O Preço do Inestimável
Publicado em 22 de agosto de 2008, às 0:19. | Deixe um comentário!
Artigo sobre Cinema, Música.
Post rápido com uma dica do É Isso. O filme curta disponível no Vimeo chamado “The Archive”, do diretor Sean Dunne. Ele conta a história do homem que completou a maior coleção de discos do mundo. Ele tem mais de 1 milhão de discos em vinil e o dobro disto só em singles.
Só que apesar de guardar discos raros e de valor histórico, sua coleção corre o risco de acabar. Ele está doente e não consegue passá-la para frente, mesmo cobrando apenas 3 milhões de dólares por toda a coleção. Veja o filme e confira o valor real deste tesouro que ele juntou por toda a vida. O filme está em inglês, vou ficar devendo as legendas, mas é bem fácil de entender e o filme em sí é muito bom.
Daniel Possa
Um ano sem Los Hermanos
Publicado em 13 de maio de 2008, às 3:14. | 10 Comentários
Artigo sobre Música.

Já faz um ano que o grupo decretou o fim temporário da banda. O argumento principal é que se trata de um tempo sabático, onde os integrantes foram se dedicar a outros projetos, outros trabalhos e, principalmente, outras idéias de música. Alguns dizem que esse recesso temporário pode ser mesmo o término da história dos Los Hermanos, eu prefiro acreditar que ainda vou poder conferir um show da banda nos próximos anos. Enquanto isso não acontece vou acompanhando com um pouco menos de entusiasmo o que os integrantes têm feito separadamente.

Dos quatro o que mais tem aparecido é Rodrigo Amarante, atualmente integrante da Orquestra Imperial que pude conferir na Virada Cultural. O som dessa nova banda é bem interessante, faz referência às típicas orquestras de gafieira e o som lembra um pouco músicas dos Los Hermanos. Amarante conta com duas músicas no novo CD da Orquestra, “Carnaval só ano que vem” (confira aqui).

O Baterista Rodrigo Barba tem tocado em duas bandas cariocas, o Latuya e o Canastra, vale a pena conferir o MySpace dessas duas bandas e ouvir um pouco o som: MySpace - Canastra e MySpace - Latuya. O Canastra é uma Banda que já tinha um tempo de estrada e Barba entrou no final do ano passado para completar o espaço vago que havia na bateria, eles tocaram no Vegas em São Paulo no último dia 1º.

Bruno Medina por sua vez não tem aparecido muito. Tudo o que sei sobre seus trabalhos recentes é que ele tem feito discotecagens pela noite do Rio e que escreve em seu blog, o Instante Posterior. É interessante também, vale conferir.

O emblemático Marcelo Camelo já declarou que para ele esse tempo tem servido como férias. E assim tem feito desde o ano passado, as vezes aparece aqui ou alí, mas sua atividade musical pelo visto está mesmo de férias. Semana passada lançou uma nova música em seu MySpaces, ele já tinha uma chamada “Teo e a Gaivota”, que é uma composição instrumental, e agora coloca a música “Doce Solidão”. Logo diseram que a música mostrava a saudade que ele sentia da banda, não sei, mas deixa mesmo essa impressão no ar. Confira aqui.
Por fim podemos dizer que se esse foi mesmo o fim dos Los Hermanos eles vão deixar saudade. Nesse percurso desde o primeiro disco com a música “Anna Júlia”, o grupo teve personalidade para deixar de lado esse estrondoso sucesso e se dedicar à estética que queria. Trocou de gravadora, persistiu na mesma linha do segundo CD “Bloco do Eu Sozinho” e lançou outros dois, o “Ventura” e “4″.

A atitude da banda era clara e gerou até um olho roxo para Camelo quando encontrou Chorão (do Charlie Brown Jr) em um avião. O Hermano havia dito em uma entrevista que atitude não se vendia em garrafa, como prometia o Charlie Brown Jr em uma propaganda para a Coca. Essa personalidade do Los Hermanos demorou a ser percebida pela grande mídia. Muitas eram as entrevistas aplicadas por jornalistas mal informados, que insistiam em “Anna Júlia” e acabaram gerando vídeos cômicos no YouTube. Um deles acaba até por chamar Marcelo “Campelo” e perguntar se conferiu o show do Charlie Brown. Confira alguns destes vídeos: 1, 2, 3 e 4. E um vídeo bem no início da banda quando foram expulsos do programa do João Gordo pelo próprio.
Deixo em apresentação direta aqui no post mais três vídeos, o da última apresentação pública da música “Ana Júlia”, feita em rede nacional pelo Faustão, quando a banda afirmou que não voltaria a tocá-la (não reparem no apresentador falando durante a música). E dois vídeos de uma entrevista onde Marcelo Camelo fala um pouco sobre a banda, música e até o caso da briga no avião. Por último para quem nunca ouviu ou quer completar sua coleção, baixe aqui os álbuns dos Los Hermanos.
Última apresentação de Anna Júlia
Entrevista de Marcelo Camelo no Sem Censura (Parte 1)
Entrevista de Marcelo Camelo no Sem Censura (Parte 2)
Daniel Possa
A Virada de cada um
Publicado em 30 de abril de 2008, às 1:15. | 1 Comentário
Artigo sobre Literatura, Música, Shows.
A Vidada Cultural é um daqueles eventos em que a variedade de atrações impossibilita qualquer consenso quanto a um roteiro de coisas a se ver. Por isso mesmo cada qual que escreve aqui seguiu seu rumo e eu preferi seguir o meu próprio também.

