Rapidinha!

Publicado em 28 de agosto de 2008, às 0:50. | Deixe um comentário!

Artigo sobre Cinema, Colunistas, Em cartaz / A ser exibido.


Esta é a última semana do Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo. O festival que está na sua 19° edição é gratuito e é também uma grande oportunidade para os apreciadores (ou impacientes! hahaha) assistirem grandes produções em curtos espaços de tempo.

Além de exibir curta-metragens e trazer filmes do mundo inteiro, o evento mostra também retrospectivas, homenagens e curta-metragens digitais feitos nas periferias do Brasil. A programação está disponível no site www.kinoforum.org. Mas corram, o evento vai só até esta sexta-feira (29/08).

Para aqueles que não poderão ir ao evento, mas adoram um curta-metragem fica a minha dia do filme “Tarantino’s Mind”escrito e dirigido por Selton Mello. O curta é uma “viagem” acerca dos filmes do diretor que dá nome à produção.

Nele, Selton Mello e Seu Jorge, interpretando eles mesmos, travam um diálogo em meio a batatas-fritas e chope sobre uma tese de Selton de que todos os personagens criados por Quentin Tarantino têm uma ligação.

Festival de Curtas - SP 2008

Vale a pena conferir. A produtora que rodou o filme ficou meio cabreira com alguns sites que colocaram o curta na rede, logo, não vamos fazer o mesmo por aqui. Mas se você jogar o nome do filme no google é só aguardar aparecer o primeiro link e pronto. Oops… alguém desobedeceu às ordens!

Abraços!

Marina Travassos




O Povo de Fazimentos

Publicado em 25 de agosto de 2008, às 16:53. | 1 Comentário

Artigo sobre Cinema, Colunistas, Estudo, Reflexão.


É bem oportuno falar sobre o povo brasileiro na época em que o Brasil vive uma fase patriótica por conta dos jogos Olímpicos. Afinal, acho que somos mesmo o povo que “não desiste nunca”. É esse o espírito que uma pequena caixinha de 13 por 19 centímetros guarda em si. O DVD duplo nomeado de O Povo Brasileiro tornou-se a minha série de documentários favoritos em poucos minutos de contato visual. São dez pequenos documentários de 30 minutos em média cada, que recontam e remontam para nós o nascimento do povo brasileiro. Idealizada pelo antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997), e baseada em seu grande e reconhecido livro também de nome O Povo Brasileiro, a série prende nossos olhos pela riqueza de detalhes, de imagens raras e de sua coletânea de arquivos de vídeos, alguns nunca publicados antes. Darcy Ribeiro aparece como um vovô simpático contando para nós suas idéia e experiências, e somos presenteados pelas participações ilustres de nomes como Chico Buarque, Tom Zé, Antônio Cândido, Aziz Ab´Sáber, Paulo Vanzolini, Gilberto Gil, Hermano Vianna, entre outras personalidades, deixando o clima leve e despretensioso.

Darcy Ribeiro por Cristina Zappa

Diferente da maioria dos documentários de seu gênero, a série é delicada ao mesmo tempo em que é muito inteligente. Textos de Camões, Fernando Pessoa e outros tomam um tom descontraído e muito próximo de nós. Não é a toa que ao final de cada vídeo queremos logo ver mais um.

Logicamente, o caráter educativo prevalece ao caráter artístico dos vídeos, mas a edição e a montagem das imagens, que acompanham músicas do mais bom gosto, são muito bem trabalhadas.

Mas para quem conhece um pouco de Darcy Ribeiro, já pode dizer que vindo dele, pouco não se pode esperar. Mineiro, Darcy Ribeiro sempre foi destaque em seus estudos e projetos. Forma-se em São Paulo em Antropologia aos 24 anos, e quando acabara de colocar seus pés fora da faculdade, já se envolveu em pesquisas e causas indígenas, todos de valores incontestáveis e que mereceriam um novo artigo para serem discutidos. Com apenas 30 anos, já envolvido também pelos dilemas educacionais, torna-se Ministro da Educação, no Gabinete Hermes Lima. Sua vida política também envolve seu ingresso como Ministro-Chefe da Casa Civil do Presidente João Goulart em 1963, Vice-Governador do Rio de Janeiro em 1982, Secretário da Cultura e Coordenador do Programa Especial de Educação, e Senador da República de 1991 a 97. E tudo isso junto à sua imersão em projetos sérios e em sua maioria bem sucedidos.

(…) Minhas características distintivas talvez sejam a contraditória vontade insofreável de compreender e o gosto de fazer, que me converteram em híbrido de intelectual e fazedor.

(…) Obras, escritos, cargos, fiz, tentei e exerci muitos. Nisto gastei minha vida. Uns poucos deles ficaram com minha marca nos mundos que passei, enquanto passava: um sambódromo, um parque indígena, museus, muitas bibliotecas, demasiados ensaios, quatro romances, muitíssimas escolas, algumas universidades. Não é pouco, quisera mais.

(…) Sou um homem de fazimentos.

