Seu Obeny oferecendo degustação. Foto: Olegário A. Filho

Minha amiga Vivi me dizia: “ahhhhh, a Ambrosia do menininho da Benedito!” Imaginava que era um molequinho que vendia o doce. Minha primeira surpresa: um senhor que carinhosamente chama todos de “menininho”. E facilmente pode justificar toda essa jovialidade quando perguntamos sua idade, respondendo: “Treze. Soma 7 com 6 dá treze.”

E é fácil adotá-lo como aquele avô que mima você com docinhos, sugere combinações entre os sabores diferentes. Sempre com um sorriso muito cativante. E, claro, também veta outras invenções de seus netinhos: “a jaca não se dá com ninguém, menininho!”

Ele nem sempre foi doceiro. Seu Obeny, “mistura de Onofre com Benedita!”, trabalhou durante 30 anos com produção de automóveis na fábrica da Mercedez Bens, em São Bernardo do Campo. Contrariando seu antigo patrão, foi para Praça Cornélia (rua Clélia) em 1978 e em 82 para a Benedito onde está até hoje, todos os sábados. A explicação para essa brusca mudança de profissão é um “estalinho”, uma vontade interna de vender doces brasileiros. Conhecimento que já residia em sua família, vindo de Santa Rita do Sapucaí, Sul de Minas Gerais, mais precisamente das tias de sua “querida”, que é quem prepara todas essas maravilhas, a senhora Maria Emília Ciavaglia.

Seu Obeny. Foto: Olegário A. Filho

Impossível não passar por ali sem dar um “oi” para o menininho e saborear seus deliciosos doces caseiros. Além da famosa Ambrosia, que vai muito bem acompanhada pelo doce de Banana com Laranja, ainda tem: paçoca, abóbora em pedaços, jaca, doce de leite, batata roxa, jaca, laranjinha, papo-de-anjo, espera-marido, coco queimado, cocada… Ah, outro bom casamento é baba-de-moça com o brigadeiro.

Além do trato muito carinhoso na feitura usando ingredientes bem selecionados, com as receitas, que são nosso patrimônio imaterial, cada um tem poema próprio criado que fica exposto junto com sua compota.

“Doces Caseiros”, Praça Benedito Calixto TV – 27/08/2009.

Seu Obeny, ou melhor, o “Menininho da Ambrosia”, com seus 76 anos por si só já é um patrimônio vivo da Feirinha da Benedito Calixto. Encanta até mesmo os olhares de outros lugares.

Compotas de doces. Foto: Olegário A. Filho

Ah, e se não tiver vergonha, não esqueça de pedir um abraço!

Olé

PS: o telefone deles é (11) 3845-7073.




Uma Linguagem da Estrada

Publicado em 25 de maio de 2010, às 21:11. | Deixe um comentário!

Artigo sobre Cultura Popular/Folclore, Patrimônio, Turismo.


Os olhares mais atentos para as estradas já notaram que os caminhoneiros têm uma linguagem própria. Não há como não se impressionar com os sinais, pois eles são baseados na confiança, no “querer ajudar”, no corporativismo. Coisas estranhas para aqueles que dirigem dentro das grandes cidades. Generalizando, o trânsito das estradas é muito mais camarada que o das ruas. Talvez isso não seja tão claro porque, em feriados prolongados,  há um número muito grande de carros acostumados à cultura da disputa pelo espaço, da competição pelo tempo, do estresse da cidade nas rodovias rumo aos destinos turísticos. Mas quem é estradeiro sabe a importância dos sinais.

Essa linguagem, que é mais comum nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, surgiu de forma espontânea. Não é ensinada nas auto-escolas (até pode ser, mas dificilmente é cobrada em provas, exames etc). Por isso, é possível classificá-la como folclórica e patrimônio imaterial.

Talvez a política de desenvolvimento acelerado de JK tenha incorporado de vez as montadoras de automóveis, o que praticamente definiria como sendo rodoviário o nosso principal sistema de transportes. Logo, muitas estradas de rodagem foram criadas, mas nem sempre houve manutenção e inovação. Tanto que muitas rodovias ainda hoje são de pista simples, e nelas, quando há um erro ou problema, a probabilidade de colisão frontal é enorme. E sair vivo deste tipo de acidente é praticamente um milagre: a velocidade relativa entre os veículos é de aproximadamente 200 km/h e é pior ainda quando caminhões e ônibus estão no meio, afinal pesam algumas boas toneladas.

