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	<title>Vereda Estreita &#187; Editorial ou &#8220;O Blog&#8221;</title>
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		<title>Sob a ótica do sem-teto</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Apr 2012 07:53:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafaela Carvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[De dentro do prédio ocupado por pessoas sem moradia, vi o antes, o durante e o depois de uma das reintegrações de posse realizada no centro de São Paulo em fevereiro.<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://veredaestreita.org/2012/04/10/sob-a-otica-do-sem-teto/' addthis:title='Sob a ótica do sem-teto '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>
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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #000000;"><em><em>De dentro do prédio ocupado por pessoas sem moradia, vi o antes, o durante e o depois de uma das reintegrações de posse realizadas no centro de São Paulo em fevereiro</em>.</em></span></p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/17.jpg"><img class="alignnone  wp-image-3878" title="&quot;Pro olho da arrua&quot;" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/17.jpg" alt="" width="580" height="435" /></a>Foto: Rafaela Carvalho.</h5>
<p>Em dezembro de 2011, fui a uma ocupação de moradores sem-teto no centro de São Paulo para assistir a um <a title="YouTube: &quot;Sarau da Ocupação da São João&quot;" href="http://www.youtube.com/watch?v=yYrE2y1Vzsw" target="_blank">Sarau</a>. A visita me rendeu uma matéria em vídeo para a faculdade e curiosidade. Eu, que sempre passo pelo centro da cidade para fazer meus caminhos diários, nunca tinha reparado naquele prédio, que estava na minha frente todos os dias, mas para o qual eu não me dava o trabalho de olhar. E lá dentro tinha gente. E gente querendo ser ouvida.</p>
<p><span id="more-3820"></span></p>
<p>No Sarau, ouvi de uma jovem militante o significado de &#8220;ocupar&#8221; para ela: &#8220;É tomar para si&#8221;. Aquilo nunca mais saiu da minha cabeça. Principalmente ao perceber que eu não sabia fazer isso. Ou, no máximo, sabia fazer de uma maneira desinteressada. Não abraçava minha cidade como faziam aqueles ocupantes, que moravam no prédio da Av. São João.</p>
<p>Pouco tempo depois, ouvi do arquiteto Ciro Pirondi, um dos fundadores e atual diretor da <a title="Sítio oficial: Escola da Cidade" href="http://www.escoladacidade.edu.br/" target="_blank">Escola da Cidade</a>, que a cidade era violenta porque era vazia. Ninguém se apodera de algo que é de todos. &#8220;Para nós, a noção de segurança está em chegar em casa e trancar as portas. Melhor ainda se for em um condomínio fechado.&#8221;</p>
<p><strong><br />
Que cidade é essa?</strong><br />
Então, optei por mudar. Desde o começo do ano, uma das minhas resoluções para 2012 era bem simples: prestar mais atenção na cidade onde nasci, cresci e moro até hoje. Conhecer São Paulo, pelo menos um pouquinho, sem aquele olhar distante e encabrestado que a gente tem quando enxerga a cidade apenas como um espaço a ser atravessado, e não um lugar que se toma para si.</p>
<p>Um mês depois da meta estabelecida, soube da reintegração de posse que aconteceria em um dos prédios do centro da cidade, ocupado por pessoas sem-teto, liderados pela <a title="Sítio oficial: Frente de Luta por Moradia" href="http://www.portalflm.com.br/" target="_blank">Frente de Luta por Moradia</a> (FLM). Era uma ocupação vizinha à que eu havia visitado. Pensativa, atordoada e um tanto curiosa, saí de casa às 22h30 do último 1° de fevereiro. E rumei para o centro da cidade, munida de gravador, câmera, papel, caneta e uma bela cara-de-pau.</p>
<p>Tomada pelo receio de que tudo desse errado, pensei algumas vezes em recuar. Senti que estava sendo invasiva. Mas segui até o metrô República e, depois, à esquina mais famosa de São Paulo. Tive medo de qualquer coisa que a Polícia Militar pudesse fazer ao retirar os ocupantes do prédio que, pela Lei, não lhes pertencia. Tive medo de ver gente machucada.</p>
<p><strong><br />
Ipiranga x São João</strong><br />
23h. Do lado oposto ao Bar Brahma, o prédio que seria desocupado assim que amanhecesse era contemplado por algumas pessoas. Entre elas, alguém que me acompanharia madrugada adentro: Maria do Planalto. Mais tarde, eu descobriria que ela é uma das mulheres à frente da FLM.<br />
- Você mora no prédio que vai ser desocupado? &#8211; perguntei, assim que a vi.<br />
- Não. É que quando acontece uma desapropriação, eu, a FLM e os moradores das ocupações vizinhas prestamos solidariedade. Vamos passar a noite em claro aqui na ocupação ao lado. Quer vir junto?</p>
<p>Aceitei na hora. E rumei para um prédio da Ipiranga, vizinho àquele em que os moradores guardavam seus pertences.</p>
<p>Em menos de quinze minutos da minha chegada ao centro da cidade, eu já havia sido acolhida, já haviam me oferecido milho cozido e eu já estava conversando com moradores da ocupação vizinha. Fui avisada para ter cuidado com um vazamento na escadaria (&#8220;O encanador vem só semana que vem&#8221;, explicou Maria do Planalto) e que, se eu ficasse cansada, um quarto de visitantes estava pronto para me receber.</p>
<p>Num espaço que servia de sala, cozinha e área e lazer das crianças, conheci muitas mulheres à frente do movimento que luta por um teto: Maria Góes, com sono, mas não querendo dormir; Boazinha, que ajudava todo mundo em tudo; Teodora, de mais idade, na cozinha, ao lado da Luzia; Zezé, a mais ansiosa, esperando o amanhecer; no meio delas, apenas um homem: seu Batista, que aparentava uns 70 anos de idade. E que me definiu, na simplicidade de suas palavras, o que a Frente de Luta por Moradia busca:<br />
- Não queremos ficar ocupando prédios, quebrando cadeados pro resto da vida. Nosso sonho é poder pagar pela nossa própria moradia. Ter um lugar para viver.</p>
<p>Foi aí que me caiu a ficha: ninguém entra em um prédio para ficar ali para sempre. Ocupar lugares abandonados é a maneira desse movimento ser visto e levado a sério. É a maneira que eles encontram para ser vistos como pessoas que precisam de um lugar para morar. Na rua, são vítimas apenas de olhares tortos e da falta de atenção &#8211; inclusive do Estado. Num prédio que não lhes pertence, incomodam. São vistos, pelo menos.</p>
<p><strong><br />
Sentença de morte do pobre<br />
</strong>- Qual é a sensação de viver com uma bomba-relógio tiquetaqueando, sem você saber quando ela vai explodir?<br />
- Me quebra os braços e as pernas &#8211; respondeu para mim a Zezé -. É triste principalmente para as crianças. Ficar sem moradia é a sentença de morte do pobre.<br />
Olhando por uma janela para a Avenida Ipiranga, contei oito prédios desocupados no centro (entre eles, o famoso <a href="http://www.ipiranga895.outraspalavras.net/" target="_blank">Ipiranga 895</a>). Alguns, inclusive, com tijolos nas janelas e portas de entrada, para impedir que alguém entrasse ali novamente. Quantas sentenças de morte não foram proferidas ali, naquele tijolo-sobre-tijolo que colocou centenas de pessoas ao relento? Foi então que entendi o que a Maria do Planalto quis dizer quando nos contou que se orgulha de cada cadeado quebrado e prédio ocupado. Mas também disse que a FLM não age com resistência ou confronto à ação policial no momento de uma reintegração de posse.</p>
<p>Perdi o medo do amanhecer. Mas no lugar, fiquei com o coração apertado.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/3.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3855" title="Comida" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/3.jpg" alt="" width="580" height="353" /></a>A cozinha da ocupação tem fartura de alimentos. Quem não tem dinheiro não precisa pagar por eles &#8211; mas nem por isso passa fome. Foto: Rafaela Carvalho.</h5>