Não é a toa que um homem tão apaixonado por sua vida e pelos seus fazimentos, nos deixa uma obra que nos dá mais orgulho de sermos brasileiros do que qualquer conquista Olímpica. O conteúdo dessa caixinha e desses dois DVDs deixa claro que a nossa conquista corre por nossas veias…nós somos feitos, fisicamente, de nossas vitórias, e até de nossas derrotas. Os índios, os portugueses, os africanos, e mais todos aqueles que ousaram cruzar, literalmente, a nossa história, nos deu o sangue singular e ao mesmo tempo pluralizado que temos hoje. Darcy Ribeiro e seus 10 singulares vídeos que falam nada mais nada menos do que sobre nós, varre nossos preconceitos e coroa nossos feitos.

DVD: O Povo BrasileiroNão pretendo perder aqui o meu e o seu tão precioso tempo tentando traduzir o conteúdo desses vídeos com minhas palavras. Vê-los te trará, com certeza, novos e curiosos conhecimentos sobre você mesmo. Conhecimentos que certamente farão sua língua coçar em conversas simples como numa mesa de bar, pois os assuntos trabalhados pelo O Povo Brasileiro se encaixam perfeitamente na nossa vida.

Pelas lindas imagens que emberçam os assuntos trabalhados, digo que fale a pena procurar pelo DVD. Mas outra alternativa é acompanhar os capítulos pelo youtube. Seguem os links dos três primeiros capítulos:

1. Matriz Tupi
2. Matriz Lusa
3. Matriz Afro

1. Matriz TUPI - Parte A

1. Matriz TUPI - Parte B

1. Matriz TUPI - Parte C

2. Matriz LUSA - Parte A

2. Matriz LUSA - Parte B

2. Matriz LUSA - Parte C

3. Matriz AFRO - Parte A

3. Matriz AFRO - Parte B

3. Matriz AFRO - Parte C

Para quem quiser estudar mais sobre o genial Darcy Ribeiro, há um conteúdo muito completo no endereço da Fundação Darcy Ribeiro. A Fundação idealizada por Darcy Ribeiro deveria estar em Brasília, mas hoje ainda está localizada no Rio de Janeiro. No site está a bibliografia e biografia completa deste que não passou e jamais passará despercebido.

Para quem quiser embarcar numa viagem dentro de sua própria história, este é o perfeito jeito de começar! Boa viagem!

Karina Polycarpo




Trieiros: caminhos abertos

Publicado em 20 de agosto de 2008, às 23:49. | Deixe um comentário!

Artigo sobre Colunistas, Teatro.


Ontem, domingo, às 19h, me fiz presente no VIGA Espaço Cênico. Um nome que me chamou muito a atenção pelo fato de não ser um “teatro”, onde uma peça ocorreria, mas um “espaço cênico”. E realmente o era. Em lucal inusitado, o sótom de uma casa, aconteceria a peça Trieiros: caminhos abertos.

Havia algum tempo que não assitia uma peça de teatro. E desde nunca, eu tinha visto uma peça num espaço tão diferenciado, que caberia precisamente na proposta intimista da peça.

Trieiros, em sua chamada, explica: “ao som de uma sanfona, Leonora, Maria de Goias e Rosalva desfiam suas histórias, trilhando atalhos, estradas e vielas. E assim vão as três mulheres contando suas histórias, suas vivências na roça e na cidade grande, de uma forma tão expontânea e simples, que é difícil não se contagiar e se comover com as aventuras e dessabores da trupe.

Apesar da atuação cativante e do cenário bacaníssimo, o que mais me chamou a atenção, pela novidade, foi a forma de interagir com o público. No espaço cênico, estavam tão somente 50 pessoas. Não por que haviam assentos vagos, mas porque era essa mesma a proposta. Nos ires e vires das histórias, as pessoas da platéia eram aboradas para falar um pouquinho se si, e complementar o enredo. Ali, em uma noite, eu descobri um cozinheiro, um chef provavelmente, uma recém-lançada-cantora, que acabara de gravar um CD, e uma empresária, dona de uma fábrica de roupas de lã. Cada um com seus causos.

E eu também acabei participando da história. Contei sobre a primeira vez que me perdi pela grande São Paulo, tomando placas erradas. Mas esqueci da minha mais incrível aventura enquanto criança. Quando, na praia, adormeci abraçado a uma garrafa plástica, e  boiei para umas duas praias distante, para desespero dos meus pais. Por sorte, e ajuda de um casal que estava tomando sol pela praia, achei meus pais.

O interesse sincero das personagens em saber da vida do público, dos detalhesinhos e do intercruzar das histórias, mexia com quem assitia. Elas resgatavam aos pouquinhos aquilo que se perdeu na cidade grande, o interesse real e sincero pelo que acontece com o próximo, por querer conhecer curiosa, sincera e ingenuamente sobre a vida de quem passa pela nossa.

A peça é um resgate dos valores das pessoas simples e de uma vivacidade, de um gosto pelas pequenas coisas, que se perdeu com a urbanização e o ritmo da metrópole.

