Carnaval 2010 no Rio

Publicado em 30 de março de 2010, às 00:03. | 1 Comentário

Artigo sobre Cultura Popular/Folclore, Livros, Turismo.


Santa Tereza, após o Bloco das Carmelitas. Foto: Olegário A. Filho
Santa Tereza, após o Bloco das Carmelitas. Foto: Olegário A. Filho

Não imaginava. Claro! Bombardeado pela mídia, era de se esperar que o Carnaval do Rio se resumisse à Sapucaí. Mas não é bem assim. Cidade enfeitada, muita gente fantasiada. Clima de festa. Centenas de blocos pelas ruas e avenidas. Essa é a cara do carnaval de rua do Rio de Janeiro: uma festa bastante democrática.

Fiquei sabendo disso quando amigos meus voltaram da folia de 2009, falando o quanto era bom brincar nas ruas cariocas. Isso somado ao cancelamento do Carnaval em São Luiz de Paraitinga, não me deixou dúvidas em escolher uma festa diferente das milhares existentes por ai: onde um monte de gente leva seu carro para fazer competição de som… enfim, aqueles que não diferem em nada. Estava decidido: Rio de Janeiro.

Uma das peculiaridades de lá é que tudo começa cedo, às 7… 8 horas da manhã e dura o dia todo. Ao anoitecer você já está quebrado de tanto pular atrás de bloco e não vê a hora de descansar, afinal às 7h já tem bloco de novo! Como é uma grande cidade, é claro que tem várias coisas para se fazer à noite, mas a proposta não era esta.

Multidão atrás do Bloco das Carmelitas. Foto: Olegário A. Filho
Multidão atrás do Bloco das Carmelitas. Foto: Olegário A. Filho

Tinha turista, mas não era aquela coisa de só ter turista. Estava lotado de cariocas. A folia é feita para e pelos moradores de lá. Isso atualmente é um enorme diferencial para o Rio, afinal tem tanta festa por ai que tem o simples objetivo de agradar aos turistas. Apesar da Prefeitura burocratizar a espontaneidade, pois era preciso solicitar autorização antes do dia 30 de agosto do ano anterior, os blocos existiam porque os foliões queriam ir pra rua, brincar o carnaval, pouco importando se tinham forasteiros ali ou não.

Foliões concentrados para a Orquestra Voadora. Foto: Lara Baggi
Foliões concentrados para a Orquestra Voadora. Foto: Lara Baggi

Não vi nenhuma briga. Uma amiga carioca disse que isso é mais comum em blocos da Zona Sul. Segundo ela, por eu ter ficado mais por Santa Tereza, Centro não era tão estranho. Mas pra mim, um paulista que passou inúmeros carnavais durante a adolescência no litoral paulista, não ver uma confusão é algo de se espantar!

Do alto, foliões viam a Orquestra Voadora. Foto: Olegário A. Filho
Do alto, foliões viam a Orquestra Voadora. Foto: Olegário A. Filho

Também não vi nenhum assalto, roubo, furto etc, mas vi vários policiais absurdamente armados, mostrando que há apenas uma trégua na guerra habitual. Talvez, parte daquela faxina pra receber as visitas, afinal teremos Copa do Mundo, Olimpíadas…

O Rio de Janeiro mesmo com todas as suas contradições é encantador. Se você não acha, leia o livro Carnaval no fogo, de Ruy Castro. Indico, mas ainda não o li. É que depois do relato do adolescente paulista que leu o livro em uma madrugada e de manhã pegou um ônibus para o rio, já coloquei na lista dos próximos.  Depois que eu ler, falo dele aqui.

Marcel Nicolau (trombone), Orquestra Voadora. Foto: Olegário A. Filho
Marcel Nicolau (trombone), Orquestra Voadora. Foto: Olegário A. Filho

Outra leitura (mas essa eu li!): um guia feito há uns anos chamado Guia do Carnaval de Rua do Rio de Janeiro. Além de falar um pouco sobre vários blocos, também traz um histórico das comemorações na cidade: os cordões, os ranchos, Grandes Sociedades, escolas de samba e o apoio do governo de Getúlio… fala até da adesão de dom Pedro II no entrudo. Muito bom para esse primeiro contato, mas por ter sido feito em 2007 e para o carnaval daquele ano, abstraia as datas (programações). Deveria ser algo mais perene, mas mesmo assim vale a leitura.

