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	<title>Vereda Estreita &#187; Colunistas</title>
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		<title>Sob a ótica do sem-teto</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Apr 2012 07:53:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafaela Carvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[De dentro do prédio ocupado por pessoas sem moradia, vi o antes, o durante e o depois de uma das reintegrações de posse realizada no centro de São Paulo em fevereiro.<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://veredaestreita.org/2012/04/10/sob-a-otica-do-sem-teto/' addthis:title='Sob a ótica do sem-teto '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>
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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #000000;"><em><em>De dentro do prédio ocupado por pessoas sem moradia, vi o antes, o durante e o depois de uma das reintegrações de posse realizadas no centro de São Paulo em fevereiro</em>.</em></span></p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/17.jpg"><img class="alignnone  wp-image-3878" title="&quot;Pro olho da arrua&quot;" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/17.jpg" alt="" width="580" height="435" /></a>Foto: Rafaela Carvalho.</h5>
<p>Em dezembro de 2011, fui a uma ocupação de moradores sem-teto no centro de São Paulo para assistir a um <a title="YouTube: &quot;Sarau da Ocupação da São João&quot;" href="http://www.youtube.com/watch?v=yYrE2y1Vzsw" target="_blank">Sarau</a>. A visita me rendeu uma matéria em vídeo para a faculdade e curiosidade. Eu, que sempre passo pelo centro da cidade para fazer meus caminhos diários, nunca tinha reparado naquele prédio, que estava na minha frente todos os dias, mas para o qual eu não me dava o trabalho de olhar. E lá dentro tinha gente. E gente querendo ser ouvida.</p>
<p><span id="more-3820"></span></p>
<p>No Sarau, ouvi de uma jovem militante o significado de &#8220;ocupar&#8221; para ela: &#8220;É tomar para si&#8221;. Aquilo nunca mais saiu da minha cabeça. Principalmente ao perceber que eu não sabia fazer isso. Ou, no máximo, sabia fazer de uma maneira desinteressada. Não abraçava minha cidade como faziam aqueles ocupantes, que moravam no prédio da Av. São João.</p>
<p>Pouco tempo depois, ouvi do arquiteto Ciro Pirondi, um dos fundadores e atual diretor da <a title="Sítio oficial: Escola da Cidade" href="http://www.escoladacidade.edu.br/" target="_blank">Escola da Cidade</a>, que a cidade era violenta porque era vazia. Ninguém se apodera de algo que é de todos. &#8220;Para nós, a noção de segurança está em chegar em casa e trancar as portas. Melhor ainda se for em um condomínio fechado.&#8221;</p>
<p><strong><br />
Que cidade é essa?</strong><br />
Então, optei por mudar. Desde o começo do ano, uma das minhas resoluções para 2012 era bem simples: prestar mais atenção na cidade onde nasci, cresci e moro até hoje. Conhecer São Paulo, pelo menos um pouquinho, sem aquele olhar distante e encabrestado que a gente tem quando enxerga a cidade apenas como um espaço a ser atravessado, e não um lugar que se toma para si.</p>
<p>Um mês depois da meta estabelecida, soube da reintegração de posse que aconteceria em um dos prédios do centro da cidade, ocupado por pessoas sem-teto, liderados pela <a title="Sítio oficial: Frente de Luta por Moradia" href="http://www.portalflm.com.br/" target="_blank">Frente de Luta por Moradia</a> (FLM). Era uma ocupação vizinha à que eu havia visitado. Pensativa, atordoada e um tanto curiosa, saí de casa às 22h30 do último 1° de fevereiro. E rumei para o centro da cidade, munida de gravador, câmera, papel, caneta e uma bela cara-de-pau.</p>
<p>Tomada pelo receio de que tudo desse errado, pensei algumas vezes em recuar. Senti que estava sendo invasiva. Mas segui até o metrô República e, depois, à esquina mais famosa de São Paulo. Tive medo de qualquer coisa que a Polícia Militar pudesse fazer ao retirar os ocupantes do prédio que, pela Lei, não lhes pertencia. Tive medo de ver gente machucada.</p>
<p><strong><br />
Ipiranga x São João</strong><br />
23h. Do lado oposto ao Bar Brahma, o prédio que seria desocupado assim que amanhecesse era contemplado por algumas pessoas. Entre elas, alguém que me acompanharia madrugada adentro: Maria do Planalto. Mais tarde, eu descobriria que ela é uma das mulheres à frente da FLM.<br />
- Você mora no prédio que vai ser desocupado? &#8211; perguntei, assim que a vi.<br />
- Não. É que quando acontece uma desapropriação, eu, a FLM e os moradores das ocupações vizinhas prestamos solidariedade. Vamos passar a noite em claro aqui na ocupação ao lado. Quer vir junto?</p>
<p>Aceitei na hora. E rumei para um prédio da Ipiranga, vizinho àquele em que os moradores guardavam seus pertences.</p>
<p>Em menos de quinze minutos da minha chegada ao centro da cidade, eu já havia sido acolhida, já haviam me oferecido milho cozido e eu já estava conversando com moradores da ocupação vizinha. Fui avisada para ter cuidado com um vazamento na escadaria (&#8220;O encanador vem só semana que vem&#8221;, explicou Maria do Planalto) e que, se eu ficasse cansada, um quarto de visitantes estava pronto para me receber.</p>
