O filme começa com um uruguaio em cena, falando um castelhano meio aportuguesado em meio a um grande canavial. É pelos créditos dos patrocinadores que sabemos que a cena provavelmente se passa no Mato Grosso do Sul. E aí você pode pensar que o ator uruguaio Daniel Hendler (‘O Abraço Partido’) é um jovem brasileiro, tentando se comunicar com um paraguaio na fronteira, em um castelhano aportuguesado.

Mas ‘Cabeça a Prêmio’, estreia de Marco Ricca na direção e que chega aos cinemas nesta sexta-feira (20), vai além dos dramas de vida na fronteira, ele cria um drama familiar, mesclado com história de amor, de máfia, de fronteira. São vários gêneros que se misturam criando um clima angustiante em que cada personagem parece se afundar cada vez mais em uma lama grossa e sem saída.

O sorriso de Alice Braga quebra a tensão em alguns momentos, criando respiros de alívio no filme. No entanto, mesmo as roupas chiques da moça, que interpreta a filha de um grande agropecuarista envolvido no narcotráfico, em certo ponto do filme dão lugar a um allstar em ritmo de fuga.

Em cena, grandes nomes como Fúlvio Stefanini, Eduardo Moscovis, Cássio Gabus Mendes, Otávio Muller, Alice Braga e a participação inusitada do uruguaio Daniel Hendler, que Ricca conta ter tido o prazer de conhecer e conviver por algumas semanas. “São todos meus amigos e eu tive a sorte de aceitarem meu convite. Eu não posso pagar esses loucos. Ou pelo menos não como eles merecem”, disse em coletiva de imprensa.

Cabeça a Prêmio é uma história de amor e de dor, que se constrói em um ritmo fragmentado, como fragmentada e angustiante é a vida. Com fortes personagens e interpretações, Marco Ricca transpôs o livro homônimo de Marçal Aquino, de quem é um grande fã, para as telas, pensando em grandes amigos seus que ele considera atores fantásticos para interpretarem o roteiro de Felipe Braga, do qual ele e o próprio Marçal Aquino participaram.

O filme é uma boa pedida, mas sugiro evitar após um dia tenso!

Bruna Buzzo




Distrito 9

Publicado em 1 de maio de 2010, às 12:49. | 1 Comentário

Artigo sobre Cinema, Colunistas.


Montado como se fosse um documentário e dirigido pelo sul-africano Neill Blomkamp, o filme retrata um apartheid de aliens em Johannesburgo, capital da África do Sul. Quando vi o trailler, lembro de pensar que era apenas mais um filme sobre ETs, invasão à terra e afins. Mas Distrito 9 é muito mais que isso. Ele faz refletir sobre o preconceito para com o diferente e sobre a questão do apartheid, colocando ETs para pousarem bem ali, onde anos antes os negros é que eram jogados em favelas e empurrados para os subúrbios.

Após aterrissarem na Terra por problema técnicos em sua espaçonave, sofrendo com a fome e a falta de um lugar para ficar, as autoridades locais acomodam os alienígenas no ‘Distrito 9′, uma enorme favela onde nigerianos traficam armas e latas de comida de gato (o alimento favorito dos aliens), além de comerem os extraterrestres achando que talvez assim consigam usar suas poderosas armas (que só funcionam ao toque do ‘dedo’ alienígena).

Chamados de ‘camarões’ pelos seres humanos, o tratamento dedicado aos alienígenas não é muito diferente da maneira como foram tratados os tútsis em Ruanda, chamados de ‘baratas’ pelo hútus à época da limpeza étnica (800 mil tútsis morreram em Ruanda em 1994 – sobre isso, ver o filme Hotel Ruanda) ou do modo como os sul-africanos vêem os emigrantes zimbabuanos hoje em dia, como comenta o diretor Neill Blomkamp em entrevista à Folha.

Em Distrito 9, o que sentimos pelo extraterrestres vai da aversão inicial que sua aparência nos causa (são muito feias as criaturas que aparecem no vídeo) à afeição gerada pelo sentimento de que a injustiça que lhes é cometida não é algo certo.

