Para parar de pensar

Publicado em 19 de agosto de 2008, às 1:33. | 1 Comentário

Artigo sobre Colunistas, Literatura.


Capa do Livro - Como me tornei estúpido

Quer parar de pensar? Caso sim ou não, a dica é o livro “Como Me Tornei Estúpido”, de Martin Page, um bem escrito manual, ou narração, de como deixar o mundo da lucidez que fará qualquer leitor pensar sobre parar de pensar.

Antonie, um intelectual de vinte e cinco anos, quer “cobrir o cérebro com o manto da estupidez”. O plano inicial é o álcool, mais precisamente o engarrafado vendido em bares. A jornada de proclamação à independência ao saber, entretanto, é longa: do bar para uma escola de suicidas, da escola ao antigo pediatra e, por fim, do pediatra às pílulas Felizac, que o fazem encontrar o “mundo real”.

A odisséia é salpicada de acontecimentos engraçados e, um tanto quanto, possíveis a qualquer um. O drama intelectual é, na verdade, uma comédia intrigante em que as idéias incrivelmente bem enlaçadas, adicionadas à temática resultam em um livro que consegue deixar o leitor ancorado à trama. Além disso, o cenário contemporâneo permite que a leitura se aproxime da realidade.

Page, um parisiense nascido em 1975, faz do best-seller, além do livro ganhador do prêmio Euregio-Schüler Literaturpreis 2004, uma ótima pedida para pensar sobre o não-pensar de uma forma descontraída. Pelo livro ser pequeno, 160 páginas no formato pocketbook, e escrito de uma forma descontraida, a leitura torna-se fácil e agradável. Além do mais, é um belo passeio por Paris.

Lucas Rossi




La FLAP! conexión

Publicado em 2 de agosto de 2008, às 1:51. | Deixe um comentário!

Artigo sobre Literatura.


Portuñol, este é o idioma oficial da 4ª FLAP! Um festival de literatura que acontece em São Paulo no Rio de Janeiro. Neste ano começou em São Paulo no dia 1º de agosto e vai até o dia 8. A programação do evento (que você pode conferir aqui) privilegia a troca de espaços dentro da cidade, percorrendo os mais variados palcos culturais em todas as zonas da cidade.

Neste ano vão se encontrar mais de 20 escritores latino-americanos, usando o bom portuñol, para debates acalorados e seguindo sempre o clima mais “informal” do evento. Se você também não foi à FLIP pode conferir este evento totalmente gratuito em São Paulo. Se está em outra cidade pode acompanhar nesta janela de vídeo aí a baixo a transmissão ao vivo e nosso Twitter.

Daniel Possa




O primeiro Nobel em português

Publicado em 28 de julho de 2008, às 2:33. | 1 Comentário

Artigo sobre Cinema, Literatura.


Não devo ser a única pessoa ansiosa para assistir a gravação de “Ensaio Sobre a Cegueira” feita por Fernando Meirelles. Desde que li este livro escrito por José Saramago já imaginava alguma estória cinematográfica correndo no meio da narrativa. Estória, se é que se pode chamar de fictício esse relato tão perfeito do mundo contenporâneo.

Saramago é o maior escritor vivo da língua portuguesa, o primeiro Nobel de Literatura de nossa língua. Eu poderia passar horas aqui falando sobre ele ou sobre o filme, deixo então alguns vídeos falarem por mim. Primeiro o trailler em inglês do filme, conhecido internacionalmente como Blindness (já falamos dele aqui antes); depois a bela reação de Saramago após assisti-lo. Por último as duas partes de uma entrevista feita com Saramago em sua casa.

Trailler de Blindness
Reação de Saramago ao filme
Entrevista com Saramago - parte 1
Entrevista com Saramago - parte 2

Daniel Possa




Pra não dizer que não falei da FLIP

Publicado em 10 de julho de 2008, às 2:33. | 1 Comentário

Artigo sobre Literatura, Turismo.


Paraty - RJ
Baía de Paratí - estado do Rio de Janeiro

A FLIP - Festa Literária Internacional de Paraty - chegou agora em 2008 a sua 6ª edição. Da primeira edição até este ano o evento cresceu bastante, tanto que o Ministério do Turismo elegeu a cidade como referência em turismo cultural dentro do Plano Aquarela. Este planejamento define as bases para divulgação do Brasil no exterior. O objetivo de colocar Paraty (RJ) como destino internacional tem funcionado principalmente durante o evento, prova disto é que uma cama de albergue chega a custar R$ 350 por dia nesta época do ano.

Talvez esse preço um tanto limitante e o fato de a festa ocorrer fora de feriado, em dias úteis, deixe aquele clima mais refinado na cidade. Só aparecem aqueles que estão realmente ligados de alguma forma à cultura literária. Pude comparecer a uma edição passada e desta vez acompanhei o evento por relatos de blogueiros. O Blog do Tas entrevistou Liz Calder, a fundadora do evento literário. Uma das perguntas foi exatamente sobre o crescimento do evento nos últimos anos e o futuro da festa, ela respondeu: “Pois é, o mundo inteiro só pensa nisso: é uma espécie de fome para ficar cada vez maior. De ficar grande, gordo. É uma epidemia. Uma obsessão de crescer a qualquer custo sem se importar com o rumo das coisas. Eu não, penso que a sabedoria é saber a hora de parar de crescer”.