<p>Num espaço que servia de sala, cozinha e área e lazer das crianças, conheci muitas mulheres à frente do movimento que luta por um teto: Maria Góes, com sono, mas não querendo dormir; Boazinha, que ajudava todo mundo em tudo; Teodora, de mais idade, na cozinha, ao lado da Luzia; Zezé, a mais ansiosa, esperando o amanhecer; no meio delas, apenas um homem: seu Batista, que aparentava uns 70 anos de idade. E que me definiu, na simplicidade de suas palavras, o que a Frente de Luta por Moradia busca:<br />
- Não queremos ficar ocupando prédios, quebrando cadeados pro resto da vida. Nosso sonho é poder pagar pela nossa própria moradia. Ter um lugar para viver.</p>
<p>Foi aí que me caiu a ficha: ninguém entra em um prédio para ficar ali para sempre. Ocupar lugares abandonados é a maneira desse movimento ser visto e levado a sério. É a maneira que eles encontram para ser vistos como pessoas que precisam de um lugar para morar. Na rua, são vítimas apenas de olhares tortos e da falta de atenção &#8211; inclusive do Estado. Num prédio que não lhes pertence, incomodam. São vistos, pelo menos.</p>
<p><strong><br />
Sentença de morte do pobre<br />
</strong>- Qual é a sensação de viver com uma bomba-relógio tiquetaqueando, sem você saber quando ela vai explodir?<br />
- Me quebra os braços e as pernas &#8211; respondeu para mim a Zezé -. É triste principalmente para as crianças. Ficar sem moradia é a sentença de morte do pobre.<br />
Olhando por uma janela para a Avenida Ipiranga, contei oito prédios desocupados no centro (entre eles, o famoso <a href="http://www.ipiranga895.outraspalavras.net/" target="_blank">Ipiranga 895</a>). Alguns, inclusive, com tijolos nas janelas e portas de entrada, para impedir que alguém entrasse ali novamente. Quantas sentenças de morte não foram proferidas ali, naquele tijolo-sobre-tijolo que colocou centenas de pessoas ao relento? Foi então que entendi o que a Maria do Planalto quis dizer quando nos contou que se orgulha de cada cadeado quebrado e prédio ocupado. Mas também disse que a FLM não age com resistência ou confronto à ação policial no momento de uma reintegração de posse.</p>
<p>Perdi o medo do amanhecer. Mas no lugar, fiquei com o coração apertado.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/3.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3855" title="Comida" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/3.jpg" alt="" width="580" height="353" /></a>A cozinha da ocupação tem fartura de alimentos. Quem não tem dinheiro não precisa pagar por eles &#8211; mas nem por isso passa fome. Foto: Rafaela Carvalho.</h5>
<p><strong>Churrasco e bate-papo<br />
</strong>- Estou ansiosa. Vou fazer uma carne pra passar o tempo &#8211; disse a Luzia. Enquanto colocava picanha e coxão duro na grelha e separava a farofa, ela me explicou que todos os dias um grupo da ocupação ia até o mercado municipal comprar alimentos com o dinheiro que juntavam dos moradores. Verduras, legumes, frutas e por aí vai. A cozinha estava cheia.<br />
- E quem não tem dinheiro?<br />
- Não paga. Mas também não passa fome.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/4.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3856" title="4" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/4.jpg" alt="" width="580" height="435" /></a>O churrasco que uniu alguns dos moradores, madrugada adentro, à espera da desocupação do prédio vizinho: picanha, coxão duro e farofa até dizer chega. Foto: Rafaela Carvalho.</h5>
<p>Mais à vontade, ajudei a servir a carne, o suco, a farofa&#8230; e ouvi reclamações dos moradores a respeito do descaso da prefeitura. Só a dona Maria Góes já estava há três anos esperando uma moradia.</p>
<p>- Quando a gente é despejado desses prédios, entra em uma fila para conseguir moradia porque a Prefeitura define a nossa situação como não-emergencial.</p>
<p>Não entendi até agora como estar sem moradia não caracteriza um alerta vermelho.</p>
<p>Em uma roda de cadeiras plásticas e banquinhos de madeira, ouço de todos os moradores ali presentes a mesma reclamação: a Prefeitura diz que vai fazer o cadastro de quem vive nas ocupações para que as famílias possam ser direcionadas a conjuntos habitacionais populares. O problema é que as empresas terceirizadas que vão às ocupações a mando da prefeitura chegam nos prédios durante a tarde &#8211; horário de expediente.<br />
- É quando só tem mulher grávida, criança e pessoa com deficiência aqui. O resto tá trabalhando &#8211; desabafam. Surge daí o dilema: ir para o trabalho e não estar presente na realização do cadastro da Prefeitura ou garanti-lo e perder mais um dia de expediente?</p>
<p>Mas morar na rua, eles deixam claro, não é ruim por causa de mendigos ou da própria rua em si.<br />
- O problema é a GCM (Guarda Civil Metropolitana) e a PM. Eles arrancam tudo que é nosso. Já vi policial da ROTA tentando colocar droga na pochete de um dos nossos. Anotei placa do carro e hora, para fazer uma denúncia , mas nada aconteceu &#8211; conta Zezé.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/5.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3872" title="Quarto" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/5.jpg" alt="" width="580" height="326" /></a>O quarto, montado para receber hóspedes daquela noite. Senti como se fosse parte da realeza. Foto: Rafaela Carvalho.</h5>
