(In)feliz Natal
Publicado em 5 de janeiro de 2009, às 23:13. | 1 Comentário
Artigo sobre Cinema, Colunistas, Em cartaz / A ser exibido, Literatura, Plásticas.
Ao inevitável vazio que se conjuga numa hipérbole de luzinhas

Dirigido por Selton Mello, o filme Feliz Natal estreado já nos fins de novembro não poderia assim deixar de se tornar motivo para qualquer espécie de reflexão de mais uma comemoração natalina, uma vez que, já pela obviedade do próprio título, apresenta um recorte (in)comum dessa realidade tão pontualmente bem lembrada pela massificante indústria comercial do bem estar social.
Embora corriqueiro pelo enredo aparentemente clichê da vida de um homem que após certo tempo morando longe da família decide visitá-la no natal, o filme ganha aspecto interessante e diferenciado quando se mostra recortado desde o momento que procura constituir as imagens de um todo a partir de fragmentos encontrados na realidade dessas mesmas imagens, até o momento em que consegue criar um perfeito diálogo entre as posições e movimentações das câmeras diante da percepção do mundo e a extrema simplicidade das falas das personagens que, talvez um pouco como as de Graciliano Ramos em Vidas Secas, revelam-se tantas horas pelo silêncio ou por falas quaisquer tão bem adaptadas às regras do cotidiano.
Colaborando ainda com o enriquecimento de toda sensorialidade do filme notamos a quase insistente trilha sonora de Plínio Profeta que, apresentando-se em notas melancólicas e quase repetitivas, ganha ritmo e compasso na dança com as seqüências de imagens que se fazem praticamente altruístas numa ro(n)da de tempos e sentimentos amalgamados.
Também de extrema relevância para a sustentação do teor talvez crítico e até mesmo caótico do desenrolar da trama encontra-se o fato da escolha de um ferro velho para ser o local onde trabalha o protagonista Caio (Leonardo Medeiros); pensando em um possível simulacro que se pode criar acerca dessa imagem, entendê-la como colaboradora para a construção de uma idéia de “desgaste”, o que se vê mais clara no próprio comportamento das personagens, se torna ainda mais veemente quando em diversas outras cenas do filme encontramos imagens de ferrugem que, quimicamente falando, é resultado do processo de corrosão no filme tão bem entendido pelo tortuoso apodrecer silencioso dos seres e a da própria sociedade na qual vivem em que, quando fagocitados, temos, senão em muitos casos por convenção, a comemoração do natal.
Ainda sob essa óptica, encontramos o presente de natal elaborado por Caio ao sobrinho Bruno (Fabrício Reis): trata-se de um móbile construído com partes férreas encontradas no ferro velho, partes que num primeiro momento revelam-se velharias que viraram algo novo, mas que nas últimas cenas, diante de todos os acontecimentos dramáticos, aparecem como retomada a um ciclo infindável de “desgastes” comprovado não só pelo final dado a Bruno – personagem que nos traz espécie de renovação e verdade às vistas cansadas, às máscaras sociais vestidas e principalmente ao vazio que se esvazia em sua infantil espontaneidade – como também ao concomitante final dado ao filme: a mesma cena do início alterada apenas pela nossa própria percepção de que não é a mesma, mesmo a sendo.
Uma dança entre os vãos dos ponteiros passados e presentes, “entre o um e o dois”, o fim e começo de mesmos Feliz Natal.
[-“O que é o natal?”]
Monise Martinez
1 ano de Blog Vereda Estreita Promoção “Terra Vermelha”
Publicado em 27 de novembro de 2008, às 23:15. | 5 Comentários
Artigo sobre Cinema, Em cartaz / A ser exibido, O Blog, Promoção.
Hoje faz exatamente 1 ano que lançamos nosso primeiro post via Vereda Estreita. Acreditamos que o conteúdo gerado neste tempo foi muito relevante, explorando sempre novas referências e campos dentro da cultura. Conseguimos visitar lugares, conhecer pessoas e cobrir eventos, seguindo sempre o caráter independente de Blog. 2009 está aí e o blog continua firme e começando novos projetos neste fim de ano. Gostaríamos de agradecer aos colunistas, amigos, artistas, leitores, colaboradores e todo mundo que ajudou a construir o projeto este ano.

