Estação Derradeira
Publicado em 19 de dezembro de 2008, às 08:49. | 2 Comentários
Artigo sobre Cultura Popular/Folclore, Dança, Estudo, Música, Reflexão, Turismo.

O que dizer da Estação Primeira de Mangueira? Tarefa difícil. Dizer que me sentia pisando um chão de esmeraldas é fácil depois do Chico, mas é a pura verdade. Noel que me perdoe. Soberba. Garbosa. Eu é que parecia girar. Não tinha como não pensar em Cartola. Eu cantarolava a todo momento.
Já havia ido algumas vezes ao Rio de Janeiro, mas foi a primeira que estive ali. Com certeza, aquela escola é ponto de parada obrigatório no Rio. Mais do que Cristo Redentor.
Um carioca comentou que aos sábados tem muita gente lá dentro e nem dá pra respirar direito, mesmo com o teto que se abre. Acho que eu estava com sorte. Era fácil se deslocar pela quadra. Estava muito bom.
Mais do que sambar “aleatoriamente” (cada um por si) na quadra, como eu pensava que seria, foi a passarela infinita organizada por antigos integrantes da escola. Eles estavam a todo tempo com seus apitos indicando que precisávamos seguir, e, respeitosamente, deveríamos dar espaço para as senhoras da escola sambarem. Eles e elas são um show à parte.
Mestre-sala, de maneira muito respeitosa, concedendo um samba com a porta-bandeira ao velho integrante da escola.
Todas as músicas tocadas são repetidas inúmeras vezes. Dos antigos sambas ao samba-enredo do próximo carnaval, sempre cantados com muita vontade pelo público. Por incrível que pareça, a repetição não é algo maçante. Ah, e caso a pessoa não saiba cantar a que irá para a avenida, eles entregam uma folhinha com a letra para os visitantes soltarem a voz como se fossem de casa.

E como é de se esperar, não se encontra na quadra apenas moradores. Os Playboys da zona sul e turistas (gringos ou brasileiros, assim como eu) fazem parte da platéia também. É lindo ver pessoas tão diferentes dançando juntas. Numa mesma quadra, vários mundos.

Por ficar no pé do morro, pode dar um certo medo às pessoas que não vivem essa realidade, Principalmente quem não mora em grandes cidades brasileiras. Dentro, não há como temer. Agora, falando do lado de fora, vale certa atenção. Isso não quer dizer que, após sair da escola deve-se entrar em um carro blindado e sair correndo. Não. O turista precisa ter a mesma preocupação que tem em outros locais. As razões são aquelas que já discutimos muito aqui, as mesmas pelas quais, naquela noite, o IML do Rio não recebeu “nenhum branco”.

Coincidência ou não, o tema deste ano da Mangueira é “A Mangueira Traz Os Brasis do Brasil Mostrando a Formação do Povo Brasileiro”, baseada na obra O Povo Brasileiro do antropólogo Darcy Ribeiro. Ótima maneira de começar a entender, não só nosso país, mas a formação do mundo é através da obra dele. Começando por O processo civilizatório, As Américas e a civilização, Os Índios e a Civilização até o livro usado pela escola. Há também uma série de documentários baseada no mesmo livro feita pelo próprio Darcy e que a Karina já recomendou aqui.
Quem sabe não teremos pessoas melhor informadas depois da apresentação da Mangueira? Quem consegue quantificar os frutos que virão disto ao longo dos anos? Quem sabe não são os primeiros passos para a mudança radical de opinião daqueles que são discípulos do Capitão Nascimento?

Boas visitas, boas leituras e boa torcida!
Olé
A Conexão da Dança
Publicado em 7 de novembro de 2008, às 14:49. | 4 Comentários
Artigo sobre Dança, Teatro.