<p>Depois de muitas horas de conversa, a Maria do Planalto insistiu para que todos fossem descansar.<br />
- Quatro da manhã a gente levanta pra começar a fazer barulho. O pessoal que vai ser despejado precisa do nosso apoio &#8211; repetiu.<br />
Ela me levou para um quarto onde encontrei uma cama de casal, dois ou três colchões de ar, lençois e cobertas finas, água, Bíblia, temperos de cozinha, alguns enfeites natalinos, panos de prato, rodo, vassoura, uma televisão ligada, bandeiras da FLM e uma janela com o vidro quebrado (nada que um lençol grande não ajudasse a cobrir), com vista para a Avenida Ipiranga. Vi que, na varanda, estava fincada com prego uma bandeira da Frente de Luta por Moradia. Comecei a ficar com frio na barriga outra vez.</p>
<h5></h5>
<p>Contemplando o centro vazio, tive medo. Fiquei ali uns cinco minutos antes de me deitar. Tive uma das maiores sensações de impotência do mundo. Não segurei o choro.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/8.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3858" title="Avenida Ipiranga" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/8.jpg" alt="" width="580" height="1031" /></a>A Avenida Ipiranga vazia, lá pelas três da manhã. Foto: Rafaela Carvalho.</h5>
<p><strong><br />
Enfim, no prédio<br />
</strong>Acordei antes que a Maria do Planalto fosse me chamar, já com alguns gritos de moradores das ocupações vizinhas. Antes do sol nascer, já era possível ver pessoas na esquina mais famosa de São Paulo, reivindicando moradia, xingando o prefeito e fazendo barulho da maneira que podiam.</p>
<p>Desci, mas por pouco tempo. Logo entrei no prédio que sofreria a reintegração de posse. Via pessoas arrumando malas (havia, em toda a ocupação, cerca de 400 moradores), veículos da grande mídia circulando com suas câmeras enormes, pessoas sentadas esperando a hora de sair. De fato, não relutariam.</p>
<p>Não havia quartos. Por todos os espaços que passei no prédio, vi tapumes servindo como divisórias para criar vários cômodos que deviam ter algo em torno de 5m². Os tapumes ficavam espalhados por toda parte, e depois me foi explicado que eles estavam dispostos propositalmente daquela maneira, para dificultar ao máximo a ação da polícia durante a reintegração de posse. Tornar o trabalho mais maçante mesmo.</p>
<p>Havia gente que ainda dormia, em algum cantinho, e procurava descansar para um longo dia &#8211; o primeiro em meses sem um teto onde se abrigar. E também havia crianças, que em plena madrugada, brincavam como se fosse um sábado ensolarado. Foi assim que conheci o Wesley e o Felipe.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/10.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3859" title="Felipe e Wesley" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/10.jpg" alt="" width="580" height="326" /></a>Felipe e Wesley. Foto: Rafaela Carvalho.<br />
<strong></strong></h5>
<p><strong>&#8220;Seu pai bebeu maconha?&#8221;<br />
</strong>Os dois pequenos, tinham entre seis e dez anos de idade, não mais que isso. Depois de muito tempo brincando de pega-pega com eles, perguntei para o Wesley:<br />
- Cadê a sua mãe?<br />
- Tá ali, ó &#8211; apontou pra uma moça sentada, observando-o de longe.<br />
- E o seu pai?<br />
- Ih. Meu pai morreu.<br />
Fiquei constrangida.<br />
- Morreu?<br />
- Na verdade, não&#8230; ele tá preso.<br />
O Felipe interrompeu nossa conversa para entender melhor a situação do Wesley:<br />
- Ué, tá preso? Por um acaso ele bebeu maconha e a polícia pegou ele?<br />
Para minha surpresa, Wesley apenas deu os ombros e fez um sinal afirmativo com a cabeça.</p>
<p>Deixei os meninos brincando sozinhos e fui conhecer o resto do prédio. O clima de tensão crescia no mesmo ritmo que a claridade aumentava e o dia amanhecia. Mais gente ia pra rua fazer barulho, mais pessoas apareciam fora de seus cômodos. Os primeiros jornais da manhã já anunciavam a chegada da polícia e o início do processo de reintegração de posse.<br />
<strong></strong></p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/11.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3860" title="Imprensa fria" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/11.jpg" alt="" width="580" height="326" /></a>Tive vontade de chutar esse cinegrafista para longe. Ele estava filmando um pai dormindo abraçado ao seu filho. Fez o favor de acordá-lo com essa luz nada discreta, só para que sua filmagem ficasse boa. Foto: Rafaela Carvalho.</h5>
<p><strong> Mentiras em TV aberta<br />
</strong>Os noticiários começaram e os ocupantes do prédio ligaram suas televisões. Uma delas, na área comum, próxima à porta de entrada, registrou um dos momentos mais marcantes que já vivi em toda minha vida: o apresentador da Band, Luciano Faccioli, <a title="Blog Maria da Penha Neles: &quot;Luciano Faccioli como assim? Não precisa ter prêmio da ONU ou de inteligência. Ela ofereceu o corpo à droga?? A polícia deve determinar a saída ou por bem ou na porrada, porque tem horas que o diálogo não funciona?????&quot;" href="http://mariadapenhaneles.blogspot.com.br/2012/02/luciano-faccioli-como-assim-policia.html" target="_blank">falando que as pessoas que estavam ali não passavam de desocupadas</a>. Que as mulheres da ocupação precisavam lavar uma louça, enquanto os homens precisavam subir uma laje. Chamou as pessoas com quem convivi a noite inteira de vagabundos. Disse que havia consumo de drogas dentro dos prédios que são (como ele diz) &#8220;invadidos&#8221;, sendo que eu, que passei a noite inteira por ali e não vi uma droga ilícita sequer. Aliás, não vi nem bebida alcoólica &#8211; e a Maria do Planalto até me explicou que o consumo não era permitido nas ocupações, justamente para manter a ordem nesses lugares.</p>
