O Menininho da Ambrosia
Publicado em 2 de agosto de 2010, às 22:49. | 2 Comentários
Artigo sobre Cultura Popular/Folclore, Gastronomia, Patrimônio, Restaurantes e Bares, Turismo.

- Seu Obeny oferecendo degustação. Foto: Olegário A. Filho

Minha amiga Vivi me dizia: “ahhhhh, a Ambrosia do menininho da Benedito!” Imaginava que era um molequinho que vendia o doce. Minha primeira surpresa: um senhor que carinhosamente chama todos de “menininho”. E facilmente pode justificar toda essa jovialidade quando perguntamos sua idade, respondendo: “Treze. Soma 7 com 6 dá treze.”
E é fácil adotá-lo como aquele avô que mima você com docinhos, sugere combinações entre os sabores diferentes. Sempre com um sorriso muito cativante. E, claro, também veta outras invenções de seus netinhos: “a jaca não se dá com ninguém, menininho!”
Ele nem sempre foi doceiro. Seu Obeny, “mistura de Onofre com Benedita!”, trabalhou durante 30 anos com produção de automóveis na fábrica da Mercedez Bens, em São Bernardo do Campo. Contrariando seu antigo patrão, foi para Praça Cornélia (rua Clélia) em 1978 e em 82 para a Benedito onde está até hoje, todos os sábados. A explicação para essa brusca mudança de profissão é um “estalinho”, uma vontade interna de vender doces brasileiros. Conhecimento que já residia em sua família, vindo de Santa Rita do Sapucaí, Sul de Minas Gerais, mais precisamente das tias de sua “querida”, que é quem prepara todas essas maravilhas, a senhora Maria Emília Ciavaglia.

- Seu Obeny. Foto: Olegário A. Filho

Impossível não passar por ali sem dar um “oi” para o menininho e saborear seus deliciosos doces caseiros. Além da famosa Ambrosia, que vai muito bem acompanhada pelo doce de Banana com Laranja, ainda tem: paçoca, abóbora em pedaços, jaca, doce de leite, batata roxa, jaca, laranjinha, papo-de-anjo, espera-marido, coco queimado, cocada… Ah, outro bom casamento é baba-de-moça com o brigadeiro.
Além do trato muito carinhoso na feitura usando ingredientes bem selecionados, com as receitas, que são nosso patrimônio imaterial, cada um tem poema próprio criado que fica exposto junto com sua compota.
“Doces Caseiros”, Praça Benedito Calixto TV – 27/08/2009.
Seu Obeny, ou melhor, o “Menininho da Ambrosia”, com seus 76 anos por si só já é um patrimônio vivo da Feirinha da Benedito Calixto. Encanta até mesmo os olhares de outros lugares.