Casa das Rosas - Av. Paulista, 37
Minha Virada Cultural começou com um recital de poesia na Casa das Rosas. Um clima mais intimista, cadeiras para se sentar e um silêncio profundo no casarão para ouvir os autores recitarem seus poemas do palco montado na sala. Passado um certo tempo a calma é repentinamente quebrada com os risos frente aos poemas eróticos de Xico Sá. Logo penso que seria ótimo poder viver aquele ambiente em outros tempos que não apenas na Virada. Para mim toda essa estrutura entre sábado e domingo serve exatamente para isso, fazer o paulistano conhecer melhor os atrativos de sua cidade e passar a freqüentar mais esses pontos de interesse. Saindo, recebi na porta a programação da casa para o próximo mês, muitos cursos interessantes com inscrições por R$ 10 e recitais que pretendo retornar para ver. Xico aproveitou a oportunidade ainda para mostrar um de seus último poemas (disponível em seu blog - O Carapuceiro) feito em homenagem ao Padre Adelir, mais conhecido como o Padre dos Balões.
Rondó do Padre Voador
de Xico Sá
“Ô vontade de fazer como o padre dos balões coloridos
E pelos ares dar um belo perdido
E cair vivo beeeeem distante
Como um Walt Whitman delirante
Mesmo que na ilha
não tenha sequer um radinho de pilha
O que vale é virar um Robinson Crusoé
…só pra ver qualé, mané!
Mesmo que lá não tenha futebol
E os deuses brinquem de chutar o sol
Mesmo que não tenha puteiro…
Me acabo na mão feito colher de pedreiro
Dou um belo balão no cartão visa
E vou viver de flozô e brisa
Recitando Vinícius e Bandeira
Para a minha mulher-bananeira
Ô vontade de fazer como o padre maluco
E cair direto na Aurora, Recife, Pernambuco
Porque mais vale um vigário voando
Do que dois ateus vagabundos
Mesmo que nos ares vire uma noviça
E dê até para o coroinha da missa
Ô vontade de ser o padre perdido
que deu um balão em Jesus Cristo
Quem me dera a coragem do vigário
E eu deixasse mesmo de ser otário.
Saísse de vez do plano terreno…
Pense!, imagine, meu caro John Lennon!”

Palco Santa Ifigênia
A calma do interior da Casa repentinamente foi quebrada pela multidão que se aglomerava no jardim esperando por Tom Zé. O show atrasou bastante e eu precisava seguir para a Av. São João para ver o Zé Ramalho. O Metrô aberto durante toda a noite ajudou bastante na locomoção. Chegando ao Centro começa a parte mais legal de toda Virada: poder andar por lá durante a noite sem muitos dos problemas habituais. A gente se acostuma com certas coisas e fica acomodado de não poder freqüentar certas regiões da cidade, o centro é bem mais bonito à noite. Se acendem as luzes dos postes de época e a iluminação dos monumentos dá aquele ar nostálgico que gostaríamos de ver todos os dias.

Show do Zé Ramalho - Palco da Av. São João
O Zé Ramalho entretanto foi muito conturbado. O Show começou pontualmente, mas precisei me espremer bastante a ponto de desistir da vista privilegiada na proximidade do palco para ir para um lugar mais calmo. De longe o som estava bem ruim e isso se seguiu durante o show dos Mutantes, acabei indo conferir as outras atrações.

Silent Disco no Mosteiro de São Bento
De longe o Silent Disco foi o que mais me chamou a atenção. De frente para o Mosteiro de São Bento centenas de pessoas dançavam loucamente no silêncio, a pista toda colorida contrastava com o cinza do Mosteiro e os fones de ouvido tocavam todos o mesmo som do DJ Holandês. A fila era grande mas valia a pena enfrentá-la por algum tempo naquela experiência excêntrica.