<p>E aí, o paulistano que liga a TV pela manhã para se informar recebe esse tipo de informação. Distorcida, nojenta, desinteressada, jogada de qualquer jeito. Enquanto só quem estava lá dentro sabia que aquilo era mentira. Todos gritaram de raiva para a televisão, mas seus gritos não se propagaram além daquela esquina.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/15.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3861" title="Imprensa fria" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/15.jpg" alt="" width="580" height="326" /></a>Não viu o que aconteceu de madrugada, não se abaixa para falar com as pessoas, observa os moradores da ocupação com expressão de desdém. Foto: Rafaela Carvalho.</h5>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>O choro da PM<br />
</strong>Era hora de sair. A líder da ocupação, dona Carmem, reuniu todos os moradores na entrada do prédio. Olhando para mães com bebês no colo, famílias inteiras de malas feitas rumo à rua e para idosos com dificuldades até para se manter em pé, proferiu um discurso:</p>
<p><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/14.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3862" title="Discurso final" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/14.jpg" alt="" width="580" height="326" /></a><br />
- Ninguém aqui é criminoso. Criminosa é a juíza que nos colocou na rua. Os governantes não olham para a gente. A cidade não oferece nenhuma alternativa de moradia digna para nós. A televisão vem aqui para nos esculhambar&#8230; mas nós vamos proceder sem nenhum confronto, como cidadões (sic) de bem e de paz. A nossa união e o nosso amor são maiores que tudo. E eu tenho orgulho de fazer parte de um movimento que luta pela inclusão social.</p>
<p>Num cantinho, mais perto da porta por onde as pessoas sairiam, vi três policiais militares devidamente fardados, esperando o discurso da dona Carmem terminar. Um deles, identificado na farda como Soldado Cláudio, não conteve as lágrimas. Foi preciso coragem para falar com ele. A resposta que ouvi foi:<br />
- Não temos o que fazer. Estamos cumprindo uma ordem judicial, mas é muito difícil. Não podemos fazer nada por eles a partir do momento que eles deixam o prédio.</p>
<p>O comandante da operação, Major Félix, também falou com os moradores da ocupação: disse que sabia que ali só havia trabalhadores, gente humilde e sofrida.<br />
- A PM sabe que aqui só tem trabalhador, não tem drogado nem viciado. Infelizmente, nós temos que fazer cumprir a ordem da juíza, pois estamos sob pena de desobediência se não fizermos isso. Então, nós vamos, desocupar. E eu estou orando todos os dias para que um dia o Estado venha a fornecer uma casa para vocês.</p>
<p>A desocupação seria feita da seguinte maneira: depois que todos saíssem do prédio, a polícia acompanharia cada uma das famílias que quisesse entrar ali novamente para retirar seus pertences. Os objetos maiores iriam para um caminhão, cujo destino não era sequer definido &#8211; nem os próprios funcionários que carregariam eletrodomésticos e pertences maiores souberam dizer para onde tanta coisa iria. Algo me diz que nenhum daqueles moradores conseguiu reaver o que deixou dentro da ocupação.</p>
<p>Nessa hora, eu nem fazia mais questão de esconder as lágrimas. Ao lado do policial, segurando o gravador que captava sua fala, apenas virei a cabeça para o lado, para que o barulho do meu choro não interferisse no áudio.<br />
<strong></strong></p>
<p><strong><br />
&#8220;Quem não luta&#8230; tá morto!&#8221;<br />
</strong>Foi uma cena bonita: as bandeiras cor de vinho da FLM formaram um cerco. As crianças, cercadas pelas bandeiras, segurando-as, começaram a sair. O céu já claro, o sol já forte. Foi quando as pessoas de fora, que passavam pela Avenida Ipiranga, estivessem elas a pé, nos carros ou nos ônibus, viram os rostos de quem esteve invisível para elas durante todo esse tempo &#8211; e até para mim há poucos meses. Saí ao lado dos pequenos e percebi o quanto pessoas que estavam do lado de fora ainda gritavam. Não haviam parado, por cinco minutos sequer, de exigir seu direito à moradia.</p>
<p>No meio da bagunça, reencontrei o Felipe, criança com quem havia brincado antes de amanhecer. Ele não parecia abalado nem assustado. A situação parecia algo com que ele já estava acostumado.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/16.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3864" title="Felipe" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/16.jpg" alt="" width="580" height="1031" /></a>Felipe, agora do lado de fora, não parece se abalar tanto com a reintegração de posse. Até sorriu pra câmera depois que viu que era eu que estava fotografando. Foto: Rafaela Carvalho.</h5>