Trieiros vale por si só, e ainda mais, pela revisão comovente que faz do caminhar de nossas vidas.

Bruno Incáo




Para parar de pensar

Publicado em 19 de agosto de 2008, às 1:33. | 1 Comentário

Artigo sobre Colunistas, Literatura.


Capa do Livro - Como me tornei estúpido

Quer parar de pensar? Caso sim ou não, a dica é o livro “Como Me Tornei Estúpido”, de Martin Page, um bem escrito manual, ou narração, de como deixar o mundo da lucidez que fará qualquer leitor pensar sobre parar de pensar.

Antonie, um intelectual de vinte e cinco anos, quer “cobrir o cérebro com o manto da estupidez”. O plano inicial é o álcool, mais precisamente o engarrafado vendido em bares. A jornada de proclamação à independência ao saber, entretanto, é longa: do bar para uma escola de suicidas, da escola ao antigo pediatra e, por fim, do pediatra às pílulas Felizac, que o fazem encontrar o “mundo real”.

A odisséia é salpicada de acontecimentos engraçados e, um tanto quanto, possíveis a qualquer um. O drama intelectual é, na verdade, uma comédia intrigante em que as idéias incrivelmente bem enlaçadas, adicionadas à temática resultam em um livro que consegue deixar o leitor ancorado à trama. Além disso, o cenário contemporâneo permite que a leitura se aproxime da realidade.

Page, um parisiense nascido em 1975, faz do best-seller, além do livro ganhador do prêmio Euregio-Schüler Literaturpreis 2004, uma ótima pedida para pensar sobre o não-pensar de uma forma descontraída. Pelo livro ser pequeno, 160 páginas no formato pocketbook, e escrito de uma forma descontraida, a leitura torna-se fácil e agradável. Além do mais, é um belo passeio por Paris.

Lucas Rossi




Cinema vs. China

Publicado em 14 de agosto de 2008, às 23:42. | Deixe um comentário!

Artigo sobre Cinema, Colunistas.


Aproveitando a época de Olimpíadas e os olhares todos voltados para o lado de lá do mundo, mais especificamente para a China, resolvi escrever um pouco sobre a sétima arte dentro desse país que possui uma história tão conturbada.

O cinema é uma das artes mais controladas dentro da China. Há até pouco tempo atrás, a maioria dos cineastas chineses vivia na clandestinidade, trabalhava sem recursos e era submetida ao Departamento Nacional do Cinema, que proibia o aluguel de equipamentos, entre outras represálias. No final de 2001, o Regulamento da Indústria Cinematográfica no país foi modificado, autorizando os cineastas a pedirem “permissão de produção” para o Departamento e acabando, assim, com o monopólio dos estúdios e a clandestinidade dos diretores.

Apesar disso, a censura do país em relação ao cinema ainda é muito grande. Muitos filmes são banidos todos os anos e outros só passam pela censura com grande parte do material cortado, filmes de Hollywood são limitados a apenas 30 por ano e existem cerca de mil salas de cinema no país inteiro. Com todas essas complicações, o mercado de filmes piratas na China é muito grande e preferido pelos chineses que apreciam o cinema.

O gênero mais popular do cinema chinês são os filmes de kung fu e poucos filmes desse país se tornaram mundialmente conhecidos. Porém, mesmo com todos esses problemas, o cinema chinês já fez grandes produções, um exemplo disso é o filme “O tigre e o dragão” (2000), que apesar de ser dirigido por um taiwanês, Ang Lee, narra a história de duas mulheres, com grandes habilidades em artes marciais, cujos destinos se cruzam em meio à Dinastia Ching, na China. O filme mistura fantasia, lutas, romance e lendas orientais e recebeu vários prêmios, dentre eles Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, Fotografia, Direção de Arte e Trilha Sonora.

Outro filme que, apesar de não ter recebido tantas premiações, também faz parte das grandes produções chinesas é “Herói” (2002) , produzido por Quentin Tarantino e protagonizado por Jet Li.  O filme se passa na China antes da unificação e o estado de guerra ininterrupto entre as várias dinastias existentes. O ponto forte de “Herói” é a sua belíssima fotografia que vibra e coloca as cores quase como protagonistas do filme.

Para aqueles que não são muito fãs do cinema asiático e línguas estranhas, há sempre a opção mais românica e infantil, como Mulan (1998). O desenho foi  produzido pela Disney que tomou algumas liberdades para narrar a sua versão da história (pra variar, né?) e acabou causando certo desconforto entre o público chinês. Mesmo assim, o desenho arrecadou cerca de 310 milhões de dólares pelo mundo, superando seus antecessores “Hércules” (1997) e “O Corcunda de Notre-Dame” (1996).

Bom, agora é só escolher, estourar a pipoca e assistir não só os grandes atletas atuando na terra dos olhos puxados, mas também essas grandes produções.

Bom filme e boas Olimpíadas para todos!

Até a próxima!

Marina Travassos




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