Carnavalizando
Publicado em 3 de março de 2008, às 16:17. | 1 Comentário
Artigo sobre Cultura Popular, Folclore, Música.
Acredito que nada do que tive no meu carnaval caberia aqui. A não ser pelo próprio fato de ser Carnaval, esta festa tão antiga, tão característica do nosso país… Então, foi que conversando com o Dr. Ivan, pai de um grande amigo, conheci um pouquinho do frevo. Ele mostrou-me vários cds que tinha ganhado de seus familiares que moram no Nordeste.
Percebi que o frevo vai muito além da parte da música Vassourinhas e de alguém pulando com um guarda-sol na mão. Essa imagem passada pelos meios de comunicação de massa acaba vulgarizando toda a magia do frevo, escondendo as várias vertentes dele. Não que esta cena seja um problema, mas resumir tudo nesta imagem é algo extremamente triste para a cultura brasileira.
Eu queria poder copiar todos aqueles CDs (frevo, forró…), mas não tinha tempo hábil para isso. Então, o que me restou era procurar na internet sons, textos e imagens sobre.
A primeira coisa a encontrar foi um blog que tem CDs completos de frevo. Aliás, vou fazer um post sobre este tipo de blog que dissemina cultura… Achei o CD do Galo da Madrugada, bloco carnavalesco de Pernambuco. Este texto excelente está no encarte do CD (parece ser da autoria de Gustavo Krause):
A minha vida é regida por dois calendários. Um é o tradicional calendário gregoriano que me faz contar os dias no ritual de envelhecer. O outro é um calendário sentimental que me faz dividir o ano em dois tempos: o antes e o depois do Galo da Madrugada, que se fundem magicamente na mesma contagem regressiva. São trezentos e sessenta e quatro dias de uma saudade em bloco.
A saudade do que foi e a saudade do que está pra ser. É assim a minha longa espera para a chegada do fugaz sábado de Zé Pereira. E que, quando chega, misturo uma santa devoção à mais profana liturgia sabática deste país carnavalizado: O Galo da Madrugada. Entro de alma leve e lata cheia na mais “ofegante epidemia” da epidemia chamada Carnaval.
Meto a cara na minha cara sem a (más)cara das convenções. Enxergo na palavra de ordem-escrita no pentagrama.
- Ei, pessoal, Vem Moçada – as cores da alegria. Mastigo poeira e sol. Bebo suores. E embriagado de folia, sou sábado. Sou Galo. Sou Fantasia
EVOÉ!
Procurando na faculdade por um livro sobre Frevo, achei este aqui que parece ser muito interessante:
Do frevo ao manguebeat
José Teles
Editora 34
Um trecho deste livro que está em seu verso: “Em um depoimento sobre Capiba e Nelson Ferreira, o maestro Guerra Peixe (uma apaixonado pela música pernambucana) declarou sobre a complexidade do frevo: ‘Antes de mais nada, o compositor de frevo tem que ser músico. Tem que entender de orquestração’. Já para o mestre Capiba, o frevo é um dos gêneros de música popular mais criativos do mundo e, em determinada ocasião, se baseou nele para compor uma peça para o Quinteto da Filarmônica de Berlim. Os instrumentistas não conseguiram tocar e responderam: ‘Infelizmente, o senhor escreveu algo muito difícil e rápido demais para nós’.” José Teles
Ah, e eu preciso contar que neste fim de semana ganhei um belo presente. O Dr. Ivan esteve aqui em São Paulo e trouxe-me os CDs! Excelente!
Acesse o blog O Frevo.
Bom Carnaval fora de época!
Olé
Quase registrado!
Publicado em 24 de fevereiro de 2008, às 7:44. | 1 Comentário
Artigo sobre Cultura Popular, Folclore, Música, Shows.
Esse post é pra fazer um registro do que foi o show de aniversário da cidade de São Paulo no Parque da Independência. Resumindo: Muito bom!
Quero dar os parabéns à Secretaria de Cultura e à SPTuris por terem realizado tal evento. Desde a escolha dos artistas até a parte operacional. Claro que eu daria alguns pitacos que a profissão exigiria, mas não farei isto. Pontualidade, organização, programação… expectativas superadas! Um destaque importante foi a apresentação de Cidinho Teixeira e de Vera Mara, que tocavam ótimas músicas enquanto cada banda se posicionava. Apesar de os organizadores terem colocado os dois “na fogueira” por diversas vezes, pesaram muito para que tudo tenha sido um grande sucesso.
A primeira apresentação era do Kholwa Brothers. É muito interessante perceber as adaptações feitas para que o canto Isicathamiya virasse show. Comparando com os vídeos do último post, fica claro. Em alguns momentos eles colocam alguns gestos que parecem não ser próprios da “música de raiz”, mas não posso afirmar isso. Preciso achar literatura sobre para refletir mais (espero encontrar algo antes do que aquelas prévias introdutórias da Copa do Mundo de 2010). O que posso dizer é que a apresentação é muito interessante.
Kholwa Brothers
Infelizmente eu tinha mais de 1 giga registrado deste dia. Vídeos e fotos de bons momentos, mas por problemas causados por mim mesmo, perdi tudo… Isso fez com que o pequeno recesso aumentasse ainda mais porque tentei recuperar os arquivos perdidos (sem contar alguns problemas de configuração do blog). Três vídeos e as fotos no Flickr são o que foi salvo. É muito triste porque eu queria mostrar mais da Banda Glória e o Funk Como Le Gusta (na apresentação do Jorge Ben Jor estava impossível filmar algo, era muita gente). Prometo que serei mais cuidadoso. Aqui, aproveito pra agradecer os emails cobrando novos posts. É muito bom saber que fizemos falta neste tempo! Muito obrigado, mesmo!
Um destes bons momentos que aconteceram no Parque da Independência foi quando a Banda Glória estava encerrando seu show com A Banda. Uma alegria contagiou o público, assim como na letra. Pude ver muitos personagens da música no meio do público. Mas só restou o vídeo abaixo, que é a Banda Glória homenageando Chico Buarque (e seu pai, Sérgio), tocando a homenagem que ele fez aos artistas brasileiros:
Banda Glória – Para Todos
Para complementar e melhorar 1000% este post, leia o excelente texto do Yassuda sobre o show. Aliás, assistimos juntos com mais outros amigos da faculdade.
Para quem perdeu, o jeito é esperar a Virada Cultural.
Até mais!
Olé




