Resumindo, se é que se pode resumir: foi muito bom! Muito bom ver a marcha alegre se espalhando na avenida e insistindo. Muito bom cantar muita marchinha. Muita! Na saída de um bloco, voltávamos de metrô e o vagão todo cantando: “Ô ô ô ô, Aurora…”. Era a cidade toda enfeitada pra ver o Carnaval passar. Incrível como o povo de uma grande cidade mantém seus porquês de uma festa popular pra si mesmo. Que me perdoem Luiz Melodia, os Titãs e companhia, mas eu fico triste quando acaba o carnaval.

Olé




Cinco bibliotecas de São Paulo – ( roteiros #456SP )

Publicado em 29 de janeiro de 2010, às 19:48. | 3 Comentários

Artigo sobre Academia, Livros, Turismo.


Parte interna no prédio da FAU-USP, por Nilton Suenaga
Parte interna no prédio da FAU-USP. Foto: Nilton Suenaga.

Demorei bastante para entender o poder que as bibliotecas exercem sobre nós. Aquela imagem clichê (geralmente também associada aos museus) de muito pó, almoxarifado e de nem poder se movimentar direito sem ouvir um “shiu!” ficou por muito tempo em minha mente. Acho que a paixão por um livro, depois outro, e mais um… acabou fazendo com que uma biblioteca passasse a ser para mim um paraíso.

Em São Paulo existem muitas bibliotecas, e por isso pensei em fazer um roteiro com bibliotecas que são abertas a todos, mas não há muita divulgação sobre sua existência e seu conteúdo. Então, resolvi listar cinco bibliotecas da USP: quatro que já existem e uma que ainda não foi inaugurada: FFLCH, ECA, FAU, Brasiliana e do Museu Paulista.

FFLCH: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
É a maior delas. Seu acervo é gigante e muito denso. É difícil não encontrar algum livro de humanas ali. São três andares de livros, teses, revistas científicas, mapas etc. Destas bibliotecas, talvez seja menos agradável de passar algum tempo lá lendo devido à “iluminação de escritório”. Sítio.

ECA: Escola de Comunicações e Artes
Além de muitos livros sobre Comunicações, há um bom acervo de peças de teatro, e uma sessão de multimeios, com filmes difíceis de encontrar e ótimos CDs de música. Se estiver em um grupo pequeno, é possível assistir os filmes em uma pequena sala escura. Durante o ano letivo, não é aconselhável ler ali às quintas-feiras à noite, pois os alunos realizam semanalmente a tradicional “Quinta i Breja” próxima à biblioteca, e o som pode atrapalhar um pouco a concentração. Sítio.

FAU: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
A mais charmosa de todas. Só pelo fato de estar no prédio tombado de Artigas e seu acervo ser focado em arquitetura já bastaria para chamar a atenção. Tem iluminação muito aconchegante e suas mesas (com luminárias individuais) estão bem dispostas entre as estantes e sua parede de vidro, que dá vista para a parte interna do edifício. Ah, barulho não é privilégio de outras bibliotecas, afinal isso faz parte do cotidiano estudantil. Pode ser que alguma festa organizada pelos alunos, ou um evento no auditório, esteja acontecendo e cause incômodo. Sítio.

Brasiliana
Sua construção ainda acontece no Campi Cidade Universitária, mas já desperta desejos entre os fãs de livros sobre o Brasil. Foi uma doação do famoso bibliófilo José Mindlin, ex-aluno da USP que resolveu doar o acervo à universidade. Está sendo erguido um prédio só para ela, que é recheada de raridades. Para ir matando essa vontade e, principalmente, para qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo ter mais possibilidade de acessar seu conteúdo, livros raros estão sendo digitalizados e colocados na internet. Sítio.

Museu Paulista da USP (ou popularmente conhecido como “Museu do Ipiranga”)
Longe da Cidade Universitária, no meio do Parque da Independência, o que não falta é tranqüilidade à centenária biblioteca, que é bem arejada tem ambiente muito agradável. Seu foco é História, tendo muitas obras sobre o Brasil e especificamente sobre São Paulo. Sítio.