Ah, e se não tiver vergonha, não esqueça de pedir um abraço!
Olé
PS: o telefone deles é (11) 3845-7073.
Uma Linguagem da Estrada
Publicado em 25 de maio de 2010, às 21:11. | Deixe um comentário!
Artigo sobre Cultura Popular/Folclore, Patrimônio, Turismo.
Os olhares mais atentos para as estradas já notaram que os caminhoneiros têm uma linguagem própria. Não há como não se impressionar com os sinais, pois eles são baseados na confiança, no “querer ajudar”, no corporativismo. Coisas estranhas para aqueles que dirigem dentro das grandes cidades. Generalizando, o trânsito das estradas é muito mais camarada que o das ruas. Talvez isso não seja tão claro porque, em feriados prolongados, há um número muito grande de carros acostumados à cultura da disputa pelo espaço, da competição pelo tempo, do estresse da cidade nas rodovias rumo aos destinos turísticos. Mas quem é estradeiro sabe a importância dos sinais.
Essa linguagem, que é mais comum nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, surgiu de forma espontânea. Não é ensinada nas auto-escolas (até pode ser, mas dificilmente é cobrada em provas, exames etc). Por isso, é possível classificá-la como folclórica e patrimônio imaterial.
Talvez a política de desenvolvimento acelerado de JK tenha incorporado de vez as montadoras de automóveis, o que praticamente definiria como sendo rodoviário o nosso principal sistema de transportes. Logo, muitas estradas de rodagem foram criadas, mas nem sempre houve manutenção e inovação. Tanto que muitas rodovias ainda hoje são de pista simples, e nelas, quando há um erro ou problema, a probabilidade de colisão frontal é enorme. E sair vivo deste tipo de acidente é praticamente um milagre: a velocidade relativa entre os veículos é de aproximadamente 200 km/h e é pior ainda quando caminhões e ônibus estão no meio, afinal pesam algumas boas toneladas.
Olhando com mais cuidado, são sinais simples e até mesmo intuitivos, já que tem por base o código de trânsito. Há duas possibilidades de comunicação: quando os veículos que se comunicam estão no mesmo sentido e quando estão no sentido contrário.
a. Mesmo sentido
A comunicação precisa ser feita entre veículos que trafegam no mesmo sentido, pois a potência do motor, a carga transportada e o comprimento de cada carro é diferente, logo se faz muito necessário. Por isso, o caminhoneiro que vai à frente tem visão e sinaliza para o que está atrás, fazendo com que seja facilitada a ultrapassagem.
Pisca para a direita
Sinaliza que o caminho está livre e é um bom momento para a ultrapassagem. Deve-se ter atenção neste ponto, pois o erro do motorista que sinaliza significa morte para o de trás.
Pisca para a esquerda
Quando é o veículo da frente que sinaliza, significa que o veiculo de trás não deve ultrapassar por algum motivo (sempre relacionado à segurança).
E quando quem está atrás que dá este sinal, significa que o motorista deseja fazer a ultrapassagem. Dependendo do contexto da situação, pode significar um pedido de auxílio, para que o veículo da frente sinalize em que momento é melhor a ultrapassagem.
Duas buzinadas curtas
Significa um agradecimento ou um “boa viagem!”. Geralmente, é dado no momento no qual se cruza o veículo. E, na maioria das vezes, há retribuição.
Pisca alerta ligado e desligado rapidamente
Pode significar o item anterior, que não talvez não tenha sido feito (ou às vezes para reforçar as duas buzinadas curtas). A retribuição do “obrigado” ou de “boa viagem” também pode ser dada através de duas piscadas com o farol alto.
Pisca alerta ligado
Significa algum perigo. É um pedido de atenção redobrada, pois pode ser que por algum motivo o carro da frente irá parar ou mesmo o fluxo todo irá parar.
Também pode significar chamar a atenção do carro de trás para alguma coisa que esteja acontecendo no próprio veículo e o motorista ainda não se deu conta.
Farol alto por um período médio
O veículo de trás chama a atenção do veículo da frente por algum motivo. A duração deste período funciona da mesma maneira que a intensidade da voz de uma pessoa quando se quer chamar a atenção (ex: falando, gritando, esperniando etc). Aqui também pode significar uma bronca por estar na faixa da esquerda quando poderia estar na da direita, pois ali é o local apropriado para ultrapassagens.
Apagar e acender as todas as luzes de uma vez
Significa que há fiscalização à frente. Não é muito recomendável, pois da mesma maneira que o carro de trás percebe, o policial à frente também perceberá e poderá “implicar” com o motorista da frente.
b. Sentido oposto
Esta é a comunicação espontânea mesmo. É a que chama muito a atenção, pois tem um curto período de tempo para acontecer e, por isso, depende sempre da atenção do outro motorista. Tudo não dura mais do que 3 segundos.
Geralmente ela começa com o pisca para a esquerda, pois é como se um motorista estivesse dizendo ao que vai cruzar: “Pode vir tranqüilo que eu estou falando para quem está atrás de mim, não ultrapassar. Tenha uma boa viagem!”. Duas piscads no farol alto, evidenciam que o motorista dirá mais alguma coisa. E estes sinais são sempre gestuais:
A uma palma de mão esticada
Significa literalmente “boa viagem!”. É como se o motorista dissesse que não há problemas no caminho do outro. “Vai tranqüilo!”.