<p><strong>Churrasco e bate-papo<br />
</strong>- Estou ansiosa. Vou fazer uma carne pra passar o tempo &#8211; disse a Luzia. Enquanto colocava picanha e coxão duro na grelha e separava a farofa, ela me explicou que todos os dias um grupo da ocupação ia até o mercado municipal comprar alimentos com o dinheiro que juntavam dos moradores. Verduras, legumes, frutas e por aí vai. A cozinha estava cheia.<br />
- E quem não tem dinheiro?<br />
- Não paga. Mas também não passa fome.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/4.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3856" title="4" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/4.jpg" alt="" width="580" height="435" /></a>O churrasco que uniu alguns dos moradores, madrugada adentro, à espera da desocupação do prédio vizinho: picanha, coxão duro e farofa até dizer chega. Foto: Rafaela Carvalho.</h5>
<p>Mais à vontade, ajudei a servir a carne, o suco, a farofa&#8230; e ouvi reclamações dos moradores a respeito do descaso da prefeitura. Só a dona Maria Góes já estava há três anos esperando uma moradia.</p>
<p>- Quando a gente é despejado desses prédios, entra em uma fila para conseguir moradia porque a Prefeitura define a nossa situação como não-emergencial.</p>
<p>Não entendi até agora como estar sem moradia não caracteriza um alerta vermelho.</p>
<p>Em uma roda de cadeiras plásticas e banquinhos de madeira, ouço de todos os moradores ali presentes a mesma reclamação: a Prefeitura diz que vai fazer o cadastro de quem vive nas ocupações para que as famílias possam ser direcionadas a conjuntos habitacionais populares. O problema é que as empresas terceirizadas que vão às ocupações a mando da prefeitura chegam nos prédios durante a tarde &#8211; horário de expediente.<br />
- É quando só tem mulher grávida, criança e pessoa com deficiência aqui. O resto tá trabalhando &#8211; desabafam. Surge daí o dilema: ir para o trabalho e não estar presente na realização do cadastro da Prefeitura ou garanti-lo e perder mais um dia de expediente?</p>
<p>Mas morar na rua, eles deixam claro, não é ruim por causa de mendigos ou da própria rua em si.<br />
- O problema é a GCM (Guarda Civil Metropolitana) e a PM. Eles arrancam tudo que é nosso. Já vi policial da ROTA tentando colocar droga na pochete de um dos nossos. Anotei placa do carro e hora, para fazer uma denúncia , mas nada aconteceu &#8211; conta Zezé.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/5.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3872" title="Quarto" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/5.jpg" alt="" width="580" height="326" /></a>O quarto, montado para receber hóspedes daquela noite. Senti como se fosse parte da realeza. Foto: Rafaela Carvalho.</h5>
<p>Depois de muitas horas de conversa, a Maria do Planalto insistiu para que todos fossem descansar.<br />
- Quatro da manhã a gente levanta pra começar a fazer barulho. O pessoal que vai ser despejado precisa do nosso apoio &#8211; repetiu.<br />
Ela me levou para um quarto onde encontrei uma cama de casal, dois ou três colchões de ar, lençois e cobertas finas, água, Bíblia, temperos de cozinha, alguns enfeites natalinos, panos de prato, rodo, vassoura, uma televisão ligada, bandeiras da FLM e uma janela com o vidro quebrado (nada que um lençol grande não ajudasse a cobrir), com vista para a Avenida Ipiranga. Vi que, na varanda, estava fincada com prego uma bandeira da Frente de Luta por Moradia. Comecei a ficar com frio na barriga outra vez.</p>
<h5></h5>
<p>Contemplando o centro vazio, tive medo. Fiquei ali uns cinco minutos antes de me deitar. Tive uma das maiores sensações de impotência do mundo. Não segurei o choro.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/8.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3858" title="Avenida Ipiranga" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/8.jpg" alt="" width="580" height="1031" /></a>A Avenida Ipiranga vazia, lá pelas três da manhã. Foto: Rafaela Carvalho.</h5>
<p><strong><br />
Enfim, no prédio<br />
</strong>Acordei antes que a Maria do Planalto fosse me chamar, já com alguns gritos de moradores das ocupações vizinhas. Antes do sol nascer, já era possível ver pessoas na esquina mais famosa de São Paulo, reivindicando moradia, xingando o prefeito e fazendo barulho da maneira que podiam.</p>
<p>Desci, mas por pouco tempo. Logo entrei no prédio que sofreria a reintegração de posse. Via pessoas arrumando malas (havia, em toda a ocupação, cerca de 400 moradores), veículos da grande mídia circulando com suas câmeras enormes, pessoas sentadas esperando a hora de sair. De fato, não relutariam.</p>
<p>Não havia quartos. Por todos os espaços que passei no prédio, vi tapumes servindo como divisórias para criar vários cômodos que deviam ter algo em torno de 5m². Os tapumes ficavam espalhados por toda parte, e depois me foi explicado que eles estavam dispostos propositalmente daquela maneira, para dificultar ao máximo a ação da polícia durante a reintegração de posse. Tornar o trabalho mais maçante mesmo.</p>
<p>Havia gente que ainda dormia, em algum cantinho, e procurava descansar para um longo dia &#8211; o primeiro em meses sem um teto onde se abrigar. E também havia crianças, que em plena madrugada, brincavam como se fosse um sábado ensolarado. Foi assim que conheci o Wesley e o Felipe.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/10.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3859" title="Felipe e Wesley" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/10.jpg" alt="" width="580" height="326" /></a>Felipe e Wesley. Foto: Rafaela Carvalho.<br />
<strong></strong></h5>
<p><strong>&#8220;Seu pai bebeu maconha?&#8221;<br />
</strong>Os dois pequenos, tinham entre seis e dez anos de idade, não mais que isso. Depois de muito tempo brincando de pega-pega com eles, perguntei para o Wesley:<br />
- Cadê a sua mãe?<br />
- Tá ali, ó &#8211; apontou pra uma moça sentada, observando-o de longe.<br />
- E o seu pai?<br />
- Ih. Meu pai morreu.<br />
Fiquei constrangida.<br />
- Morreu?<br />
- Na verdade, não&#8230; ele tá preso.<br />
O Felipe interrompeu nossa conversa para entender melhor a situação do Wesley:<br />
- Ué, tá preso? Por um acaso ele bebeu maconha e a polícia pegou ele?<br />
Para minha surpresa, Wesley apenas deu os ombros e fez um sinal afirmativo com a cabeça.</p>
<p>Deixei os meninos brincando sozinhos e fui conhecer o resto do prédio. O clima de tensão crescia no mesmo ritmo que a claridade aumentava e o dia amanhecia. Mais gente ia pra rua fazer barulho, mais pessoas apareciam fora de seus cômodos. Os primeiros jornais da manhã já anunciavam a chegada da polícia e o início do processo de reintegração de posse.<br />
<strong></strong></p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/11.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3860" title="Imprensa fria" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/11.jpg" alt="" width="580" height="326" /></a>Tive vontade de chutar esse cinegrafista para longe. Ele estava filmando um pai dormindo abraçado ao seu filho. Fez o favor de acordá-lo com essa luz nada discreta, só para que sua filmagem ficasse boa. Foto: Rafaela Carvalho.</h5>
<p><strong> Mentiras em TV aberta<br />