Olhando com mais cuidado, são sinais simples e até mesmo intuitivos, já que tem por base o código de trânsito. Há duas possibilidades de comunicação: quando os veículos que se comunicam estão no mesmo sentido e quando estão no sentido contrário.

a.    Mesmo sentido

A comunicação precisa ser feita entre veículos que trafegam no mesmo sentido, pois a potência do motor, a carga transportada e o comprimento de cada carro é diferente, logo se faz muito necessário. Por isso, o caminhoneiro que vai à frente tem visão e sinaliza para o que está atrás, fazendo com que seja facilitada a ultrapassagem.

Pisca para a direita
Sinaliza que o caminho está livre e é um bom momento para a ultrapassagem. Deve-se ter atenção neste ponto, pois o erro do motorista que sinaliza significa morte para o de trás.

Pisca para a esquerda
Quando é o veículo da frente que sinaliza, significa que o veiculo de trás não deve ultrapassar por algum motivo (sempre relacionado à segurança).

E quando quem está atrás que dá este sinal, significa que o motorista deseja fazer a ultrapassagem. Dependendo do contexto da situação, pode significar um pedido de auxílio, para que o veículo da frente sinalize em que momento é melhor a ultrapassagem.

Duas buzinadas curtas
Significa um agradecimento ou um “boa viagem!”. Geralmente, é dado no momento no qual se cruza o veículo. E, na maioria das vezes, há retribuição.

Pisca alerta ligado e desligado rapidamente
Pode significar o item anterior, que não talvez não tenha sido feito (ou às vezes para reforçar as duas buzinadas curtas). A retribuição do “obrigado” ou de “boa viagem” também pode ser dada através de duas piscadas com o farol alto.

Pisca alerta ligado
Significa algum perigo. É um pedido de atenção redobrada, pois pode ser que por algum motivo o carro da frente irá parar ou mesmo o fluxo todo irá parar.

Também pode significar chamar a atenção do carro de trás para alguma coisa que esteja acontecendo no próprio veículo e o motorista ainda não se deu conta.

Farol alto por um período médio
O veículo de trás chama a atenção do veículo da frente por algum motivo. A duração deste período funciona da mesma maneira que a intensidade da voz de uma pessoa quando se quer chamar a atenção (ex: falando, gritando, esperniando etc). Aqui também pode significar uma bronca por estar na faixa da esquerda quando poderia estar na da direita, pois ali é o local apropriado para ultrapassagens.

Apagar e acender as todas as luzes de uma vez
Significa que há fiscalização à frente. Não é muito recomendável, pois da mesma maneira que o carro de trás percebe, o policial à frente também perceberá e poderá “implicar” com o motorista da frente.

b.    Sentido oposto

Esta é a comunicação espontânea mesmo. É a que chama muito a atenção, pois tem um curto período de tempo para acontecer e, por isso, depende sempre da atenção do outro motorista. Tudo não dura mais do que 3 segundos.

Geralmente ela começa com o pisca para a esquerda, pois é como se um motorista estivesse dizendo ao que vai cruzar: “Pode vir tranqüilo que eu estou falando para quem está atrás de mim, não ultrapassar. Tenha uma boa viagem!”. Duas piscads no farol alto, evidenciam que o motorista dirá mais alguma coisa. E estes sinais são sempre gestuais:

A uma palma de mão esticada
Significa literalmente “boa viagem!”. É como se o motorista dissesse que não há problemas no caminho do outro. “Vai tranqüilo!”.

Um braço movimentando como um pêndulo com a mão esticada
Barreira. Acidente. Carreta virada na pista. Desmoronamento. Há alguma coisa que está fechando a pista parcial ou totalmente. Dependendo da gravidade, os faróis de luz são dados muito mais vezes.

Quatro dedos virados para baixo
Animais na pista. Cuidado!

Dois dedos virados para baixo
Pessoas na pista. Cuidado!

Movimento da mão fechando começando pelo dedo mindinho até o polegar. A mão deve estar de lado, com o polegar para baixo. (famoso sinal de roubo)
Ladrão. Há ladrões na região, o motorista deve tomar cuidado.

