Maracatu na FLIP 2009
Publicado em 5 de julho de 2009, às 14:04. | 3 Comentários
Artigo sobre Cultura Popular/Folclore, Exposições, Festivais.
Assim como a FLIP proporciona ótimos encontros pessoais (não estou falando das mesas, mas sim daqueles pessoais mesmo), três grupos de Maracatu se encontraram algumas vezes pelas ruas de Paraty e fizeram aquela contagiante festa democrática.
Abaixo, dois vídeos de uma destas festas proporcionadas pelos grupos Baque do Vale (Taubaté-SP), Cia Caracaxá (São Paulo-SP) e Palmeira Imperial (Paraty-RJ).
Até!
Olé
Produtos não perecíveis
Publicado em 21 de maio de 2009, às 10:24. | 1 Comentário
Artigo sobre Colunistas, Exposições, Reflexão.

Neste sábado fui à exposição do artista brasileiro Vik Muniz que está acontecendo no MASP, e tenho algumas observações a tecer sobre. Antes de ir, me muni de algumas críticas feitas por pessoas entendidas no assunto, para saber o que estavam pensando sobre o artista e a exposição. Sabe que eu não tive a melhor impressão do mundo? Críticos metendo o pau no cara, principalmente referindo-se à arte dele como comercial. Confesso que adquiri um dilema. Para mim, outras formas de expressão artística são mais fáceis de identificar como sendo um trabalho comercial ou conceitual, pensado ou vendido, construído ou parido. Por exemplo, na música. É gritante a diferença de um trabalho do Harmonia do Samba, para um do Paulinho da Viola. No teatro, por exemplo, como citei anteriormente, do Teatro Oficina para as peças que acontecem no teatro da Gazeta. Que dirá, então, dos livros? Mas… e nas artes plásticas?
Pode até ser uma ignorância enorme da minha parte fazer uma comparação destas, mas, a partir deste raciocínio, poderíamos considerar algumas das mais famosas obras renascentistas como comerciais, afinal muitos quadros pintados por grandes mestres da pintura foram feitos sob encomenda de famílias aristocratas da época. E não é, por sua vez, comercial? O mérito destes pintores fica esvaziado em algum momento por terem realizado obras para pagar o pão de cada dia? Acho que é uma reflexão pertinente. O Brasil tem atualmente três grandes nomes de artistas plásticos que figuram em todo o mundo como ícones de uma contemporaneidade artística criativa: Romero Britto, Beatriz Milhazes e Vik Muniz. Curiosamente, todos eles são acusados pelos mais puritanos de fazerem arte comercial.
Quando eu estudei Artes, da 5ª série do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, recebi alguns ensinamentos de uma professora muito interessante. Profª Juce. Tentava insistentemente levar para nós todo o conceito de arte que estava embutido, desprovendo-nos de crítica no sentido negativo da palavra. Bem me lembro certa vez que nos trouxe a uma Bienal de Artes de São Paulo, e apresentou algumas instalações-conceito. Muitos – inclusive eu – torcemos o nariz para obras que não se enquadravam naquele limiar de aceitação que estabelecemos para as artes plásticas, baseados em experiências prévias claramente impressionistas. Ela buscava inserir aquela obra dentro da nossa margem crítica para aprendermos, no mínimo, a respeitar o trabalho daquele artista. Desta forma, aprendi na prática a respeitar qualquer manifestação artística que me fosse sugerida, buscando sempre sua essência como forma de justificar sua existência.
Assim que entrei na exposição de Vik Muniz, já com alguns pré-conceitos formados como supra citei, e, tão logo li o release da exposição e do pensamento do artista, quebrei imediatamente todas as barreiras que foram criadas. Entendi que poderia esperar mais do que arte comercial daquele cara. É óbvio que às vezes ele esbarra mesmo no comercial. Mas acredito que isso não faz desmerecer tudo aquilo que ele faz de bom, e seria um reducionismo enorme e injusto. São as obras mais sinestésicas e efêmeras que eu já vi na minha vida. Vik faz releituras de grandes obras utilizando-se de materiais perecíveis, como calda de chocolate, geleia e pasta de amendoim, por exemplo. Não é possível passar por aquela exposição e não se sentir tocado por nada. Eu, por exemplo, fiquei extremamente comovido pela série que ele fez com açúcar, reproduzindo fotos de meninos que conheceu em uma viagem ao Caribe, e tinham seu destino traçado inevitavelmente para a colheita de cana-de-açúcar. É de uma ironia e perspicácia muito fina a sequência apresentada. Ou, ainda, a forma como acontece a comunicação do material utilizado com a obra, ou a incessante experimentação de novas técnicas. Talvez, ainda, como a percepção do material e da obra se desdobre em mais de uma vertente conforme a distância que se aprecia. Aliás, vale a dica de ir à exposição durante a semana, pois costuma encher nos finais de semana, o que impede que cada um experimente tranquilamente diferentes distanciamentos das obras, e suas sensações.