</strong>Os noticiários começaram e os ocupantes do prédio ligaram suas televisões. Uma delas, na área comum, próxima à porta de entrada, registrou um dos momentos mais marcantes que já vivi em toda minha vida: o apresentador da Band, Luciano Faccioli, <a title="Blog Maria da Penha Neles: &quot;Luciano Faccioli como assim? Não precisa ter prêmio da ONU ou de inteligência. Ela ofereceu o corpo à droga?? A polícia deve determinar a saída ou por bem ou na porrada, porque tem horas que o diálogo não funciona?????&quot;" href="http://mariadapenhaneles.blogspot.com.br/2012/02/luciano-faccioli-como-assim-policia.html" target="_blank">falando que as pessoas que estavam ali não passavam de desocupadas</a>. Que as mulheres da ocupação precisavam lavar uma louça, enquanto os homens precisavam subir uma laje. Chamou as pessoas com quem convivi a noite inteira de vagabundos. Disse que havia consumo de drogas dentro dos prédios que são (como ele diz) &#8220;invadidos&#8221;, sendo que eu, que passei a noite inteira por ali e não vi uma droga ilícita sequer. Aliás, não vi nem bebida alcoólica &#8211; e a Maria do Planalto até me explicou que o consumo não era permitido nas ocupações, justamente para manter a ordem nesses lugares.</p>
<p>E aí, o paulistano que liga a TV pela manhã para se informar recebe esse tipo de informação. Distorcida, nojenta, desinteressada, jogada de qualquer jeito. Enquanto só quem estava lá dentro sabia que aquilo era mentira. Todos gritaram de raiva para a televisão, mas seus gritos não se propagaram além daquela esquina.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/15.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3861" title="Imprensa fria" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/15.jpg" alt="" width="580" height="326" /></a>Não viu o que aconteceu de madrugada, não se abaixa para falar com as pessoas, observa os moradores da ocupação com expressão de desdém. Foto: Rafaela Carvalho.</h5>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>O choro da PM<br />
</strong>Era hora de sair. A líder da ocupação, dona Carmem, reuniu todos os moradores na entrada do prédio. Olhando para mães com bebês no colo, famílias inteiras de malas feitas rumo à rua e para idosos com dificuldades até para se manter em pé, proferiu um discurso:</p>
<p><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/14.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3862" title="Discurso final" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/14.jpg" alt="" width="580" height="326" /></a><br />
- Ninguém aqui é criminoso. Criminosa é a juíza que nos colocou na rua. Os governantes não olham para a gente. A cidade não oferece nenhuma alternativa de moradia digna para nós. A televisão vem aqui para nos esculhambar&#8230; mas nós vamos proceder sem nenhum confronto, como cidadões (sic) de bem e de paz. A nossa união e o nosso amor são maiores que tudo. E eu tenho orgulho de fazer parte de um movimento que luta pela inclusão social.</p>
<p>Num cantinho, mais perto da porta por onde as pessoas sairiam, vi três policiais militares devidamente fardados, esperando o discurso da dona Carmem terminar. Um deles, identificado na farda como Soldado Cláudio, não conteve as lágrimas. Foi preciso coragem para falar com ele. A resposta que ouvi foi:<br />
- Não temos o que fazer. Estamos cumprindo uma ordem judicial, mas é muito difícil. Não podemos fazer nada por eles a partir do momento que eles deixam o prédio.</p>
<p>O comandante da operação, Major Félix, também falou com os moradores da ocupação: disse que sabia que ali só havia trabalhadores, gente humilde e sofrida.<br />
- A PM sabe que aqui só tem trabalhador, não tem drogado nem viciado. Infelizmente, nós temos que fazer cumprir a ordem da juíza, pois estamos sob pena de desobediência se não fizermos isso. Então, nós vamos, desocupar. E eu estou orando todos os dias para que um dia o Estado venha a fornecer uma casa para vocês.</p>
<p>A desocupação seria feita da seguinte maneira: depois que todos saíssem do prédio, a polícia acompanharia cada uma das famílias que quisesse entrar ali novamente para retirar seus pertences. Os objetos maiores iriam para um caminhão, cujo destino não era sequer definido &#8211; nem os próprios funcionários que carregariam eletrodomésticos e pertences maiores souberam dizer para onde tanta coisa iria. Algo me diz que nenhum daqueles moradores conseguiu reaver o que deixou dentro da ocupação.</p>
<p>Nessa hora, eu nem fazia mais questão de esconder as lágrimas. Ao lado do policial, segurando o gravador que captava sua fala, apenas virei a cabeça para o lado, para que o barulho do meu choro não interferisse no áudio.<br />
<strong></strong></p>
<p><strong><br />
&#8220;Quem não luta&#8230; tá morto!&#8221;<br />
</strong>Foi uma cena bonita: as bandeiras cor de vinho da FLM formaram um cerco. As crianças, cercadas pelas bandeiras, segurando-as, começaram a sair. O céu já claro, o sol já forte. Foi quando as pessoas de fora, que passavam pela Avenida Ipiranga, estivessem elas a pé, nos carros ou nos ônibus, viram os rostos de quem esteve invisível para elas durante todo esse tempo &#8211; e até para mim há poucos meses. Saí ao lado dos pequenos e percebi o quanto pessoas que estavam do lado de fora ainda gritavam. Não haviam parado, por cinco minutos sequer, de exigir seu direito à moradia.</p>
<p>No meio da bagunça, reencontrei o Felipe, criança com quem havia brincado antes de amanhecer. Ele não parecia abalado nem assustado. A situação parecia algo com que ele já estava acostumado.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/16.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3864" title="Felipe" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/16.jpg" alt="" width="580" height="1031" /></a>Felipe, agora do lado de fora, não parece se abalar tanto com a reintegração de posse. Até sorriu pra câmera depois que viu que era eu que estava fotografando. Foto: Rafaela Carvalho.</h5>
<p>Vi pessoas que, ao passar pela Avenida Ipiranga, ficavam um pouco curiosas. Algumas me encaravam e tentavam, de alguma maneira, entender meu choro. No meio do abre-e-fecha do movimentado semáforo daquela esquina, muita gente só olhou para o prédio por causa do meu rosto inchado. E naquela hora, nem eu sabia explicar muito bem o que estava sentindo. Era uma mistura amarga de impotência, tristeza, frustração, nojo do mundo. Vergonha por compactuar com um governo que opta por colocar pessoas na rua e acha que está fazendo algo muito grandioso ao colocá-las em uma fila de espera até que tenham seu próprio teto.</p>
<p>Mas a luta daquelas pessoas, até então invisíveis, continuava. Com a ajuda das ocupações vizinhas, que haviam prometido apoio moral, recolheram-se tapumes, tábuas e ferramentas. E a não menos de 100 metros do prédio desocupado, tudo aquilo se tornou um barraco comunitário gigante. Ele seria desmontado em menos de 24 horas, mas os reflexos dele dentro de mim nunca se apagaram.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/18.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3865" title="Barracão" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/18.jpg" alt="" width="580" height="341" /></a>Ninguém mais está chorando. As lágrimas deram lugar a martelos, pregos, tábuas de madeira e tapumes. O barracão comunitário, porém, não ficaria ali mais do que 24 horas. Foto: Rafaela Carvalho.<br />
<strong><br />
</strong></h5>
<p><strong>Cidade desumana<br />
</strong>O diretor da Escola da Cidade, Ciro Pirondi, vê a habitação como fator humanizador da cidade. &#8220;Esse tema precisa ser permanente nos assuntos do Estado. Precisamos enfrentar isso não só academicamente, mas na realidade&#8221;. Pirondi ainda diz que a justiça social é possível apenas por meio do uso e da vivência da cidade. &#8220;São Paulo não pode ser apenas um lugar de trânsito e escoamento de mercadoria. Deve ser lugar de convívio, fruição gentil, alegre e feliz dos espaços, não fechando as praças&#8221;.<br />