Para reforçar esse espírito começa agora a promoção Terra Vermelha. O filme que abriu a 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo entra agora em cartaz para uma curta temporada em Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Campo Grande e Dourados (MS). Se você não conseguiu conferir na mostra aproveite nosso sorteio de 10 pares de ingressos. Para participar basta preencher os campos à baixo e esperar pelo sorteio na próxima quinta-feira (04/12/2008). Boa sorte!
Inscrições Encerradas!
* Campos marcado em vermelho são de preenchimento obrigatório.
** O conteúdo deste cadastro é mantido privado e não será publicado ou divulgado para terceiros.
*** Os ingressos são válidos de segunda a quinta-feira em todas as salas onde o filme estiver sendo exibido. Com exceção às salas do Grupo Araújo, Cinemark Iguatemi (SP), Grupo Estação e salas Vip.
Daniel e Olé
A Conexão da Dança
Publicado em 7 de novembro de 2008, às 14:49. | 4 Comentários
Artigo sobre Dança, Em cartaz / A ser exibido, Teatro.

Fomos convidados pelo pessoal da Plataforma Brasil Holanda para assistir a abertura da Conexão Internacional da Dança 2008 no Teatro Sérgio Cardoso. Esse festival vai acontecer durante todo o mês de novembro e quer promover a troca de experiências e linguagens entre grupos de todo o mundo.
Com uma profusão de Cias de Dança do mundo todo o festival pretende mostrar ao público novas estéticas e propor uma reflexão acerca do papel da música na dança contemporânea. O espetáculo de abertura que assistimos sintetizou muito bem esse espírito.
Em seqüência sem intervalo assistimos aos espetáculos “1,2…7″, “Revoada” e “Sintonize!”. Todas interpretadas pela Cia. Cisne Negro de dança. A primeira mais cômica, com falas e gente sendo “roubada” da platéia. “Revoada” por sua vez com cenas muito fortes e bonitas. Mas o ponto alto da noite foi mesmo o esperado “Sintonize!”.

Cada pessoa da platéia recebeu um fone de ouvido e Nico, o Dj do Silent Disco (que já apreceu antes aqui), nos instruiu para a experiência que viria a seguir. O fone era equipado com dois canais, você poderia escolher entre assistir a dança ao som de Bach ou do clássico moderno de Martin Fondse. Confira no vídeo como foi a experiência:
Muito interessante poder escolher a música, a dança se encaixava perfeitamente nas duas composições e o silêncio ao se retirar os fones mostrava a concentração do público e dos bailarinos. Ao final conseguimos trocar algumas palavrinhas com Martin Fondse, compositor do clássico moderno que veio para o Brasil conferir como ficou ao final o espetáculo com sua composição. Trocamos uma conversa com ele para descobrir como se chegou ao resultado de “Sintonize!”. Assista a baixo (em breve colocarei legendas).
Vale a pena voltar para conferir outros espetáculos da Conexão. Hoje e no dia 21 de novembro vão rolar ainda baladinhas com fones do Silent Disco no hall do Teatro sérgio Cardoso a partir das 19h.
Conexão Internacional da Dança 2008
Data: 1 a 30/11
Preço: R$ 20 e meia-entrada
Local: Teatro Sérgio Cardoso - Rua Rui Barbosa, 153 - Bela Vista
Tel.: (11) 3288-0136
Bilheteria: de quarta a domingo, das 15h até 19h
ps: Mais fotos em nosso Flickr e vídeos em nosso canal no YouTube.
Daniel Possa
Espetáculo de Sensações
Publicado em 24 de setembro de 2008, às 15:52. | Deixe um comentário!
Artigo sobre Dança, Em cartaz / A ser exibido, Plásticas, Shows, Teatro.