Concluo garantindo: Não perca esta exposição. Comercial ou não, Vik Muniz justifica seu reconhecimento internacional pela genialidade contida em pequenos detalhes. É preciso ter olhos de ver.
Victor Gouvea
Realização e coordenação: Aprazível Edições e Arte – Leonel Kaz e Nigge Loddi
Patrocínio: Bradesco Seguros e Previdência
Direção de montagem: Emílio Kalil
Programação visual: Jair de Souza
Vídeos: Fabio Ghivelder
Montagem: Arquiprom / Fernando Arouca
Exposição: de 24 de abril a 12 de julho de 2009
Horário de visitação: terça a domingo e feriados, das 11h às 18h; às quintas, das 11h às 20h.
Ingresso:
Inteira – R$ 15,00
Estudantes – R$ 7,00
Menores de 10 anos e maiores de 60 anos – Gratuito
Às terças-feiras a entrada é gratuita
Local: Museu de Arte de São Paulo – MASP
Endereço: Av. Paulista, 1578
Telefone: (11) 3251 5644
Classificação etária: livre
Estacionamento pago no local
Acesso a deficientes
Desvendando as Raízes Culturais Paulistas
Publicado em 12 de setembro de 2008, às 02:19. | 4 Comentários
Artigo sobre Colunistas, Cultura Popular/Folclore, Exposições, Festivais, Literatura.

Vou dizer, com sinceridade, que já estava com saudades.
Hoje, sexta-feira, às 18h, começa a décima segunda edição do Revelando São Paulo. O delicioso festival da Cultura Paulista Tradicional.
Como sempre, e não poderia deixar de ser lá, o evento ocorre no Parque da Água Branca, São Paulo, capital, que fica pertíssimo, um quarteirão de distância, do Terminal Barra Funda.
Lá, o pessoal mais afeiçoado pela cultura típica poderá vivenciar brincadeiras típicas, uma exposição maravilhosa de artesanatos locais e culinária da boa mesmo… Você terá a oportunidade de ver de pertinho a Imagem Peregrina da Nossa Senhora Aparecida das Águas, que chega ao parque no domingo, às 11h. Eu, que não sou uma pessoa muito da religiosa, só de ver aquele pessoal todo, em procissão, trazendo a santa, me comovo, aquela energia toda acaba mexendo muito com a gente. E isso é só um tequinho das coisas boas que acontecerão por lá…
Vai ter diversas apresentações de manifestações típicas regionais, como: grupos e orquestras de violas; cavalhadas, fandangos, causos, grupos folclóricos de cultura italiana, alemã, boliviana, cigana, lituana, espanhola, de cabo verde, de portugal, da grécia… bom, já deu pra perceber a dimensão e riqueza cultural que o evento nos possibilita a vivência.

Tudo isso, vale lembrar, num clima tão familiar quanto a casa da vó. Onde as pessoas passam o tempo todo, sorrindo, encantadas em descobrir, por vezes, que sua cidadezinha, escondida num recanto, tem uma riqueza folclórica de dar inveja em qualquer gringo. Foi lá que eu descobri as riquezas da minha cidade, Sorocaba, como a tradição no trabalho com o tear e as delícias da culinária tropeira (vale lembrar que o feijão tropeiro, e toda essa culinária derivada, é paulista, e não mineira, como costumam dizer, uma vez que ela decorre das necessidades das indas e vindas dos primeiros explorados destas terras que partiam do nosso querido estado)
Ah! Deixa eu falar um pouco mais do parque. Quando você for para lá (você não está sendo convidado, mas intimado por mim), você vai perceber o quanto aquele parque é uma luva para a proposta do evento. Lá tem um ótimo espaço para as bancas de culinária, corredores abertos para os artesanatos, uma cúpula brindada para a santa, uma arena linda, de chão de arreia, onde são feitas as cavalhadas, um estábulo onde é feita a culinária tropeira, e uma gramadão para os bichinhos descansarem. Fora as belezas do próprias do parque.
Mas, nem tudo são flores. O evento vem sofrendo uma pressão constante da administração do parque, que deseja retirar-lo de lá. Ano passado foi passado um abaixo assinado, pelos apoiadores do evento, solicitando que o evento fosse mantido. Uma tristeza só. Pelo do contra, é dito que o evento causa muito impacto, que o número de visitantes do parque aumento demasiadamente fora do normal, que vasos sanitários são quebrados (apesar dos banheiros químicos), plantinhas pisadas, que as lixeiras rapidamente saturam, entre outras coisas.