Espero que aproveite o roteiro que pode ser feito em um dia, mas também durar uma vida inteira.

Boas descobertas!

Olé




Semeando rios

Publicado em 11 de agosto de 2009, às 00:38. | Deixe um comentário!

Artigo sobre Festivais, Literatura, Livros, Teatro.


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Um dos critérios para avaliar uma peça infantil é perceber o quanto as crianças avançam em direção ao palco no decorrer da apresentação. Manter a atenção dos pequenos é para poucos, mas a tarefa parecia muito simples para o grupo Coletivo Teatral Sala Preta, que apresentou a peça O Cascudo Douradinho em: Amiga Lata, Amigo Rio, ao final da Flipinha 2009 (programação infantil da FLIP).

coletivo_sala_preta_douradinho_flip2009_6458O texto surgiu do livro (quase homônimo) Amiga lata, Amigo Rio, de Thiago Cascabulho. Tanto em um como em outro (claro!), a estrutura que dá vida aos rios é bem mastigada para que o público entenda bem como poluímos tanto o meio. Uma das questões mais importantes apontadas é que enquanto somos pequenos, somos críticos e repudiamos esse modo, mas quando crescemos esquecemos a maneira como pensávamos. Reflexão importante também para quem é novo na categoria “adulto”, já que a “sustentabilidade” entrou em pauta há pouco tempo na sociedade, tema pouco comum no currículo escolar dos mais velhos (esse histórico parece ser melhor discutido no livro Educação Ambiental: princípios, história, formação de professores, de Fábio Cascino, 1999 e no capítulo 5 da tese de mestrado Pedra da Miraguaia: Tema gerador de atividades pedagógicas em Educação Ambiental de Ana Matilde da Silva, UNIVALI, 2006).

capa_amiga_lata_amigo_rio1Tudo isso já rendeu ações que saem do campo literal: o Projeto Douradinho, que além de levar a consciência ambiental com o trabalho da pedagoga Anésia Gilio, também estimula a leitura com a distribuição do  livro nas escolas.

Quem quiser conhecer o livro, o projeto e o grupo de teatro acesse as respectivas páginas abaixo:

Livro e projeto pedagógico: Projeto Douradinho.
Coletivo Teatral Sala Preta: salapreta.wordpress.com
Thiago Cascabulho (autor do lvro): blog

coletivo_sala_preta_douradinho_flip2009_6441

Até mais!

Olé




Por que Paraty?

Publicado em 8 de junho de 2009, às 00:07. | 2 Comentários

Artigo sobre Cultura Popular/Folclore, Festivais, Literatura, Livros, Patrimônio, Turismo.


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Em menos de um mês, acontecerá um dos mais esperados encontros literários: a FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty). Não é como algum evento de inverno em Campos do Jordão aparenta ser: vazio, onde se tem a impressão de que muitas pessoas vão apenas para ostentar. Essa festa é uma ótima oportunidade para conhecer gente interessante, desde os autores e palestrantes até o público do evento.

Por que Paraty? Paraty tem um conjunto arquitetônico rico, foi um dos grandes portões de entrada do Brasil e viveu seu auge no período aurífero. Estagnou no tempo. O que trouxe a região (litoral Sul do RJ até o Litoral Norte de São Paulo) novamente para o mapa brasileiro foi a estrada Rio-Santos (anos de 1950). E isso ajudou Paraty a cultivar lendas e tradições em tal ambiente de outros tempos, com pouquíssima interferência desenvolvimentista dos grandes centros. Assim como na Biologia, é uma relação de protocooperação: ao mesmo tempo em que a FLIP traz aspectos de requinte intelectual à cidade, a cidade dá ambiência de séculos passados ao evento.paraty021

Então, não é nada inteligente ir para a FLIP sem o conhecimento razoável de Paraty. Não só a história oficial contada por séculos, mas também seus contos passados pela oralidade. Por isso, recomendo o livro Paraty – Encanto e Malassombras, de Thereza e Tom Maia.

paraty_encantos_malassombras3Esta obra é resultado de pesquisa realizada entre os anos de 1973 e 2005. Pelo nome, pode dar a impressão de que tem muitas páginas com as “malassombras”, mas não. Ele é um “guia cultural” com a história da cidade, pequena descrição sobre as festas, bibliografia (boa lista de referências para outros estudos) e histórias contadas por moradores envolvendo alguns pontos da cidade. Estas últimas foram escolhidas por serem as mais repetidas “dentre as mais de sessenta fitas gravadas” em campo. Também há muitas coisas em inglês. Isso tudo dá corpo às 166 páginas do livro.