Fomos convidados pelo pessoal da Plataforma Brasil Holanda para assistir a abertura da Conexão Internacional da Dança 2008 no Teatro Sérgio Cardoso. Esse festival vai acontecer durante todo o mês de novembro e quer promover a troca de experiências e linguagens entre grupos de todo o mundo.
Com uma profusão de Cias de Dança do mundo todo o festival pretende mostrar ao público novas estéticas e propor uma reflexão acerca do papel da música na dança contemporânea. O espetáculo de abertura que assistimos sintetizou muito bem esse espírito.
Em seqüência sem intervalo assistimos aos espetáculos “1,2…7″, “Revoada” e “Sintonize!”. Todas interpretadas pela Cia. Cisne Negro de dança. A primeira mais cômica, com falas e gente sendo “roubada” da platéia. “Revoada” por sua vez com cenas muito fortes e bonitas. Mas o ponto alto da noite foi mesmo o esperado “Sintonize!”.

Cada pessoa da platéia recebeu um fone de ouvido e Nico, o Dj do Silent Disco (que já apreceu antes aqui), nos instruiu para a experiência que viria a seguir. O fone era equipado com dois canais, você poderia escolher entre assistir a dança ao som de Bach ou do clássico moderno de Martin Fondse. Confira no vídeo como foi a experiência:
Muito interessante poder escolher a música, a dança se encaixava perfeitamente nas duas composições e o silêncio ao se retirar os fones mostrava a concentração do público e dos bailarinos. Ao final conseguimos trocar algumas palavrinhas com Martin Fondse, compositor do clássico moderno que veio para o Brasil conferir como ficou ao final o espetáculo com sua composição. Trocamos uma conversa com ele para descobrir como se chegou ao resultado de “Sintonize!”. Assista a baixo (em breve colocarei legendas).
Vale a pena voltar para conferir outros espetáculos da Conexão. Hoje e no dia 21 de novembro vão rolar ainda baladinhas com fones do Silent Disco no hall do Teatro sérgio Cardoso a partir das 19h.
Conexão Internacional da Dança 2008
Data: 1 a 30/11
Preço: R$ 20 e meia-entrada
Local: Teatro Sérgio Cardoso - Rua Rui Barbosa, 153 - Bela Vista
Tel.: (11) 3288-0136
Bilheteria: de quarta a domingo, das 15h até 19h
ps: Mais fotos em nosso Flickr e vídeos em nosso canal no YouTube.
Daniel Possa
Espetáculo de Sensações
Publicado em 24 de setembro de 2008, às 15:52. | Deixe um comentário!
Artigo sobre Dança, Plásticas, Shows, Teatro.

Hoje é a estréia de Fuerzabruta aqui em São Paulo. O espetáculo argentino é dos mesmos criadores da Cia De La Guarda e teve sua primeira exibição no ano de 2005, em Buenos Aires. Desde então, já passou por diversas cidades do mundo.
A peça em si é muito inusitada. O público fica reunido dentro de um galpão e o palco está em todo o lugar. Acontecem intervenções em todas as direções, de maneiras diferentes explorando alguns sentidos e os atores interagem muito com a platéia. Em alguns momentos o espetáculo vira uma grande balada onde todos dançam. Por isso, roupas confortáveis são fundamentais.
Confesso que estava com o pé-atrás, pois no que li (até mesmo no material para imprensa) dizia que o espetáculo não tem conceito nenhum. Tudo me levava a crer que seria apenas um grande show de qualquer parque de diversões. Mas eu tinha uma pequena pontinha de esperança que poderia estar alinhado com conceitos de arte mais abertos.

Depois de assistir à pré-estréia, consigo ver que agrada a gregos e troianos. Pra mim, o espetáculo inteiro tem sentido; tudo tem razão de ser. Até mesmo a aglomeração de pessoas mostra a “fuerza bruta”. E, ao mesmo tempo, quem quiser só curtir o show de sensações ficará bastante feliz.