Bom lembrar ainda q o “F” do nome não é de feira, é de festa, uma Festa da Literatura. É neste clima que o evento se consagrou. Este ano comemora-se ainda o centenário de morte de Machado de Assis como tema central. Não sei que felicidade pode haver na morte de Machado de Assis, mas o importante é que o crítico Roberto Schwarz, que é grande especialista na obra machadiana, iniciou o evento com uma palestra sobre o tema. Ao final este dia se completou com o show de Luíz Melodia.

Roberto Schwarz na FLIP 2008
Roberto Schwarz na abertura da FLIP 2008 

Depois desta abertura em grande estilo a festa se divide em várias mesas de discussão reunindo grandes nomes da literatura. Desde brasileiros como Xico Sá (já citado aqui no Vereda antes) e Humberto Werneck, até grandes estrangeiros como Neil Gaiman e Sir Tom Stoppard. Deixo a baixo o vídeo de um fragmento da mesa entre Stoppard e Luís Fernando Veríssimo, um grande momento.

Luís Fernando Veríssimo pergunta a Tom Stoppard

Ao caminhar da festa o clima de Paraty vai sendo completado por sessões de cinema, atividades ao ar livre, oficinas, shows e performances. Se você, assim como eu, quer saber um pouco mais do que perdeu e já começar a se preparar para o ano que vem, dê uma passada pelo Blog Recortes da FLIP 2008 e pelos posts sobre o evento no Blog do Tas, que cobriu o evento este ano. Para saber notícias do evento do próximo ano entre no site oficial da FLIP, mas acho que ainda vai demorar um pouquinho.

Daniel Possa




O Colecionador de Pedras

Publicado em 6 de maio de 2008, às 14:55. | Deixe um comentário!

Artigo sobre Blogosfera, Literatura.


Sérgio Vaz
Alguns versos de Sérgio Vaz têm repercutido bastante na internet. Procurei um pouco sobre o autor e gostei bastante do que vi. Poesias doces e duras misturadas com rimas que levam influências do movimento Rap. Sua marca registrada é o inconformismo com as diferenças, participando ativamente de movimentos sociais e sendo conhecido como um soco no estômago para enxergar a realidade. Para conhecer um pouco mais sobre ele acesse em seu site e blog - O Colecionador de Pedras. Segue um de seus poemas que virou poemaclipe no YouTube, dica do blog Música & Poesia.

Porém
Sérgio Vaz

Queria ter vivido melhor,
Porém a mediocridade sempre me foi farta e generosa
Nos caminhos que escolhi para viver.

Queria ter sido mais alegre,
Porém a tristeza sempre foi companheira fiel
Nos dias intermináveis de abandono.

Queria ter amado mais as pessoas que conheci
Ou que fingi conhecer,
Porém na maioria das vezes, eu também não me conhecia.

Queria ter andado mais livre,
Porém, algemado à ignorância, perdi muito tempo
Tentando voar sem sequer saber andar.

Queria ter lido mais livros,
Porém, analfabeto de ousadia, passei muitos anos
Enxergando pelos olhos adormecido de outras pessoas.

Também queria ter escritos mais poemas
Do que bilhetes pedindo desculpas,
Porém, as palavras sempre me vieram como culpa
E não como estrelas.

Queria ter roubado mais beijos e abraços
Das meninas que andavam desprotegidas,
Protegidas pela magia da infância,
Porém, cresci muito cedo, e a timidez sempre me foi
Uma lei muito severa a ser cumprida.

Queria ter pensado menos no futuro,
Porém, o passado simples nunca foi o melhor presente
E a eternidade sempre me pareceu coisa de gente que tem
[preguiça de viver.

Queria ter sido um homem mais humilde
Porém, a vaidade e a ganância sempre me cercaram
De mimos e coisas que até hoje não sei para que serviram.

Queria ter pregado mais a paz,
Porém, como um covarde, gastei muita munição tentando
[atingir amigos e
desconhecidos que não usavam coletes à prova de balas
[nem blindados no coração.

Queria ter sido mais forte,
Porém rir dos vencidos e bajular os mais ricos
Sempre me pareceu o caminho mais curto
Para o esconderijo secreto das minhas fraquezas.

Queria ter dito mais a verdade,
Porém a mentira sempre foi moeda de troca
Para comprar o respeito e a admiração das pessoas fúteis
De almas vazias.

Queria que o mundo fosse mais justo
Porém, avarento de nascença, fui o primeiro a esconder o sol
[na palma da mão, antes que o vizinho o fizesse.

E mesquinho por vocação escondi as noites com lua
Para que os poetas não a cortejassem.

Queria ter dito mais besteiras,
Porém fui desses idiotas amantes das proparoxítonas
E sujeito oculto nos bate-papos de botecos de esquinas,
Onde a vida não acontece por decreto.

Queria ter colhido mais flores,
Porém o medo de espinhos afugentou a primavera.

E outono que sempre fui,
plantei inverno quando a terra pedia verão.

Hoje queria ter acordado mais cedo,
Porém temo que pra mim
Seja tarde demais.

Daniel Possa




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