Um braço movimentando como um pêndulo com a mão esticada
Barreira. Acidente. Carreta virada na pista. Desmoronamento. Há alguma coisa que está fechando a pista parcial ou totalmente. Dependendo da gravidade, os faróis de luz são dados muito mais vezes.
Quatro dedos virados para baixo
Animais na pista. Cuidado!
Dois dedos virados para baixo
Pessoas na pista. Cuidado!
Movimento da mão fechando começando pelo dedo mindinho até o polegar. A mão deve estar de lado, com o polegar para baixo. (famoso sinal de roubo)
Ladrão. Há ladrões na região, o motorista deve tomar cuidado.
Duas mãos paralelas fazendo movimentos alternados verticais
Balança. Há fiscalização de peso à frente.
Fricção dos dedos polegar, indicador e médio (Sinal de dinheiro)
Há policiais. Cuidado. Isto pode representar que realmente há corrupção ou não.
Fazer sinal com a mão como se apontasse uma arma
Há radar móvel na pista. O sinal é desta maneira, pois a forma do radar é a de um secador de cabelo, ou de uma pistola. O fiscal (muitas vezes policial) segura e aponta para a pista para saber qual a velocidade do veículo que está passando naquele instante.
Segurar a gola como se arrumasse uma gravata
Blitz grande. A gravate significa que o chefe dos policiais está participando da ação, ou seja, a tolerância é muito baixa (pente-fino).
Todos os dedos juntos e o movimento quebrado do pulso no sentido vertical (“afogar o ganso”)
Significa que há prostitutas na área. Pode ser também que haja “caronistas”, mulheres que trocam favores sexuais por carona. E isso atualmente representa um grande risco de assaltos.
Neste cenário perigoso, no qual motoristas passam muitas horas por dia dirigindo, cruzando infinitas vezes com outros veículos, rodando mais de mil quilômetros por dia, a criação desta linguagem própria foi fundamental para a sobrevivência nessas rodovias que não permitem erros.
Hoje em dia os rádios “TKS” são mais comuns e também ajudam bastante a vida na estrada, mas provavelmente não decretarão o fim da comunicação visual. O elemento credibilidade é muito baixo nestes aparelhos, pois não se sabe quem stá falando no rádio. E é praticamente nula a possibilidade de que um caminhoneiro passe uma informação errada de propósito ao cruzar com outro automóvel. Por isso, é bem difícil ela morrer.
Só mais um detalhe: por muito tempo, os sinais na Argentina eram diferentes. Existiu uma campanha para unificá-los, mas não sei dizer se isso surtiu efeito. Brincadeiras à parte, é bom sempre duvidar de um veículo argentino em situações perigosas.
Boas estradas!
Olé
O Centro do Poder*
Publicado em 15 de abril de 2010, às 21:45. | Deixe um comentário!
Artigo sobre Colunistas, Patrimônio, Turismo, Urbanismo.
*Publicado anteriormente no Guia da Semana, onde Victor também é colunista.
Os traços curvilíneos dialogam em extrema concordância com o azul do céu, quase insistente. O horizonte nunca deixa de ser avistado em nenhum ponto da cidade que, vez ou outra, assume ares de museu a céu aberto. Hoje, esta cinquentenária ainda exala um quinhão de juventude, efervescência, inovação e muito, mas muito poder.
Quando idealizada, Brasília recebeu imediatamente o título de zombaria de mau gosto. De norte a sul do país, ninguém acreditava na – insana – realização de Juscelino Kubitschek. Foi se tornando realidade, e então erguida de súbito no Planalto Central por milhares de brasileiros que para lá migraram, os conhecidos candangos. Tornou-se um caldeirão cultural dentro de outro, que é o próprio Brasil, assumindo sotaques, times de futebol, crendices e costumes de todos os povos do país.
Agora já é uma senhora crescida: não deixa nada a desejar para muitas capitais do Brasil e consolida-se como um destino turístico urbano de sucesso, apesar da imagem arranhada pelos inúmeros casos políticos que, infelizmente, sedia. Mas a obra máxima de Niemeyer tem muito a oferecer. De restaurantes elegantes e diversificados a uma extensa vida cultural, Brasília ainda entrega paisagens exuberantes às margens de seu fabricado Paranoá.
A capital federal tem particularidades que só são descobertas com o tempo de convívio e observação atenta. Uma delas, sem dúvida, é a dinâmica da cidade. O horário de rush, por exemplo, é às 17 horas, e não às 18, como de costume, denunciando o fim do expediente do funcionalismo público. Os endereços são quase nada além de números, que pouco significam à primeira vista do visitante, mas quando compreendido sob as asas do eixo, passam a ser óbvios. O florescer dos inúmeros ipês embeleza as vias todo setembro, dando vida nova à aridez persistente do clima.
Brasília completa, em 21 de Abril, 50 anos bem vividos, marcados pela reinvenção da arquitetura, consolidação do centro-oeste, personificação do poder e, por que não dizer, muitos escândalos. Como quarta maior cidade do país, merece o reconhecimento de toda a nação por sua importância, e a visitação de turistas que busquem em suas linhas marcantes a força e a leveza que a constituem. Sempre, é claro, sob aquele azul do céu.
Vai, vai, vai começar a brincadeira!
Publicado em 15 de outubro de 2009, às 15:34. | Deixe um comentário!
Artigo sobre Cultura Popular/Folclore, Patrimônio, Turismo.