Duas mãos paralelas fazendo movimentos alternados verticais
Balança. Há fiscalização de peso à frente.

Fricção dos dedos polegar, indicador e médio (Sinal de dinheiro)
Há policiais. Cuidado. Isto pode representar que realmente há corrupção ou não.

Fazer sinal com a mão como se apontasse uma arma
Há radar móvel na pista. O sinal é desta maneira, pois a forma do radar é a de um secador de cabelo, ou de uma pistola. O fiscal (muitas vezes policial) segura e aponta para a pista para saber qual a velocidade do veículo que está passando naquele instante.

Segurar a gola como se arrumasse uma gravata
Blitz grande. A gravate significa que o chefe dos policiais está participando da ação, ou seja, a tolerância é muito baixa (pente-fino).

Todos os dedos juntos e o movimento quebrado do pulso no sentido vertical (“afogar o ganso”)
Significa que há prostitutas na área. Pode ser também que haja “caronistas”, mulheres que trocam favores sexuais por carona. E isso atualmente representa um grande risco de assaltos.

Neste cenário perigoso, no qual motoristas passam muitas horas por dia dirigindo, cruzando infinitas vezes com outros veículos, rodando mais de mil quilômetros por dia, a criação desta linguagem própria foi fundamental para a sobrevivência nessas rodovias que não permitem erros.

Hoje em dia os rádios “TKS” são mais comuns e também ajudam bastante a vida na estrada, mas provavelmente não decretarão o fim da comunicação visual. O elemento credibilidade é muito baixo nestes aparelhos, pois não se sabe quem stá falando no rádio. E é praticamente nula a possibilidade de que um caminhoneiro passe uma informação errada de propósito ao cruzar com outro automóvel.  Por isso, é bem difícil ela morrer.

Só mais um detalhe: por muito tempo, os sinais na Argentina eram diferentes. Existiu uma campanha para unificá-los, mas não sei dizer se isso surtiu efeito. Brincadeiras à parte,  é bom sempre duvidar de um veículo argentino em situações perigosas.

Boas estradas!

Olé




Carnaval 2010 no Rio

Publicado em 30 de março de 2010, às 00:03. | 1 Comentário

Artigo sobre Cultura Popular/Folclore, Livros, Turismo.


Santa Tereza, após o Bloco das Carmelitas. Foto: Olegário A. Filho
Santa Tereza, após o Bloco das Carmelitas. Foto: Olegário A. Filho

Não imaginava. Claro! Bombardeado pela mídia, era de se esperar que o Carnaval do Rio se resumisse à Sapucaí. Mas não é bem assim. Cidade enfeitada, muita gente fantasiada. Clima de festa. Centenas de blocos pelas ruas e avenidas. Essa é a cara do carnaval de rua do Rio de Janeiro: uma festa bastante democrática.

Fiquei sabendo disso quando amigos meus voltaram da folia de 2009, falando o quanto era bom brincar nas ruas cariocas. Isso somado ao cancelamento do Carnaval em São Luiz de Paraitinga, não me deixou dúvidas em escolher uma festa diferente das milhares existentes por ai: onde um monte de gente leva seu carro para fazer competição de som… enfim, aqueles que não diferem em nada. Estava decidido: Rio de Janeiro.

Uma das peculiaridades de lá é que tudo começa cedo, às 7… 8 horas da manhã e dura o dia todo. Ao anoitecer você já está quebrado de tanto pular atrás de bloco e não vê a hora de descansar, afinal às 7h já tem bloco de novo! Como é uma grande cidade, é claro que tem várias coisas para se fazer à noite, mas a proposta não era esta.

Multidão atrás do Bloco das Carmelitas. Foto: Olegário A. Filho
Multidão atrás do Bloco das Carmelitas. Foto: Olegário A. Filho

Tinha turista, mas não era aquela coisa de só ter turista. Estava lotado de cariocas. A folia é feita para e pelos moradores de lá. Isso atualmente é um enorme diferencial para o Rio, afinal tem tanta festa por ai que tem o simples objetivo de agradar aos turistas. Apesar da Prefeitura burocratizar a espontaneidade, pois era preciso solicitar autorização antes do dia 30 de agosto do ano anterior, os blocos existiam porque os foliões queriam ir pra rua, brincar o carnaval, pouco importando se tinham forasteiros ali ou não.