<strong><br />
</strong></p>
<p><strong>Cidade de quem? Para quem?</strong><br />
Tomar para si não é o mesmo que tomar como seu. O prédio, hoje, está abandonado. Com algum fim específico? Ainda não se sabe. Sabe-se apenas que os moradores não estão mais ali. E também não estão mais no centro, que cada dia ganha mais cara de um lugar fantasmagórico e abandonado.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/13.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3880" title="Da janela" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/13.jpg" alt="" width="580" height="326" /></a>Foto: Rafaela Carvalho.</h5>
<p>A cidade de São Paulo não é feita para pessoas. É feita para automóveis particulares e indivíduos apressados demais para entendê-la e desfrutá-la.</p>
<p>Embora o centro esteja cada vez mais vazio, a mobilização em prol do outro não existe. Para o paulistano, naquela esquina que fez história e que tem música em sua homenagem, restará apenas a mesma paisagem de sempre, a mesma sensação de deserto e o sentimento coletivo de que está para se apagar, com a borracha das balas da polícia, um lugar que obriga São Paulo a enxergar-se de uma maneira que nem os próprios paulistanos conseguem ver: pelos olhos do outro.</p>
<p>Rafaela Carvalho</p>
<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://veredaestreita.org/2012/04/10/sob-a-otica-do-sem-teto/' addthis:title='Sob a ótica do sem-teto '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div><p>Leia também:</p><ol>
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		<item>
		<title>Gentrificando o Centro</title>
		<link>http://veredaestreita.org/2012/01/13/gentrificando-o-centro/</link>
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		<pubDate>Fri, 13 Jan 2012 05:34:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Olé</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Chegamos por volta das 4 da manhã de domingo pra segunda. Conforme o carro entrava na região da Avenida Rio Branco, íamos encontrando algumas pessoas circulando. Numa das ruas paralelas, uma viatura enquadrava alguns. Os policiais estavam vestindo luvas brancas. Cheguei a pensar que se tratava de um acidente, sangue, feridos, mas devia ser só preconceito mesmo.<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://veredaestreita.org/2012/01/13/gentrificando-o-centro/' addthis:title='Gentrificando o Centro '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>
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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h6><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/01/enquadro_policiais_luva.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3472" title="enquadro_policiais_luva" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/01/enquadro_policiais_luva.jpg" alt="" width="580" height="274" /></a>Foto: Olegário A. Filho</h6>
<p>Chegamos por volta das 4 da manhã de domingo pra segunda. Conforme o carro entrava na região da Avenida Rio Branco, íamos encontrando algumas pessoas circulando. Numa das ruas paralelas, uma viatura enquadrava alguns. Os policiais estavam vestindo luvas brancas. Cheguei a pensar que se tratava de um acidente, sangue, feridos, mas devia ser só preconceito mesmo.<span id="more-3378"></span></p>
<p>Iniciamos a nossa andança a pé. Não queríamos fazer como a imprensa convencional normalmente faz: ficar apenas circulando de carro, tirando fotos do alto de prédios ou se aproximar deles escoltado por seguranças (ou pela polícia). Descemos. Logo de cara, começamos a falar com um pequeno grupo. Explicávamos a idéia de ouvi-los. Mas se negaram a falar.</p>
<h6><img class="alignnone size-full wp-image-3476" style="border-style: initial; border-color: initial;" title="esquina_av_rio_branco" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/01/esquina_av_rio_branco.jpg" alt="" width="580" height="256" />Foto: Olegário A. Filho</h6>
<p>Chegando à Rio Branco, vimos um grupo que estava sentado numa calçada do outro lado da avenida. Por um instante, a luz de um isqueiro dava o ar de sua graça enquanto uma viatura da <strong>Força Tática</strong> passava no sentido oposto. Iniciamos a travessia. Um de nós percebeu que a Tática voltaria e pediu para diminuirmos o passo. Alguns segundos depois, a mesma viatura já tinha feito o retorno e trazia sua brutalidade para aquela calçada. Os policiais não estavam brincando. Se o grupo resolvesse permanecer parado <strong>na calçada</strong>, não tenho dúvidas de que a <em><a title="Wikipédia: Chevrolet Blazer" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Chevrolet_Blazer" target="_blank">Blazer</a></em> teria passado por cima de seus corpos. Levantaram dali correndo. Um deles ria. Um outro se revoltara e xingou os policiais, que o perseguiram &#8211; de forma não tão óbvia &#8211; montados na <em>Blazer</em>.</p>
<p>A viatura girava em círculos por entre postes de luz da calçada central, tentando atropelá-lo. Tudo a menos de 2 quilômetros da Corregedoria da Polícia Militar. Nesta altura, já haviamos chegado à esquina (da qual aquelas pessoas haviam sido <a title="Blog do Sakamoto: &quot;Tá com dó, leva pra casa!&quot;" href="http://blogdosakamoto.uol.com.br/2012/01/04/ta-com-do-leva-pra-casa/" target="_blank">enxotadas</a>). O menino que fugia dos policiais veio em nossa direção e tentou se esconder entre as fachadas da rua dos Gusmões. A viatura parou na nossa frente e um policial desceu. Muito nervoso, gritou: <strong>&#8220;Some daqui se não dou um tiro dentro da sua boca!&#8221;</strong>. O rapaz saiu correndo. E a viatura continuou sua patrulha.</p>
<h6><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/01/rua_luz_santa_ifigenia.jpg"><img class="size-full wp-image-3474 alignnone" title="rua_luz_santa_ifigenia" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/01/rua_luz_santa_ifigenia.jpg" alt="" width="580" height="310" /></a>Foto: Olegário A. Filho</h6>
<p>Duas ruas depois, avistamos aquela viatura. Vinha na direção oposta. Parecia falar alguma coisa para alguns que ali estavam. Destoávamos do cenário. O que quatro caras faziam por ali com mochilas&#8230;? Lá vieram os policiais nos abordar. Trataram-nos com respeito. Alertaram para o perigo de perambular por ali: &#8220;Pra onde estão indo?&#8221;. Exitamos. &#8220;Vamos ali para a Av. Ipiranga&#8230;&#8221;. Indicaram um caminho. Segundo eles, menos perigoso. Andaram um pouco ao nosso lado e depois foram embora. Continuamos à procura de depoimentos sinceros de quem ainda não havia sido ouvido.</p>
<p>Encontramos dois rapazes que trabalham por ali. Disseram conhecer alguns usuários de crack e se dispuseram a nos ajudar. Fizeram o meio de campo conversando com um casal que passava naquele momento que acabou aceitando falar. O resultado é o vídeo abaixo, que foi ao ar no programa <strong><a title="#PosTV: Programa Segunda Dose - 09/01/2012" href="http://www.ustream.tv/recorded/19672114" target="_blank">Segunda Dose</a></strong>, pela <strong>#PosTV</strong>.</p>
<p><iframe title="YouTube video player" class="youtube-player" type="text/html" width="580" height="326" src="http://www.youtube.com/embed/cqDkuda-TIo" frameborder="0" allowFullScreen="true"> </iframe></p>
<p>Pessoas. Não, zumbis (como amplamente divulgado). São seres humanos. Lúcidos. Essa menina insistiu muito dizendo que eles não eram bichos. E claramente tentava separar o conceito de doença do de vício: &#8220;não é doença não, é um vício&#8221;. Doença naquele sentido de câncer, que precisa ser eliminado a todo custo.</p>