A Peruada seria outro carnaval fora de época? Mais ou menos. Mais porque tem pessoas bêbadas percorrendo um circuito atrás de um trio elétrico. Menos porque é sempre um protesto contra a conjuntura política do momento. Basicamente, uma grande e tradicional festa organizada pelo Centro Acadêmico XI de Agosto da Faculdade de Direito do Largo São Francisco da USP, cujo cenário sempre são as ruas do centro da cidade de São Paulo.
Tradicional sim. Há registros fotográficos da década de 30! Seus primórdios parecem estar no ritual de libertação dos calouros, que após o “calvário” passavam a ser “franciscanos” de verdade. Então, o nome pode ter vindo deste ato de embebedar os novatos e perambular com eles pelas ruas, o que seria parecido com o “hábito caboclo de dar pinga aos perus, deixando-os tontos antes de sacrificá-los”.

Outra possibilidade é que o nome tenha se firmado em 1948, pois alguns alunos (entre eles o falecido Deputado Rogê Ferreira, então presidente do XI de Agosto – segundo o artigo de Maria Sabino, publicado pela OAB-SP) furtaram perus premiados (que pertenciam ao professor Mário Mazagão) e fizeram um banquete. E fizeram questão de convidar o dono das aves para saboreá-las. Isso rendeu no editorial do jornal O Estado de São Paulo o artigo: “Estudantada ou vandalismo?”
Talvez este episódio tenha sido o mais lembrado pela audácia de convidar o próprio dono e pelo objeto do furto ser peru. Porém, há relatos sobre estes furtos de animais, que eram comuns “para ´homenagear´ a figura do ladrão”, grande inspirador do estudo do Direito. Por exemplo, em 1945, o animal da vez foi um corvo e o destinatário, Getúlio Vargas.
Todos os anos, alunos da USP e de outras faculdades e universidades se fantasiam e dão vida para este grande bem imaterial da cidade. Uma simples sexta-feira do mês de outubro (sim, em horário comercial) pára e é uma grande mistura de gente de todo o tipo: alunos, comerciantes, mendigos, playboys, malucos, office-boys, camelôs, alienados, engajados.

- A lenda “Vitão” à esquerda e o Largo de São Francisco durante a Peruada. Foto: Sérgio Novaes.