Foliões concentrados para a Orquestra Voadora. Foto: Lara Baggi
Foliões concentrados para a Orquestra Voadora. Foto: Lara Baggi

Não vi nenhuma briga. Uma amiga carioca disse que isso é mais comum em blocos da Zona Sul. Segundo ela, por eu ter ficado mais por Santa Tereza, Centro não era tão estranho. Mas pra mim, um paulista que passou inúmeros carnavais durante a adolescência no litoral paulista, não ver uma confusão é algo de se espantar!

Do alto, foliões viam a Orquestra Voadora. Foto: Olegário A. Filho
Do alto, foliões viam a Orquestra Voadora. Foto: Olegário A. Filho

Também não vi nenhum assalto, roubo, furto etc, mas vi vários policiais absurdamente armados, mostrando que há apenas uma trégua na guerra habitual. Talvez, parte daquela faxina pra receber as visitas, afinal teremos Copa do Mundo, Olimpíadas…

O Rio de Janeiro mesmo com todas as suas contradições é encantador. Se você não acha, leia o livro Carnaval no fogo, de Ruy Castro. Indico, mas ainda não o li. É que depois do relato do adolescente paulista que leu o livro em uma madrugada e de manhã pegou um ônibus para o rio, já coloquei na lista dos próximos.  Depois que eu ler, falo dele aqui.

Marcel Nicolau (trombone), Orquestra Voadora. Foto: Olegário A. Filho
Marcel Nicolau (trombone), Orquestra Voadora. Foto: Olegário A. Filho

Outra leitura (mas essa eu li!): um guia feito há uns anos chamado Guia do Carnaval de Rua do Rio de Janeiro. Além de falar um pouco sobre vários blocos, também traz um histórico das comemorações na cidade: os cordões, os ranchos, Grandes Sociedades, escolas de samba e o apoio do governo de Getúlio… fala até da adesão de dom Pedro II no entrudo. Muito bom para esse primeiro contato, mas por ter sido feito em 2007 e para o carnaval daquele ano, abstraia as datas (programações). Deveria ser algo mais perene, mas mesmo assim vale a leitura.

Resumindo, se é que se pode resumir: foi muito bom! Muito bom ver a marcha alegre se espalhando na avenida e insistindo. Muito bom cantar muita marchinha. Muita! Na saída de um bloco, voltávamos de metrô e o vagão todo cantando: “Ô ô ô ô, Aurora…”. Era a cidade toda enfeitada pra ver o Carnaval passar. Incrível como o povo de uma grande cidade mantém seus porquês de uma festa popular pra si mesmo. Que me perdoem Luiz Melodia, os Titãs e companhia, mas eu fico triste quando acaba o carnaval.

Olé




“Comunas do Samba”, no SESC Pompeia

Publicado em 26 de dezembro de 2009, às 23:56. | 2 Comentários

Artigo sobre Cultura Popular/Folclore, Música, Shows.


Oito oportunidades para conhecer um pouco mais do “samba  paulista”, samba vivo feito por [oito] comunidades de São Paulo.

Elas acontecerão em janeiro, na Choperia do SESC Pompéia e compõem o projeto Comunas do Samba, o qual consiste em dar palco ao samba local, que tem todas as suas particularidades: a união, a comunhão e a confraternização das comunidades. Enfim, muitas descobertas.

Os pequenos textos abaixo são de autoria da assessoria de imprensa do SESC Pompéia. Apresentam as comunidades e a data do respectivo show.

Bons shows!

Olé

Projeto Samba Autêntico (Rua do Samba) – part. de Virgínia Rosa
Dia 08/01 (sexta), às 21h.

Realizado todo ultimo sábado do mês – desde o ano de 2002 no Largo General Osório, no bairro da Luz, o Projeto Samba Autêntico atualmente se apresenta provisoriamente no Vale do Anhangabaú, no centro da cidade. O objetivo é o resgate, a promoção, a divulgação e a preservação do samba paulista, por meio do reconhecimento e da homenagem a todos aqueles que lutaram, lutam e continuarão lutando pelo samba. Outro viés da iniciativa está na contribuição para revitalizar essa região da Luz, conhecida como “cracolândia”. Constitui-se com um terreiro de lazer e congraçamento da população afrodescendente, pelas suas heranças e referências culturais e pela afirmação de sua singularidade, identidade, inclusão social e construção de cidadania.