<p>Em que medida o crack é realmente o problema? Será que se fosse uma aglomeração de mendigos eles seriam mais aceitos? Também não seria pauta da velha imprensa, e mesmo assim os direitos individuais seriam abalados pela repressão, pela negligencia do Estado?</p>
<p>E o pior de tudo isso é imaginar que usam essas pessoas como fator de especulação imobiliária.</p>
<p>Como divulgado pelas autoridades que encabeçavam essa &#8220;limpeza&#8221;, tudo fazia parte do <strong>plano Nova Luz</strong>. E em que consiste? Em vender uma parte do <strong>Bairro Santa Ifigênia</strong> para um grupo privado.</p>
<p>O Documentário abaixo, de <strong>Fernanda Stica</strong>, acaba com <a title="YouTube: &quot;Projeto Nova Luz&quot;. Uma gravação de um programa da TV Globo &quot;debatendo&quot; o projeto." href="http://www.youtube.com/watch?v=1ItA1cNhhC8" target="_blank">aquela idéia (propagada pela velha mídia)</a> de que o Centro de São Paulo foi abandonado. Na verdade, foi abandonado por uma parcela da população (os mais ricos).</p>
<p><iframe title="YouTube video player" class="youtube-player" type="text/html" width="580" height="326" src="http://www.youtube.com/embed/p36O-P-n4vk" frameborder="0" allowFullScreen="true"> </iframe></p>
<p><iframe title="YouTube video player" class="youtube-player" type="text/html" width="580" height="326" src="http://www.youtube.com/embed/4U6ZYEHHo1o" frameborder="0" allowFullScreen="true"> </iframe></p>
<p><iframe title="YouTube video player" class="youtube-player" type="text/html" width="580" height="326" src="http://www.youtube.com/embed/iWfErILDptQ" frameborder="0" allowFullScreen="true"> </iframe></p>
<p><iframe title="YouTube video player" class="youtube-player" type="text/html" width="580" height="326" src="http://www.youtube.com/embed/2jjTsR4YZoU" frameborder="0" allowFullScreen="true"> </iframe></p>
<p>Tudo isso é reflexo de um quadro político alimentado pelo setor imobiliário, <a title="TV Folha: &quot;Polícia usa bombas de efeito moral e balas de borracha na cracolândia&quot;" href="http://www1.folha.uol.com.br/multimidia/videocasts/1031579-policia-usa-bombas-de-efeito-moral-e-balas-de-borracha-na-cracolandia-veja.shtml" target="_blank">respaldado pela polícia</a>.</p>
<p>Abaixo, outro documentário, feito pelo projeto <a title="Projeto Moseo de los Desplazados" href="http://lefthandrotation.com/museodesplazados/ficha_luz.htm" target="_blank">Moseo del Desplazados</a>, do coletivo espanhol <a title="Coletivo Left Hand Rotation" href="http://www.lefthandrotation.com" target="_blank">Left Hand Rotation</a>.</p>
<p><iframe src="http://player.vimeo.com/video/32848727" width="580" height="326" frameborder="0"></iframe></p>
<p>É muito animador perceber que estratos da sociedade que antes pouco se toleravam, aparecem aqui mais solidários uns com os outros. Principalmente por perceberem que as injustiças atingirão todos.</p>
<p>Afinal, uma parcela da sociedade decidir que um outro grupo não tem o direito de viver no mesmo local é uma atitude que bebe em <a title="Blog Maria Frô: &quot;Higienismo fascista em Sampa: mendigos literamente serão desinfetados&quot;" href="http://mariafro.com/2010/06/06/higienismo-fascista-em-sampa-mendigos-literamente-serao-desinfetados/" target="_blank">princípios nazistas e fascistas</a>. Políticas <a title="Carta Capital: &quot;‘Ação da polícia parte de visão higienista’&quot;" href="http://www.cartacapital.com.br/sociedade/acao-da-policia-parte-de-visao-higienista/" target="_blank">higienistas</a>, autoritárias&#8230;</p>
<p>Olé</p>
<p>PS: Amanhã, 14/01 (sábado), às 16h, vai rolar o Churrascão da Gente Diferenciada &#8211; versão Cracolândia. Está marcado para ser nas esquinas entre a Rua Helvétia e a Alameda Dino Bueno. <a title="Facebook: Evento: Churrascão da Gente Diferenciada, versão Cracolândia" href="http://www.facebook.com/events/214191915336575/" target="_blank">Confirme sua presença no evento feito no Facebook</a>.</p>
<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://veredaestreita.org/2012/01/13/gentrificando-o-centro/' addthis:title='Gentrificando o Centro '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div><p>Leia também:</p><ol>
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		</item>
		<item>
		<title>&#8220;Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar!&#8221;</title>
		<link>http://veredaestreita.org/2012/01/12/anunciaram-e-garantiram-que-o-mundo-ia-se-acabar/</link>
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		<pubDate>Thu, 12 Jan 2012 13:30:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Olé</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Editorial ou "O Blog"]]></category>
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		<description><![CDATA["Quem anotou a placa desse ano?". Essa frase não é minha. Ouvi-a em dezembro. Este ano passou como um caminhão, tão violento que ninguém conseguiu anotar a placa. E foi fundamental a contribuição da internet pra propagar esses acontecimentos. Fundada na consciência de que, cada vez mais, as pessoas se entendem como seres midiáticos. Não precisam da mídia, pois são mídia. E como dizer que isso não é uma mudança cultural?<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://veredaestreita.org/2012/01/12/anunciaram-e-garantiram-que-o-mundo-ia-se-acabar/' addthis:title='&#8220;Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar!&#8221; '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>
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<li><a href='http://veredaestreita.org/2008/08/05/o-filme-mais-triste-do-mundo/' rel='bookmark' title='O filme mais triste do mundo'>O filme mais triste do mundo</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h6><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/01/anunciaram_e_garantiram_que_o_mundo_ia_se_acabar.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3447" title="anunciaram_e_garantiram_que_o_mundo_ia_se_acabar" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/01/anunciaram_e_garantiram_que_o_mundo_ia_se_acabar.jpg" alt="" width="580" height="249" /></a>Foto: Olegário A. Filho</h6>
<p>&#8220;Quem anotou a placa desse ano?&#8221;. Essa frase não é minha. Ouvi-a em dezembro. Este ano passou como um caminhão, tão violento que ninguém conseguiu anotar a placa. E foi fundamental a contribuição da internet pra propagar esses acontecimentos. Fundada na consciência de que, cada vez mais, as pessoas se entendem como seres midiáticos. Não precisam da mídia, pois são mídia. E como dizer que isso não é uma mudança cultural?<span id="more-3373"></span></p>
<p>Como negar a mudança no comportamento das pessoas, que cada vez mais participam ativamente da sociedade em que vivem? Disputam espaços e, até mesmo, opinam sobre outras longínquas culturas, que parecem ser tão vizinhas.</p>
<p>Claro que a velha mídia percebeu isso. E a tática é desesperadamente ocupar a internet também. Tenta trazer todo seu aparato massivo para a rede. E, por mais que muitos internautas ainda tendam a acompanhar esses veículos convencionais, a pluralidade das redes faz com que, vez por outra, textos com pontos de vista diferentes caiam no monitor de quem está acostumado a ler só a <em>Veja,</em> por exemplo. E a sementinha crítica está plantada.</p>
<p>Por outro lado, chega a assustar o teor de muitos comentários (escritos por leitores). É estarrecedora e chocante a quantidade de asneira carregada de preconceito que algumas pessoas despejam nos blogs de linha não-conservadora, <a title="Blog Vi o Mundo" href="http://www.viomundo.com.br/" target="_blank">progressista</a> e <a title="Blog do Sacamoto" href="http://blogdosakamoto.uol.com.br/" target="_blank">fundados nos Direitos Humanos</a>. Chega mesmo a assustar e parece que grande parte do mundo tem um espírito fascista dentro de si. Isso não significa que essa mentalidade da extrema direita não existia antes. Sempre existiu. Seja nas piadas racistas internas, seja nos comentários entre a família ou entre pessoas de confiança. A diferença é que a internet também possibilitou a tais idéias ultrapassar esses limites, escondendo-se atrás do anonimato. São caixas de Pandora que se abrem. (Sorte que o Vereda Estreita ainda não passou por isso).</p>