O momento mais simbólico é a parada em frente à Câmara dos Vereadores de São Paulo. Aqui, o som também para e começa o desabafo direto. Sempre achei os discursos muito fracos: pouco embasamento, faltam umas músicas de protesto e idéias desorganizadas, que brotam espontaneamente na cabeça daquele que segura o microfone. Pode ser interpretado como o vizinho bêbado vindo reclamar de muitas coisas e que talvez não mereça a mínima atenção. E isso acaba sendo ruim, afinal esse é grande o diferencial da Peruada.
Faltam também pessoas que saibam cantar o Hino da Peruada. Uma só saber, não dá. Se ela fica sem voz, como já aconteceu, fica ridículo. Ao final deste parágrafo, o vídeo para aqueles que quiserem decorá-la. Antes, acho por bem dizer que é uma paródia da música “O Circo” e criada por Duda (Sanfran-USP), com participação de Tropeço (Turismo/ECA-USP), ela ganhou fama através dos jogadores do time de Rugby da Sanfran que “cantavam muito a música”, assim como o próprio Duda conta no começo do vídeo abaixo:
Letra:
Vai, vai, vai começar a brincadeira!
Tem cerveja de graça* a tarde inteira!
Vem soltar a lascívia acumulada!
Vai, vai, vai começar a Peruada!
Bebe, bebe, vagabundo,
que é melhor não estar desperto,
pra se a velha chagar junto,
enfrentar de peito aberto.
Pois no meio da folia,
meio-dia, céu aberto,
uma neta que protesta
vitupera sua nona,
que veio só dar carona
e resolveu ficar na festa.
Refrão
Quem tem medo de dentista,
ou vê sangue e dá um salto,
tem chilique em lugar alto,
teme sapo de brinquedo,
em outubro vai ter medo,
no dia da Peruada,
pois o centro é infestado
de canhão, de bruxa e draga.
Tem até mulher barbada
neste circo disfarçado!
Refrão
Os vapores da cachaça
fazem mudar todo mundo.
O careta é maconheiro
e o nerd é vagabundo.
O juiz é sem juizo,
o alegre é moribundo
Mas não vale esse brocardo
pra quem joga do outro lado.
O Vitão lançou o grito
e não deixou de ser viado.
Refrão
De terno, gravata e meia,
franciscano quer a morte.
Ouve a turba, titubeia,
o extinto é mais forte.
Bem na hora do batente,
o estagiário some.
Seu chefe fica valente,
mas por dentro se consome.
Noutro tempo inconseqüente,
fora um ébrio de renome.
Refrão
Foi beijada a velha nona,
foi beijada a bailarina.
É beijada toda hora,
a safada da Marina.
Todo mundo se devora,
Pierrot e Colombina.
Quem zerou até agora,
mesmo assim não desanima.
Porque a festa só termina
quando o dia for embora.
Vai, vai, vai terminar a brincadeira!
Que a cerveja rolou a tarde inteira.
Morre o sol, faz-se sombra nas arcadas.
Vai, vai, vai terminar a Peruada!
*Antigamente a cerveja era de graça para os alunos. Quando o Centro Acadêmcio resolveu cobrar, mudaram o refrão para “gelada” (invés de “de graça”).
Em 2009, o mote é:
“Hoje tem marmelada? Tem sim senhor! E o palhaço quem é? É o povo
brasileiro, que entre imposto, taxa e penhor, sustenta, do Senador ao
Governador, mais de uma família inteira.
Meu peru, pobre coitado, só quer deixar o seu recado, e pede um pouco de
vossa atenção para, nas ruas de São Paulo, ensinar sua lição; Mas, coitado, é
julgado, dito culpado, por corrupção.
Aqui não tem ato secreto, é tudo mostrado e explicitado, pelo meu peru
indiscreto. Não há grampo, escuta ou editorial, gripe suína ou outro
mal, que impeça o peru de pular seu carnaval. Com os alunos da Velha
Academia há mais de um século comanda sua folia. Rir para corrigir os
costumes, eis o lema de sua alegria!
Mas agora aparecem com uma série de acusações, dizem que têm provas:
várias gravações. Mas para quem já viu ambulância sanguessuga, anões
do orçamento, falso pregador, o que tem demais um cargo pro meu
parente do interior?
E NEM assim ele se dá por vencido, meu peru agora é olímpico. Nessa
manifestação político-etilico-circence ele sabe que é o rei. Afinal, pro meu
peru não existe lei, ele é parente do Sarney.” (via opportune-tempore)
Deixando as pequena críticas de lado, ela é imperdível!
Ainda dá tempo de improvisar uma fantasia e cair na folia. E lembre-se: quando você for chefe, perdoe eventuais faltas de seus estagiários, em certa sexta-feira do mês de outubro.
Boa Peruada!
Olé
PERUADA (Concentração):
SEXTA 16/08 às 9h30 da manhã
Informações no CA XI de Agosto: 3111-4082 / 3034-5496
Referências sobre a Peruada e o XI de Agosto no livro:
Livro: A Heróica Pancada – Centro Acadêmico Xi de Agosto: 100 Anos de Lutas. De Cassio Schubsky (org.).
Consulte também os sites:
Eu tenho uma amiga
Migalhas
XI de Agosro
Por que Paraty?
Publicado em 8 de junho de 2009, às 00:07. | 2 Comentários
Artigo sobre Cultura Popular/Folclore, Festivais, Literatura, Livros, Patrimônio, Turismo.