<p>Vi pessoas que, ao passar pela Avenida Ipiranga, ficavam um pouco curiosas. Algumas me encaravam e tentavam, de alguma maneira, entender meu choro. No meio do abre-e-fecha do movimentado semáforo daquela esquina, muita gente só olhou para o prédio por causa do meu rosto inchado. E naquela hora, nem eu sabia explicar muito bem o que estava sentindo. Era uma mistura amarga de impotência, tristeza, frustração, nojo do mundo. Vergonha por compactuar com um governo que opta por colocar pessoas na rua e acha que está fazendo algo muito grandioso ao colocá-las em uma fila de espera até que tenham seu próprio teto.</p>
<p>Mas a luta daquelas pessoas, até então invisíveis, continuava. Com a ajuda das ocupações vizinhas, que haviam prometido apoio moral, recolheram-se tapumes, tábuas e ferramentas. E a não menos de 100 metros do prédio desocupado, tudo aquilo se tornou um barraco comunitário gigante. Ele seria desmontado em menos de 24 horas, mas os reflexos dele dentro de mim nunca se apagaram.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/18.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3865" title="Barracão" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/18.jpg" alt="" width="580" height="341" /></a>Ninguém mais está chorando. As lágrimas deram lugar a martelos, pregos, tábuas de madeira e tapumes. O barracão comunitário, porém, não ficaria ali mais do que 24 horas. Foto: Rafaela Carvalho.<br />
<strong><br />
</strong></h5>
<p><strong>Cidade desumana<br />
</strong>O diretor da Escola da Cidade, Ciro Pirondi, vê a habitação como fator humanizador da cidade. &#8220;Esse tema precisa ser permanente nos assuntos do Estado. Precisamos enfrentar isso não só academicamente, mas na realidade&#8221;. Pirondi ainda diz que a justiça social é possível apenas por meio do uso e da vivência da cidade. &#8220;São Paulo não pode ser apenas um lugar de trânsito e escoamento de mercadoria. Deve ser lugar de convívio, fruição gentil, alegre e feliz dos espaços, não fechando as praças&#8221;.<br />
<strong><br />
</strong></p>
<p><strong>Cidade de quem? Para quem?</strong><br />
Tomar para si não é o mesmo que tomar como seu. O prédio, hoje, está abandonado. Com algum fim específico? Ainda não se sabe. Sabe-se apenas que os moradores não estão mais ali. E também não estão mais no centro, que cada dia ganha mais cara de um lugar fantasmagórico e abandonado.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/13.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3880" title="Da janela" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/13.jpg" alt="" width="580" height="326" /></a>Foto: Rafaela Carvalho.</h5>
<p>A cidade de São Paulo não é feita para pessoas. É feita para automóveis particulares e indivíduos apressados demais para entendê-la e desfrutá-la.</p>
<p>Embora o centro esteja cada vez mais vazio, a mobilização em prol do outro não existe. Para o paulistano, naquela esquina que fez história e que tem música em sua homenagem, restará apenas a mesma paisagem de sempre, a mesma sensação de deserto e o sentimento coletivo de que está para se apagar, com a borracha das balas da polícia, um lugar que obriga São Paulo a enxergar-se de uma maneira que nem os próprios paulistanos conseguem ver: pelos olhos do outro.</p>
<p>Rafaela Carvalho</p>
<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://veredaestreita.org/2012/04/10/sob-a-otica-do-sem-teto/' addthis:title='Sob a ótica do sem-teto '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div><p>Leia também:</p><ol>
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</ol>]]></content:encoded>
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		<title>Algumas impressões sobre a FLIP 2011</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Jul 2011 20:27:24 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Oswald de Andrade esteve na FLIP 2011 como dificilmente outro escritor homenageado pela festa estará. Das três edições da FLIP que acompanhei, esta foi aquela em que a homenagem melhor se enraizou na programação. Oswald não foi debatido apenas na mesa de abertura ou em algumas mesas menos prestigiadas pelo público ao longo da festa. [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://veredaestreita.org/2011/07/13/algumas-impressoes-sobre-a-flip-2011/' addthis:title='Algumas impressões sobre a FLIP 2011 '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>
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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Oswald de Andrade esteve na FLIP 2011 como dificilmente outro escritor homenageado pela festa estará. Das três edições da FLIP que acompanhei, esta foi aquela em que a homenagem melhor se enraizou na <a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110711/not_imp743181,0.php" target="_blank">programação</a>. Oswald não foi debatido apenas na mesa de abertura ou em algumas mesas menos prestigiadas pelo público ao longo da festa. Ele esteve nas <a href="http://www.youtube.com/watch?v=4SbqPsj2FZk&amp;feature=channel_video_title" target="_blank">palavras de Antonio Candido</a> na <a href="http://www.flip.org.br/blog.php?param=2011/07/06/um-momento-magico/" target="_blank">conferência inicial</a>, mas também nas canções do <a href="http://www.youtube.com/watch?v=byHI_aEUOaI" target="_blank">show de abertura</a>, em que <a href="http://www.youtube.com/watch?v=ucwVXY2v1bw" target="_blank">José Miguel Wisnik</a> (que também falou na primeira mesa), <a href="http://www.youtube.com/watch?v=ucwVXY2v1bw" target="_blank">Celso Sim</a> e <a href="http://www.youtube.com/watch?v=24HcvLAoRBQ" target="_blank">Elza Soares</a> cantaram adaptações feitas a partir de poemas do modernista, e também na &#8220;<a href="http://www.flip.org.br/noticias.php?id=690" target="_blank">Macumba Antropófaga</a>&#8221; com que Zé Celso e sua equipe do Teatro Oficina encerraram a festa.