Tias Baianas Paulistas – participação de D. Inah
Dia 09/01 (sábado), às 21h.

O grupo das Tias Baianas Paulistas foi idealizado e fundado por Valter Cardoso, o Valtinho das Baianas, entre os anos de 1994 e 1995. A banda começou com sua esposa, Dona Nadir, sua cunhada e algumas amigas das alas das baianas de diversas escolas de samba, entre elas Nenê de Vila Matilde, Camisa Verde e Branco e Vai-Vai. Por chefiar essa ala nos desfiles, Valter acompanhava de perto o cotidiano das integrantes e os descuidos enfrentados por essas antigas sambistas. Isso o levou a fundar um grupo de valorização da história e do papel da baiana nos desfiles e nas agremiações. Simultaneamente, Valtinho possibilitou a esse grupo o desenvolvimento de uma atividade paralela à atuação nas escolas de samba. Assim elas puderam mostrar suas habilidades pessoais, aprender mais sobre sua função no carnaval, discutir sobre as condições de desfile e promover apresentações, como um grupo vocal e símbolo do samba, inclusive com a formalização em 1997 como a Associação Cultural Claridade Tias Baianas Paulistas. Desde maio de 2007 participam da Praça do Samba, evento mensal realizado pelo Kolombolo dia Piratininga na Praça Aprendiz das Letras, na Vila Madalena. Em 2008 foram tema do documentário “Tias Baianas Paulistas”. Este ano lançaram seu primeiro CD “Tias Baianas Paulistas” na Coleção Memória do Samba Paulista.

Samba da Laje – participação Serginho Meriti
Dia 15 (sexta), às 21h.

A Comunidade do Samba da Laje anima a região da Vila Santa Catarina todo último domingo do mês, sempre com um convidado especial em cada edição. Desde julho de 1997, as feijoadas com roda de samba são promovidas com a intenção de proporcionar um dia de alegria e descontração à comunidade, assim como divulgar o tradicional samba de roda. O repertório é variado e vai de Noel Rosa a Zeca Pagodinho. A maioria dos músicos está na faixa etária de 15 anos, jovens que respeitam e preservam o samba raiz, e as pastoras que marcam presença com suas vozes agudas.

Pagode do Cafofo – participação Maurílio de Oliveira
Dia 16 (sábado), às 21h.

A Comunidade do Pagode do Cafofo foi criada em novembro em 2002, para difundir a autenticidade do samba e valorizar os compositores locais. Os encontros são realizados na comunidade a cada primeiro e terceiro domingos do mês.

Roda de Samba Ouro Verde – participação Nelson Sargento
Dia 22 (sexta), às 21h.

Há mais de 25 anos as rodas de samba Ouro Verde, em Santos, são os lugares ideais para levar a família e escutar um bom samba de raiz nas noites da maior cidade do litoral paulista. Lá, o gingado do gênero envolve tanto os mais idosos quanto os mais jovens. Quase todos os integrantes do Samba Ouro Verde se conhecem desde a infância. Foi nessa fase que aprenderam a gostar desse tipo de música ouvindo seus pais, tios ou avós tocarem juntos nos fundos dos quintais. Aos poucos, outros músicos foram convidados para participar do movimento em prol da boa música. Desde o início, os participantes usam a quadra do Ouro Verde Futebol Clube. Com o tempo, os moradores do bairro Marapé passaram a frequentar o clube e, assim, o público cresceu e se tornou cada vez mais fiel.

Núcleo de Samba Cupinzeiro – participação Amélia Rabelo
Dia 23/01 (sábado), às 21h.

Criado em 2001, o Núcleo de Samba Cupinzeiro pesquisa, compõe e realiza atividades em torno do samba. O trabalho do núcleo tem recebido muitos elogios dos críticos e do público e agrega diversas frentes de trabalho: espetáculos, seminários, oficinas, rodas, textos publicados, gravações e documentários. Já produziu vários eventos ligados ao samba na cidade de Campinas, como o Ciclo do Samba, a Oficina de Samba Paulista, o Dia do Samba e o Bloco do Cupinzeiro, além de acompanhar músicos como Wilson Moreira, Tia Surica, Walter Alfaiate e Diogo Nogueira, entre outros.