Em menos de um mês, acontecerá um dos mais esperados encontros literários: a FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty). Não é como algum evento de inverno em Campos do Jordão aparenta ser: vazio, onde se tem a impressão de que muitas pessoas vão apenas para ostentar. Essa festa é uma ótima oportunidade para conhecer gente interessante, desde os autores e palestrantes até o público do evento.
Por que Paraty? Paraty tem um conjunto arquitetônico rico, foi um dos grandes portões de entrada do Brasil e viveu seu auge no período aurífero. Estagnou no tempo. O que trouxe a região (litoral Sul do RJ até o Litoral Norte de São Paulo) novamente para o mapa brasileiro foi a estrada Rio-Santos (anos de 1950). E isso ajudou Paraty a cultivar lendas e tradições em tal ambiente de outros tempos, com pouquíssima interferência desenvolvimentista dos grandes centros. Assim como na Biologia, é uma relação de protocooperação: ao mesmo tempo em que a FLIP traz aspectos de requinte intelectual à cidade, a cidade dá ambiência de séculos passados ao evento.
Então, não é nada inteligente ir para a FLIP sem o conhecimento razoável de Paraty. Não só a história oficial contada por séculos, mas também seus contos passados pela oralidade. Por isso, recomendo o livro Paraty – Encanto e Malassombras, de Thereza e Tom Maia.
Esta obra é resultado de pesquisa realizada entre os anos de 1973 e 2005. Pelo nome, pode dar a impressão de que tem muitas páginas com as “malassombras”, mas não. Ele é um “guia cultural” com a história da cidade, pequena descrição sobre as festas, bibliografia (boa lista de referências para outros estudos) e histórias contadas por moradores envolvendo alguns pontos da cidade. Estas últimas foram escolhidas por serem as mais repetidas “dentre as mais de sessenta fitas gravadas” em campo. Também há muitas coisas em inglês. Isso tudo dá corpo às 166 páginas do livro.
Farinha de Suruí
Aguardente de Parati,
Fumo de Baependi,
É só comê, bebê, pitá e caí.
Os autores são o casal Thereza e Tom Maia, que se apaixonaram pela cidade desde a primeira visita em 1958. Junto com outras pessoas, também são responsáveis pela fundação do Instituto Histórico e Artístico de Paraty. Outra obra que parece ser bastante interessante deles (ainda não li) é Paraty – Religião e Folclore, premiada pelo MEC. Isso mostra o quanto se dedicaram pela memória material e imaterial da cidade.

- Foto de Gláucio Dutra Rocha

Caso não esteja com sono durante a madrugada, vale pegar o livro e dar uma volta pela cidade procurando “os seres da noite”. Com certeza a FLIP será outra depois de encontrar o “Coveiro Ladrão” ou talvez a carruagem de Dona Geralda…
Boa festa!
Olé
PS: Este documento pode ajudar, caso não encontre o livro até a FLIP.
Crédito da última foto: Gláucio Dutra Rocha.