<span id="more-2940"></span></p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/brunabuzzo/5930701703"><img class="size-large wp-image-2941 " src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2011/07/IMG_2918_rec-425x209.jpg" alt="Imagem do começo da Macumba Antropófaga que encerrou a FLIP 2011" width="425" height="209" /></a></p>
<h5>Imagem do começo da &#8220;Macumba Antropófaga&#8221;, que encerrou a FLIP 2011.</h5>
<p style="text-align: justify;">Na programação principal, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=SNR34YcRvH0&amp;amp;feature=player_embedded" target="_blank">João Ubaldo Ribeiro</a> e o escritor português nascido em Angola <a href="https://twitter.com/#!/valterhugomae" target="_blank">valter hugo mãe</a> (que não usa maiúsculas nem em seu nome) foram os autores que mais cativaram o público. Ubaldo por suas divertidas histórias e mãe por uma fala onde a escrita parece natural (além de um texto sobre sua relação com o Brasil lido ao final da mesa, que levou boa parte do público às lágrimas). <a href="http://www.flip.org.br/blog/index.php?param=2011/07/09/enriquecendo-a-literatura/" target="_blank">Miguel Nicolelis</a>, <a href="http://www.flip.org.br/blog/index.php?param=2011/07/09/uma-deliciosa-conversa-literaria/" target="_blank">Andrés Neuman</a> e <a href="http://www.flip.org.br/blog/index.php?param=2011/07/10/quadrinho-de-gente-grande/" target="_blank">Joe Sacco</a> também chamaram bastante atenção.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao longo desta 9ª edição da FLIP, a impressão geral do público foi de que havia menos gente em Paraty este ano. No entanto, a estimativa é de que entre <a href="http://blogs.estadao.com.br/flip/2011/07/10/drummond-o-homenageado-de-2012/" target="_blank">20 e 25 mil</a> pessoas estavam por lá durante o evento, a mesma estimativa da edição de 2009. Ano passado, o público estimado foi de 15 a 20 mil pessoas (a edição 2010 aconteceu em agosto, devido à Copa do Mundo). Acredito, então, que esta impressão se deva ao fato de que o número de eventos paralelos cresceu. Se o número de pessoas que assistiam as mesas literárias do lado de fora da tenda do telão diminuiu, a Casa de Cultura estava sempre mais ou menos cheia, muitos eventos da <a href="http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/940331-senta-aqui-bolsonaro-brinca-laerte-na-casa-folha-em-paraty.shtml" target="_blank">Casa Folha</a> e da <a href="http://flip.sesc.com.br/flip/" target="_blank">Casa SESC</a> lotaram.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro fator que pode ter contribuído para a impressão de que a cidade estava mais vazia ou de que este ano estava mais fácil atravessar a ponte do rio que cruza a cidade foi a mudança de lugar na Tenda do Telão. Em 2011, a organização da FLIP reuniu todas as suas tendas do mesmo lado do rio em que nas edições anteriores ficava apenas a Tenda dos Autores. Em um único corredor, aproveitando o passeio reformado pela prefeitura, estavam reunidas as tendas dos autores, dos autógrafos, a livraria, a loja da FLIP, os estandes dos patrocinadores e, ao final de tudo, já na praia, a tenda do telão.</p>
<h5><iframe title="YouTube video player" class="youtube-player" type="text/html" width="580" height="326" src="http://www.youtube.com/embed/euD46SXKaOc&amp;" frameborder="0" allowFullScreen="true"> </iframe><br />
A leitura feita por valter hugo mãe ao final da mesa 6 da FLIP 2011. Vídeo: Divulgação/FLIP</h5>
<p style="text-align: justify;">Foi uma FLIP com bons autores, bons mediadores (das mesas que vi, nenhum mediador estragou as conversas, como às vezes acontece), com alguma <a href="http://veja.abril.com.br/blog/todoprosa/vida-literaria/balanco-a-palavra-errada-nazista-e-o-homem-certo-mae/" target="_blank">polêmica</a> (especialmente entre o curador e o cineasta e escritor judeu Claude Lanzmann) e com algum debate. Nas mesas literárias, é difícil que os escritores convidados efetivamente dialoguem entre si, para além de algumas semelhanças propostas pelos mediadores. Neste ponto, destaco a mesa entre os escritores colombianos Laura Restrepo e Hector Abad, que não só leram as obras um do outro como <a href="http://www.flip.org.br/noticias.php?id=688" target="_blank">trocaram impressões</a> a respeito.</p>
<p style="text-align: justify;">Texto e foto: Bruna Buzzo</p>
<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://veredaestreita.org/2011/07/13/algumas-impressoes-sobre-a-flip-2011/' addthis:title='Algumas impressões sobre a FLIP 2011 '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div><p>Leia também:</p><ol>