Hoje é a estréia de Fuerzabruta aqui em São Paulo. O espetáculo argentino é dos mesmos criadores da Cia De La Guarda e teve sua primeira exibição no ano de 2005, em Buenos Aires. Desde então, já passou por diversas cidades do mundo.
A peça em si é muito inusitada. O público fica reunido dentro de um galpão e o palco está em todo o lugar. Acontecem intervenções em todas as direções, de maneiras diferentes explorando alguns sentidos e os atores interagem muito com a platéia. Em alguns momentos o espetáculo vira uma grande balada onde todos dançam. Por isso, roupas confortáveis são fundamentais.
Confesso que estava com o pé-atrás, pois no que li (até mesmo no material para imprensa) dizia que o espetáculo não tem conceito nenhum. Tudo me levava a crer que seria apenas um grande show de qualquer parque de diversões. Mas eu tinha uma pequena pontinha de esperança que poderia estar alinhado com conceitos de arte mais abertos.
Depois de assistir à pré-estréia, consigo ver que agrada a gregos e troianos. Pra mim, o espetáculo inteiro tem sentido; tudo tem razão de ser. Até mesmo a aglomeração de pessoas mostra a “fuerza bruta”. E, ao mesmo tempo, quem quiser só curtir o show de sensações ficará bastante feliz.

Só não espere grandes interpretações, pois essa peça é mais próxima das artes visuais do que das cênicas. É uma grande mistura de plásticas, circo e teatro (utilizando muito dinheiro para a produção). Como se tudo aquilo estivesse acontecendo na nossa mente, ou no imaginário coletivo da sociedade ocidentalizada contemporânea…
Vá pronto para abstrair.
Bom espetáculo!
Olé
Peça: Furezabruta
Direção: Diqui James
Direção Musical: Gaby Kerpel
Local: Parque Vila Lobos – São Paulo (SP)
De 24 de setembro até 12 de outubro de 2008 (Prorrogado até 09/11)
www.fuerzabruta.net ou www.fuerzabruta.com.br
Literatura, Cinema e Blogosfera
Publicado em 18 de setembro de 2008, às 10:02. | 1 Comentário
Artigo sobre Blogosfera, Cinema, Em cartaz / A ser exibido, Literatura.
Para quem acompanhou a ansiedade por assistir “Ensaio Sobre a Cegueira” de Fernando Meirelles, desde nosso post sobre o blog da produção até um post sobre Saramago, o tempo de esperar acabou. O filme estreiou na última sexta-feira no Brasil e pudemos finalmente conferir o ensaio no cinema.
Sempre que um livro é transformado em filme as comparações são inevitáveis e os defeitos são sempre colocados no filme. Para mim são duas formas completamente diferentes de contar uma história e prefiro não me ater aos detalhes do que falta no filme ou do que mudou em relação ao texto. O que posso dizer com certeza é que, tanto quanto o livro, o filme deixa o espectador com reflexões ao final, ninguém passa intacto.
A violência, que nos primeiros testes de montagem havia sido vista como extrema ou muito forte, foi atenuada mas ainda incomoda bastante. Mesmo depois das exibições no festival de Cannes o filme foi modificado, chegando ao formato final que podemos ver no cinema. Enfim, vamos deixar maiores informações para a telona, já que o ingresso vale muito a pena.

Entretanto outra notícia envolvendo José Saramago me chamou mais a atenção esta semana do que o filme. A estreia do autor na Blogosfera. Dentro do site da Fundação José Saramago estreou o Blog “O Caderno de Saramago”, diretamente acessado pelo endereço:
Lá é possível conferir alguns texto de opinião do autor, como ele mesmo descreve no blog: “Disseram-me que reservaram para mim um espaço no blog e que devo escrever para ele, o que for, comentários, reflexões, simples opiniões sobre isto e aquilo, enfim, o que vier a talhe de foice. Muito mais disciplinado do que frequentemente pareço, respondi-lhes que sim, senhor, que o faria desde que não me fosse exigida para este Caderno a assiduidade que a mim mesmo havia imposto nos outros. Portanto, pelo que isso possa valer, contem comigo.”
Daniel Possa
