Tais fatos, são inquestionáveis e acabam sendo evidentes. Questionável é a postura daqueles que querem tirar o evento dali. Nenhum outro lugar de São Paulo apresenta estrutura tão adequada para um evento dessa riqueza cultural, afinal este estado se construiu sobre bases rurais. Nenhum outro lugar é tão acessível e permite cruzar com tanta fluência as culturas urbana e rural, folclórica e massificada. Nenhum outro lugar possibilitaria uma evidência tão significativa a Cultura Tradicional Paulista. Em nenhum outro lugar, os representantes da cultura regional se sentiriam tão em casa, e os visitantes tão fora de São Paulo.
É com grande pesar que se assisti essa tentativa de desconstrução dessa belíssima iniciativa de valorização da cultura tradicional, hoje ainda tão deixada de lado pelos meios de comunicação massivos, iniciativa privada e Estado. Eu sinceramente não sei dizer se os impactos no parque ocorrem antes por incompetências administrativas (daqueles que ignoram o porte do evento, e não preparam o parque para receber tal fluxo de pessoas, dinamizando a coleta de lixo, sensibilizando os visitantes sobre a manutenção do parque, abrindo diálogo e compartilhando a gestão do evento e do parque), por aversão a uma semana mais intensa de trabalho, ou por que o evento realmente rompe as fronteiras de um parque tradicional, trazendo uma dinâmica tão nova e rica que os conservadores não conseguem compreendê-la e, tão logo, administrá-la.
Enfim, para mim, a XII edição Revelando São Paulo é um misto de felicidade, tristeza e saudosismo.

Para saber mais sobre o evento: www.brazilsite.com.br.
Bruno Incáo
Estátuas Vivas no Viaduto do Chá
Publicado em 4 de maio de 2008, às 21:19. | 12 Comentários
Artigo sobre Exposições, Festivais.

O que marcou a Virada Cultural não foram os grandes shows com artistas famosos. Quem conseguiu aproveitar o evento sabe que coisas muito legais e com menores proporções foram feitas. Um exemplo disso era a Exposição de Estátuas Vivas que ficou ao ar livre em pleno Viaduto do Chá. Por estar em uma das ligações entre Centro Velho e Novo, inúmeras pessoas passavam por ali e assistiram aos artistas que também eram atletas, pois tantas horas ali trabalhando exigem muito preparo físico.
Estavam lado a lado da mesma forma que um museu posiciona seu acervo. A diferença é que havia muita interação com o público. Muitos gestores e curadores de museus deveriam passar por ali para pensar o museu mais do que um belo armário.

- Estátuas vivas posicionadas como em um museu.



Estátua viva interagindo com populares
Tinha de tudo. Figuras conhecidas como Che Guevara, Santos Dumont, Lampião, ou personagens simplórias, como é o caso da encantadora Camponesa.


Perto de outras estruturas, essa era uma das mais simples. Requeria alguns seguranças para controlar os mais eufóricos, iluminação e assistência para os artistas.
Tentei retratar todos ali, pois, aquilo tudo fazia uma bela cena no amanhecer de São Paulo e em um dos cartões postais da cidade. Confira mais fotos em nosso Flickr.
Olé
Tá chegando a hora…
Publicado em 1 de abril de 2008, às 13:51. | 1 Comentário
Artigo sobre Cinema, Dança, Exposições, Festivais, Música, Shows, Teatro.
Mais um ano se passa. Conto os dias desde o último evento: a Virada Cultural! “Das 18h do dia 26 às 18h do dia 27 de abril” teremos um dos eventos mais aguardados no campo cultural aqui na cidade de São Paulo.
Muitas pessoas relacionam a última edição apenas à grande confusão que aconteceu na Praça da Sé, às atrações superlotadas… e provavelmente hesitarão em ir. É importante que essas pessoas entendam que operar um evento desta magnitude é bastante complicado. Só espero que ninguém desista por causa dos problemas do ano passado.
A programação oficial ainda não saiu e o site oficial não está pronto. Mas o SESC já se adiantou e divulgou em seu site os eventos que acontecerão em suas unidades. Acesse por aqui.
Então, agora é hora de analisar esta parte da programação e começar a traçar um roteiro prévio.
Até mais!
Olé