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<li><a href='http://veredaestreita.org/2010/08/04/flip-2010-ir-ou-nao-ir/' rel='bookmark' title='FLIP 2010: ir ou não ir?'>FLIP 2010: ir ou não ir?</a></li>
<li><a href='http://veredaestreita.org/2009/08/11/musica-na-igreja-flip-2009/' rel='bookmark' title='Música na igreja &#8211; FLIP 2009'>Música na igreja &#8211; FLIP 2009</a></li>
</ol>]]></content:encoded>
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		<title>Ainda há circo no Cirque Du Soleil ®?</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Jun 2011 00:51:24 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Respeitável público, o Cirque du Soleil estará de volta ao Brasil em setembro. Depois de 3 valiosas temporadas em solo brasileiro, o grupo canadense traz no espetáculo Varekai uma profusão de novos conceitos e performances impecáveis, sua marca registrada.<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://veredaestreita.org/2011/06/16/ainda-ha-circo-no-cirque-du-soleil-%c2%ae/' addthis:title='Ainda há circo no Cirque Du Soleil ®? '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>
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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h6 style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2866" title="varekai" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2011/06/varekai.jpg" alt="" width="425" height="298" />Foto: Divulgação.</h6>
<p style="text-align: justify;">Respeitável público, o <a title="Sítio oficial do Cirque du Soleil" href="http://www.cirquedusoleil.com" target="_blank"><strong>Cirque du Soleil</strong></a> estará de volta ao Brasil em setembro. Depois de 3 valiosas temporadas em solo brasileiro, o grupo canadense traz no espetáculo <a title="Sítio oficial do espetáculo Varekai do Cirque du Soleil" href="http://www.cirquedusoleil.com/pt/shows/varekai" target="_blank"><strong>Varekai</strong></a> uma profusão de novos conceitos e performances impecáveis, sua marca registrada.<span id="more-2863"></span></p>
<p style="text-align: justify;">De perto não se sente mais o cheiro de serragem, não há mais um picadeiro ou qualquer falta de profissionalismo. O que resta da alma secular do circo dentro desta gigantesca empresa de entretenimento?</p>
<p style="text-align: justify;">Criada modestamente em 1984 por dois simples artistas de rua, a companhia hoje não tem mais nada que remeta à simplicidade inicial. Atualmente são mais de 5000 empregados, 22 espetáculos em turnê por mais de 40 países do mundo, motivados pela premissa de reinventar a atividade e atingir a perfeição técnica e artística nas apresentações. Autodenominados como “força criativa multifacetada”, esta trupe colossal deixa dúvidas sobre quanto o poder dos negócios sobressaem à arte.</p>
<p style="text-align: justify;">O diretor artístico do <strong>Cirque Du Soleil</strong>, Mathieu Gatieu, falou ao <strong>Vereda Estreita</strong> sobre a liberdade criativa na companhia: “Nós gostamos e incentivamos que os artistas deixem sua marca no processo. Se você assistir a uma estreia e depois de alguns anos o mesmo espetáculo, vai perceber uma grande diferença. Cada um deles vai, aos poucos, moldando seus personagens e imprimindo suas próprias características e ideias”, garante.</p>
<p style="text-align: justify;">O malabarista Tommy Tequila, que foi descoberto em um circo mediano no México, afirmou que a principal semelhança do grupo com o circo tradicional está no pé na estrada. Viajam juntos por anos em turnês itinerantes e criam uma intimidade familiar entre artistas e staff como forma de não sofrerem muito pelas mudanças. As diferentes culturas que vivem sob uma mesma lona não costumam causar problemas, ressalta Gatieu. “Ninguém chega querendo impor sua cultura, mas sim absorvendo uma cultura interna própria como sua”.</p>
<p style="text-align: justify;">Tommy diz que para ele o que faz do <strong>Cirque</strong> um show especial – tanto para o artista quanto para o público – é a excelência dos profissionais envolvidos. “Os maquiadores, cenógrafos, preparadores de elenco, todos, sem exceção, são especialistas em suas funções e os melhores que existem. Em um circo comum, a administração é feita pelo mesmo cara que, à noite, vai estar no picadeiro. Isto faz uma enorme diferença para o espetáculo como um todo”.</p>
<p style="text-align: justify;">Para Gatieu, o <strong>Cirque</strong> tem sim uma constante preocupação com suas origens. Sempre colocam alguma atração de forte tradição circense, como malabarismos e palhaços – ainda que bastante reinventados – para manter vivo e presente o conceito que se apoiam. “Não podemos esquecer, também, que hoje nós somos a referência para a maioria dos circos no mundo, o que é muito lisonjeiro”.</p>
<p style="text-align: justify;">Se o <strong>Cirque du Soleil</strong> está pouco a pouco matando a tradição ou simplesmente reinventando-a, descobriremos com o passar dos anos. O fato é que a reunião de méritos do grupo os põe em um patamar de admiração realmente merecido, e o reconhecimento para esta empresa é a venda massiva de ingressos para <strong>Varekai</strong>, ainda que com preços bastante altos e bastante antecedência.</p>