Só não espere grandes interpretações, pois essa peça é mais próxima das artes visuais do que das cênicas. É uma grande mistura de plásticas, circo e teatro (utilizando muito dinheiro para a produção). Como se tudo aquilo estivesse acontecendo na nossa mente, ou no imaginário coletivo da sociedade ocidentalizada contemporânea…
Vá pronto para abstrair.
Bom espetáculo!
Olé
Peça: Fuerzabruta
Direção: Diqui James
Direção Musical: Gaby Kerpel
Local: Parque Vila Lobos – São Paulo (SP)
De 24 de setembro até 12 de outubro de 2008 (Prorrogado até 09/11)
www.fuerzabruta.net ou www.fuerzabruta.com.br
Mar de Cidadãos, Gente Dançante
Publicado em 1 de agosto de 2008, às 02:23. | 1 Comentário
Artigo sobre Dança.
Passar em algumas ruas do bairro da Luz em São Paulo pode não ser muito recomendado em determinadas horas do dia. Há muito tempo existe a real necessidade de se revitalizar esta parte da cidade carinhosamenta apelidada de “Cracolândia”.
Entretando a partir desta semana a Luz ganhou um novo palco cultural. Na Rua da Vitória, travessa da Rua do Triunfo foi criado o Teatro-Escola da Vitória. Um grande galpão onde já aconteciam a dois meses os ensaios da Cia. Teatro Dança Ivaldo Bertazzo, composta por jovens dançarinos oriundos da periferia da cidade. Depois de cinco anos com o mestre Ivaldo eles serão agora os professores desta iniciativa.

Ivaldo Bertazzo é muito conhecido por sua iniciativa dos Cidadãos Dançantes, onde transforma o cidadão comum em dançarino. Fazendo com que pessoas de todas as idades, de ambos os sexos com qualquer profissão consigam se expressar através do corpo em espetáculos de dança. Trazendo sempre novas reflexões a cerca do corpo, pois segundo o próprio Bertazzo: “Todos podem dançar”.
Seus espetáculos mostram sempre um lado coletivo da dança, onde a expressão individual genha força dentro do gesto repetido por todos. Um de seus espetáculos mais conhecidos é o “Mar de Gente”, mas pude também conferir o “Kashmir Bouquet”, que misturava elementos do oriente om ocidente e posso dizer que o resultado final é sempre impressinante. Os efeitos do coletivo dançando em uma coreografia dão a impressão de que se tem muito mais pessoas do que os cerca de 100 indivíduos que estão no palco.
A mistura destes elementos com um projeto social são promissoras. Espero em breve poder conferir um espetáculo neste novo espaço e quem sabe andar em um bairro da Luz revitalizado. Termino este artigo com dois vídeos, o primeiro com um pouco da história de Ivaldo e o segundo com a apresentação de “Mar de Gente” no Auditório do Ibirapuera.
Um pouco da história de Ivaldo Bertazzo
Espetáculo Mar de Gente
Daniel Possa
Tá chegando a hora…
Publicado em 1 de abril de 2008, às 13:51. | 1 Comentário
Artigo sobre Cinema, Dança, Exposições, Música, Shows, Teatro.
Mais um ano se passa. Conto os dias desde o último evento: a Virada Cultural! “Das 18h do dia 26 às 18h do dia 27 de abril” teremos um dos eventos mais aguardados no campo cultural aqui na cidade de São Paulo.
Muitas pessoas relacionam a última edição apenas à grande confusão que aconteceu na Praça da Sé, às atrações superlotadas… e provavelmente hesitarão em ir. É importante que essas pessoas entendam que operar um evento desta magnitude é bastante complicado. Só espero que ninguém desista por causa dos problemas do ano passado.
A programação oficial ainda não saiu e o site oficial não está pronto. Mas o SESC já se adiantou e divulgou em seu site os eventos que acontecerão em suas unidades. Acesse por aqui.
Então, agora é hora de analisar esta parte da programação e começar a traçar um roteiro prévio.
Até mais!
Olé