Lixo acumulado no Centro
Fiquei sabendo durante o evento que a quarta Virada Cultural é o terceiro evento mais importante do estado de São Paulo, perdendo apenas para o Grande Prêmio de Fórmula 1 e para a Parada Gay. Se movimenta a economia e o Centro ganha vida durante a Virada, seria ótimo se fosse assim sempre. O amanhecer entretanto revelou o verdadeiro saldo do evento, pilhas de lixo espalhadas pelo chão, pichações, postes e utensílios públicos depredados, um forte cheiro de urina e pessoas jogadas pelos cantos (e não eram os moradores de rua de sempre). É visível o interesse do público por eventos como esse, mas falta um pouco de planejamento e áreas próprias para shows em São Paulo. Shows de rua com milhões de pessoas são feitos para dar errado: se incomodam os moradores, se sujam as ruas em que se trabalha no próximo dia e se estraga o nosso já tão degradado Centro. A Virada vale 24h acordado pelas atrações, mas o saldo para a cidade continua sendo negativo.
Daniel Possa
p.s.: Confira mais fotos e vídeos da virada em nosso Flickr e YouTube, ou no Flickr da Virada Cultural 2008.
Tá chegando a hora…
Publicado em 1 de abril de 2008, às 13:51. | 1 Comentário
Artigo sobre Cinema, Dança, Exposições, Música, Shows, Teatro.
Mais um ano se passa. Conto os dias desde o último evento: a Virada Cultural! “Das 18h do dia 26 às 18h do dia 27 de abril” teremos um dos eventos mais aguardados no campo cultural aqui na cidade de São Paulo.
Muitas pessoas relacionam a última edição apenas à grande confusão que aconteceu na Praça da Sé, às atrações superlotadas… e provavelmente hesitarão em ir. É importante que essas pessoas entendam que operar um evento desta magnitude é bastante complicado. Só espero que ninguém desista por causa dos problemas do ano passado.
A programação oficial ainda não saiu e o site oficial não está pronto. Mas o SESC já se adiantou e divulgou em seu site os eventos que acontecerão em suas unidades. Acesse por aqui.
Então, agora é hora de analisar esta parte da programação e começar a traçar um roteiro prévio.
Até mais!
Olé
Carnavalizando
Publicado em 3 de março de 2008, às 16:17. | 1 Comentário
Artigo sobre Cultura Popular, Folclore, Música.
Acredito que nada do que tive no meu carnaval caberia aqui. A não ser pelo próprio fato de ser Carnaval, esta festa tão antiga, tão característica do nosso país… Então, foi que conversando com o Dr. Ivan, pai de um grande amigo, conheci um pouquinho do frevo. Ele mostrou-me vários cds que tinha ganhado de seus familiares que moram no Nordeste.
Percebi que o frevo vai muito além da parte da música Vassourinhas e de alguém pulando com um guarda-sol na mão. Essa imagem passada pelos meios de comunicação de massa acaba vulgarizando toda a magia do frevo, escondendo as várias vertentes dele. Não que esta cena seja um problema, mas resumir tudo nesta imagem é algo extremamente triste para a cultura brasileira.
Eu queria poder copiar todos aqueles CDs (frevo, forró…), mas não tinha tempo hábil para isso. Então, o que me restou era procurar na internet sons, textos e imagens sobre.
A primeira coisa a encontrar foi um blog que tem CDs completos de frevo. Aliás, vou fazer um post sobre este tipo de blog que dissemina cultura… Achei o CD do Galo da Madrugada, bloco carnavalesco de Pernambuco. Este texto excelente está no encarte do CD (parece ser da autoria de Gustavo Krause):
A minha vida é regida por dois calendários. Um é o tradicional calendário gregoriano que me faz contar os dias no ritual de envelhecer. O outro é um calendário sentimental que me faz dividir o ano em dois tempos: o antes e o depois do Galo da Madrugada, que se fundem magicamente na mesma contagem regressiva. São trezentos e sessenta e quatro dias de uma saudade em bloco.
A saudade do que foi e a saudade do que está pra ser. É assim a minha longa espera para a chegada do fugaz sábado de Zé Pereira. E que, quando chega, misturo uma santa devoção à mais profana liturgia sabática deste país carnavalizado: O Galo da Madrugada. Entro de alma leve e lata cheia na mais “ofegante epidemia” da epidemia chamada Carnaval.
Meto a cara na minha cara sem a (más)cara das convenções. Enxergo na palavra de ordem-escrita no pentagrama.
- Ei, pessoal, Vem Moçada – as cores da alegria. Mastigo poeira e sol. Bebo suores. E embriagado de folia, sou sábado. Sou Galo. Sou Fantasia
EVOÉ!
Procurando na faculdade por um livro sobre Frevo, achei este aqui que parece ser muito interessante:
Do frevo ao manguebeat
José Teles
Editora 34
Um trecho deste livro que está em seu verso: “Em um depoimento sobre Capiba e Nelson Ferreira, o maestro Guerra Peixe (uma apaixonado pela música pernambucana) declarou sobre a complexidade do frevo: ‘Antes de mais nada, o compositor de frevo tem que ser músico. Tem que entender de orquestração’. Já para o mestre Capiba, o frevo é um dos gêneros de música popular mais criativos do mundo e, em determinada ocasião, se baseou nele para compor uma peça para o Quinteto da Filarmônica de Berlim. Os instrumentistas não conseguiram tocar e responderam: ‘Infelizmente, o senhor escreveu algo muito difícil e rápido demais para nós’.” José Teles
Ah, e eu preciso contar que neste fim de semana ganhei um belo presente. O Dr. Ivan esteve aqui em São Paulo e trouxe-me os CDs! Excelente!
Acesse o blog O Frevo.
Bom Carnaval fora de época!
Olé




