Farinha de Suruí
Aguardente de Parati,
Fumo de Baependi,
É só comê, bebê, pitá e caí.

Os autores são o casal Thereza e Tom Maia, que se apaixonaram pela cidade desde a primeira visita em 1958. Junto com outras pessoas, também são responsáveis pela fundação do Instituto Histórico e Artístico de Paraty. Outra obra que parece ser bastante interessante deles (ainda não li) é Paraty – Religião e Folclore, premiada pelo MEC. Isso mostra o quanto se dedicaram pela memória material e imaterial da cidade.

foto de Gláucio Dutra Rocha
Foto de Gláucio Dutra Rocha

Caso não esteja com sono durante a madrugada, vale pegar o livro e dar uma volta pela cidade procurando “os seres da noite”. Com certeza a FLIP será outra depois de encontrar o “Coveiro Ladrão” ou talvez a carruagem de Dona Geralda…

Boa festa!

Olé

PS: Este documento pode ajudar, caso não encontre o livro até a FLIP.

Crédito da última foto: Gláucio Dutra Rocha.




Desvendando estantes alheias

Publicado em 31 de maio de 2009, às 23:02. | 2 Comentários

Artigo sobre Literatura, Livros, Shows.


Algumas amigas resolveram montar um grupo de leitura. Como todos temos vidas atarefadas, o ideal seria cadastrar as obras na internet para que pudéssemos trocá-las. Puro compartilhamento de estantes! Mas estávamos com uma grande dificuldade em fazer isso de maneira fácil e acabou ficando um pouco esquecido.

Mas nem tudo estava perdido! Uma delas, a Tauana, nos apresentou neste fim de semana o Skoob! É uma rede social de leituras. Nela você pode dizer quais livros leu, avaliá-los, dizer os que está lendo, resenhar, expor sua estante, dizer os que deseja, seus favoritos, os emprestados, os que quer trocar… Até diz se as pessoas têm um perfil de leitura parecido, tudo baseado nos cadastros de livros, avaliações etc.

Uma ótima ferramenta para fazer com que as pessoas leiam mais!

Pra mostrar como o Skoob está a todo vapor, alguns números extraídos do blog do serviço:

524.738 quantidade de livros lidos pelos usuários do Skoob.
18.337 quantidade de livros que estão sendo lidos.
109.119 quantidade de livros que ainda serão lidos.
1.381 quantidade de usuários relendo um livro.
9.114 quantidade de leituras abandonadas.

Top 3 dos livros mais lidos no momento:
1 – A menina que roubava livros (310 – leitores)
2 – A Cabana (207 – leitores)
3 – Eclipse (178 – leitores)

Top 3 dos livros mais abandonados:
1 – O Mundo de Sofia (290 – abandonos)
2 – A menina que roubava livros (115 – abandonos)
3 – O Código Da Vinci (105 – abandonos)

Top 3 dos livros que os usuários mais querem trocar:
1 – O Código Da Vinci (20 – querem trocar)
2 – O caçador de pipas (13 – querem trocar)
3 – O Monge e o Executivo (12 – querem trocar)

Os desenvolvedores já adiantaram através do twitter que mais novidades virão e tornarão ainda melhor a sua navegabilidade. Quem sabe se não adicionam links para livros raros  (ou de domínio público) que estejam em pdf. Uma parceria com a Brasiliana USP seria sensacional! (Assista a esta reportagem também).

Ah, o sítio é em português, mas permite o cadastro de obras em outras línguas.

Tenho certeza que irá pegar (pelo menos entre os que gostam de ler). E tem tudo para impulsionar quem não tem o costume. É a internet nos fazendo ficar cada vez mais offline.

Boas leituras!

Olé






Fotos via Flickr Feed Flickr Vereda Estreita

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