filmes do Festival Sesc Melhores Filmes 2009, chego em casa, ligo a televisão para ver algo enquanto tomava um lanche. Pra variar, nada de mais, só um filme com o Adam Sandler.

Por diversas vezes quase desliguei a TV. “Filminho bobo”. Mas não sei porque continuei ali. Talvez fiquei por causa de outro longa que o Sandler trabalhou, O Paizão. Acho que essa impressão ruim era pela estrutura da história: um controle remoto dá um poder estranho à personagem principal e depois ele acaba funcionando automaticamente… O filme só fica interessante quando o detalhe do controle remoto é superado e percebe-se a intenção daquilo tudo, quando a gente entende que aquela história pode ser a nossa.

Nunca pensei que eu fosse ficar tão mexido com um filme em uma situação tão corriqueira. despretensiosa. Deve ser por saber que a vida é curta, que passa depressa. Existe pouco tempo para fazer tudo: família, amigos, responsabilidades, projetos… e é inevitável ter que estabelecer prioridades. Neste instante, os erros podem acontecer e nunca mais serão consertados. O pior disso tudo é que não adianta querer viver mais se nossos queridos não estiverem aqui para partilhar esses momentos conosco. Sim, o filme fala sobre perda de tempo. Se já entendeu o recado, vá correndo assistir Click. Se não entendeu, vá também; quem sabe isso adianta o processo, pois, se estiver em idade avançada e perceber seus erros de prioridade, espero que ainda haja tempo para acertar e começar a viver intensamente.

Boas escolhas!

Olé




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