<p>Mas, é bom lembrar que quem realmente deixa comentários é uma parcela bem pequena do total de leitores. E que, principalmente no Brasil, são poucas as pessoas com acesso à internet. Por isso muitos ainda são contrários aos planos de banda larga verdadeiramente democráticos.</p>
<p>O que resta é produzir conteúdo diversificado. Buscar cada vez mais apurar o teor e ajudar realmente o mundo a melhorar. Não dá pra esperar isso da velha imprensa. Vide o que ela fez em relação aos estudantes da USP, esquecendo de esclarecer as verdadeiras pautas do movimento e distorcendo o discurso em poder fumar maconha livremente no campus universitário.</p>
<p>E neste momento, alguém se levanta e diz: <em>&#8220;Absurdo e incoerente aquele que apregoa a cultura, pactuar com quem apregoa o vandalismo pseudo esquerdista dos maconheiros incomodados com a policia no campus da USP. <img src='http://veredaestreita.org/wp-includes/images/smilies/icon_sad.gif' alt=':(' class='wp-smiley' /> &#8220;</em> <a href="https://twitter.com/#!/CelloAraujo/status/148917951507083264"><img class="alignnone size-full wp-image-3431" title="absurdo_e_incoerente_aquele_que_apregoa_cultura_cello_araujo" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/01/absurdo_e_incoerente_aquele_que_apregoa_cultura_cello_araujo.jpg" alt="" width="580" height="223" /></a> Então, como devemos tratar a Cultura? Apenas como um caderno falido de um jornal retrógrado? Ouvi um jornalista cultural que trabalhava na <em><strong>Folha</strong></em> relatar o quanto o <em><strong>Caderno Ilustrada</strong></em> era renegado dentro da própria redação em sua época. Resumiu assim: &#8220;sabe? era tipo o patinho feio&#8221;. A visão é ultrapassada dentro do próprio jornal.</p>
<p>Cultura seria apenas os eventos artísticos da semana? As exposições limpinhas dos caríssimos museus? Gastar mais do que o valor de um salário mínimo para assistir a um festival internacional de música? É ir ao shopping e assistir a vazias mega produções cinematográficas americanas? Ler <em>best-sellers</em>?</p>
<p>Será que entender Cultura assim não é ser higienista também? Não é estar ao lado do Estado, quando coloca sua polícia repressora para desocupar a &#8220;cracolândia&#8221;, deixando o espaço &#8220;mais limpo&#8221;, permitindo desta maneira aos frequentadores da <strong>Sala São Paulo</strong> curtirem sua Europa idealizada? Não seria justificar profundas mudanças urbanísticas no cotidiano de milhares de pessoas &#8211; do bairro Santa Ifigênia &#8211; com o objetivo de enriquecer mais alguns empresários? Até onde é o limite do que é Cultura?</p>
<p>Seria fechar os olhos para todas as mudanças (atenção!&#8230;) <strong>culturais</strong> da sociedade. Negar manifestações por uma universidade pública de qualidade e aberta a toda população. Fingir que não viu as Marchas da Maconha e da Liberdade e o reaquecimento do movimento estudantil. Abafar a Primavera Árabe. Inventar sobre o Anonymous. Pular o Hip Hop. Negligenciar o fato de que<strong> a palavra do ano de 2011 foi &#8216;ocupação&#8217;</strong>: reitorias, prédios abandonados, órgãos públicos, ruas, praças públicas&#8230; ocupações pipocaram em todas as partes do mundo contra a opressão das elites, vestidas de Estado e protegidas por seus aparelhos repressores, vulgo polícias.</p>
<p>Tudo isso é cultural. E aqui no <strong>Vereda Estreita</strong> é possível enxergar assim. Divulgamos links de outros sites sem nenhum problema. E não nos esquivamos de discussões importantes, às quais, no velho modelo, somente os poderosos cadernos de política estão autorizados a entrar.</p>
<h5><iframe title="YouTube video player" class="youtube-player" type="text/html" width="580" height="326" src="http://www.youtube.com/embed/j-rxe9Ayb8c" frameborder="0" allowFullScreen="true"> </iframe><br />
(para assistir com legendas, <a title="YouTube: &quot;RAP NEWS X - #Occupy2012 (feat. Noam Chomsky &amp; Anonymous)&quot;" href="http://www.youtube.com/watch?v=j-rxe9Ayb8c" target="_blank">vá direto ao YouTube</a>. Leia mais sobre <a title="Wikipédia: Avram Noam Chomsky" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Noam_Chomsky" target="_blank">Noam Chomsky</a>.)</h5>
<p>Minhas professoras na escola diziam: <em>&#8220;Leiam jornais! Vocês precisam se informar!&#8221;</em>. Tenho orgulho de continuar desobedecendo-as até hoje.</p>
<p>Olé</p>
<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://veredaestreita.org/2012/01/12/anunciaram-e-garantiram-que-o-mundo-ia-se-acabar/' addthis:title='&#8220;Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar!&#8221; '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div><p>Leia também:</p><ol>
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		</item>
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		<title>Os cartazes mais bonitos da cidade</title>
		<link>http://veredaestreita.org/2011/07/29/os-cartazes-mais-bonitos-da-cidade/</link>
		<comments>http://veredaestreita.org/2011/07/29/os-cartazes-mais-bonitos-da-cidade/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 29 Jul 2011 11:12:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Olé</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Essa semana a cidade de São Paulo acordou mais bonita. Uma intervenção simples e genial buscou quebrar tabus, surpreender: cartazes com um ótimo visual foram colados em alguns pontos de ônibus (Av. Cardeal&#8230; Teodoro Sampaio, Dr. Arnaldo, Av. Pompéia, Rua Clélia&#8230;). O que tinha neles? Poesia. Nenhum verso rebuscado, tudo muito fácil de entender. Tudo [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://veredaestreita.org/2011/07/29/os-cartazes-mais-bonitos-da-cidade/' addthis:title='Os cartazes mais bonitos da cidade '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>
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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://arquivo.veredaestreita.org/2011mais_poesia_cartazes_horizontais_01.pdf" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-2969" title="mais_poesia_paulo_leminski_a_noite" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2011/07/mais_poesia_paulo_leminski_a_noite.jpg" alt="" width="425" height="283" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Essa semana a cidade de São Paulo acordou mais bonita. Uma intervenção simples e genial buscou quebrar tabus, surpreender: cartazes com um ótimo visual foram colados em alguns pontos de ônibus (Av. Cardeal&#8230; Teodoro Sampaio, Dr. Arnaldo, Av. Pompéia, Rua Clélia&#8230;). O que tinha neles? Poesia. Nenhum verso rebuscado, tudo muito fácil de entender.<span id="more-2966"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Tudo feito na calada da noite de domingo passado. E até quarta-feira <a title="Estadão: &quot;Poesia 'invade' pontos de ônibus&quot; (27/07/11)" href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110727/not_imp750263,0.php" target="_blank">ninguém sabia</a> quem estava por de trás dessas idéias subversoras do cotidiano paulistano. Seria uma ação publicitária de alguma empresa? Não há nenhuma vinculação de marcas. Não parece favorecer ninguém.