<p style="text-align: justify;">A arte influencia os negócios ou os negócios influenciam a arte? O <strong>Cirque Du Soleil</strong>, aparentemente, aprendeu bem a forçar o convívio frutífero e harmônico entre ambos.</p>
<p style="text-align: justify;">Victor Gouvea</p>
<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://veredaestreita.org/2011/06/16/ainda-ha-circo-no-cirque-du-soleil-%c2%ae/' addthis:title='Ainda há circo no Cirque Du Soleil ®? '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div><p>Leia também:</p><ol>
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		<title>Arquivos da Guerra Fria</title>
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		<pubDate>Fri, 13 May 2011 14:55:07 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Rafael Machado Leia também: Diverticulite Cidades Últimas Notícias<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://veredaestreita.org/2011/05/13/arquivos-da-guerra-fria/' addthis:title='Arquivos da Guerra Fria '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>
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		<title>A Cultura do medo</title>
		<link>http://veredaestreita.org/2011/05/04/a-cultura-do-medo/</link>
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		<pubDate>Thu, 05 May 2011 02:11:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Clóvis de Barros Filho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Foto:  Jônatas Cunha Bin Laden Morre. Os EUA se regozijam. Comemoram. Sentem-se vingados. Pelos milhares mortos em 11/09. Mas o maior legado de Bin Laden não se apagou. Americanos pelo mundo todo ainda estão vivendo sob a mais brutal cultura do medo. E este medo não se esvaiu com a execução do agora mártir Bin [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://veredaestreita.org/2011/05/04/a-cultura-do-medo/' addthis:title='A Cultura do medo '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>
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			<content:encoded><![CDATA[<h5><img class="aligncenter size-full wp-image-2828" title="jonycunha_liberdade_vereda_estreita" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2011/05/jonycunha_liberdade_vereda_estreita.jpg" alt="" width="425" height="228" />Foto:  <a title="Flickr: Jônatas Cunha" href="http://www.flickr.com/photos/jonycunha/" target="_blank">Jônatas Cunha</a></h5>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Bin Laden Morre. Os EUA se regozijam. Comemoram. Sentem-se vingados. Pelos milhares mortos em 11/09. Mas o maior legado de Bin Laden não se apagou. Americanos pelo mundo todo ainda estão vivendo sob a mais brutal cultura do medo.</p>
<p style="text-align: justify;">E este medo não se esvaiu com a execução do agora mártir Bin Laden. Aliás, foi a primeira reação pós-euforia. Morreu, e agora?</p>
<p style="text-align: justify;">Isto tudo porque o medo é muito mais fácil de adquirir do que de perder. Por dois motivos essenciais, que são no fundo relacionados à própria essência do medo: o primeiro é que não ter medo pressupõe confiar. Mas confiar em que? Na tranquilidade; O segundo é que sempre temos medo daquilo que projetamos para o futuro. O medo nunca é do que é, mas do que pode ser.</p>
<p style="text-align: justify;">Vejamos: Se um leão encontra-se na minha frente, não tenho medo dele, mas sim da mordida que ele pode me dar. Mas ele ainda não mordeu. E o medo só existe enquanto não existe mordida. Quando existe mordida, existe dor, e o medo passa a ser da morte. E assim por diante. Nunca tememos o mundo que é. Sempre tememos o mundo que imaginamos que possa ser.</p>
<p style="text-align: justify;">E em que se baseia esta nossa projeção? Só pode se basear naquilo que temos de material cognitivo. É como no sonho: só sonhamos com o que já vimos e vivemos. Pois então, só projetamos o futuro com base no passado. Operamos através da relação de causa e efeito, como bem nos explicou <a title="Wikipédia: &quot;David Hume&quot;" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/David_Hume" target="_blank">David Hume</a>. Se vimos algo acontecer, tendemos a achar que a chance de acontecer de novo é maior do que algo que não vimos acontecer. Portanto, se uma pessoa nunca ouviu que leões são perigosos e mordem para matar, não temerá em sua presença.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, um povo oprimido tende a esperar mais opressão, um povo livre tende a esperar liberdade, um povo amedrontado e atacado tende a esperar mais ataques. Para que isto mude, é preciso que o equilíbrio das experiências vividas e dos afetos sofridos mude.</p>
<p style="text-align: justify;">Então, com Osama ou sem Osama, o povo americano, vingado ou não, continua vítima do maior ataque que poderia sofrer: o ataque contra a sua própria paz. De aeroporto em aeroporto, de raio x em raio x, este império estará sempre com uma preocupação, sempre amedrontado, sempre esperando pelo pior. E para que isto mude, serão precisos anos e anos de pura paz e tranquilidade. Algo difícil de imaginar, no mundo em que vivemos.</p>
<p style="text-align: justify;">Clóvis de Barros Filho</p>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">
<dl>
<dd><span class="given-name">Jônatas</span> <span class="family-name">Cunha</span></dd>
</dl>
</div>
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