Para aproximar ainda mais o espectador das feias criaturas, Distrito 9 usa o fantástico recurso narrativo de mostrar um ser humano que é contaminado por uma substância que aos poucos o transformará em um extraterrestre. Aqui vemos que, do dia para a noite, tudo o que mais amamos pode se perder. No caso do personagem, é sua humanidade que entra em um jogo cuja vitória ele sabe difícil.

Perseguido e isolado de seus iguais, só lhe resta fazer amizade com os mesmo ‘camarões’ que ele próprio perseguia quando trabalhava para o governo em uma missão que queria tirar os alienígenas do Distrito 9 e transferí-los para o interior do país.

Esquecido entre os indicados os Oscar deste ano, Distrito 9 é um desses filmes que te faz parar um pouco e refletir sobre a vida antes mesmo de desligar a televisão.

Bruna Buzzo

Detelhes
Título original: District 9
País: África do Sul e Nova Zelândia
Diretor: Neill Blomkamp
Fotografia: Trent Opaloch
Trilha sonora: Clinton Shorter
Ano: 2009
Estréia: 16 de outubro de 2009
Salas de exibição




Cinema: “Os EUA VS. John Lennon”

Publicado em 23 de abril de 2010, às 02:54. | Deixe um comentário!

Artigo sobre Cinema, Colunistas, Em cartaz / A ser exibido.


us_vs_john_lennon

O documentário que conta a batalha quase psicótica do líder dos Beatles para promover a paz a todo custo cumpre seu dever. Conta à risca o desenrolar dos fatos na vida de Lennon de forma cronológica que o associaram à imagem de um ativista compenetrado na busca pela paz mundial. A falha: faltam takes inteligentes, deixando, às vezes, documental demais e termina com a morte do protagonista, esquecendo de contemplar todo o resultado gerado pelo seu esforço, no período que sucedeu o doloroso 8 de dezembro de 1980. De qualquer forma é emocionante ver a obstinação do cantor e de sua fiel companheira, Yoko Ono, com toques de genialidade crítica às formas como a imprensa lidava com suas atitudes. Definitivamente seu legado é atemporal.

Victor Gouvêa

Detelhes
Título original: The U.S. vs. John Lennon
País: Estados Unidos
Diretor: David Leaf, John Scheinfeld
Fotografia: James Mathers
Ano: 2006
Estréia: 2 de abril de 2010
Salas de exibição




Cinema: “Uma noite fora de série”

Publicado em 23 de abril de 2010, às 02:33. | Deixe um comentário!

Artigo sobre Cinema, Colunistas, Em cartaz / A ser exibido.


uma-noite-fora-de-serie

Filmes de Steve Carrel sempre me fazem rir. É o americano idiota, como sempre, mas diverte demais. Cansa, talvez, quando tenta insistentemente produzir a moral da história que os americanos gostam que o filme tenha, que neste caso é uma D.R. eterna. Mas Carrel sabe fazer humor e consegue seu objetivo: ganhar dinheiro (foi o filme mais visto nos EUA na semana passada) e arrancar gargalhadas.

Victor Gouvêa

Detelhes
Título original: Date Night
País: Estados Unidos
Diretor: Shawn Levy
Fotografia: Dean Semler
Trilha sonora: Christophe Beck
Ano: 2010
Estréia: 9 de abril de 2010
Salas de exibição




Cinema: “Soul Kitchen”

Publicado em 23 de abril de 2010, às 02:15. | Deixe um comentário!

Artigo sobre Cinema, Colunistas.


soul-kitchen

O filme alemão que surgiu como sensação Cult do ano é divertido, mas não é engraçado. As situações vividas pelo imigrante grego Zinos (Adam Bousdoukos), dono de um mal-sucedido restaurante em Hamburgo de nome Soul Kitchen, entretêm, mas nada além disso. E acredite: as circunstâncias são bem armadas para provocar gargalhadas no público…que nunca acontecem. É um ótimo filme-passatempo, bem enquadrado na categoria dos filmes-gastronômicos, como “Sem Reservas” e “Julie and Julia”. Talvez por ser muito aguardado, decepciona, mas não deve ser subestimado. Divirta-se com ele, sem esperar muito.

Victor Gouvêa

Detelhes
Título original: Soul Kitchen
País: Alemanha
Diretor: Fatih Akin
Fotografia: Rainer Klausmann
Ano: 2009
Estréia: 19 de março de 2010
Salas de exibição




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