Kolombolo Diá Piratininga – participação Thobias da Vai-Vai
Dia 29/01 (sexta), às 21h.

O Kolombolo Diá Piratininga surgiu em 2002 com a ideia de ser grêmio recreativo nos moldes dos antigos cordões. Atualmente, o grupo realiza pesquisas, oficinas culturais, encontros, produções de CDs e de shows para trazer ao conhecimento do público a história do samba paulista. O Kolombolo realiza entrevistas, registros fotográficos e audiovisuais e faz levantamentos biográficos e bibliográficos sobre o samba e a cultura popular do Estado de São Paulo. Dentro do selo Kolombolo foi lançada a série de 12 CDs da Coleção Memória do Samba Paulista, entre outros trabalhos. No último domingo de cada mês é realizada a Praça do Samba, com a reunião de sambistas, amantes do samba e comunidade.

Passado de Glória – participação Wilson Moreira
Dia 30/01 (sábado), às 21h.

A comunidade do Samba Passado de Glória, desde 2007, se volta ao resgate do samba da velha guarda e de seus mestres e sambistas e compositores esquecidos. Além de exaltar o gênero musical, o Passado da Glória contribui com algumas entidades e associações de assistência que ajudam comunidades carentes.

Serviço: Projeto “Comunas do Samba”
SESC Pompéia (São Paulo)
Rua Clélia, 93
Dias 8, 9, 15, 16, 22, 23, 29 e 30 de janeiro de 2010. Sextas e sábados, às 21h.
Choperia. Não é permitida a entrada de menores de 18 anos.
Ingressos: R$ 4,00 a R$ 16,00
Telefone para informações: (11) 3871-7700
Acesso para deficientes.
Não há estacionamento.




“Abre a cortina do passado…”

Publicado em 21 de outubro de 2009, às 15:01. | 3 Comentários

Artigo sobre Cultura Popular/Folclore, Produção, Reflexão, Teatro.


Abrem-se as cortinas do mais novo teatro paulistano! Tudo cheira novo, tudo reflete moderno, todos olham admirados, há uma atmosfera de superioridade técnica e arquitetônica, e os presentes não conseguem evitar os comentários de surpresa ao adentrar no fresquíssimo “Teatro Bradesco”.

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Teatro Bradesco no Shopping Bourbon Pompéia, em São Paulo.

O Grand Openning acontece oficialmente apenas amanhã (22 de Outubro), mas o Teatro já teve suas primeiras apresentações. Tecnologias afiadas, espaço de sobra, inovações impensadas e comodidades mil, já o fazem ser considerado um dos mais modernos do país, e uma obra faraônica dentro do Shopping Bourbon Pompéia. Acompanhando a nova tendência da inserção de teatros em shopping centers – e, por que não dizer, colocando a mercadoria onde o consumidor está? – a casa abre as portas decepcionando. Claro, não há o que se dizer sobre a inegável qualidade física deste espaço. Seria um golpe nos milhões investidos, e um desrespeito às incontáveis salas mais simples da capital paulista.

O desapontamento vem de outra esfera. Contestando Confúcio, quando dizia que “A Cultura está acima da diferença social”, o primeiro show oficial que a casa sediará – dos argentinos do Café de los Maestros, incluindo o premiado Gustavo Santaolalla e a participação da deliciosa Marisa Monte – tem como seu valor mais baixo o preço do Balcão Nobre, custando R$200,00. Já o mais caro, os camarotes do “Andar Prime”, custam a bagatela de R$500,00.

Café de los Maestros.
Café de los Maestros.

Os artistas, que seguem protestando contra a pirataria, a despeito da falência das gravadoras que sabidamente chupavam feito sanguessugas os lucros da vendagem de CD’s e DVD’s, são coniventes com a fixação de preços despropositados em detrimento de lucros bombásticos, suscitando a elitização de seus trabalhos.

É inadmissível a cobrança de valores tão exorbitantes. É inaceitável que apresentações culturais sejam segregadoras ao ponto de tornarem-se inacessíveis. É chocante assistir à inauguração de um teatro que pretende pagar seus custos em tão pouco tempo. É lamentável imaginar que uma única apresentação de prováveis duas horas possa custar mais de um salário mínimo. É uma afronta que tenham coragem de sugerir estes valores.

É, mais uma vez, previsível que assim seja.

Victor Gouvêa




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