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://arquivo.veredaestreita.org/2011mais_poesia_cartazes_horizontais_01.pdf" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-2968" title="mais_poesia_mario_quintana_rapido_destino" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2011/07/mais_poesia_mario_quintana_rapido_destino.jpg" alt="" width="425" height="286" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Tudo começou quando <a title="Twitter: Alexandre Oyamada" href="http://twitter.com/ale_oyamada" target="_blank"><strong>Alexandre Oyamada</strong></a> teve seu primeiro contato verdadeiro com a poesia. Tinha 24 anos e namorava uma poetisa. A primeira coisa que o Alê ganhou da Pati foi o <strong>“<a title="Estante Virtual: &quot;Poemas Rupestres&quot;" href="http://www.estantevirtual.com.br/q/poemas-rupestres" target="_blank">Poemas Rupestres</a>”</strong> do <a title="Wikipédia: Manoel de Barros" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Manoel_de_Barros" target="_blank"><strong>Manoel de Barros</strong></a>. <em>“Porque era o livro mais lindo que ela achava que podia me dar. E é mesmo”. </em>Ele diz que se começar a falar dele, fica <em>&#8220;8 horas escrevendo só sobre a genialidade</em><em> do livro e, óbvio, do Manoel de Barros”.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><iframe title="YouTube video player" class="youtube-player" type="text/html" width="580" height="326" src="http://www.youtube.com/embed/9_qm9AqLxcs" frameborder="0" allowFullScreen="true"> </iframe></p>
<p style="text-align: justify;">Outros livros do Barros vieram. Ela apresentou também <em>“<a title="Wikipédia: Adélia Prado" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ad%C3%A9lia_Prado" target="_blank">Adélia Prado</a>, depois os do <a title="Wikipédia: Mário Quintana" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A1rio_Quintana" target="_blank">Mário Quintana</a>, <a title="Wikipédia: Alice Ruiz" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Alice_Ruiz" target="_blank">Alice Ruiz</a>, <a title="Wikipédia: Ana Maria Machado" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ana_Maria_Machado" target="_blank">Ana Maria Machado</a>, <a title="Wikipédia: Pablo Neruda" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pablo_Neruda" target="_blank">Pablo Neruda</a> e aí eu já estava simplesmente maravilhado por uma série de motivos que eu também ficaria mais 8 horas pra explicar”</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele, que freqüentou um bom colégio em São Paulo, talvez seja a prova viva de que não basta ter acesso. Antes, poesia se resumia a métricas, a palavras rebuscadas, rimas&#8230; Possível sintoma de quando o professor de literatura segue o conteúdo programático como se fosse uma bíblia, um dogma&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><em>“Fiquei realmente impressionado como eles [os poetas] enxergavam o mundo de uma maneira muito bonita, muito sensível, muito humana e aí o mundo por si só começou a me bastar, sabe? Porque eu olhava mesmo pras coisas e via como as coisas são e podem ser MUITO mais do que as definições que damos para elas (&#8230;) e olhar pra tudo com uma infinidade de possibilidades, e eu comecei a reviver o que vivia quando criança, quando eu transformava a cadeira em moto, afinal, cadeira não era lugar de sentar, cadeira era o que eu fizesse dela.”</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><br />
</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><a href="http://arquivo.veredaestreita.org/2011mais_poesia_cartazes_horizontais_01.pdf" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-2971" title="mais_poesia_pablo_neruda_melancia" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2011/07/mais_poesia_pablo_neruda_melancia.jpg" alt="" width="425" height="286" /></a><br />
</em></p>
<p style="text-align: justify;">Aí, acontecem aquelas perguntas naturais questionando como era possível não ter descoberto isso antes. E estender o raciocínio ao próximo é muito fácil, (apesar de ser tão difícil&#8230;).</p>
<p style="text-align: justify;"><em>“Fiquei realmente impressionado como eles escreviam com um linguajar MEGA simples, quase que com as palavras só do uso comum. Agora veja: se os poemas são facilmente compreensíveis, são mega claros com uma linguagem super comum, e se eles podem fazer com que mais pessoas vivam o que eu vivi por meio da vivência da poesia, as pessoas têm que ter a possibilidade de conhecer esses poemas e poetas!!!”</em></p>
<p style="text-align: justify;">Então, teve a idéia de imprimi-los com muito cuidado visual para facilitar a leitura. Formato das letras bem escolhido, texto devidamente ajustado no espaço do cartaz, identidade visual&#8230; Afinal, beleza também ajuda a chamar a atenção.</p>
<p style="text-align: justify;">E quais foram os critérios de escolha dos poemas? Os que achava mais bonitos e que contivessem uma linguagem simples.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>“Poesia é um jeito de olhar pro mundo, não um estilo de escrever e isso as pessoas têm que ao menos ter a possibilidade de reparar.”</em></p>
<p style="text-align: justify;">Assim surgia o <em><strong>“Mais Poesia”</strong></em> com sua linha de objetivos: aproximar a poesia das pessoas; provar que ela está mais próxima de nós do que parece; e que não é algo reservado aos eruditos&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">O Alê já tinha boa parte de tudo pronto (incluindo os poemas impressos). Faltava ainda pensar em uma maneira de isso tudo se tornar um movimento. Mas a pressa das coisas de São Paulo (essa vida louca de uma grande metrópole) acabou passando outras prioridades na frente, fazendo com que tudo ficasse literalmente engavetado por seis meses.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas foi só até domingo passado. Em uma conversa, o ele acabou contando a dois amigos tudo que havia planejado e feito. Prontamente, <a title="Twitter: Julia Lima" href="http://twitter.com/juliaSAlima" target="_blank">Julia Lima</a> e Felipe Fontes disseram: &#8220;Ué, então vamos colar eles agora, Alê!”. E passaram aquela noite colando os cartazes.</p>
<p style="text-align: justify;">O Fontes insistiu bastante que deviam fugir de pontos como a Vila Madalena, bairro de São Paulo que é reduto de boêmios, artistas e com muitas intervenções culturais. Ou seja, deviam procurar lugares não tão óbvios, que tivessem uma grande quantidade de pessoas passando por ali&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://arquivo.veredaestreita.org/2011mais_poesia_cartazes_verticais_01.pdf" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-2970" title="mais_poesia_mario_quintana_opiniao" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2011/07/mais_poesia_mario_quintana_opiniao.jpg" alt="" width="425" height="582" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Dá pra perceber o quanto tudo foi pensado e questionado. E você mesmo, querido leitor, seja em qual cidade que estiver, seja no Brasil, em Angola, Portugal&#8230; está convidado a espalhar os poemas também. Eles são vetorizados, o que significa que podem ser impressos em tamanho pequeno ou grande, pois a qualidade do cartaz não sofrerá perdas.</p>
<p style="text-align: justify;">E o Alê promete mais cartazes para logo mais!</p>
<p style="text-align: justify;">Já me comprometi com ele em também participar de seu projeto, iniciando por colar alguns em Roma e em outras cidades da Europa antes de voltar para o Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;">E assim, sem esforço nenhum, ajudamos a aumentar o repertório de referências das pessoas.</p>
<p style="text-align: justify;">Não adianta querer aumentar a venda de livros no Brasil. Não basta querer comparar com os habitantes de outras nações quantos livros os brasileiros lêem por ano. Deve-se é questionar a relevância do que se lê. E um caminho é propor literatura ao invés de auto-ajuda.</p>
<p style="text-align: justify;">Boas colagens!</p>
<p style="text-align: justify;">Olé</p>
<p style="text-align: justify;">PS:<br />
Para contatar o Alê: <strong>aleoyamada@gmail.com</strong><br />
Para baixar os cartazes: <a title="Baixar os pdfs dos cartazes horizontais" href="http://arquivo.veredaestreita.org/2011mais_poesia_cartazes_horizontais_01.pdf" target="_blank">horizontais_01</a> e <a title="Baixar os pdfs dos cartazes verticais" href="http://arquivo.veredaestreita.org/2011mais_poesia_cartazes_verticais_01.pdf" target="_blank">verticais_01</a></p>
<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://veredaestreita.org/2011/07/29/os-cartazes-mais-bonitos-da-cidade/' addthis:title='Os cartazes mais bonitos da cidade '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div><p>Leia também:</p><ol>
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		<item>
		<title>Algumas impressões sobre a FLIP 2011</title>
		<link>http://veredaestreita.org/2011/07/13/algumas-impressoes-sobre-a-flip-2011/</link>
		<comments>http://veredaestreita.org/2011/07/13/algumas-impressoes-sobre-a-flip-2011/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 13 Jul 2011 20:27:24 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Oswald de Andrade esteve na FLIP 2011 como dificilmente outro escritor homenageado pela festa estará. Das três edições da FLIP que acompanhei, esta foi aquela em que a homenagem melhor se enraizou na programação. Oswald não foi debatido apenas na mesa de abertura ou em algumas mesas menos prestigiadas pelo público ao longo da festa. [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://veredaestreita.org/2011/07/13/algumas-impressoes-sobre-a-flip-2011/' addthis:title='Algumas impressões sobre a FLIP 2011 '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Oswald de Andrade esteve na FLIP 2011 como dificilmente outro escritor homenageado pela festa estará. Das três edições da FLIP que acompanhei, esta foi aquela em que a homenagem melhor se enraizou na <a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110711/not_imp743181,0.php" target="_blank">programação</a>. Oswald não foi debatido apenas na mesa de abertura ou em algumas mesas menos prestigiadas pelo público ao longo da festa. Ele esteve nas <a href="http://www.youtube.com/watch?v=4SbqPsj2FZk&amp;feature=channel_video_title" target="_blank">palavras de Antonio Candido</a> na <a href="http://www.flip.org.br/blog.php?param=2011/07/06/um-momento-magico/" target="_blank">conferência inicial</a>, mas também nas canções do <a href="http://www.youtube.com/watch?v=byHI_aEUOaI" target="_blank">show de abertura</a>, em que <a href="http://www.youtube.com/watch?v=ucwVXY2v1bw" target="_blank">José Miguel Wisnik</a> (que também falou na primeira mesa), <a href="http://www.youtube.com/watch?v=ucwVXY2v1bw" target="_blank">Celso Sim</a> e <a href="http://www.youtube.com/watch?v=24HcvLAoRBQ" target="_blank">Elza Soares</a> cantaram adaptações feitas a partir de poemas do modernista, e também na &#8220;<a href="http://www.flip.org.br/noticias.php?id=690" target="_blank">Macumba Antropófaga</a>&#8221; com que Zé Celso e sua equipe do Teatro Oficina encerraram a festa.<span id="more-2940"></span></p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/brunabuzzo/5930701703"><img class="size-large wp-image-2941 " src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2011/07/IMG_2918_rec-425x209.jpg" alt="Imagem do começo da Macumba Antropófaga que encerrou a FLIP 2011" width="425" height="209" /></a></p>
<h5>Imagem do começo da &#8220;Macumba Antropófaga&#8221;, que encerrou a FLIP 2011.</h5>
<p style="text-align: justify;">Na programação principal, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=SNR34YcRvH0&amp;amp;feature=player_embedded" target="_blank">João Ubaldo Ribeiro</a> e o escritor português nascido em Angola <a href="https://twitter.com/#!/valterhugomae" target="_blank">valter hugo mãe</a> (que não usa maiúsculas nem em seu nome) foram os autores que mais cativaram o público. Ubaldo por suas divertidas histórias e mãe por uma fala onde a escrita parece natural (além de um texto sobre sua relação com o Brasil lido ao final da mesa, que levou boa parte do público às lágrimas). <a href="http://www.flip.org.br/blog/index.php?param=2011/07/09/enriquecendo-a-literatura/" target="_blank">Miguel Nicolelis</a>, <a href="http://www.flip.org.br/blog/index.php?param=2011/07/09/uma-deliciosa-conversa-literaria/" target="_blank">Andrés Neuman</a> e <a href="http://www.flip.org.br/blog/index.php?param=2011/07/10/quadrinho-de-gente-grande/" target="_blank">Joe Sacco</a> também chamaram bastante atenção.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao longo desta 9ª edição da FLIP, a impressão geral do público foi de que havia menos gente em Paraty este ano. No entanto, a estimativa é de que entre <a href="http://blogs.estadao.com.br/flip/2011/07/10/drummond-o-homenageado-de-2012/" target="_blank">20 e 25 mil</a> pessoas estavam por lá durante o evento, a mesma estimativa da edição de 2009. Ano passado, o público estimado foi de 15 a 20 mil pessoas (a edição 2010 aconteceu em agosto, devido à Copa do Mundo). Acredito, então, que esta impressão se deva ao fato de que o número de eventos paralelos cresceu. Se o número de pessoas que assistiam as mesas literárias do lado de fora da tenda do telão diminuiu, a Casa de Cultura estava sempre mais ou menos cheia, muitos eventos da <a href="http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/940331-senta-aqui-bolsonaro-brinca-laerte-na-casa-folha-em-paraty.shtml" target="_blank">Casa Folha</a> e da <a href="http://flip.sesc.com.br/flip/" target="_blank">Casa SESC</a> lotaram.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro fator que pode ter contribuído para a impressão de que a cidade estava mais vazia ou de que este ano estava mais fácil atravessar a ponte do rio que cruza a cidade foi a mudança de lugar na Tenda do Telão. Em 2011, a organização da FLIP reuniu todas as suas tendas do mesmo lado do rio em que nas edições anteriores ficava apenas a Tenda dos Autores. Em um único corredor, aproveitando o passeio reformado pela prefeitura, estavam reunidas as tendas dos autores, dos autógrafos, a livraria, a loja da FLIP, os estandes dos patrocinadores e, ao final de tudo, já na praia, a tenda do telão.</p>
<h5><iframe title="YouTube video player" class="youtube-player" type="text/html" width="580" height="326" src="http://www.youtube.com/embed/euD46SXKaOc&amp;" frameborder="0" allowFullScreen="true"> </iframe><br />
A leitura feita por valter hugo mãe ao final da mesa 6 da FLIP 2011. Vídeo: Divulgação/FLIP</h5>
<p style="text-align: justify;">Foi uma FLIP com bons autores, bons mediadores (das mesas que vi, nenhum mediador estragou as conversas, como às vezes acontece), com alguma <a href="http://veja.abril.com.br/blog/todoprosa/vida-literaria/balanco-a-palavra-errada-nazista-e-o-homem-certo-mae/" target="_blank">polêmica</a> (especialmente entre o curador e o cineasta e escritor judeu Claude Lanzmann) e com algum debate. Nas mesas literárias, é difícil que os escritores convidados efetivamente dialoguem entre si, para além de algumas semelhanças propostas pelos mediadores. Neste ponto, destaco a mesa entre os escritores colombianos Laura Restrepo e Hector Abad, que não só leram as obras um do outro como <a href="http://www.flip.org.br/noticias.php?id=688" target="_blank">trocaram impressões</a> a respeito.</p>
<p style="text-align: justify;">Texto e foto: Bruna Buzzo</p>
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